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A corrupção de Grace

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Um conto erótico de Grace
Categoria: Trans
Contém 4898 palavras
Data: 15/07/2026 13:59:38

Ei, você sabe o que é superdotação?

Eu gostaria de ter descoberto muito antes. Talvez tivesse entendido por que sempre me senti tão diferente das outras pessoas. Recebi o diagnóstico já no fim da adolescência. De repente, fez sentido por que estudar sempre foi tão fácil para mim. Aprender nunca exigiu muito esforço. Eu lia uma vez, entendia e pronto.

Só que o diagnóstico não respondeu nem metade das minhas perguntas. Tudo bem, eu era superdotada. Mas por que conversar com alguém ainda parecia muito mais difícil do que resolver uma prova? Pena que o diagnóstico não veio acompanhado de um manual de como fazer amigos.

Cresci sendo filha única de pais extremamente protetores. Eles sempre acreditaram que estavam fazendo o melhor para mim, e talvez estivessem. Mas, no fundo, às vezes sinto um pouco de raiva. Enquanto eles me protegiam do mundo, também me impediram de aprender a viver nele.

Estudar nunca foi um problema. Aprender sempre foi natural. Entrar em uma universidade renomada foi apenas consequência disso. A faculdade, sinceramente, é a parte mais fácil da minha vida.

O difícil sempre foram as pessoas.

Eu nunca tive amigos de verdade, nem sequer colegas, companheiros ou qualquer coisa do tipo. Nunca aprendi a conversar naturalmente. Depois de trinta segundos de alguém falando comigo, fico morrendo de vergonha e procuro qualquer desculpa para ir embora.

Às vezes nem desculpa arrumo, eu apenas me viro e vou embora.

Trabalhos em grupo quase sempre terminam comigo fazendo tudo sozinha. No fim das contas, eu entendo livros muito melhor do que entendo pessoas.

Quando passei na universidade e precisei me mudar para outra cidade, enxerguei aquilo como uma oportunidade. Pela primeira vez, ficaria longe dos meus pais. Pela primeira vez, poderia recomeçar. Antes de fazer as malas, prometi a mim mesma que seria diferente.

Eu faria amigos. Aprenderia a conversar. Aceitaria convites para sair. Iria a festas. Experimentaria beber. Aproveitaria a vida universitária como qualquer outra pessoa. Deixaria de ser conhecida apenas como a garota esquisita.

Foi um ótimo plano.

Só que não deu certo.

Agora estou no terceiro ano da faculdade, quase nada mudou. Continuo indo da faculdade para casa e de casa para a faculdade. Continuo sem amigos. Continuo passando meu tempo livre estudando ou lendo algum livro. E continuo evitando qualquer situação que envolva conversar com pessoas por mais tempo do que o absolutamente necessário.

Ei, você sabe fazer risoto? Eu particularmente gosto muito de risoto, derrete na boca e o sabor final sempre me surpreende. Costuma ser a receita de sexta-feira à noite.

Muita gente acha complicado, mas, na verdade, é só entender o processo. O arroz precisa ser arbóreo, o caldo deve estar sempre quente e não dá para despejar tudo de uma vez. Você vai colocando aos poucos, mexendo sem pressa, até o arroz chegar no ponto certo.

E nada de caldo industrializado! Precisa ser o de legumes e caseiro!

...

Acho que gosto de cozinhar justamente por isso. Receitas fazem sentido. Se você segue o processo, o resultado costuma ser previsível.

Diferente das pessoas.

Meu risoto de hoje estava praticamente pronto, era só ajustar o sal.

Estranho, o saleiro está vazio. Tudo bem, acho que tem mais no armário.

...

Acho que o sal acabou e eu esqueci de comprar mais.

Fiquei alguns segundos encarando a panela. Pensei em comer daquele jeito mesmo. Depois pensei em pedir alguma coisa por aplicativo. Seria bem mais fácil, mas eu teria que interagir com o entregador...

