[Essa é uma história grande, fica o aviso!!!]
Eu tava com saudade de entrar na pica do pai do Heitor e precisava de um repeteco, nem que fosse a última vez. Mas como, se o coroa não respondia minhas mensagens? Já tinha até desistido de conseguir entrar em contato com ele, mas teve um dia que eu liguei, chamou, chamou e de repente aquela voz grossa atendeu do outro lado da linha.
- Desembucha, moleque. Tá me procurando por quê?
- Geraldo?! Mentira que é você!
- Tu liga pro meu celular e fica surpreso que sou eu? Queria que fosse quem, o Heitor? Ligou errado, Vitão.
- Geraldo, não fala assim. Achei que a gente nunca mais fosse se falar, tô feliz de ouvir sua voz. Como você tá, homem? Quero te ver, preciso!
- Eu tô... Indo. Quer me ver pra quê? Eu e tu já demo o que tinha que dar. A melhor coisa que a gente faz é ficar longe um do outro, vai por mim. Ainda mais agora, nesse momento da minha vida.
- Claro que não. O certo era a gente ter se afastado antes da merda acontecer, agora é o de menos. Agora eu tô solteiro e você também... Quer dizer, não sei você, mas eu tô. Vamo marcar de tomar um gelo qualquer dia desses?
- Um gelo? – ele hesitou. – Não sei se é legal, Vitão.
- Por favor, só um gelo. A gente troca ideia, mata saudade e eu vejo como você tá. Quero te ver, poxa, quase dois anos longe. Posso ir até você sem problema, só me passa o endereço.
- Tem certeza, moleque?
- Só tenho certeza, Geraldo. Manda aí a localização e bora marcar o reencontro. Já tô animado.
- Eu moro na Penha agora. Aqui é comunidade, não fica ruim pra tu?
- Fica nada, eu sou agente do SUS. Entro e saio fácil de tudo quanto é favela, deixa comigo. Vou aí te ver assim que pintar uma folga, combinado?
- Se tu insiste... Me avisa antes, pra eu te buscar no pé do morro.
- Beleza. Então até logo, sogrão. Ou melhor, ex-sogrão. Hahahah.
Quando você acha que a vida já teve reviravoltas suficientes, chega o inesperado e te surpreende, é mais ou menos assim que funciona.
Uma semana depois do papo por telefone, eu apareci na Penha preparado pra encontrar meu ex-sogro. Fui com a roupa do serviço, cheguei no pé da comunidade e mandei mensagem pra ele me encontrar, até aí tudo bem. Enquanto aguardava pelo Geraldo, parei perto de um campo de futebol e me distraí vendo os machos gritarem e correrem de um lado pro outro atrás da bola.
- Chuta, Caveira, chuta! Passa a bola, porra, estica não! – pediu um dos homens.
- Tu tá marcado, Digão, não adianta! – o tal do Caveira não passou a bola pro amigo.
- Eu dou conta, cuzão, só toca a porra da bola! – Digão insistiu.
- Bora, Caveira, toca! – foi a vez de um segundo rapaz pedir.
- Que se foda, Alemão, vou tentar daqui mesmo! – Marcelo Caveira meteu o pezão descalço na bola e chutou com tudo em direção ao gol, mas o goleiro foi mais sagaz, pulou e a pegou no ar, pra infelicidade dele.
- Aaaah, vai tomar no cu! Mandei tu tocar e tu nessa de bancar o herói, se fudeu! Vacilão!
- Tá maluco de mandar eu me fuder, Digão!? Fala direito, cria, tá falando com teus capacho não.
- Qual foi, vai peitar!? – um cresceu pra cima do outro, eles se encararam frente a frente e os peitorais suados chegaram a se tocar.
Lembro que eu tava na minha observando tudo e só consegui pensar que aquela cena tinha muito homoerotismo implícito, principalmente quando a cintura do Caveira encostou no quadril do Digão na hora dos empurrões. Alemão, amigo deles, teve que se meter no meio pra impedir que a porrada estancasse na peladinha.
- Ô, ô, ô! Tão maluco!? Perderam a noção? Foca na porra do jogo, seus otário, joga na moral. Viaja não. – o loiro berrou com os colegas.
- É esse otário aí, só sabe xingar e humilhar os outro. Toda hora fica xingando. – Caveira resmungou.
- Tenho culpa que tu é um merda no fute? Num fode, rapá. – Digão não deixou barato.
- Pera lá, Digão, dá um tempo também! Eu aqui apaziguando e tu botando lenha? Sossega, meu parceiro. – Alemão falou grosso e lutou pra esfriar os nervos dos amigos.
Assim que os ânimos se acalmaram no campinho de futebol, eu analisei cada um daqueles machos com a devida atenção que eles mereciam e confesso que perdi bons minutos me deliciando com a beleza bruta que o asfalto do Rio de Janeiro é capaz de parir. Três tipos distintos de melanina, três corpos totalmente diferentes entre si, cada um marrento à sua própria maneira e ostentando uma testosterona diferenciada.
- Podemo voltar a jogar? Não vão se matar? – Alemão perguntou.
- Bora terminar logo isso. – Caveira falou.
- Tô de boa, quero mais jogar não. Cansei. – Digão saiu do jogo, caminhou pro canto do campo e foi interagir com as moças que tavam passando na rua principal.
Marcelo Caveira era o mais velho e o mais baixo dos três. Não exatamente baixinho, algo em torno de 1,68m, mas seu corpo era largo feito um armário e todo socadinho, do abdômen robusto, porte físico parrudo e braços fortes de ex-policial do BOPE, o que explicava o apelido Caveira. Pele negra mais escura que a minha, cabeça careca, aparência de 39 anos e as orelhas estouradas de tanto cair e arrastar no tatame do jiu-jitsu.
- “Caralho, que negão gostoso da porra... Imagina um macho desse trepado em cima de mim e fudendo pra emperrar meu cu... Tá maluco! Deve ser nota mil, esse é faixa preta!” – minha cabeça pegou fogo quando vi Marcelão sentar no meio do campo, abrir as pernas e coçar o saco.
Sabe aquela puxada que o cara dá com o dedo mindinho na virilha pra desafogar as bolas do meio das coxas? Ele fez isso virado de frente pra mim, com as solas suadas miradas na minha direção, e meus olhos cresceram. Eu não sabia se olhava pras patoladas insistentes, pros pezões ou pro seu jeito meio marrento de se portar, só sei que minha vontade foi de levantar e ir lá cheirar o saco do Caveira de perto.
- Já que vocês são dois vacilão, vou ganhar. – Alemão saiu do campo e foi em direção à moto.
- Coé, paizão, já vai meter o pé? – Marcelo reclamou.
- Já, deu minha hora. Tô com paciência pra aturar birrinha de vocês não, prefiro comer buceta.
Kelvin, vulgo Alemão, tinha esse apelido graças aos olhos verdes e ao cabelo loirinho, crespo natural. Não só o cabelo, todos os pelos do corpo dele eram claros, e isso causava um efeito bonito quando o sol batia e o danado suava. Ele era o mais alto do trio, com seus 1,87m. Tinha 26 anos, os braços fortes, pele parda beeem clara e carcaça de peão de obra, cheio de tatuagens no corpo.
- “Esse é outro gostoso. Ó a cara de pitbull de raça desse filho da puta...” – minha pele ouriçou quando ele passou por mim, subiu na moto e soltou os chinelões nos pés.
Até seu jeito de montar na motocicleta me deixou perplexo, só consegui imaginar o loiro fortão montando em mim. E o torneado das panturrilhas? Porra, fiquei louco! Como se nada disso bastasse, ele sentou na moto, ajeitou o malote confortável no meio das pernas e botou a mão dentro do calção pra dar aquela coçada marota na pentelhada.
No fim, Alemão disfarçou, sentiu o cheiro dos dedos e eu quase caí pra trás na arquibancada, doido pra ajoelhar na frente dele.
- Mereço... Cadê o puto do Geraldo que não chega? – tirei o celular do bolso, mandei mensagem pro coroa e ele não respondeu.
Foi aí que aconteceu. Lembro do momento exato em que aquele macho me mirou de longe, cruzou o olhar no meu e saiu do canto do campo de futebol pra caminhar na minha direção, como se a gente se conhecesse. Meu corpo gelou, ele parou na minha direção e foi direto.
- Qual foi, tu é daqui?
- Boa tarde. Não moro aqui, mas sou agente do SUS e faço visita de acompanhamento em algumas comunidades.
- Mas é tua primeira vez aqui? Nunca te vi, pô.
- Sim, primeira vez que venho na Penha.
- Saquei... E cadê teus bagulho de trabalho?
- Bagulho? – não entendi.
- Tu não é médico?
- Técnico em enfermagem.
- Ah, tu é enfermeiro? Cadê tuas pasta, as medicação? Nem mochila tu tem, tá fazendo o que aqui?
- Olha... É Digão, né? Digão, como te falei, só vim visitar um paciente. Tô aqui a trabalho, não vim arranjar problema com ninguém.
- Como é que tu sabe meu nome, comédia? Tá me palmeando, tu? Tu é X9, cuzão?!
- Eu tô esperando meu paciente aparecer e tava aqui vendo o futebol de vocês, nada de mais. Não precisa se irritar por tão pouco, amigão. – tentei apaziguar.
- Paciente, né? Então já é, quero ver se ele vai brotar. Mas já aviso logo. – Digão passou por mim, foi até à arquibancada e pegou o colete, a arma e o radinho de comunicação, que havia tirado pra jogar bola. – Se teu paciente não aparecer, tu tá fudido. Tô achando tua história muito estranha, meu parceiro.
