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Caderno Vermelho, Primeiro Volume - VI

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Um conto erótico de Escravo 43
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 1345 palavras
Data: 20/07/2026 00:57:22

Capítulo VI

— Você tá vendo a outra bota, né? Potro esperto não vai querer que eu te faça beijar ela... Ou vai?

Afastei a cabeça, percebendo que me estendera demais no beijo.

— Não, Epona, não...

— Que bom! Tenho dois presentes para você hoje, o primeiro vou dar já. Fica de joelhos, levanta as pernas da frente como um cachorrinho e fica parado.

Fiz o que ela pediu. Pude perceber que ela olhou para o meu pau pulsando e levemente melecado, dando um meio sorriso. Puxou do bolso uma coleira metálica e ajustou-a em meu pescoço como se já tivesse feito aquilo várias vezes.

— Parabéns, Potro, essa é sua primeira coleira! Ela marca o início do seu adestramento. Lembre-se de que você não pode tocar nela e nem deixar cair água, viu! Se isso acontecer... bom, não vai ser agradável. Agora, de quatro, me acompanha para fora do Estábulo.

Conforme nos aproximávamos da saída, vi que, em uma cocheira aberta, dois cães de grande porte estavam deitados, acompanhando-nos com os olhos, apenas aguardando um sinal de Epona para perseguir ou atacar. Epona abriu a porta do Estábulo e atravessamos. Do lado de fora, a lua se impunha, revelando que talvez eu tivesse dormido demais — ou que talvez não dormisse tanto assim... Era uma lua cheia e grande, que iluminava o que parecia ser o pátio interno de um convento ou construção similar. No entanto, não havia cruzes ou imagens religiosas; soube depois que Ártemis arrancara e destruíra todos os motivos e referências cristãs.

— Não fica olhando para todo lado, não, viu! Ártemis deu você a mim para que eu pudesse treiná-lo. Seu mundo é o Estábulo e a antessala dele, que ainda vamos visitar. Hoje a saída é especial, por assim dizer.

Parei de observar o ambiente e foquei em seguir as pernas de Epona. Ela tinha coxas grossas e um pouco musculosas; sua bunda era avantajada e arredondada. Na situação em que estava, ela nem precisaria ordenar que eu não ficasse bisbilhotando, pois, se pudesse, só teria olhos para os quadris dela.

— Para aqui, Potro. E olha para baixo.

Ela digitou algo em frente a uma porta metálica e pesada, e esta, com um ranger, abriu-se. Latidos de cachorros vindos de várias direções irromperam, como se perguntassem a Epona se estava tudo bem, e ela respondeu com um assobio similar ao da noite anterior.

— Entra, Potro. Isso, pode entrar primeiro.

Ela entrou e mal puxou a maçaneta para que a porta se fechasse sozinha. Quando o trinco automático nos trancou naquela sala escura, três feixes de luz branca se acenderam, revelando o que parecia ser um pequeno hospital ou laboratório.

— Ártemis disse que você deu trabalho... Tinha me surpreendido com você, Potro. Ninguém resiste aos charmes dela, mas depois soube que foi um efeito involuntário por causa da medicação, hahahaha!

Olhei para ela um pouco encabulado, mas, no Templo de Ártemis, o vermelho do rosto logo cedia lugar ao rubor da glande! Ela parou de rir e ordenou:

— Vamos, de pé, que eu não vou ficar agachando para fazer exames em você. Serão muitos, e quanto antes começarmos, antes acabamos!

Embora a confirmação só viesse muito tempo depois, imaginei ali que Epona deveria ser médica ou profissional da saúde. Suas perguntas lembravam muito uma consulta, mas, estando pelado e sendo tocado em tantos lugares diferentes com tamanha precisão, tive a impressão de que ela também poderia ser veterinária.

Após muitos toques, muitas anotações, após tirar todas as medidas possíveis do meu corpo e colher meu sangue, ela enunciou:

— Dá pra trabalhar. Você não tá em forma, mas também não é um caso perdido. Só não entendo por que Ártemis quis alguém tão... genérico. Tem esse pau grosso, sim... mas, na boa, você nem deve saber usar direito.

Senti o rosto queimar. Mesmo assim, meu pau ficou ainda mais duro, babando. Epona notou e ergueu uma sobrancelha.