Então lembrei da promessa que fiz quando me mudei.

Sair de casa sem ter planejado antes é quase um sofrimento físico para mim. Minha noite já tinha um roteiro: cozinhar, jantar, ler um pouco e dormir. Agora eu precisava mudar os planos, e meu cérebro começou imediatamente a inventar desculpas para não sair.

Respirei fundo.

Se eu realmente queria mudar, precisava começar por pequenas coisas. Comprar um pacote de sal não deveria parecer uma missão impossível.

Alguns minutos depois, eu já estava no mercado do bairro, andando pelos corredores com os olhos mais voltados para o chão do que para as pessoas.

Encontrei o sal. O único problema era que ele estava na prateleira mais alta. Fiquei na ponta dos pés e estiquei o braço o máximo que consegui. Nada. Tentei de novo. Continuava longe demais.

Foi quando uma mão apareceu ao lado da minha. Antes que eu tentasse alcançar de novo, a mulher simplesmente pegou o pacote de sal e o colocou na minha frente. Fiquei alguns segundos olhando para o pacote. Depois para ela.

Ela era bem mais alta que eu e sorria como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

— Não vai agradecer? — a mulher perguntou, ainda sorrindo.

— O-obrigada... — tentava processar, meu cérebro entrou em curto.

A palavra saiu tão baixa que nem eu tinha certeza se ela tinha ouvido. Evitei olhar diretamente para ela. Meu único instinto era pegar o sal e ir embora, mas minhas pernas simplesmente decidiram esquecer como funcionavam. Em vez de seguir seu caminho, ela começou a andar ao meu lado.

— Você mora por aqui?

— M-moro.

— Estuda?

— S-sim.

— Qual curso?

Ela continuou puxando assunto com uma facilidade impressionante. Eu respondia com frases curtas, praticamente sussurrando, mas, por algum motivo, isso não parecia incomodá-la. Ela simplesmente encontrava outro assunto e seguia conversando.

Com a cabeça baixa, olhei de canto e consegui reparar nela de verdade.

Usava um short jeans curto, botas e uma camiseta que deixava parte da barriga à mostra. Não era uma roupa exagerada, mas transmitia uma confiança que eu nunca tive. Olhei discretamente para minha calça jeans, meu tênis e minha camiseta larga. Eu jamais teria coragem de sair vestida daquele jeito. Não porque achasse errado. Apenas passei a vida inteira tentando chamar o mínimo de atenção possível.

Eu odeio ser o centro das atenções.

Enquanto ela falava, comecei a reparar em outra coisa. Ela parecia genuinamente interessada na conversa. Não fazia perguntas invasivas, não julgava minhas respostas curtas e nem parecia desconfortável com meu jeito tímido. Ela simplesmente conversava. Eu queria muito saber fazer isso.

Por coincidência, acabamos na mesma fila do caixa. Ela brincou com a demora, conversou com a atendente, cumprimentou um senhor que passava pelo corredor e ainda desejou boa noite para a moça que estava embalando as compras. Parecia conhecer metade do bairro. Eu só observava. Quando saímos do mercado, descobrimos que morávamos no mesmo prédio.

— Sério? Então vamos andando juntas.

Pensei em dizer que precisava passar em outro lugar. Pensei em inventar qualquer desculpa. Mas nenhuma saiu. No final, apenas concordei com a cabeça.

Durante o caminho, ela continuou falando naturalmente. Comentou sobre uma cafeteria que fazia um ótimo cappuccino, uma padaria que vendia o melhor pão da região, uma lavanderia que salvava a vida de quem morava sozinho. Eu tentava acompanhar, mas minha cabeça estava ocupada demais pensando em como responder sem parecer estranha.

Quando percebi, já estávamos dentro do elevador. Ela sorriu.

— Posso conhecer seu apartamento? Tenho curiosidade para ver como ficaram essas plantas.

