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A Médica (Parte 1)

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Da série Segredos
Um conto erótico de Caio Valença
Categoria: Heterossexual
Contém 1387 palavras
Data: 20/07/2026 13:34:20

Com a saída de Camila, a rotina foi aos poucos retornando ao normal.

Eu e meu irmão já não nos tocávamos mais. Com Lucas também tinha dado uma esfriada. Talvez fosse apenas a correria. Mais um semestre estava chegando ao fim, e eu estava cada vez mais atolado com trabalhos, provas e prazos.

Já estávamos novamente perto do final do ano quando Rodrigo me chamou para ir à festa da empresa dele.

— Você está muito estressado com essa faculdade. Precisa sair um pouco de casa.

Eu nunca gostei muito de festas. Continuava sendo reservado, mesmo depois de tudo que tinha acontecido. Ainda assim, aceitei o convite. Talvez fosse bom fugir um pouco da rotina.

Na noite da festa, coloquei uma calça jeans, uma camiseta preta e um tênis.

Quando me viu pronto, Rodrigo fez uma careta.

— Você não tinha uma camisa melhor, não?

— Você só falou que era uma festa. Não disse que era casamento.

— É uma festa do hospital, Caio. Vai ter um monte de diretores e médicos importantes lá.

— Relaxa. Vou ficar quieto, comendo e bebendo.

Meu irmão trabalhava em um hospital grande, então a festa era mais chique do que eu imaginava. O evento aconteceria em uma casa de shows conhecida na Vila Olímpia.

Quando entramos, percebi que quase todo mundo estava muito bem vestido.

Eu realmente poderia ter escolhido uma roupa melhor.

Rodrigo começou a cumprimentar várias pessoas. Médicos, enfermeiros, coordenadores, diretores e gente que eu não fazia ideia de quem era, mas que parecia importante pela forma como todos os tratavam.

Fiquei ao lado dele, cumprimentando quem aparecia e tentando decorar alguns nomes.

Em determinado momento, uma mulher se aproximou do nosso grupo.

Ela era branca, alta e usava um vestido preto brilhante. O decote chamava atenção, mas não era só isso. Ela tinha uma presença diferente, uma confiança que fazia as pessoas abrirem espaço quando ela chegava.

Tentei não encarar.

Não consegui.

Rodrigo percebeu a aproximação e se virou para ela.

— Doutora Sandra, boa noite.

— Boa noite, Rodrigo.

Eles trocaram algumas palavras sobre a festa. Pelo jeito, já se conheciam bem profissionalmente.

Então Rodrigo apontou para mim.

— Doutora Sandra, esse é meu irmão, Caio.

Ela olhou para mim.

Talvez o olhar tivesse durado um pouco mais do que o necessário.

Ou talvez fosse apenas impressão minha.

— Então esse é o famoso estudante de engenharia?

— Famoso? — perguntei, sorrindo sem jeito.

— Seu irmão já comentou que você só pensa na faculdade.

— Ele exagera — respondi.

— Engenharia civil, não é?

— Isso.

— Prazer em conhecê-lo, Caio.

— O prazer é meu.

Sandra sorriu, despediu-se de nós e seguiu pelo salão.

A conversa não tinha durado nem dois minutos.

Mesmo assim, fiquei olhando enquanto ela se afastava.

Passei boa parte da festa comendo, bebendo e conhecendo os colegas de Rodrigo. O show demorava uma vida para começar, o que estava me irritando um pouco.

Quando finalmente começou, eu já tinha bebido algumas cervejas.

A banda era famosa, e o pessoal foi se aproximando do palco. Eu também fui. Comecei a pular, cantar e gritar, esquecendo por alguns instantes das provas, dos trabalhos e dos prazos que me esperavam em casa.

Em determinado momento, fui buscar outra bebida no bar.

Enquanto aguardava, olhei na direção do grupo em que Sandra estava.

Ela conversava com algumas pessoas, sorrindo normalmente.

Então nossos olhares se encontraram.

Na mesma hora, desviei.

Peguei minha cerveja e tentei agir como se não tivesse acontecido nada. Só que, quando olhei novamente para o grupo, ela parecia estar olhando na minha direção.

Dessa vez, não desviei tão rápido.

Sandra sorriu discretamente.

Eu também.

Voltei para a pista e fiquei perto de Rodrigo e dos colegas dele por mais algumas músicas. Mesmo tentando me concentrar no show, de vez em quando acabava olhando para o mesmo grupo.

Quando deu vontade de ir ao banheiro, precisei passar perto deles.

Olhei.

Sandra olhou de volta.

E sorriu novamente.

Entrei no banheiro, fiz o que precisava fazer e lavei o rosto.

Fiquei alguns segundos me encarando no espelho.

Não era possível que aquela mulher estivesse interessada em mim.

Ela era médica, ocupava um cargo de diretoria e era uma das pessoas mais importantes do hospital. Além disso, era elegante e provavelmente muito mais velha do que eu.

Eu era apenas um estudante que tinha ido à festa acompanhando o irmão.

