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Caderno Vermelho, Primeiro Volume - VII

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Um conto erótico de Escravo 43
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 429 palavras
Data: 21/07/2026 00:53:24

Capítulo VII

Fechado dentro da minha cocheira, ouvi os passos de despedida de Epona. Pensei em tudo o que havia vivido naquele dia: o misto de sensações e descobertas.

Ora ou outra, meu corpo inteiro ainda vibrava e se arrepiava. Quem já levou um choque forte vai entender a sensação. Pensava na coleira e no poder que Epona tinha sobre mim agora. Um ato errado da minha parte e meus miolos cozinhariam. E, pior que isso, não veria minha Deusa, minha Ártemis.

Sorri, então. Havia tirado um peso enorme das minhas costas. O risco era grande, mas parecia controlável. O que eu estava pensando ao tentar tomar das mãos de Epona o pano com o meu casco? E a recompensa... a recompensa era Ártemis.

A felicidade invadiu aquele lugar estreito, e o que seria um aperto virou o abraço de um pesado cobertor — desses que imobilizam o corpo, mas debaixo dos quais não se quer sair.

A vida estava dada. Eu não tinha mais que pensar num amanhã cheio de possibilidades e fracassos. Eu só precisava seguir o que Epona falasse. Ela foi justa, afinal. Só me deu o choque porque aproximei meu casco sujo de sua mão.

Tudo estava bem. E então percebi: não havia cheiro de urina, não havia palha molhada. Sorri e não me contive; pensei que, de algum modo, Ártemis interferira e pedira para alguém limpar minha cocheira, trocar minha palha...

E então, um frio cortante. A cabeça do meu pau latejou contra a fria gaiola que o prendia e o impedia de crescer. Sempre tive um pênis sensível, e a dor foi lancinante. Por um momento, pensei que ele se mutilaria contra a própria prisão, como se estivesse em um moedor de carne.

Tentei fechar os olhos e dormir. E parecia estar conseguindo. Porém, quando dei por mim, estava virado de bruços e, como um cachorro, espremia meu corpo contra o chão. O clangor metálico do cinto e a dor lancinante da ereção me despertaram de supetão. Da maneira mais patética possível, agora havia palha dentro do cinto de castidade.

Sem poder usar as mãos, todavia, não me restava alternativa senão chacoalhar o corpo, na esperança tosca de que aquilo que havia se enroscado durante minhas mexidas frenéticas pudesse se soltar apenas com solavancos.

Desisti. Deitei de novo no chão, encontrando um conforto mínimo ao dormir do lado esquerdo.

Em um misto de vontade, sonho e imaginação, apaguei tendo a certeza de que Ártemis havia visto em mim uma joia... os dias seguintes deixariam claro que eu era, no máximo, a sua pedra bruta.

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