Congelei. Eu não esperava essa pergunta. Como se recusava alguém educadamente?

Será que ela ia achar que eu não tinha gostado dela?

Ela só queria conhecer o apartamento. Seriam só alguns minutos. Demorei poucos segundos para responder. No fim, em vez de dizer "não", tirei a chave do bolso e abri a porta. Não faço ideia de como chegamos até a sala. Na verdade, eu mal me lembrava do caminho entre o mercado e o apartamento. Lembrava de ter entrado no elevador. Depois...

Nada.

Minha cabeça simplesmente desligou. Voltei à realidade quando ouvi sua voz.

— Você sabe uma coisa? — a mulher portava um sorriso provocador, sempre aquele maldito sorriso.

Levantei os olhos.

— Você parece uma coelhinha assustada.

Senti meu rosto esquentar imediatamente, abaixei o olhar de uma vez. Ela deu uma risadinha.

— Ei, eu não estou reclamando — fez uma pequena pausa antes de completar. — É fofo.

Naquele instante, tive absoluta certeza de que meu rosto tinha acabado de ficar da cor de um tomate. Ela deu um passo à frente, meu primeiro impulso foi recuar, mas não recuei.

Por que não recuei? Minhas pernas travaram de novo?

Ela estava próxima demais, o suficiente para eu sentir o perfume que ela usava. Era um cheiro suave, difícil de definir, mas estranhamente agradável. Meu coração acelerou tanto que tive medo de ela conseguir ouvir. E, por algum motivo que eu ainda não entendia, eu simplesmente permaneci ali, parada. O cheiro dela, aquela mulher exalava algo que eu não sabia como explicar, só sei dizer que senti todo o meu corpo relaxando.

Conforme ela se aproximava, ela me fitava. O olhar dela era diferente, como se todo o peso do mundo caísse sobre as minhas costas. Eu não conseguia desviar, acho que nunca fiz contato visual com alguém por tanto tempo. Ela ergueu a mão lentamente, por um instante, achei que fosse tocar meu rosto. Em vez disso, seus dedos encontraram uma mecha do meu cabelo, prendendo-a delicadamente atrás da minha orelha.

Um gesto tão simples, mas ninguém jamais tinha feito aquilo comigo. Senti um arrepio percorrer meus braços até a espinha. Ela sorriu de leve, como se tivesse percebido minha reação.

— Você fica nervosa com facilidade, não fica?

Abri a boca para responder, nenhuma palavra saiu. Ela deu mais meio passo. Agora havia tão pouco espaço entre nós que eu conseguia sentir sua respiração misturada à minha. Meu coração batia tão forte que parecia impossível ela não ouvir. Ela inclinou a cabeça, esperando. Esperando que eu recuasse, como uma coelhinha assustada, mas permaneci ali.

Então, muito devagar, ela aproximou o rosto do meu. Seus olhos buscaram os meus uma última vez e, sem entender exatamente por quê, fechei os olhos. Segundos depois, senti seus lábios tocarem os meus. Foi um beijo breve, mas o suficiente para deixar meu corpo quente como uma fornalha.

O que era aquele calor? Era tão diferente, tão urgente, como se meu corpo clamasse por algo que eu não compreendia.

Quando ela se afastou apenas alguns centímetros, abriu um sorriso discreto. Ainda de olhos fechados, levei alguns segundos para lembrar como se respirava, meu coração vacilou, como se parasse de bater por um breve momento.

Abri os olhos novamente, meus olhar foi direto para o chão. Evitei o contato visual com ela, mas fiz contato com outra coisa. Um volume em seu short.

Ela riu quando percebeu que eu encarava o volume entre suas pernas. Deslizou a peça de roupa até o meio de suas coxas, fazendo um membro veiudo, grosso e do tamanho do meu antebraço saltar para fora. A cabeça daquela coisa bateu na minha barriga e latejou, fazendo uma certa pressão no meu abdômen.

Meu Deus... O que era aquilo?