Se antes eu já tava gelado, daí pra frente foi calafrio atrás de calafrio, fora a vontade surreal de dar na cara do Geraldão. Se o coroa tivesse chegado ali na hora combinada, já estaríamos na casa dele e eu não passaria por essa situação, mas não, ele tinha que atrasar e me colocar na rabuda. A sorte é que Digão saiu, foi no poste mais próximo, levantou a perna do short e botou o cacetão pra fora, começou a mijar.
- “CA-RA-LHOU!” – foi a única coisa que consegui pensar.
Eu queria ser um cidadão comum que vê a violência urbana e foge, mas não adianta, mora uma vagabunda rampeira dentro de mim. Bastou o molecão sacar o revólver e eu apaguei da mente o risco que ele oferecia, ou melhor, esse risco virou o tempero da minha atração. Nem a arma pendurada no ombro dele conseguiu me impedir de manjar a mijada grossa no poste, e o que mais me impressionou é que, o verdadeiro fuzil, ele guardava no short.
- Diguinho piruzinho! – uma loira rabuda passou, viu o bandidão tirando água do joelho e resolveu zoar com a cara dele.
- Coé, garota, tá gastando!? Ó o piruzinho aqui, ó! – Digão mirou a pica nela, arregaçou o prepúcio carnoso e mostrou a glande rosinha, nem aí pros rastros brancos ao redor dela.
- Vai lavar esse pau, seu nojento! Hahahaha! – a safada riu à beça.
- Vou é estourar tua xereca, isso sim! Te pegar bolado depois do baile, tu vai ver.
- Duvido! Nunca vou dar pra você, se manca.
- Então já é, quer apostar? Ainda vou botar na tua buceta, gozar dentro de tu. Tu vai sentir meu leite escorrendo e vai bater palminha com a xota, vou te engravidar. Meter logo dois filhote, papo de gêmeos. Tehehehe! – ele falava e sacudia a giromba pra ela, pouco preocupado de alguém ver.
- Sai fora, tarado! Bahahah! – a loira seguiu caminho, deixou o tralha pra trás e ele terminou de mijar sozinho.
Quem me ganhou não foi o Caveira e seu corpo parrudo suado, muito menos o Alemão e sua beleza meio gringa. Não foi o físico de um ou a aparência do outro que mexeu comigo, mas sim o jeito do amigo deles. Aquele ali era claramente o líder da tropa, o chefe do bando, o lobo alfa da alcateia. Digão não precisava de olhos claros ou de parrudez, o fogo tava na aura dele, no jeito meio insolente de olhar e de apontar o dedo na cara dos outros na hora de falar.
- “Ah, se eu tivesse coragem de pegar um macho desse...” – minha mente diabólica imaginou mil possibilidades, uma mais marginal e delinquente que a outra.
Aquele ali fazia ESTRAGO. Famoso moreno da piroca preta, com direito a cabecinha rosa, sacão pentelhudo e marcas de bronzeado dos chinelos sobre os pés. O molecão se afastou, foi em direção ao boteco na esquina da rua principal e encontrou um pessoal lá, mas eu percebi que ele continuou me olhando de tanto em tanto tempo, pra não me perder totalmente de vista.
- “Tô fudido... Chega logo, Geraldão, puta que pariu!” – suei frio.
Comecei a ficar preocupado com as encaradas e pensei em sair de fininho, mas o celular vibrou no bolso, chegou mensagem e o vacilão do Geraldo finalmente respondeu.
- Cadê tu, Vitão?
- Perto da arquibancada, no campo de futebol.
- Também tô aqui e não te vi ainda.
Andei pra trás, desci a arquibancada e dei de frente com um Geraldão mais agrisalhado que nunca. Não 100% grisalho, ele tava naquele tom cinzento antes dos pelos ficarem totalmente brancos, sabe? Menos barrigudo, menos bochechudo e com o bigodão de sempre, mas agora cinza. A julgar pela aparência, os acontecimentos do último um ano e meio mexeram com sua forma física, porque ele claramente perdeu peso e tava com semblante de cansaço.
- Caramba, Geraldo, quanto tempo! Maneiro ver você, até que enfim! – fiquei tão animado que até esqueci que tava puto com a demora dele.
- Fala, moleque. É, tem um tempo mesmo. E parando pra pensar, a última vez que a gente se viu foi a maior merda.
- Que nada, não vamo pensar nisso. O importante é que eu tô aqui agora, vendo você. Tá magrinho, ó! Fitness?
- A vida deu uma cambalhota atrás da outra Vitão, tu não imagina. Bora lá no barraco? Chega aí.
- Vamo, nunca recusaria um convite seu. – olhei em direção ao boteco, vi Digão bebendo à vontade com os parceiros dele e aproveitei pra subir a favela com o Geraldão.
Andamos algumas ruelas acima e eu não demorei nem dois minutos pra começar a sentir o fogo que sentia antigamente. Não era exatamente a mesmíssima chama, já que antes eu namorava o filho dele e a putaria rolava escondida, mas ainda assim senti uma fagulha gostosa, talvez pelo Geraldo caminhar na minha frente e eu acompanhar suas pisadas firmes nos chinelos de dedo. As panturrilhas grossas cheias de pelos, as costas largas, o corpo volumoso... Nostalgia pura.
- Aqui é onde eu moro hoje, garoto. – ele parou em frente a uma casinha humilde, apontou pro muro todo pichado e ficou meio envergonhado.
- Não tô entendendo a timidez, Geraldo. Cê esqueceu que eu voltei a morar na Cidade Alta? Sou cria de favela, cara.
- Eu sei. Mas tu me conheceu em Realengo, morando naquele casarão enorme. Nem eu acostumei a morar aqui ainda.
- Mas me conta, homem, tô curioso. O que aconteceu?
- Heitor. Heitor aconteceu. Selma me jogou na rua depois que descobriu minhas puladas de cerca, mas eu ainda tinha esperança de me acertar com ela.
- Sim, eu lembro. Na vez que eu te enrolei lá no motel, você disse isso. Que ia ser nossa última foda e que depois cê ia tentar voltar pra ela, lembro bem.
- Pois é. E tu me deixou igual um trouxa esperando, seu merdinha. – o coroa me olhou torto e rosnou, mas abriu o portão, me convidou pra entrar e mostrou que tava tudo bem.
- Aí me fala, você foi em Realengo e ela não te quis de volta?
- Pior, Vitão. Fui em Realengo e o Heitor já tava lá, antes de mim. Ele contou pra ela de tu, Selma ficou horrorizada. E o Heitor é advogado... Até meu último fio de cabelo na cabeça ele tirou. Saí desse divórcio sem um puto no bolso. Meu próprio filho... O advogado mais carniceiro que eu já vi. Tu tinha que ver ele argumentando comigo e me mandando calar a boca em frente ao juiz, Vitor.
- O Heitor... Mandou você calar a boca? Difícil de acreditar, ele sempre foi tão... Filhinho de papai.
- Ele só me deixou com a roupa do corpo, ele e a mãe dele. Desde então, a gente nunca mais se falou, nem se viu. Fiquei um ano e tantos meses sem contato com o Heitor, até que... Semana passada ele mandou mensagem.
- MENTIRA!? E como é que ele tá?!
- Não respondeu. Disse que não me perdoou, mas que eu sou pai dele e que ele quer me ver. Falou que sabe onde eu tô morando e que qualquer hora vai aparecer aqui na Penha, mas eu não quero que ele venha.
- Ué, Geraldo, por que não? É seu filho, cara. Sei que o que aconteceu foi horrível, mas a culpa também foi minha. Eu que vim de fora, vocês são família de sangue. Uma das qualidades do Heitor é que ele é justo, sempre foi. Teu filho tem o coração grande demais pra ficar guardando ódio e rancor, aceita a visita dele.
- Então, moleque... É que tem outro problema. – ele alisou a nuca.
- Outro problema?
Só então o macho fechou o portão de ferro, parou no quintal e me olhou sério.
- Eu não vim morar na favela por falta de opção... Vim morar aqui porque foi a única coisa que eu não botei no meu nome. Essa casa é minha. É pequena e tal, mas é minha.
- Ah, que ótimo. Se ela tivesse no seu nome, o Heitor teria arrancado também. Hahahah. – tentei quebrar o clima sério.
- Teria mesmo. Mas ele nem sonha que essa casa é minha... Nem ele, nem Selma e nem ninguém daquela família.
- Tá, Geraldo. Mas por que tanto segredo?
- Senta, moleque. – ele puxou uma cadeira de plástico típica de bar, me pôs sentado e me preparou pro choque.
- Conta logo, porra! – eu não tava aguentando de curiosidade.
- O Heitor não é meu único filho, Vitão. Eu guardo esse segredo desde mais novo, ninguém sabe. Tive um caso fora do casamento e engravidei uma mulher chamada Leila, essa casa eu comprei e botei no nome dela.
- PUTA MERDA, SOGRO! – levantei na mesma hora. – Quer dizer, ex-sogro. Você tem um filho mais novo!? Heitor não sabe que tem um irmãozinho?! Caralhos me mordam! Então quer dizer que eu fui só a terceira putinha que você engravidou? Teve outra antes de mim?
- Tô falando sério, Vitão. Respeita a Leila. Eu vinha visitar ela vez ou outra no começo, mas era casado com a Selma, tinha minha vida em Realengo e acabei abandonando a coitada. Na época foi bem tenso.
- Cara, na boa? Não sei nem o que dizer, tô zonzo.
- Por isso mandei tu sentar. É foda...
- Você traiu a dona Selma, teve um filho fora do casamento, comprou uma casa pra amante morar com seu filho bastardo e agora que divorciou, voltou pra viver com eles? Tipo uma família estepe, um plano B?