— É, tá bom de ficar em pé por hoje, Potro. Volta pro seu lugar, que é com as quatro patas no chão. Vou te levar para o Estábulo e dar sua refeição; deve estar com fome, não é?

Até aquele momento — em meio a tanta novidade e experiências extremas para quem deixara há tão pouco tempo uma pequena cidade e uma vida totalmente diferente —, eu nem me dera conta de que meu estômago roncava provavelmente desde o início dos exames.

— Estou s...

Parei quando a vi fazer o gesto de silêncio:

— Seu caso é especial e, por isso, deixei você falar um pouco, mas por hoje já deu. Não quero mais ouvir uma palavra sua. Vai passar a se dirigir a mim como Senhora e, se não for autorizado a falar, vai ficar quieto.

Ela abriu a porta e, imediatamente, as luzes e os aparelhos ligados se desligaram. Saí primeiro, seguindo seu comando, e ela veio na sequência. Ao sairmos, a porta fechou-se sozinha. De volta ao Estábulo, ela me pediu para ir até minha cocheira, pegar o pote vazio e trazê-lo com a boca até o centro do recinto, enquanto ia buscar minha ração.

Fiz como ordenado. Os cães acompanharam-me com os olhos, mas não se mexeram, entendendo cada palavra de Epona sem que ela precisasse se virar. Como ainda não estava habituado a andar daquela forma nem a carregar o pote, tive certa dificuldade, o que deu tempo para que ela me esperasse com um saco plástico transparente contendo grãos, carne moída e cenoura misturados e visivelmente frios. Coloquei o pote no chão e ela, abrindo o saco, despejou o alimento.

— Quero ver você comer só com a boca, hein! E, olha, não estou com muito tempo, então é melhor não enrolar e não fazer merda. Come que a ração de hoje é um banquete para você se recuperar logo.

A fome, todavia, era tanta — e eu estava pelado há tantas horas —, que me atirei à comida sem pensar. Mas comer usando apenas a cabeça e a boca não era fácil. A comida espalhou-se rapidamente por todo o meu rosto, e Epona, talvez prevendo isso, já havia pegado a mangueira. Comi tudo o que consegui até ela cortar:

— Chega, cansei. Para de comer e vem cá um minuto. Quer que eu jogue água na sua cara para se limpar?

Balancei a cabeça afirmativamente.

— A sorte é que só balançou a cabeça. Se tivesse falado, ia sofrer agora. Esqueceu da coleira, seu Potro burro!

Dei-me conta do perigo de que escapara por ter mantido o silêncio.

— Como ficou quieto, vou deixar passar. Toma, vou molhar esta toalha e você a usa para se limpar, mas sem encostar na coleira, hein!

Balancei a cabeça e ela estendeu a toalha. No instinto de usar a mão para pegá-la, senti um gosto metálico na boca e fui de queixo ao chão, batendo os dentes com força.

— Potro burro! Burro! É isso que dá esquecer o seu lugar: você tem quatro pernas e quatro patas!

Soube depois que ela sabia que eu ainda não estava adaptado aos choques regulares e usara um mais fraco. Consegui me levantar por conta própria, no entanto. De quatro, esperei a próxima ordem.

— Vou passar esse pano molhado, então fica quieto, hein!

Ela me limpou e mandou que eu voltasse para a cocheira. Quando eu já estava perto da entrada, ela chamou:

— Esqueci o seu presente, Potro! Volta! E vem mais rápido, que eu já estou cansada!

Voltei o mais rápido que pude. A essa altura, pequenas fissuras já haviam se aberto em meus joelhos, e minhas mãos ardiam fortemente. Não é simples andar de quatro e, ao mesmo tempo, dar conta do terreno. Distraído com a dor, não vi o momento em que ela pegou o artefato. Quando cheguei aos seus pés, Epona agachou-se e, com invejável destreza, encaixou algo em volta do meu pênis antes mesmo que a ereção pudesse se formar por completo.

— Esse barulhinho fechando é o seu cinto de castidade. Não quero você caindo na tentação de esquecer que essas duas patas da frente servem apenas para andar ao meu comando! Agora vai para a sua cocheira, que eu vou logo atrás.

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