...

Meu cérebro simplesmente se recusou a aceitar o que meus olhos estavam vendo. Aquilo não fazia o menor sentido.

Durante toda a minha vida, o mundo sempre pareceu organizado em caixas muito bem definidas.

Homens eram de um jeito, tinham pau e bolas, XY.

Mulheres eram de outro, tinham vagina e peitos, XX.

Era assim que os livros descreviam, era assim que meus professores ensinavam, era assim que meus pais falavam. Tudo sempre pareceu simples, ou eu acreditava que era.

Só que, pela primeira vez, a realidade não cabia dentro das definições que eu tinha decorado durante a vida inteira. Meu primeiro impulso foi procurar uma explicação que colocasse tudo de volta em ordem.

Não encontrei. Quanto mais eu tentava encaixar aquela mulher nas categorias que eu conhecia, mais percebia que o problema talvez não estivesse nela.

O mais estranho era que nada daquilo mudava o que eu tinha sentido até aquele momento.

E no meio dessa crise existencial, ela levou a mão até a minha cabeça e me forçou a ajoelhar no chão gelado. Foi fácil para ela, não sei dizer se foi pela diferença de força, aquela mulher parecia ter o dobro do meu tamanho. Ou se foi por causa do meu corpo totalmente entregue, ainda sentia as pernas travadas, o coração batendo rápido e a respiração descompassada.

Agora, estava cara a cara com o gigante entre suas pernas. O cheiro invadiu minhas narinas e tudo se tornou ainda pior. A visão ficou turva e mal conseguia me concentrar em nada ao meu redor, a não ser naquela coisa na minha frente. Era um odor denso, moralmente sujo e fisicamnte limpo ao mesmo tempo, com um toque de sal e algo tão intenso que parecia sair diretamente da pele e me intoxicar, subindo pelo meu nariz e se espalhando pelo meu corpo todo. Minha cabeça girou, um calor estranho começando a borbulhar na minha barriga.

— Abre a boca — a voz dela saiu como um sussurro rouco.

Era uma ordem dela, uma ordem que eu não poderia questionar.

Ou poderia?

Dentro de mim, um grito de "não" se formou, meus lábios se apertaram em uma linha fina de resistência. Meu corpo, no entanto, traiu minha mente. Senti a mandíbula se relaxar, os músculos do meu pescoço cedendo. A ordem dela era um comando físico e mental, meu corpo obedeceu. Minha boca se abriu, um pequeno ato de rendição e submissão.

A carne dura, quente, com veias salientes se aproximou. A cabeça era larga e arredondada, já brilhava com o pré-gozo na ponta. Era maior do que qualquer coisa que eu pudesse imaginar, a média de um pênis ereto no Brasil era em torno de treze a quinze centímetros. Aquilo era muito maior.

Ela segurava a base do seu pau e o aproximou do meu rosto. Eu fechei os olhos por um segundo, e quando os abri, a ponta estava a centímetros dos meus lábios. Movida por uma força que não era minha, minha língua saiu, tímida e trêmula, tocando a ponta. O sabor era salgado, limpo, intenso. A textura era sedosa e firme ao mesmo tempo. Eu a envolvi com os lábios apenas na cabeça, num movimento hesitante.

Quando aquilo entrou na minha boca, senti uma fascinação doentia tomando conta de mim. Um som baixo e rouco saiu do peito dela, um gemido de prazer que vibrou no ar.

— Mais fundo, coelhinha — ela sussurrou, novamente aquele apelido ultrajante.

Quando sua mão veio para trás da minha cabeça e os dedos entrelaçaram no meu cabelo, senti uma descarga elétrica direto para o meio das minhas pernas. Aquele calor de novo, só aumentava, era como uma febre, mas extremamente concentrada na minha parte íntima. Eu mal conseguia suportar aquilo.