- Olha a boca, moleque. Tá pegando pesado nas palavras, segura a língua. Às vezes tu é sincero demais.
- Foi mal, tô pensando alto. É só que... Porra... Já pensou se o Heitor descobre que tem um irmãozinho fora do casamento nessa altura da vida? Justo agora que ele disse que quer te ver... Meu Deus, Geraldo, que bomba!
- Entendeu por que não quero que ele venha aqui?
- Tô sacando. E vem cá, por onde andam dona Leila e o bebezinho, tão aí dentro? Vai ficar estranho se eu pedir pra conhecer sua segunda família?
- Leila é falecida. Deus a tenha. – o coroa se benzeu. – Agora, aquele peste... Sei lá onde tá, vive solto por aí. Não tenho mais idade pra tomar conta de filho novinho, Vitão. Tu não imagina como tem sido morar aqui e conviver com esse garoto.
- Meus sentimentos pela perda. – apertei o ombro dele. – Olha, se você gosta desse garotinho, sabe que ele é seu filho e respeita a alma da falecida, fica do lado dele. Ele cresceu sozinho com a mãe e sem o pai por perto, não deve ser fácil pra ele também. Digo isso porque meus pais eram separados.
- Meu problema com ele nem é esse... É que eu não sei o que fazer. Não levo jeito pra ser pai nessa idade.
- Você sem jeito pra alguma coisa, Geraldão? Desde quando? Nem parece o meu sogro de antigamente, poxa. Cadê aquela autoestima, o espírito de decisão? Você que tem o poder, lembra?
- Tinha, garoto, hoje não tenho mais nada. Esse moleque inferniza dia e noite, não aguento mais! E morar em favela é foda, ele vive à mercê... Vai ter um dia que vai dar merda e esse filho da puta vai aparecer morto.
- Morto!? Calma lá, cara! Que isso, também não é pra tanto! A Penha anda tão perigosa assim?! Aqui tem muita operação?
- É que não é só a Penha que é perigosa, Vitão... Ele também.
Escutei barulho, olhei pro lado de fora e, pro meu pavor, Digão saiu do boteco e tava subindo a rua, seus olhos mirados na minha direção. Achei que tinha despistado o bandidão minutos atrás, mas ele me achou no quintal do Geraldo, apareceu armado na calçada e confesso que minhas pernas tremeram quando vi o macho abrir o portão.
- “Fudeu! Esse cara é dono do morro e veio me caçar aqui dentro, tô perdido!” – pensei.
- Ô, ô! Tá pensando que vai aonde com esse trambolho? Se vai entrar na minha casa, pode tirando as armas e o radinho da cintura. Quero nada disso aqui dentro. – Geraldão não teve mete, foi curto e grosso com o marginal.
- Meu Deus, Geraldo... Você tá doido de desobedecer os caras do movimento, homem? Respeita o Digão... – falei baixinho, quase suplicando pela minha vida.
- Ele é Digão do portão pra fora. Do portão pra dentro, é Rodrigo. Não é Rodrigo?
- Tá certo. Foi mal, pai. – Digão abaixou a cabeça e obedeceu.
- P... Pai? – meus pés perderam o chão.
Abri a boca pra dizer alguma, meus lábios pararam de se mover e meus olhos secaram, não consegui piscar. O mesmíssimo moreno gostoso e roludo que eu vi jogar bola mais cedo, o mesmo que veio cheio de perguntas pra cima de mim e desconfiou da minha procedência... Filho “perdido” do Geraldão, meu ex-sogro. As peças se encaixaram e eu entendi a razão de ele não querer que o Heitor aparecesse na Penha. Um filho advogado e o outro bandido, que irônico.
- E agora, paizão do ano, posso entrar? – Digão tirou as armas, o radinho e a mochila das costas, botou tudo em cima do muro e levantou as mãos, meio debochado com o pai.
- O colete também. Não precisa disso em casa, sabe que eu não gosto. – Geraldo deu a ordem.
- Iiih, qual foi? Nunca quis saber de mim, agora vai bancar o pai presente? Heheheh. Se orienta, rapá, pega tua visão. – o garotão fez o sinal de uma arma com a mão e forçou o dedo indicador na cabeça do coroa, em tom de zombaria.
Sério, eu ainda não sabia o que dizer ou como reagir. Nunca imaginei uma situação dessas. Quando Geraldo contou, pensei que o segundo filho dele ainda fosse uma criança ou um bebê, mas não, Rodrigo já era um homem. Homem não, um PUTA MACHO! E da pior espécie: tralha, marginal, envolvido.
Ele tinha pele morena clara, tanquinho trincado e era definidinho, com várias tatuagens no braço, no tórax, no peitoral, no pescoço e no rosto. Relojão de pulso, antebraços e mãos veiúdas, anéis e cordão de ouro, 18 anos de pura malícia. Boné pra trás, cabelo descolorido de branco e disfarçadim na régua, short caindo na cintura e sem cueca por baixo, a pentelhada escura aparecendo pra quem quisesse ver.
Pirocudo, sovacudo, pezudo, descalço, largado e solto na favela, com direito a tornozeleira eletrônica apitando. Digão era um “vida loka” que não tinha nada a perder e que me botou pra refletir por um looooongo tempo naquele quintal. Ô, vida bandida do caralho... E pensar que o escroto do Maurício Carrasco e o invejoso do sargento Wellington não me deixaram tão pensativo quanto esse fedelho.
- Mas qual vai ser, velhote...? – Digão me tirou dos pés à cabeça e eu arrepiei na hora. – Não vai apresentar o amigo?
- Depois eu te apresento ao Vitor, Rodrigo. Entra, eu fiz comida. Vai almoçar.
- Já é. Valeu aí... Vitor. – o molecão piscou o olho direito e exibiu o dedo polegar pra mim. – Até qualquer hora. Nós se esbarra.
- V-Valeu. – tremi de medo.
Assim que o novinho saiu do quintal e entrou em casa, Geraldão apontou o dedo na minha cara, me botou contra o muro e foi direto ao ponto.
- NEM PENSAR!
- Calma aí, p-
- TU NÃO OUSE! ESCUTOU!? NÃO INVENTA!
- Você tá achando que eu sou doid-
- JÁ É DIFÍCIL PRA CARALHO DOUTRINAR ESSE MOLEQUE, NÃO QUERO MAIS PROBLEMA NA MINHA CABEÇA! TU TÁ OUVINDO, VITOR!? ME ESCUTA, EU TÔ DANDO O RECADO!
- RELAXA, PORRA! SOSSEGA, VOCÊ NÃO É MEU PAI! – tive que bancar o rebelde pra ele parar de me amolar. – Isso tudo é o quê, culpa de pai ausente ou ciúme de mim? Pelo amor de Deus, Geraldo, fica de boa aí. Acabei de conhecer teu filho, cê acha que eu sou uma piranha que vai dar o cu pra ele!?
O cretino coçou o queixo, alisou o bigodão e riu.
- Acho. Ou tu esqueceu de como a gente foi do céu ao inferno rápido? Geheheh...
- Agora você ri, né, coroa?
- Agora, só agora. Rir é o que me resta, garoto... Não chega perto do Rodrigo. Vai por mim. Aqui na favela ele é conhecido como Ruim, não queira descobrir a origem do apelido. Meu filho usa tornozeleira, Vitor. Eu tenho que aturar, porque é meu filho, mas tu... Negativo. Vaza, sai fora daqui. Quero tu longe da Penha.
- E você acha que eu teria coragem de sair com um cara perigoso desse?! Tô fora. Se você tá com problema, eu também tô. Ou esqueceu que teu filho me botou na rua? – olhei pro muro, vi a mochila deixada ali em cima e observei o radinho ligado, a arma e o colete.
- Também deu ruim pra mim. Heitor nunca mais olhou na minha cara.
- Eu sempre falei que ia dar merda e você nunca acreditou.
- E tu esperou o tempo passar pra vir jogar na minha cara? Olha pra mim, Vitão. Meu filho é bandido, tu veio aqui chutar cachorro morto. Fala logo tudo que tu tem pra falar, termina de acabar comigo e some de uma vez. Não quero mais dor de cabeça, já basta.
- Bom. Eu... Só queria mesmo... – andei até ele e dei-lhe um abraço apertado.
- Tá foda, garoto... Tu não queria saber por que eu sumi? Acho que já deu pra entender. Sinto vergonha. Sou um fracasso como pai, arruinei minha família.
- Pensa pelo lado bom, Geraldo. Cê pode ter errado com um, mas acertou em cheio com o outro. A prova de que o Heitor é um advogado de respeito é que ele deixou o próprio pai careca, não é?
- Filho da puta que tu é. Tehehehe... Pelo menos conseguiu me fazer rir. Safado... Heheheh. É... Meu moleque é bom. – ele sorriu, abaixou a cabeça e desfez o riso. – Queria poder dizer meus moleques...
Nós ficamos ali no quintal conversando e matando a saudade durante quase uma hora direto, e deu pra ver que meu ex-sogro se afastou porque estava realmente lidando com as consequências de várias coisas ao mesmo tempo. A briga feia com o Heitor, o divórcio da dona Selma, a expulsão de Realengo, a vida nova na Penha, a falta de juízo do Digão, tudo isso causou estrago no Geraldão e até seu jeitão de predador tava diferente, meio ofuscado.
- Valeu a visita, moleque, mas é melhor tu ir. Não volta na Penha de novo, faz o que eu tô pedindo. Tô cansado de dor de cabeça. Não que tu vá me dar problema, só prefiro evitar.
- Relaxa. Qualquer dia te chamo pra você ir lá em casa tomar uma, pode ser?
