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Garoto do EB / Ep 04

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Um conto erótico de Michel
Categoria: Gay
Contém 2358 palavras
Data: 21/07/2026 01:34:02
Última revisão: 21/07/2026 01:36:09

O frio da guarita do Posto Quatro era congelante, mas o Emiliano tava ali, colado em mim, a distância entre nossos rostos era coisa de centímetros. O cheiro de queijo da pizza ainda permanecia pelo ar. Mas antes que qualquer coisa acontecesse, antes de eu ter tempo de raciocinar, o desespero de estar fazendo uma merda gigantesca falou mais alto.

Meus dentes batiam de frio e de pavor. Eu tava trêmulo, congelando e morrendo de medo do Rocha aparecer, morrendo de medo do Emiliano estar tão perto, morrendo de medo de tudo.

— E-Emiliano... vai embora, por favor — gaguejei, com a voz esganada pelo frio e pelo pavor, me encolhendo contra a parede gelada de cimento. — O Cabo já está quase voltando, se alguém pegar a gente aqui... meu Deus, eu vou pra cadeia, minha mãe morre do coração...

Emiliano deu uma risada baixa, balançando a cabeça, achando graça do meu pânico...Com a voz cheia de sono

— Calma, ô assustado. Já te falei que o sargento tá roncando lá no...

— MAIS QUE PORRA É ESSA AQUI?!

O feixe de uma lanterna gigante rasgou o breu da guarita, cegando a gente de uma vez só.

O grito não veio do Rocha. Veio de um cara mais jovem, mas muito mais ignorante. só podia ser...O Cabo da Guarda. O desgraçado tinha voltado mais cedo da ronda porque tinha esquecido o rádio.

O mundo desabou na minha cabeça naquele milésimo de segundo. Minha alma literalmente saiu do corpo. Fiquei travado, com os olhos arregalados, a boca aberta sem sair som nenhum, o queixo tremendo num desespero cego. Eu era a própria imagem do pânico.

— Mas que caralho... — o Cabo rosnou, dando dois passos pra dentro da guarita. A luz da lanterna passou pela caixa de pizza aberta no chão e foi direto pro Emiliano, sem a farda pesada de frio, agarrado do meu lado no canto do espaço estreito.

— Cabo, a gente só tava... — Emiliano tentou falar, levantando as mãos, perdendo o tom de deboche pela primeira vez.

— CALA A BOCA, RECRUTA! — o Cabo berrou, e o som dentro da guarita fechada fez meu ouvido tinir. Ele deu um tapa seco no peito do Emiliano, empurrando ele com tanta força contra a parede que o teto de zinco estalou. — VOCÊ TÁ FORA DO TEU POSTO! INTRUSÃO! CONTRABANDO! E O QUE MAIS, HEIN? TÃO SE ABRAÇANDO NA GUARITA, SEUS VIADINHO?!

— N-não, Cabo... juro por Deus, a gente só tava comendo... — eu gaguejei do chão, encolhido contra a parede gelada de cimento, tremendo tanto de frio quanto de pavor.

— CALA A BOCA, 114! — o Cabo berrou, virando a lanterna direto na minha cara. — Tu é outro viadinho! Acha que eu sou cego, porra?

Emiliano soltou o ar pelo nariz. Em vez de se encolher ou abaixar a cabeça, ele se encostou no canto da guarita, cruzou os braços devagar e soltou aquele sorriso torto, debochado, na cara do Cabo.

— Pô, Cabo... "viadinho"? — Emiliano mandou, com a voz mansa, cheia de sarcasmo. — Se o senhor tá com ciúmes porque não ganhou um pedaço de pizza, era só pedir, pô. Não precisa dar esse show todo no meio do mato não.

O rosto do Cabo mudou de cor na hora. As veias do pescoço dele saltaram, e os olhos pareciam que iam pular pra fora.

— O QUE VOCÊ FALOU, SEU MERDA?! — o Cabo avançou e meteu a mão no peito do Emiliano — Tu tá achando que tá na casa da tua mãe, seu viado nojento?! Tu acha engraçado quebrar a segurança do batalhão pra dar o cu na guarita?!