Da parte dela, não houve mais gentileza. Ela empurrou os quadris para a frente, forçando o pau para dentro da minha boca. A cabeça passou pelo meu palato, o eixo grosso esticando meus lábios e meu maxilar até o limite. Eu aguentei até a metade, sentindo a carne dela preencher cada centímetro da minha boca. Eu engasguei, meus olhos lacrimejaram, e ela recuou um pouco, mas não saiu.

Ela me manteve assim por mais alguns segundos, antes de, com um suspiro, puxar o pau da minha boca com um som úmido e obsceno. A mão que estava na minha cabeça agora me agarrou pelo braço, me levantando com uma facilidade que me assustou. Me guiou pelos corredores da minha própria casa, seus passos pesados e seguros ecoando contra os meus. Ela entrou no meu quarto como se fosse dona do lugar, me empurrando delicadamente para trás até que minhas pernas bateram na cama e eu caí sentada na beira.

Ela se ajoelhou na minha frente, a altura dos nossos rostos finalmente nivelada. O olhar dela de pura dominação. Ela se inclinou e me beijou. Seus lábios eram macios, e eu me entreguei. Então, ela começou a beijar cada parte do meu corpo. A língua quente e úmida passou pelo meu queixo, meu pescoço, a depressão na base da minha garganta. Cada beijo tornava tudo ainda mais insuportável, aquele calor só aumentava.

Era torturante, aquela intensa necessidade de ter algo que eu sequer sabia, que eu sequer havia experimentado tomava conta de mim. E cada toque da sua língua na minha pele me fazia me entregar cada vez mais. Meu corpo, que estava dividido entre tenso e relaxado, agora se amolecia sob a atenção dela.

Suas mãos encontraram o botão da minha calça. Com uma destreza alucinante, ela a desabotoou e a puxou para baixo, junto com a minha calcinha. Eu a ajudei, levantando os quadris, foi instintivo, como se meu corpo soubesse o que precisava ser feito, ao contrário da minha mente.

Ela se afastou por um instante apenas para me observar e, com uma facilidade impressionante, agarrou minhas coxas e as ergueu, fazendo com que eu ficasse naquela pose tão submissa e humilhante diante dela. Minha intimidade jamais havia ficado tão exposta para alguém quanto estava para ela. Aquela mulher parecia gostar do que via e do que sentia. Ela inspirou fundo e fechou os olhos. Logo depois, desceu, curvando o corpo sobre a cama. Ficou entre minhas pernas e, sem aviso, sua língua encontrou o meio delas.

Ali ficava a minha vagina, sentia que estava úmida, quente, era dali que todo aquele calor se originava. Com a língua daquela mulher, tudo se tornou mais claro .

Era isso que eu precisava? Era isso que os casais faziam?

Eu chupei seu membro, chupei seu pau. Agora, ela chupava a minha intimidade, chupava a minha... buceta?

A língua dela subiu, indo direto para o meu clitóris. Eu gemi alto, um som que não reconheci como meu. Ela chupou minha buceta com uma perícia devastadora, a língua dela dançando, sugando, mordiscando. Era um carnaval de prazer que percorria todo o meu corpo como um corrente elétrica incessante e deliciosa. Toda aquela pressão se acumulou em mim, uma onda crescente de um calor que nunca havia sentido antes e que eu não conseguia controlar. Pela primeira vez na minha vida, um orgasmo me varreu. Meu corpo se contorceu, minhas pernas tremeram, e um grito de prazer puro e incontrolável escapou da minha garganta.

Um orgasmo, então era isso? Essa deliciosa sensação que por anos foi escondida de mim, tão prazeroso, tão delicioso.

Por que esconderam isso de mim por tanto tempo?

E estranhamente, o que me causou isso foi algo que desafiava a minha lógica de mundo. Uma mulher com um membro de homem.