- Depois a gente vê isso. Agora vai, tá ficando tarde.
- Vou mesmo. Bom te ver, Geraldo. Até.
- Até, Vitão.
- Opa, opa, opa... Onde é que o enfermeiro tá indo, posso saber? – Digão surgiu de repente no quintal, passou pelo portão e pegou o colete, a arma e o radinho que havia deixado em cima do muro.
- Não te mete, Rodrigo. Meu colega só veio fazer o trabalho dele, tá trabalhando pra Prefeitura. Fica fora disso. – Geraldo avisou.
- Ô, tu só manda em mim daí pra dentro, velho. Daqui pra fora, meu nome é Digão. A favela é de quem? Quem manda nessa porra? – o pivetão marrento pôs a mochila nas costas e subiu na moto. – Bora, comédia, sobe.
- E-Eu!? – tremi das pernas.
- Sobe. Tá indo embora? Dou um bonde até o pé do morro.
- Relaxa, Digão, não precisa se incomo-
- Eu não tô pedindo, rapá. Sobe logo, porra!
Olhei pro Geraldo no portão, vi a respirada tensa que ele deu e logo soube que eu tava fudido. Não tive escolha. Subi na garupa, tentei me equilibrar pra não fazer muito contato físico e sentei bem pra trás, mas o filho da puta puxou meu antebraço, me fez escorregar pra frente e meu peitoral esbarrou na mochila dele. Digão deu partida, eu acenei pro coroa e ele fez um sinal pra eu avisar quando chegasse.
- Qual foi, tá tremendo? – Digão me encarou pelo espelho retrovisor.
- Não levo jeito pra andar de moto, eu desequilibro fácil. – menti.
- Tô ligado. Achei que tava com medo de mim.
- N-Não! Você é filho do Geraldão, sei que é gente fina.
- Geraldão? Geheheh. É assim que tu chama o velho?
- É o apelido dele, por quê?
- Bagulho de viado. Geraldão... Mó vacilo. Hehehe.
- Coisa de amigo. Na real mesmo, não vou mentir: tô com um pouco de medo de tá na garupa de um cara armado. Se acontecer alguma coisa, vou ser o primeiro a me fuder. Desculpa ser sincero. – eu gelei depois de falar.
- Relaxa, comédia. – ele parou a moto e mandou eu descer. – Tá entregue. O ponto do busão é pra lá, o mototáxi é pra cá. Tamo junto, enfermeiro.
- Valeu, Digão. Mas eu ainda não me formei, sou só técnico.
- Tanto faz. Fé, fé, fé. – o moreno roncou o motor várias vezes, empinou a moto e saiu cantando pneu morro acima, sumindo entre as ruelas.
Continuei descendo, fui pro ponto de ônibus e levei um tempo digerindo a tensão de ter reencontrado Geraldo e conhecido o filho perigoso dele. Mandei mensagem avisando que tava bem, o coroa ficou aliviado e me pediu pra não voltar lá, mas eu sabia que algo dentro de mim ainda queria dar a última foda com ele, aquela pra ser a despedida com chave de ouro depois de tudo de ruim que aconteceu.
O foda é que minha mente deu curto-circuito quando vi Rodrigo “Digão”, o Ruim, pela primeira vez. Eu já tinha visto esse macho desaforado jogando bola com os amigos no campinho, porém não fazia a menor ideia que ele era filho do Geraldão, e isso me pegou desprevenido. Como se não bastasse, vi o molecão marrento mijar um litro de urina no poste, manjei o tamanho da peça dele de longe e não deu pra negar:
- “Tal pai, tal filho... Tais filhos.”
Os dias passaram, viraram semanas, eu mandei mensagens tentando marcar a trepada com meu cinquentão favorito, mas ele não respondeu. Comecei a me preocupar de algo ter acontecido, pensei em aparecer na Penha de novo e acabei não me segurando, fui lá conferir se tava tudo bem. Pra ser sincero, acho que eu só queria mesmo um bom motivo pra ir, por isso fui.
Fiz que nem da outra vez e vesti meu uniforme do SUS, só que agora levei pasta com documentos e mochila de trabalho pra disfarçar. Já sabia onde ficava a casa do meu ex-sogro, subi direto, parei no portão e dei o primeiro grito.
- GERAAALDO!
- Olha só quem tá aqui... – o filho da puta surgiu do nada, quase que das sombras do beco que havia em frente à casa. – Voltou pra consultar meu coroa, meu parceiro?
- Eu... – virei pra trás, vi aquele pedaço de mau caminho vindo na minha direção e a pele esquentou na mesma hora, sobretudo com o tamanho da arma na mão dele.
E também a arma deformando a parte da frente da bermuda, essa foi a mais difícil de ignorar. Digão tava com a blusa do Flamengo jogada no ombro, sem colete, o jeans baixinho na cintura e a pentelhada suada de fora, como se tivesse acabado de correr. Ele estava ensopado, com a respiração ofegante e suor pingando, mas o que mais chamou minha atenção foi o cheirão forte de terra molhada, muito parecido com...
- Tijolo... – pensei alto.
- Qual foi?
- Nada, é que senti cheiro de tijolo.
- Ah, podes crer. Tô suadaço, mano. As piranha fala que eu tenho mó cheirão de tijolo mesmo, sem neurose. Heheheh.
- Sério?
- Papo reto. Visão. – ele levantou o braço, mostrou a sovacada calibrada no perfume natural e eu cheguei a me contorcer pra não meter a cara.
- É... Deve ser teu perfume.
- Não, nem uso essas porra. É meu cheiro. Tô como, cansadão.
- Chegando agora da pista, Digão?
- Tô mesmo. A noite inteira de plantão, tô viradaço. Tava ali no setor comendo a piranha.
- Agora?! – bem que eu desconfiei da falta de fôlego e do sorrisão largo do moleque.
- Tava. Enchi-lhe a buceta de leite, teheheh! Pedi pra botar no cuzinho, mas ela é toda fresca. Mas tá bom, deu pra esvaziar. Cadê, o velho ainda não deu as cara? – abriu o portão e foi nesse momento que o pai dele surgiu na porta da sala.
- Já falei que não quero arma e nem nada dessas coisas dentro de casa, Rodrigo. – Geraldão avisou.
- Tá, tá, já sei. Tu quer ser o pai exemplar, já entendi. – o moreno revirou os olhos, bufou e foi tirando item a item pra deixar em cima do muro, igualzinho da última vez.
Arma, colete, radinho... Eu vi ele entrar com outro rádio escondido no bolso da bermuda, mas fiquei na minha, afinal de contas não queria arranjar problema. Minha missão ali era entrar e sair de fininho pra ver o Geraldão, portanto fiquei de boca calada, apertei a mão do coroa e ele esperou o filho entrar em casa pra começar a me dar esporro.
- Avisei pra não voltar aqui, Vitão, tu tá maluco!?
- Tô, tô maluco pra dar pra você de novo. Nem que seja a última vez, por isso eu tô aqui. – mandei a real.
- Para de frescura, moleque, o assunto é sério! Eu não tenho uma relação 100% com o Rodrigo, se ele encrencar contigo só Deus sabe o que ele é capaz de fazer. Vai, some daqui! – ele apontou o dedo na minha cara.
- Mas eu quero a despedida, Geraldo. Não tivemos a última foda e agora o caminho tá livre, não tem mais o Heitor no caminho. A gente merece isso, cara, cê sabe que vale à pena! – me aproximei dele, encaixei meu rosto naquela mão grossa de eletricista experiente e o maduro esquentou.
Sua pele deu uma leve arrepiada, ele hesitou brevemente e eu vi parte daquela fagulha que tanto me cercava e me queimava na época que eu namorava com o filho dele. Aquela mesmíssima centelha que dava choque no meu corpo, gerava faíscas e fazia a gente grudar um no outro em corrente elétrica, até o antigo fogo que ele tinha no olhar apareceu pra mim.
- Putinho... – Geraldo se deixou levar por um segundo, apertou meu queixo e pigarreou, como se fosse cuspir na minha boca como nos velhos tempos.
- Sempre fui, esqueceu? E você é meu Geraldão. Vamo fuder, vamo? Vai ser bom pra mim e pra você, tenho certeza. Sou da área da saúde, posso afirmar. Bahahah.
- Pior que tô precisando, garoto. Muito tempo sem dar umazinha, tô na seca.
- Então, porra! Tô falando! Aparece lá em casa, eu moro na Cidade Alta.
- SSSSH! – o coroa me calou. – Perdeu o juízo?! Fala baixo! Se meu filho descobre que tu é de lá, ele te mata! São facções rivais, Vitão.
- Tá, tá, calma... Deixa eu pensar... Será que não tem um dia que ele não fique na favela?
- Às vezes ele vai pra outro morro aqui perto e passa uns dias lá tomando conta, mas é jogo rápido.
- Perfeito! Pode ser nesse dia. Eu venho, a gente se despede do jeito certo e depois... – eu o encarei e estiquei a mão. – Depois você nunca mais vai me ver outra vez. Vou embora pra sempre. Fechado?
- Fechado. – ele retribuiu. – Agora vai, se adianta.
- Não vai me enrolar, hein?
- Não, sem enrolação. Também tô querendo, preciso. E vai ser a última, pra encerrar de uma vez por todas essa história.
- Com chave de ouro. Mal posso esperar... Eu vou, mas eu volto.
- Tá, agora mete o pé. E vê se não aparece de surpresa, moleque, avisa antes.
- É só você responder no Whatsapp e eu não apareço de surpresa. – debochei e me despedi.