Talvez ela só estivesse sendo simpática.

Talvez nem estivesse olhando para mim.

Saí do banheiro e passei novamente pelo bar.

Peguei outra cerveja e olhei na direção do grupo.

Dessa vez, quando nossos olhares se encontraram, sustentei por mais tempo.

Sandra continuava conversando com os colegas, mas, de vez em quando, parecia olhar na minha direção. Dei um sorriso de canto de boca.

Ela pareceu responder da mesma forma.

Eu não iria entrar naquele grupo sozinho. Não conhecia ninguém ali além dela e não queria me intrometer em uma conversa de pessoas que trabalhavam com meu irmão.

Sem Rodrigo ao meu lado, eu nem saberia o que dizer.

Por isso, ficamos naquela troca silenciosa por algum tempo.

Até meu irmão aparecer ao meu lado.

— Para de encarar.

— Não estou encarando ninguém.

— Eu estou vendo, Caio.

Tomei um gole da cerveja.

— Acho que ela também está olhando.

Rodrigo soltou uma risada curta.

— Você bebeu demais.

— Estou falando sério.

Ele olhou discretamente na direção dela e depois voltou a olhar para mim.

— A Sandra é casada. Ela é médica e diretora do hospital, uma das pessoas mais importantes daqui. Se acontecer algum problema, pode sobrar para mim também.

— Não vai acontecer nada.

— Então para de olhar.

Ele segurou meu braço e me levou de volta para a pista.

Continuei curtindo o show, mas minha cabeça permanecia naquela mulher. No vestido, no sorriso e naquela troca de olhares que talvez só existisse na minha imaginação.

Quando o show terminou, saímos para pedir um carro.

A região estava movimentada, e o motorista demoraria alguns minutos para chegar.

Eu já estava quase convencido de que tinha imaginado tudo quando um carrão parou ao nosso lado, preso no trânsito.

O vidro abaixou.

Sandra estava no banco do passageiro. Um homem dirigia.

— Oi, Rodrigo. Ainda estão esperando o carro?

— Está chegando, doutora.

Ela indicou o homem ao lado.

— Este é o meu esposo, Eduardo.

— Prazer — Rodrigo respondeu. — Este é meu irmão, Caio. Ele veio comigo à festa.

— Prazer — Eduardo disse.

— Prazer — respondi.

— Vocês querem uma carona? — ele perguntou.

— Não precisa, obrigado. Nosso carro já está chegando — Rodrigo respondeu.

Diante do marido, não havia nada de diferente na expressão de Sandra. Nenhum olhar demorado, nenhuma provocação. Apenas a mesma educação que ela provavelmente teria com qualquer pessoa.

Eles se despediram.

Sandra levantou o vidro, mas, pouco antes de ele se fechar por completo, tive a impressão de ver um pequeno sorriso em seu rosto.

O carro seguiu pelo trânsito.

Aquilo só me deixou mais confuso.

Durante a viagem para casa, Rodrigo ficou em silêncio.

Eu também.

Ainda tentava entender o que tinha acontecido. Não sabia se Sandra tinha realmente flertado comigo ou se a bebida tinha transformado alguns olhares casuais em outra coisa na minha cabeça.

Quando chegamos, fui atrás do meu irmão.

— O que você fala de mim no hospital?

— Nada demais.

— Ela sabia até o que eu estudava.

— Eu já devo ter comentado alguma vez. Por quê?

— Por nada.

Rodrigo parou na porta do quarto e me olhou.

— Caio, não vai me arrumar problemas!

— Eu nem fiz nada.

— Então continua assim.

Ele entrou no quarto e foi dormir.

Fiquei mais alguns minutos na sala, bebendo água e tentando afastar aquela mulher da minha cabeça.

Antes de me deitar, peguei o celular.

Havia uma mensagem de Lucas perguntando se eu ainda estava vivo.

Respondi que tinha ido a uma festa com Rodrigo e que uma coisa estranha tinha acontecido.

— Que coisa?

Fiquei alguns segundos olhando para a tela.

— Depois eu conto. Ainda estou tentando entender.

Deixei a conversa de lado e vi uma nova notificação em meu perfil.

Era Sandra.

Não era tão difícil me encontrar. Meu perfil era aberto, e Rodrigo aparecia comigo em várias fotos.

Antes que eu entendesse por que ela havia me procurado depois da festa, chegou uma mensagem:

— Percebi que você reparou bastante no meu vestido. Gostou mais do brilho ou do decote?

Meu coração acelerou.

Li novamente para ter certeza de que não estava entendendo errado.

Talvez eu não tivesse imaginado nada.

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Foto de perfil de CaioVCaioVContos: 11Seguidores: 8Seguindo: 0Mensagem Olá, pessoal. Ao longo dos anos, acumulei experiências, histórias e fantasias que servem de inspiração para meus contos. Entre realidade e imaginação, escrevo sobre paixão, tentação, descobertas e os caminhos inesperados do desejo. O que é verdade e o que é invenção? Isso fica por conta da imaginação de cada leitor.

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