As ondas de calor ainda percorriam meu corpo quando ela subiu, cobrindo meu corpo com o dela. O peso dela era reconfortante, poderoso, imponente. Senti o pau dela ainda molhado, duro e monstruoso, pressionar contra a minha coxa, molhado com minha saliva e o próprio desejo dela. Ela olhou nos meus olhos, e através do reflexo em sua pupila, eu não vi mais a tal "coelhinha assustada". Vi apenas uma mulher que queria ser comida, desejada, possuída.

— A propósito, meu nome é Claire — a mulher sussurrou com um sorriso no rosto enquanto ainda me encarava.

— Grace — tentei responder, minha voz quase não saiu.

— Grace... — o sorriso dela se abriu um pouco mais. — Combina com você.

Senti a pressão firme da ponta do pau dela exatamente na minha entrada, um calor ainda mais intenso do que o meu. Em vez de avançar, Claire deslizou aquela cabeça grossa e úmida para baixo, passando-a lentamente entre meus lábios inchados e escorregadios. O movimento foi torturante. Logo, deslizou para cima, a cabeça do pau dela roçou meu clitóris, que ainda latejava, sensível demais depois do primeiro orgasmo da minha vida que ela mesmo me causou.

Minhas pernas tremeram, como aquilo poderia ser tão bom?

Era prazer, mas era quase dor, uma superestimulação que me deixava sem fôlego. Ela fez isso de novo, e depois mais uma vez, usando o próprio membro para me masturbar, para me enlouquecer. Eu arquei as costas, um gesto instintivo para tentar capturar mais daquela sensação, para forçar a penetração que meu corpo já ansiava pela minha mente intoxicada. Mas Claire era forte, controlada. Cada vez que eu tentava empurrar os quadris para cima, ela recuava um pouco, me negando o que era para ser inevitável.

Porque? Porque me negava uma sensação tão prazerosa, uma satisfação que ia além da minha compreensão?

A cabeça do pau dela voltou a pairar sobre a entrada da minha buceta, a abertura molhada e pulsante. Ela a encostou, aplicando uma pressão mínima, apenas o suficiente para que meus músculos se contraíssem de antecipação, para que eu sentisse a imensidão daquilo que estava por vir. E então, nada. A pressão cessou. Ela estava brincando, desfrutando de todo o seu poder misturado à minha frustração crescente. Minhas mãos agarraram os lençóis, torcendo o tecido entre os dedos. O cheiro do nosso sexo, do meu prazer e do seu desejo não satisfeito, enchia o quarto, um perfume denso e embriagador.

Não aguentava mais. A necessidade era uma dor física, um vazio que precisava ser preenchido. A humilhação de estar completamente à sua mercê, de suplicar com o corpo, queimava minhas bochechas, mas o desejo era mais forte. Minha voz saiu rouca, quebrada, um sussurro desesperado no silêncio pesado do quarto.

— Por favor, Claire... Enfia logo, eu preciso, não aguento mais...

Ela soltou um som baixo, um grunhido de aprovação que vibrou em meu peito. E então, ela cedeu. Não foi rápido. Foi um avanço lento, implacável. A cabeça enorme do pau dela começou a abrir caminho, esticando minha carne virgem como nunca antes. A sensação foi dilacerante, uma queimadura aguda e profunda que me fez prender a respiração. Meus olhos se arregalaram, um som grave preso na garganta.

Era grande demais, era demais para mim. Mas, por mais que minha mente gritasse que era impossível, meu corpo cedia. Minha buceta, surpreendentemente, estava receptiva, tão molhada e ansiosa, acolhendo aquela invasão com uma fome que eu não sabia que era capaz de possuir.

Claire parou, com apenas a cabeça do pau dentro de mim, me dando tempo para me acostumar àquele preenchimento avassalador. Eu sentia cada pulsação dela, cada veia saliente pressionando minhas paredes internas. A dor aguda começou a se transformar em um peso profundo, em uma plenitude que era quase confortável. Meus músculos se relaxaram em torno dela, um convite silencioso que ela não precisou de muito tempo para entender.