Quando tô descendo a rua, escuto aquele ronco de motor atrás de mim, viro e me deparo com quem? O Ruim, vulgo Digão. Mais conhecido como filho do meu ex-amante.
- Bora, sobe. Dou bonde.
- Fala aí, Digão. Tranquilo? Tô de boa, vou andando mesm-
- Não tô pedindo.
Parei de andar, pensei e achei melhor não desobedecer. Subi na garupa, segurei nos ombros dele e lá fui eu naquela carona perigosa com um molecão marrento, armado e de radinho na cintura. Às vezes eu ficava tão tenso perto dele que até esquecia que o filho do Geraldo só tinha 18 anos, novinho ainda, e enfiado na vida do crime. Que desperdício...
- Posso fazer uma pergunta, Digão? – tomei coragem.
- Só se eu puder fazer outra. Quer jogar? – ele me desafiou. – Cada um pergunta uma parada. O primeiro que ficar sem resposta pra dar, perde. Bora?
- P-Perde? – subiu um frio sinistro na espinha. – Perde o quê?
Ele ajeitou a arma na cintura, me olhou sério pelo retrovisor da moto e não deu o sorrisinho de tralha.
- Só perde. Nós joga sem valer nada, sem ser à vera. Qual vai ser?
- Tá... – mal sabia eu que estava assinando minha sentença. – Topo o jogo. Mas eu começo, posso?
- Manda ver, paizão.
- Como é que você sabe que eu e teu pai tamo no fim do papo? Já é a segunda vez que você sai na hora certa que eu tô indo embora e oferece carona... Tá espionando a gente no quintal?
- Opa... Duas pergunta, só vale uma.
- Tá. Você adivinhou que eu tava indo embora pela segunda vez, Rodrigo. Como?
- Primeiro: é Digão. Segundo: nem tudo tu tem que entender, parceiro. – o marginal tirou o radinho do bolso. – Tem bagulho que acontece e ponto final. Era pra acontecer, tá ligado? Tô te passando a visão.
- Hm. Tá... Foi coincidência, então?
- Papo de coincidência mesmo. Visão, visão.
- Tendi... – fingi que acreditei.
- Agora minha vez. Posso?
- Vai lá.
- Tu é viado, não é?
Gelei.
- Se não responder, perde. Precisa ter medo não. – ele parou a moto num beco escuro e vazio, apoiou a mão no revólver na cintura e eu vi a vida passar diante dos meus olhos.
- Calma lá, Digão, pra que isso!?
- Mano, nós tá jogando, num tá? Tu fez tua pergunta, eu respondi e fiz a minha. Dá logo o papo, fica de frescura não. Num vou fazer nada contigo.
- Mas por que você parou a moto aqui? Não tem ninguém. – fiquei preocupado.
- Essa é uma ideia pra nós trocar de boa, sem eu tá pilotando. Agora fala tu, é ou não é queima rosca?
- Bom... Eu... Sou gay, sim. Você tem... Problema com isso?
- Tu já tá fazendo a próxima pergunta. Vou responder: tenho nada contra. Eu sou de boa com essas parada, tá ligado? Mas os irmão do comando né não. Quando tu brotar aqui, brota no sapatinho.
- Ufa... Por um segundo pensei que você ia me dar tiro. Hahahah! – respirei aliviado.
- Minha vez, outra pergunta.
- Manda.
- Quantas vezes tu já deu o cu pro meu coroa? Tu é tipo o viadinho de estimação dele? Ele te empurra diretão?
POW, POW, POW! Justo quando achei que ele não me daria tiro, o novinho meteu três rajadas à queima roupa e me rendeu em cima da moto. Não fui baleado de verdade, lógico, mas me senti invadido pelo filho do Geraldão. O segundo filho, no caso.
- Você... Tá maluco, moleque?! – falei mais alto do que devia.
- Quem tu chamou de moleque? Baixa a bola, meu padrinho. Tô falando na moral contigo, pô, moleque é o caralho.
- Foi mal, força do hábito. Sei que você não é moleque, é só que... Seu pai não pode ter amigo gay que você já pensa em putaria? Cê quase me ofende assim. Tenho vários amigos héteros que são amigões, irmãos que a vida me deu.
- Só fiz uma pergunta boba e tu se ofendeu.
- Claro que me ofendi, foi uma pergunta tendenciosa. Achei meio maldosa. Aliás, uma não, três perguntas de uma vez.
- Já é, meu mano, fica de boa. Não era pra ofender, bora ficar na paz. – ele esticou a mão pra mim e esperou eu apertar.
Apertei, selamos a paz e aí sim Digão religou a moto, voltou a andar.
- Sou gay, sim, mas nunca fiz nada com seu pai. Nós somos amigos e ele é meu paciente. Pra ser mais específico, a gente já foi... Como posso dizer? Parente.
- Parente? Da mesma família?
- É.
- Ah, tu é parente da ex-mulher dele...
- Isso, sou dessa parte aí. – engoli a seco.
- Saquei. Agora tu tá explicando, pô, tô ligado...
O moreno pilotou pro pé do morro, chegamos no fim do trajeto e eu desci da moto.
- Valeu a carona, mole... Digão. Bahaha.
- É nós, cachorro. A verdade pela verdade. – ele rosnou e apertou minha mão.
- Que isso, um juramento?
- Tipo isso. É que o bagulho que eu mais prezo é a verdade, se ligou? Aqui não tem papo torto, o papo é reto sempre. Sem mentira, sem invenção, só verdade. Tudo que eu falei é verdade e tudo que tu falou é verdade, num é?
- É. – engoli a seco.
- Tamo junto ou não tamo junto?
- Tamo junto, Digão. Mais uma vez, obrigado pela carona.
- Fé. – aí soltou minha mão, arrancou com a moto e voltou pro morro dando grau.
Alguma coisa me dizia que o meu tava na reta, eu só não sabia o quê. A forma como ele falou comigo, o jeito meio cerrado com o qual me olhou, sua força bruta na hora de apertar minha mão... Não é querendo viajar, não, mas até a tornozeleira eletrônica daquele filho da puta piscou diferente quando a gente se despediu, talvez porque meu cuzinho tenha piscado junto.
- Geraldão, Geraldão... Seu saco vale ouro. De um lado Heitor, do outro Rodrigo. Puta merda... E pensar que eu cansei de tomar essa leitada valiosa no cuzinho, que tesão. – senti ardência no olho do cu só de pensar na trama familiar e na genética poderosa do cinquentão.
Apesar de opostos entre si, os dois filhos tinham bastante dele e herdaram o lado mais expressivo de sua genética. O que eles tinham de diferente: a criação, o físico, o comportamento e a personalidade. Heitor era o filhinho de papai criado em Realengo, branquinho, lisinho, cheirosinho e advogado de respeito, enquanto Digão cresceu sem pai, se envolveu na bandidagem cedo, tinha índole questionável e seu corpo expressava cada traço desviante de sua psiquê de bandido.
O que eles tinham em comum: tudo. Heitor era genioso e gostava de tudo do jeito certo, Digão era controlador e gerenciava a favela; Heitor era excessivamente o perfeitinho, Digão era o Ruim; ambos saíram das bolas do Geraldão e os irmãos deles nadaram na minha boca e no meu cuzinho, de tanto que eu dei pro paizão gostoso. A vontade que eu tive foi de bater palmas pro meu ex-sogro, porque ele só fez obra-prima.
- Tudo certo. Tô no trabalho. – mandei mensagem pra ele.
- Ótimo. O que o Rodrigo tanto quer contigo?
- Ele me deu carona.
- Só? Nas duas vezes que tu veio aqui, Vitão?
- Só. Mas e a nossa foda, vai rolar? Tá marcada a despedida?
- A última de todas. Fechou.
- Fechou. Já tô ansioso pra ser macetado, macho.
- Vou te falar... Tô velho, cansado e não tô nos melhores dias, mas eu vou dar o que tu merece. Veio na Penha atrás de pica, nada mais justo que eu satisfazer minha puta. E agora não tem ninguém pra impedir. Vem pronto pra morrer, moleque, esse é o fim.
- Chegamos no final, Geraldo... Foi bom enquanto durou.
- Uma boa despedida...
- Uma excelente despedida. – concordei.
Uma semana depois, eu fui pro Complexo da Penha preparado pra nunca mais voltar, de cuzinho pegando fogo e a garganta implorando por um trato do meu bom e velho sogrão. Tomei aquele banho de respeito, limpei bem o cu, vesti o uniforme do SUS e subi o morro prestando atenção nos becos, pra ter certeza que o Digão não tava na favela. Não vi sinal dele, fiquei mais tranquilo, cheguei no portãozinho e gritei pelo Geraldo.
- Chegamo praticamente junto, garoto. – o bigodudo surgiu na calça de brim suada do trabalho, sem blusa e com os pelos da barriga de fora.
- Caralho... – fiquei seco naquele corpo peludo.
- Que foi?
- Você tá um gostoso. Tá não, é. Sempre foi.
- Heheheh. Tô suadaço da obra, preciso tomar banho. – ele abriu o portão e me deixou entrar.
- Não, nem pensar. Negativo. – respirei fundo perto do sovaco dele, senti aquele cheiro poderoso de tijolo e meu nariz esquentou. – Puta merda! Quero você desse jeito, macho.
- Tu gosta, né? Heheheh. Vem, chega aí.
Andamos pra dentro de casa, cheguei na sala nada modesta e confesso que jamais imaginei que uma casa tão pequena por fora fosse enorme por dentro. Tinha sala e quase a antessala, com mesa, poltronas, TV 4K na parede, ar condicionado ligado, tapetão no chão e retratos do Heitor e do Digão na estante de madeira.