O Cabo deu um chute seco no meu coturno, fazendo meu peito encostar no cimento frio. Eu soltei um gemido de pavor.

— Escuta aqui, 082 — o Cabo disse, a voz cheia de veneno, sem tirar os olhos de mim. — Se eu levar essa caixa de pizza e fizer o relatório agora, você vai pro xadrez por deserção e contrabando. Mas esse coitado aqui? O 114? Eu dou um jeito de espalhar pro batalhão inteiro o que vocês dois tavam fazendo aqui no escuro. Amanhã cedo todo mundo, do soldado ao coronel, vai saber que a "mocinha" do Terceiro Pelotão virou a piada da guarita. O Gustavo e o grupo dele vão fazer da vida desse garoto um inferno tão desgraçado que ele vai pedir pra se matar antes do fim da semana.

Emiliano travou. O sorriso debochado sumiu da cara dele na hora. O maxilar dele trincou de um jeito que a veia da bochecha saltou. Ele olhou pra mim no chão, tremendo igual uma folha, e depois encarou o Cabo com puro ódio.

— Você quer foder a vida dele por uma merda que fui eu que fiz? — Emiliano mandou, a voz abaixando de tom, de um jeito perigoso.

Ele deu mais um passo pra frente, pisando no chão ao lado da minha cabeça, me fazendo encolher ainda mais no cimento gelado.

— Eu fodo a vida de quem eu quiser aqui dentro, recruta, Eu podia muito bem arrastar vocês dois agora mesmo pelo colarinho, jogar no pátio pra todo mundo ver e acabar com a vida de vocês. Aqui dentro eu mando, e vocês obedecem. Se eu quisesse, eu faria vocês dois chuparem meu pau agora mesmo, suas bichas nojentas.

O silêncio na guarita ficou tão pesado que dava pra ouvir só o vento tinindo no teto de zinco e o som do meu dente batendo de frio e de pavor. O Emiliano tava com o maxilar trancado, a veia do pescoço saltada, engolindo a seco cada palavra daquele canalha.

— A partir de amanhã — o Cabo continuou, baixando o tom da voz, cheia de veneno —, o 082 [Emiliano] vai pagar todas as minhas escalas de guarda no fim de semana. E você,todo dia, às quatro da manhã, antes do alvorada, vai limpar o banheiro dos oficiais e dos graduados. Sozinho. Se um de vocês falhar, atrasar um minuto ou der um pio... o relatório vai pro Rocha e a historinha da guarita cai na boca do batalhão inteiro. Entenderam, seus merdas?

— Entendido... — respondi num fio de voz, caindo no choro baixinho, limpando o nariz na manga da farda, encolhido no chão gelado.

O Cabo deu um sorriso torto, pegou a caixa de pizza do chão e deu meia-volta, sumindo no nevoeiro da madrugada com o rádio na mão.

Ficou só nós dois. A guarita parecia menor, mais fria do que nunca. O Emiliano deu dois passos devagar, se ajoelhou do meu lado no cimento e estendeu a mão pra me ajudar a levantar.

— Michel... me desculpa, cara — ele falou, e pela primeira vez a voz dele não tinha zoeira, não tinha marra, só um tom pesado de culpa. — Eu não sabia que esse arrombado ia voltar...

— Vai embora, Emiliano... por favor — afastei a mão dele, sem conseguir olhar na cara dele, trêmulo de vergonha e de pavor. — Se ele voltar aqui e ver você do meu lado, ele acaba com a minha vida. Vai embora.

Ele me olhou por um segundo, engoliu em seco e sumiu na neblina sem falar mais nada.

Passei o resto do turno até às quatro da manhã encarando o breu, tremendo dos pés à cabeça. O frio da madrugada já não doía nada perto do pavor do que vinha pela frente. Eu não tinha mais só o Gustavo pra me caçar; agora eu era refém de um chantagista que podia destruir o que restava da minha vida a qualquer segundo.