Com um movimento de quadris lento e profundo, ela empurrou mais. O pau dela deslizou para dentro, até que senti o corpo dela encostar no meu. Estava completamente cheia. Ela começou a se mover. Primeiro, lentamente, quase que com carinho, puxando quase até a saída e depois mergulhando fundo novamente. Cada estocada era uma onda de sensação, uma mistura de dor residual e um prazer que crescia exponencialmente. O ritmo dela aumentou, o que antes era lento se tornou um bater constante, forte. Ela passou a me foder com força, o som da nossa pele batendo, do pau dela entrando e saindo da minha buceta molhada, ecoava no quarto, junto com meus gemidos, agora altos e sem controle.

Eu delirei no seu cacete, minha mente rodava e eu mal sabia quem era, onde estava e quem era aquela pessoa em cima de mim. O mundo exterior desapareceu. Só existia aquela dor prazerosa, o ritmo implacável de quem me fodia, o peso do corpo dela sobre mim. Minhas pernas se envolveram em volta da cintura dela, puxando-a para mais perto, pedindo por mais, mais fundo, mais forte. Cada metida batia no fundo do meu útero.

Eu não era mais eu mesma. Naquele momento, eu era um corpo de puro prazer, um receptáculo para o poder dela.

Senti aquela mesma sensação se aproximando, aquela mesma sensação de quando sua língua estava trabalhando no meu clitóris. Outro orgasmo, mas desta vez diferente do primeiro. Não foi uma explosão súbita, mas uma maré crescente, uma pressão que subia das profundezas do meu ser. E quando eclodiu, foi devastador. Meu corpo se contorceu em um espasmo incontrolável, minhas paredes se contraindo violentamente em torno do pau dela. Um grito alto e primal escapou da minha garganta enquanto o prazer me cegava, me inundando, era como se eu me desintegrasse daquele mundo material.

Enquanto meu corpo ainda tremia nos ecos do meu segundo orgasmo, senti o ritmo dela mudar. Os golpes se tornaram curtos, rápidos, desesperados. Ela gemeu fundo, um som igualmente animal de possessão e satisfação, e então senti a primeira explosão de calor. O pau dela pulsou dentro de mim, e uma onda de um líquido quente e espesso me encheu. Ela continuou a bombear, me enchendo, me marcando, até que senti o líquido escorrer para fora, misturando-se com meus próprios fluidos.

...

Não sei por quanto tempo fiquei inconsciente. Quando despertei, levei alguns segundos para entender onde estava, para entender quem eu era e quem era aquela pessoa encostada na parede próxima à janela. As memórias foram voltando aos poucos. Claire permanecia encostada na parede, perto da janela aberta. O vento frio balançava a cortina, trazendo o cheiro forte do cigarro que queimava lentamente entre seus dedos.

Minha primeira reação foi procurar minhas roupas. Tentei me levantar. Meu corpo simplesmente não respondeu. Um peso estranho tomava conta dos meus braços e das minhas pernas, como se eles não me pertencessem. Claire percebeu que eu havia acordado. Jogou a bituca de cigarro pela janela e a fechou. Se aproximando devagar, mantendo uma distância respeitosa.

— Acordou, coelhinha? — ela se sentou na beira da cama. — Você leva jeito para ser fodida, parece que nasceu com um dom.

Fechei os olhos por um instante, tentando organizar os pensamentos. As últimas lembranças vinham em flashes desconexos.

— Eu até perdi o controle, nunca tinha fodido uma buceta tão apertada como a sua — a voz dela saiu rouca, parecia lembrar da sensação. — Aqui, toma isso.

Claire colocou um comprimido na minha mão. Olhei para aquele comprimido e depois para ela, e antes que eu pudesse perguntar...

— Pílula do dia seguinte — ela riu. — Como eu disse, perdi o controle, acabei enchendo a buceta virgem da coelhinha de porra.

Olhei para o lençol e realmente, entre minhas pernas ainda escorria um líquido branco, pegajoso e quente.