- Pera. Se esses retratos tão aqui, então o Digão sabe que tem um irmão chamado Heitor?
- Lógico que sabe. Tu acha que ele me trata do jeito que trata por quê? Desde o início, Rodrigo sempre soube que eu não vivi com a mãe dele por causa da minha outra família. Ele sabe que o Heitor é meu filho mais velho, o Heitor é que não faz ideia que tem um irmão mais novo.
- Entendi. E o que o Digão pensa do Heitor?
- A mesma coisa que ele pensa de mim. Esse moleque não me suporta, Vitão. Tem dias que é um desafio ficar perto dele, é foda...
- Imagino. – observei as fotos, fui em direção ao coroa e meus dedos encontraram seu peitoral carregado de suor e pelos.
Embora a gente tenha feito putaria anos atrás, senti como se fosse a primeira vez que eu tava tocando no corpo peludo do meu sogro, talvez por agora ele estar divorciado e eu solteiro, ambos livres e sem amarras. Era isso que havia de inédito, nós nunca nos envolvemos estando solteiros.
- Tô te olhando e pensando tanta coisa, cara...
- Eu também. Me perguntando se não era melhor a gente ter ido num motel e saído da Penha.
- Relaxa, Digão não tá aqui agora. Somos só eu e você. A última vez de todas, Geraldo, pra encerrar o ciclo.
- Tem certeza que quer fazer aqui?
- Por mim, qualquer lugar é lugar. O que importa agora é que... – dei um passo à frente, encarei Geraldão nos olhos e passei o dedo no bigodão cinzento dele. – É o fim, coroa.
- O fim, garoto. – ele me olhou bem de perto, fechou os olhos e seus lábios grossos tocaram os meus.
Inesperado, mas ao mesmo tempo necessário. Frio e quente. O antes e o depois, o início e o final de tudo... Parece que nosso beijo continha mil e uma das várias sensações que já havíamos experimentado antes, mas agora não havia só a nostalgia, também tinha um pouco da saudade que eu ia sentir dele dali em diante.
- Mmm! Como eu precisava disso! Que saudade desse cheiro, desse gosto...
- Também senti tua falta, Vitão. É que o tempo é foda. A vida, então...
- Não precisa se justificar, só me sente.
O beijo de língua se tornou pornográfico, Geraldo segurou minha cabeça com ambas as mãos e minha pele lisa foi atravessada pelo toque calejado e experiente do meu cinquentão favorito, um dos machos da minha vida. A piroca endureceu na minha coxa, ele pressionou meu cóccix e grudou minha cintura na dele pra me encoxar com fome. A próxima sensação foi dos dedos largos entrando na minha blusa e caçando meus mamilos.
- SSSS! Você sabe me deixar fraco, puta merda...
- Tamo aqui pra isso. Quis dar a foda de despedida naquela época e tu me enrolou no motel, lembra? Piranha. Teheheh! – ele meteu o linguão no bico do meu peito, caiu de boca com vontade e aproveitou pra apertar minha bunda e servir as primeiras dedadas no cuzinho.
- OOHNSS! Nunca esqueço desse dia, tava louco pra dar pra você. Foi nesse dia que deu a merda.
- Pois é. E agora tu vai pagar por ter me deixado plantado lá. Vou te usar, moleque. – Geraldão me virou de costas, abriu minha bunda e mergulhou de cara e bigode no meu rabo, sem frescura.
- AAARSS! CARALHO, QUE SAUDADE DE VOCÊ! BARULHA ESSE CUZINHO, MACHO!
E tome linguada adoidada, eu me contorcendo de tesão no sofá e apertando o assento pra tentar me segurar diante da boca nervosa do coroa. Ele chupou minhas pregas, mordeu, deu beijão de língua nelas, plantou o linguão inteiro no meu cu e eu senti prazer e nervoso misturados, graças ao pinicar do bigode. O melhor foi quando Geraldo socou dois dedos e me alargou manualmente, aí sim eu tremi na mão dele.
- ISSO, PORRA! SSSS! O tempo passa e você continua bom de língua! – não parei de piscar e de amassar a língua com o cu.
- Como que a gente se afastou, moleque? Por que eu passei tanto tempo longe desse cu? – ele lambeu os beiços, se empapuçou.
- Também não sei, o que importa é que agora tamo aqui de novo. FFFF!
- Ainda bem. Vou fazer tu lembrar desse dia pro resto da vida. – parou atrás de mim, bateu com a cabeça da piroca no meu furico e se preparou pra me comer pela última vez.
- Não, pera. Só você pode chupar? Também quero. – joguei ele sentado no sofá, ajoelhei entre suas pernas cabeludas e as alisei antes de iniciar a chupeta. – É impressão minha ou seu pau cresceu nesse último ano?
- Cresceu nada, diminuiu. Desde que eu vim morar aqui, não tô comendo ninguém. Heheheh.
- DUVIDO QUE DIMINUIU! – segurei na trolha meia bomba, arregacei e a chapuleta surgiu suada, ligeiramente borrada de branco.
O cheirão poderoso de tijolo se fez onipresente nas minhas narinas, eu dei aquela inalada fogosa, abri o bocão e fiz questão de dar a faxina dedicada que meu sogro tanto merecia. Geraldão apoiou os braços pra trás no encosto do sofá, abriu as pernas, deixou as axilas respirarem e sua revirada de olhos indicou que ele não mentiu quando disse que tava há tempos sem fuder. O sacana só faltou dar espasmos de prazer.
- E essa boca que não perde o paladar macio? OOORSS! Quentinha!
- Feita pra agasalhar sua pica e aquecer teus filhos. Quer dizer... É até estranho falar dos seus filhos agora, né? Hahahaha.
- Tu gosta de provocar, seu puto. Me chupa, bora. ISSO, SSSSS!
Mamei as tetas da pica, enchi a boca nos culhões acolchoados do coroa e ele ficou boquiaberto com meu nível de dedicação na sucção, quase babou quando deslizei a língua no períneo e lambi a pontinha do cu peludo.
- Presta atenção, moleque, não vai confundir as coisas! SSSS! – ele mordeu o beiço e andou na linha tênue entre impedir e me deixar continuar.
- Não vou fazer nada que você não queira. Confia em mim?
- Confio, mas presta atenção... FFFF!
- Relaxa... – lambi o anel fechadinho e ele pulsou na minha boca, fiquei maluco retribuindo o cunete.
A textura da pentelhada salgada inebriou minha língua, as papilas encheram do sabor do suor e eu fiz tudo isso olhando na cara do sem vergonha, pra ele nunca mais tirar minha imagem da mente. Geraldo puxou meu rosto de volta pros bagos, apreciou uma suculenta mamada nas batatonas e ficou mansinho nas minhas goladas, mas o safado vibrou mesmo quando engoli a vara toda e fechei os lábios no talo dela.
- AAARGH! PUTA QUE O PARIU, VITÃO! SSSSS! COVARDIA, MOLEQUE!
- GHHHRRR! – primeiro permaneci engasgado e entalado na piroca sem me mexer, só gargarejando e deixando ele passar mal na quentura, na profundidade e na maciez da minha goela.
- CALMA LÁ, PORRA! QUER ME FAZER GOZAR NA MAMADA!? FFFF! – ele se descontrolou, a vara danou a latejar repetidamente e vazou um esguicho repentino de babosa.
- Bahahah! Você que desacostumou com a minha boca, isso sim. E não mentiu, tá sem fuder mesmo.
- Falei, garoto. Muito tempo sem ganhar um bola gato de verdade, ainda mais o teu. Tu é especialista em engolir pica, tô quase gozando. Hmmm...
- Calma, se controla. Goza ainda não, eu espero cê acalmar.
- Culpa tua, Vitão. Olha o que tu faz comigo. – a marreta empenou sozinha, ficou no alto por dois segundos e desceu, dando estanques cada vez mais extensos e duradouros.
- E você ainda diz que não cresceu. Tá maluco! Surreal um caralho desse!
Quase 24cm de uma trave longa, morena, veiúda, pulsante e cheia de pele, da uretra envergada e bem marcada, imensa igual uma manilha. O sacão encouraçado, grosso e mais moreno ainda, explodindo de pentelhos e sendo a fonte principal do tempero de tijolo que envolvia o Geraldo. Testosterona nua, bruta, crua.
- Bora, você precisa acostumar de novo com o meu paladar. Respira fundo. – dei o aviso e fui de garganta na piroca outra vez, mas agora sem ficar estacionado nela. – GLOGH, GLOGH, GLOGH, GLOGH!
- Lá vem... Assim tu tá querendo ver leite! AAARGH!
- Aguenta, macho! Cadê aquele teu fogo de antigamente?
- Ah, é? – ele estalou o pescoço pro lado, abriu a mãozorra na minha nuca e me deu aquela olhada atravessada e lendária.
O mesmo olhar que me seduziu no início de tudo, no dia que Heitor inventou de me apresentar pros pais dele lá em Realengo e eu avistei aquele macho eletricista pela primeira vez. Uma olhada rasteira e baixa, do tipo que diz muito sem precisar dizer nada; uma encarada cheia de significados, carregada de fogo e tão poderosa quanto à rajada do... Scott Summers? Ora, que grande ironia.
- Quer que eu acostume? Te mostrar como é que acostuma, vem cá. – sua mão na minha nuca fez pressão, ele afogou mais de um palmo de caralho na minha goela e forçou a cintura de encontro ao meu rosto, mesmo estando sentado.
Seu corpo chegou a levantar brevemente da poltrona e eu jurei que seria como nos velhos tempos, mas não foi, foi melhor. Se fosse antigamente, eu teria dado conta e tirado de letra a truculência do meu sogro, porém agora o pau comeu, eu perdi o fôlego com o excesso de rola alojada na faringe e ameacei tossir, engasgar, vomitar, tudo ao mesmo tempo. O que mais me deu tesão é que ele fez como eu queria e não me deixou escapar, continuou pregando sem pena na garganta.
- NÃO QUER QUE EU ACOSTUME!? BORA, VOU ACOSTUMAR! SSSS!
- GLOOGGH! GLOOORGH! – meu nariz fechou na pentelhada, a respiração se resumiu a tijolo e a marreta pulsou.
Bip-bip.
- RELEMBRAR OS VELHOS TEMPOS, SEU FILHO DA PUTA! NÃO VEIO ATRÁS DE MIM PRA GANHAR PICA!? AGORA TOMA, É O QUE RESTA!
- GLUGH, GLUGH, GLUGH, GLUGH... – minha boca virou caçapa, mira, alvo do voleio da piroca graúda dele.
Geraldo não me macetou assim nem na época do meu namoro e do noivado com Heitor. Aliás, Geraldo não. Geraldão. Aquele ali, ofegante, suado, me olhando com cara de invocado e me enxergando como um mero buraco não era Geraldo, era Geraldão. Grande, volumoso, peludão, um macho alfa feito de tijolo, meu desvio de caráter em forma de pessoa, o homem com quem me envolvi e arruinei meu noivado. Minha luxúria, meu pecado, meu karma de carne e osso.
Bip-bip.
- NÃO ADIANTA CHORAR, ENGOLE MEU PIRU! ISSO, PUTINHA! TAVA COM SAUDADE, NÃO TAVA!? EUHEHEH! VOU MASSACRAR TUA BOCA! SSSSS! – ele seguiu sabotando minha goela, manteve as mãos travando meu crânio e não teve misericórdia das minhas lágrimas de nervoso.
A quantidade de pulsadas que meu cu deu nesse meio tempo foi incontável, eu quase me torci no tapete da sala. Não sei o que era melhor, asfixiar na ambrosia dos pentelhos do coroa ou ter meu queixo feito de airbag pra amortecer os rebotes incansáveis das bolas dele. Geraldão se empolgou, inevitavelmente levantou do sofá, começou a fuder minha cara e emendou quase cinco minutos de garganta profunda sem parar, meus beiços incharam de tanto engolir esse macho.
- NERA ISSO QUE TU QUERIA, VIADINHO!? GRRRR!
- DESGRAÇADO! ME AMASSA, EU AMO!
- VOLTOU PRA SER PUTINHA DO EX-SOGRO, NÉ!? SENTIU SAUDADE DA MINHA MÃO NA TUA CARA, SENTIU?! – ele deu tapa no meu rosto, abriu minha boca e jogou tudo dentro de novo, de novo e de novo. – OOORSS! TAMBÉM SENTI TUA FALTA, MEU BURACO! UEHEHEH!
Bip-bip, bip-bip. Bip-bip.
O sem vergonha apertou o biquinho do meu peito, deu tapa na minha bunda e não se aguentou, teve que me dedar enquanto me botava pra mamar. Até que Geraldão me pôs de quatro na beira do sofá, encaixou a ponta da rola no meu buraco e foi nessa posição, de frente pra antessala, que eu avistei aquele objeto escuro e compacto em cima da estante.
- Ué...? Engraçado.
- O quê, Vitão?
- Digão tá amolecendo seu coração, é?
- Como assim, viado?
- É que eu achei que você não deixasse ele trazer radinho de comunicação pra dentro de casa.
- E não deixo. Nem arma, munição, nada disso. Na minha casa não quero.
- Então o que é aquilo ali? – saí do sofá, peguei o aparelho na estante e trouxe pra ele ver.
Bip-bip, bip-bip, bip-bip, o radinho começou a apitar. A luz vermelha acendeu, indicou que tava ligado e nós dois nos olhamos.
- Geraldo...?
- Se esse tá aqui, onde será que tá o... Outro?
- É ISSO MESMO NESSA PORRA, A VERDADE PELA VERDADE! – o diabo derrubou a porta da sala numa pisada só.
O demônio, o bandidão... O Ruim. De radinho na mão, trajado no colete, arma pendurada no ombro, a tornozeleira eletrônica acesa no pé, as pupilas contraidíssimas e a mente transtornada de droga, eu preferi nem imaginar qual. Digão entrou mirado em nós, pegou o pai prestes a me enrabar no pelo e caiu na gargalhada diante do nosso desespero. Atrás dele, Kelvin Alemão e Marcelo Caveira também armados e no efeito de alguma noia diabólica, deu pra ver nos rostos maníacos.
- O que tu pensa que tá fazendo, Rodrigo?! Já falei que não quer-
Geraldo tentou argumentar, mas tomou um empurrão e foi levado pelos outros dois pro canto da sala.
- Cala boca, velhote, meu assunto não é contigo. Meu papo é com o teu viadinho aqui. O bicha mais mentiroso do mundo, bem aqui na Penha. – ele meteu o pé na beira do assento da poltrona, bem entre as minhas pernas, daí apoiou o cotovelo no próprio joelho e desceu o rosto cara a cara comigo, sem piscar.
Seu olhar macabro me causou arrepios dos pés à cabeça, o cano mirado no meu rosto tirou minha alma do corpo e não deu pra ignorar o quanto o marginal tava fungando e coçando o nariz o tempo todo, com as narinas vermelhas perdidas de giz.
- Digão, seu problema é comigo! Menti pra você, mas eu posso explicar! – pus as mãos pro alto, em sinal de rendição.
- Pode, vai e DEVE! Tu mentiu na cara de pau, tem vergonha não?! Imunda! – ele cuspiu na minha boca, deu um tapa no meu rosto e puxou meu cabelo pra ficar cara a cara de novo. – Eu sabia de tudo! Desde o primeiro dia que tu brotou no meu morro, eu tava ligado em tudo! Deixei o radinho em cima do muro no modo chamada e escutei toda a viadagem de vocês, EU SEMPRE SOUBE! E dei a chance de tu contar a real, passar a visão, mas tu mentiu! TÁ MALUCO DE MENTIR PRA MIM, RAPÁ!? PERDEU A NOÇÃO DO PERIGO?!
- Não, eu não queria mentir! Mas fiquei com medo, você sabe! Na vez que te contei que sou gay, lembra? No dia da moto, que a gente até parou pra conversar? Eu tava cheio de medo, não sabia qual seria tua reação se eu contasse toda a verdade...
- Aí tu me tirou pra otário? Num fode, pô! Acha que eu sou lerdão pra ser feito de trouxa, Vitor!? Eu sei de tudo! Tô ligado em tudo, caralho! Sei quem tu é, onde tu mora, eu palmeei tua vida. O único ponto positivo que tu tem comigo é que tu fez o donzelo de corno, porque de resto...
- Donzelo? – não peguei de primeira.
- Fala direito do teu irmão, Rodrigo! – Geraldo rosnou e só então eu entendi quem era o donzelo.
- Quer reclamar do quê, velhote? Se ele foi corno, tu que botou o chifre. O próprio pai. Tem vergonha na porra da tua cara, não? Macho feito, pai de família e comendo o cu do teu genro na chincha. Teheheh! Vai ver, tu foi imprestável pra mim e pra ele junto... Não serve pra ser pai mesmo. Vergonhoso... – Digão pegou pesado, olhou pra mim e voltou a me intimidar. – E tu... Mentiu pra mim, meu padrinho. Vacilou feio, vacilou rude.
- Mas eu tava com medo, Digão, te expliquei!
- Medo do que eu ia fazer contigo? Tu tinha era que ter medo de mentir pra mim, agora é tarde. Dá o papo: o que eu faço contigo? – ele apontou a arma embaixo do meu queixo e eu suei frio.
- Deixa ele, Rodrigo! Libera o Vitão, ele-
- Ssssh! O papo não é contigo, é com a frutinha aqui. Se precisar, Alemão e Caveira vão te segurar no teu lugar.
- É nós. – Alemão cruzou os braços e olhou feio pro Geraldo.
- Podes crer. – Marcelo Caveira o imitou e fez o mesmo.
Minha vida inteirinha passou pela minha mente em coisa de segundos, eu fechei os olhos, pensei a mil por hora e os neurônios fritaram na onda errada do Digão. Quando abri os olhos novamente, minha decisão já tava tomada e eu resolvi apelar com o que tinha de melhor. Não havia só o bandidão de diabo ali, eu também era um demônio em plena Penha.
- Bom, Digão... Agora que você já sabe de tudo e eu não tenho mais nada pra esconder, tenho uma ideia do que cê pode fazer comigo.
- Dá o papo. Meça tuas palavra.
- Então... – andei com meus dedos no cano da arma, desci pela mão dele e fui em direção ao colete. – Lembra quando a gente se viu da outra vez e você tava suadão saindo do beco?
- VITOR, NÃO! – Geraldo me fuzilou com o olhar.
- Ssssh! Já mandei calar a boca, porra! – o molecão marrento berrou com o pai e voltou a falar comigo. – Continua, viado. Lembro mesmo, eu tinha acabado de meter. E daí?
- Naquele dia cê reclamou que queria socar no cuzinho da piranha e ela não liberou, não foi? – minha mão foi dentro do colete dele e Digão observou atentamente cada movimento meu, não desfez a pose de chefão.
- Foi mesmo. Botei na porta do furico e ela fugiu. O que tu tem a ver com isso?
- Posso te ajudar. Se o teu problema é não ter cuzinho pra socar e encher de leite, deixa comigo que tá tudo resolvido. – virei de costas, empinei de quatro e puxei o shortinho pro lado, no intuito de mostrar a cuceta piscando.