— E aposto que você não quer ficar grávida, certo? — não havia julgamento em sua voz, nem ironia, apenas preocupação.

Engoli em seco. Mais do que qualquer outra coisa, eu sentia vergonha. Vergonha por não entender a mim mesma. Vergonha por perceber que, em poucos minutos, todas as certezas que carreguei a vida inteira pareciam ter desmoronado.

— Agora eu preciso ir — ela se levantou. — Eu moro nesse mesmo andar, no vinte e três. Se quiser um novo round, sabe onde me procurar.

Antes que ela saísse do quarto, ela me olhou por cima do ombro.

— Foi divertido, coelhinha — ela mandou um beijo no ar. — Se cuida!

E então, finalmente, ela saiu. Ouvi a porta bater.

...

Não sei em que momento voltei a dormir. Talvez o corpo simplesmente tivesse decidido descansar depois de uma noite que minha mente ainda era incapaz de compreender. Quando acordei novamente, a luz do sol atravessava a cortina e iluminava o quarto. Por alguns segundos, fiquei encarando o teto. Tudo parecia um sonho ruim.

Ou um sonho bom. Eu ainda não sabia decidir. Levantei devagar. Meu corpo ainda protestava a cada movimento, mas já conseguia caminhar. Ao passar pela cozinha, vi a panela, continuava em cima do fogão. Ao lado da pia, a sacola do mercado permanecia exatamente onde eu a havia deixado. O pacote de sal ainda estava lá. Sorri sem querer.

Saí de casa para comprar um pacote de sal, voltei com a vida inteira de cabeça para baixo. Peguei o pacote nas mãos e fiquei alguns segundos olhando para ele. Era curioso. O objeto que tinha dado início a tudo parecia o único que continuava exatamente igual.

Passei a manhã inteira tentando estudar. Abri um livro. Li a mesma página cinco vezes e mesmo assim não conseguia compreender uma palavra sequer. Sempre que fechava os olhos, lembrava de Claire. Seu sorriso, os olhos penetrantes, o tamanho do...

Ah, merda.

O que está acontecendo comigo? Essa não sou eu. A Grace de sempre iria ler a página no livro em menos de um minuto e compreenderia na primeira leitura.

Porque? Porque estou assim?

Eu não conseguia explicar.

Sempre que eu olhava para a cama, sentia o cheiro dela. Era inconsciente, e toda vez aquele calor entre minhas pernas voltava. Talvez eu estivesse me tornando obcecada por ela.

Uma adicta pelas sensações que ela me proporcionou na noite de ontem.

Olhei para a porta do apartamento, toquei a maçaneta, por um momento, passou pela minha cabeça ir até o apartamento vinte e tr...

Não. Balancei a cabeça. Isso era uma péssima ideia. Ela provavelmente nem queria me ver de novo. Ela tinha dito aquilo apenas por educação. Ou por brincadeira.

Além disso...

O que eu diria?

Ridículo.

Dei dois passos para longe da porta. Depois voltei. Respirei fundo. Se eu não fosse até lá, faria exatamente o que sempre fiz. Fugiria.

Passei três anos prometendo que seria diferente. Talvez mudar não significasse deixar de sentir medo. Talvez significasse fazer alguma coisa apesar dele. Antes que pudesse inventar mais uma desculpa, saí do apartamento.

Cada passo pelo corredor parecia mais pesado que o anterior. Quando parei em frente ao apartamento vinte e três, meu coração já batia tão forte quanto na presença de Claire.

Levantei a mão.

Ainda dava tempo de desistir.

Ainda dava tempo de voltar para casa.

Ainda dava tempo de fingir que nada daquilo tinha acontecido.

Fechei os olhos.

Respirei fundo.

E bati na porta.

Claire me atendeu com um sorriso no rosto, como quem sabia que em algum momento, eu voltaria até ela.

Eu entrei.

E então, a porta se fechou.

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