- Ih, a lá. O fresco quer liberar o cu pra tu, Digão, vê se pode! Tehehehe! – Alemão caiu na risada.
- Tinha que ser viadinho mesmo, essa raça só pensa em piru. Beheheh! Todo bicha é igual, não adianta. – Caveira também achou graça, mas uma graça carregada de escárnio e deboche.
- Hehehehe... – Digão riu e deu de ombros. – Essa é tua oferta? Cu? Só isso que tu tem pra oferecer, paizão?
- Cu macio, garganta profunda, buraco e depósito, não tá bom pra você? Faço até faxina na rola, se precisar. Lavo, passo, cuzinho. Naquele dia eu te vi voltando do plantão e quase ajoelhei na rua, sorte que me controlei. Cê tem maior cara de quem esporra grosso, eu adoraria engolir. – massacrei.
- Vitão... – Geraldo lamentou. – Pelo amor de Deus...
- O lema do teu filho é a verdade pela verdade, Geraldão. Se ele quer a verdade, então tá aí. As cartas tão na mesa, esse sou eu.
- Já que é assim... – o filho dele deslizou o cano na bordinha do meu rego, penetrou a arma no meu cu e eu não sabia se sentia tesão ou medo, acho que acabei sentindo os dois.
- AAAHNSS! Que troço gelado! – o choque térmico do ferro me excitou.
- Já toraram viado antes, rapaziada? – o chefe do bando quis saber.
- Nunca, cria. Só como buceta. – Alemão respondeu.
- Também não. – Caveira idem.
- Show. Então vocês vão amaciar o viado pra mim, fechou? Qual vai ser?
- Pô... – o loiro me olhou torto. – Cu de viado, meu parceiro? Tá de sacanagem?
- Papo reto, Digão? – o negão também foi pego desprevenido e ficou sem reação.
- Pode começar. Faz o que vocês quiser com ele. – o filho do Geraldão me botou de quatro no chão, sentou no sofá e cruzou os pés sobre as minhas costas, me usando como apoio. – Bora, mano. Um na frente e outro atrás, quero ver.
Meio sem jeito, Alemão veio na frente, coçou o saco e esfregou o malote na minha cara, me temperando no cheiro da rola. Ele desceu o short, sacou a pica, deu com ela na minha boca e eu não perdi tempo, já fui abrindo os beiços pra começar a mamar e me deliciar no gosto de pau suado. Assim que viu que eu tava mesmo chupando, o macho deu um riso de putão, olhou pros amigos e gargalhou.
- Pior que o filho da puta mama legal. Tehehehe!
- Papo reto?
- Visão, ó. – o loiro travou meu pescoço, socou a vara na minha garganta e me obrigou a engolir no talo, ficou só o saco branco pendurado no meu queixo. – SSSS! Viado engole mais que as piranha da Penha, sem neurose. Boca macia!
- Será que o anel é macio também? – atrás, Caveira arriou a bermuda, botou o cacetão no entrada do meu cu e cuspiu pra lubrificar, depois fez força pra escorregar dentro. – FFFF! QUE QUENTE! PORRA, MACIINHO!
- É macio mesmo? – Digão ficou curioso.
- MACIO TODA VIDA, CARALHO! AAARSS! – Marcelão deslizou pelo menos metade da giromba no meu cu, me alargou de fora pra dentro e eu cheguei a sentir febre com o ardor da penetração.
O pezão com a tornozeleira eletrônica do Digão pesou nas minhas costas, ele chegou pra frente e empurrou a cintura do Caveira de encontro à minha bunda, pra consumar a penetração sem sobrar rola fora do meu rabo. Em seguida fez a mesma coisa no Alemão, empurrou o colega e o quadril do loirinho vestiu meu rosto, senti a caceta chegar no fundo da goela.
- É pra amassar esse otário com tudo que tem direito, porra! Heheheh! Pega esse trouxa de jeito. Se meu coroa pode, nós pode também. Nós pode tudo!
- Rodrigo... – Geraldão hesitou, perdido sobre o que fazer.
- E tu cala a boca, velhote. Não queria dar uma de paizão exemplar? Então, pô, melhor forma. Vai liberar teu viadinho pro filhão empurrar, ó o privilégio. Tehehehe!
- Não quero ficar aqui pra ver isso.
- Mas vai! Vai ficar e vai ver tudo, nem que eu tenha que arrombar essa vagabunda na tua frente. Tá com ciuminho do teu viado, tá? Heheheh! Tamo só começando a usar ele, preocupa não. – o filhão carregou o cuspe, jogou na minha cara e meu cu piscou na trolha do Caveira.
Digão enfiou o calcanhar na minha boca, me encheu de chulé com cheiro de terra molhada e eu nem me importei com o fato do pezão estar sujo, só me entreguei de corpo e alma e deixei que os três me usassem como bem queriam. Caveira prendeu as mãos na minha cintura, socou a piroca de cavalo na minha bunda e botou a língua pra fora quando sentiu que tava todo dentro, só as bolotas pra fora.
- OOORSS! CUZINHO DE RESPONSA, DIGÃO, NA MORAL!
- Vale à pena?
- Vale mesmo, já entrei! SSSS! Pode deixar que vou esquentar gostosinho pra tu. Amaciar a carne desse viado! – negão deu tapa na minha raba, abriu bem minhas nádegas e cavou meu couro como se estivesse morrendo de fome, só faltou me tombar no chão da sala.
- Boquinha também tá aulas, meu parelha! Esse manja, né pouca merda não. Pega visão! – o Alemão cinturou minha cara sem pena, me afogou na mangueira e só parou quando o púbis vestiu minhas narinas, aí ele olhou pro Digão e arregalou os olhos. – AAARSS! Ó COMO ENGOLE PAU! CARALHO!
- Que isso, viado! Tô gostando de ver, hein! Desse jeito, não vou nem tirar o fuzil pra fuder contigo. Tehehehe! Te balear, tu vai ver. – o marginal apertou o volume na bermuda e seu pé disputou espaço com a vareta do Alemão na minha boca.
Caveira, que era mais parrudo, tinha uma pica não muito longa, mas grossa o bastante pra espaçar minhas entranhas e transformar minhas preguinhas em lábios de uma pequena xota. Ele se adaptou tão bem à quentura da carne que não quis mais sair, já emendou rápido na posição da montaria e começou a me carcar pra fazer o saco estalar em alto e bom tom na porta do cuzinho.
- OOORGH! ASSIM QUE É BOM DE FUDER, VOU TE CHUMBAR!
- ME CHUMBA, DESGRAÇADO! – virei pra trás e meti um soco no peitoral dele.
- VOU BALEAR ESSE TEU CU, TÁ FUDIDO! GRRRR! – ele pegou gás, acelerou e fez pra machucar, fudeu pra deixar meu cu assado.
- SENTI TESÃO EM VOCÊ DESDE A PRIMEIRA VEZ QUE PISEI NESSE MORRO, ESSA É A VERDADE!
- JÁ TAVA ME OLHANDO QUERENDO PICA, NÉ!? AGORA TÁ AQUI PERDENDO O ANEL PRA MIM, EUHEUH! VIADO É TUDO PIRANHA!
- SOU, SOU TUA CACHORRA! QUERO TEU PESO NO MEU, SOCA!
- QUER SOCA-SOCA!? TOMA! – mais velocidade, mais PLOCT, PLOCT, PLOCT e o macho usou da gravidade pra despencar com tudo no meu corpo, tipo bate-estaca.
Maldoso e experiente, Marcelo Caveira estancou com grosseria, depositou todo o peso no meu e meus joelhos afundaram no tapetão da sala pra dar conta da pressão, mas você acha que eu pedi arrego? Nunca, jamais. Queria mesmo era continuar de quatro, olhando pra trás e vendo esse negão da piroca grossa me montar.
- DÁ O CU E ENGOLE A PICA DO MEU PARELHA, VIADO! – ele queimou minha rosca, atropelou minha próstata e forçou a mão atrás do meu crânio, na intenção de forçar minha garganta no caralho do Alemão.
- EUHEUH! Isso aí, bota o viado pra chorar! Tu vai sofrer na nossa mão, viadinho, tá escutando?! Dei o papo que o comando não curte frescura e tu duvidou, agora vai pagar o pato! – Digão tirou um tubo do bolso, agitou e começou a baforar.
- AAAHNSS! Mas eu só tava-
- CALA BOCA, RAMPEIRA DO CARALHO! AQUI TU SÓ TOMA NO CU, ESCUTOU!? – o líder da tropa socou o tubo no meu nariz, eu inalei a loló e isso espalhou uma dormência muito envolvente no resto do meu corpo.
De repente Caveira encaixou mais bem encaixado, Alemão alcançou mais fundo na minha goela e eu quase entalei nas bolas dele, pois asfixiado nos pentelhos eu já tava. Minha respiração pegou fogo, me senti mais solto e confesso que morri de tesão quando os três compartilharam a loló e ficaram mais relaxados, nós quatro dopados e embalados na mesma putaria.
- Tá falando demais, engole meu caralho! SSSS!
- Tua pica é uma delícia, Alemão, vai se fuder. Cabe certinha na minha boca, não dá vontade de largar.
- Então cala a boca e engole, fala muito não! Quero boca, puta! ISSO, FFFF!
Diferente do Caveira, Kelvin era um fortão que...
Continuação no On Now.
onnowplay*com/andmarvin/albEssa história se chama "GERALDO, UM TESÃO DE SOGRO", e tem mais capítulos no On Now.
Lá tem mais de 140 histórias, contos e relatos completos sobre machos casados, traição, suor e pelos.