Quando deu quatro da manhã, o Recruta Simões chegou pra assumir o posto da guarita. Passei o posto com a voz trêmula, a garganta doendo de tanto engolir o choro. Eu nem olhei pra cara dele; só saí andando rápido, quase tropeçando nos meus próprios pés sobre a brita.

Caminhei até o alojamento parecendo um fantasma. O frio do inverno tinha entrado nos meus ossos, mas a vergonha e o pavor queimavam por dentro como um ácido. Entrei no galpão escuro, onde a maioria dos recrutas dormia pesado, ressonando alto. Me mative o mais quieto possível. Me enfiei embaixo daquela coberta grossa e áspera de lona e encolhi as pernas até o peito. Eu tremia tanto que o beliche de ferro rangia baixo. Fiquei ali, de olhos abertos no breu, ouvindo o meu próprio coração acelerado.

Às seis da manhã em ponto, o silêncio foi estraçalhado por um pontapé violento na porta de ferro do alojamento.

— ACORDA, BANDO DE FRESCOS! — o rugido do Sargento Rocha ecoou pelo teto de zinco, seguido do barulho ensurdecedor de uma lata de lixo metálica sendo chutada pelo corredor central.

Todo mundo pulou da cama em pavor puro, se batendo, caçando coturno, tentando ficar em forma de sentido ao lado dos beliches. Eu caí da cama trêmulo, abotoando a gandola com as mãos geladas, o coração quase saindo pela boca.

Rocha caminhava a passos largos, com os olhos vermelhos de raiva, o rosto inchado e a prancheta de metal na mão.

— Eu recebi uma informação logo cedo — Rocha berrou, parando no meio do corredor e encarando a tropa como se quisesse matar um por um. — Parece que tem recruta mimado reclamando do rancho! Reclamando que a comida do Exército Brasileiro tá dura, tá fria, tá sem tempero! Vocês acham que isso aqui é hotel cinco estrelas, seus bostas?! Vocês acham que a pátria tem obrigação de servir banquetinho pra bando de moleque sustentado pela mamãe?!

Ele dava passos duros, encarando cada um no olho, gritando a centímetros dos rostos dos recrutas.

— Vocês são a vergonha dessa nação! Uns inúteis que não aguentam uma semana de ralo e ficam de mimimi por causa de um prato de comida! Se eu descobrir quem foi o desgraçado que abriu a boca pra reclamar, eu vou fazer ele comer a terra do pátio até vomitar!

Rocha continuou andando, dando tapas nas fardas mal passadas, xingando cada um que piscava. E aí ele parou.

Bem na frente do meu beliche.

Senti a sombra dele me cobrir. Minhas pernas se amoleceram, o queixo começou a tremer de novo e o desespero da madrugada voltou com tudo.

— Olha só o que temos aqui... — Rocha disse, abaixando a voz pra um tom sarcástico, carregado de puro nojo. Ele me olhou de cima a baixo, demorando os olhos no meu rosto pálido e nos meus olhos inchados. — O Recruta 114. O nosso "frescurento".

Ele deu um passo pra frente, colando o peito no meu. O bafo amargo de café bateu direto no meu rosto.

— Sabe de uma coisa, 114? Eu aposto que essa reclamação da comida veio de você. É a sua cara. A menininha não consegue mastigar a carne do rancho? Tá muito dura pra essa sua boquinha delicada, é?

Alguns recrutas no fundo — com a voz inconfundível do Gustavo — soltaram risadinhas abafadas.

— Responda, recruta! — Rocha urrou, a milímetros da minha cara, me fazendo dar uma piscada forte.

— N-não, sargento... eu não reclamei de nada, senhor... — gaguejei, com a voz fina, o choro preso na garganta.

— Cala essa boca de fêmea! — Rocha berrou, me empurrando no peito com a prancheta de metal, me fazendo bater as costas no armário de ferro. — Olhe pra você! Dá nojo só de encarar! Essa cara de viado, esse jeitinho de moça rechonchuda que não aguentaria dez minutos no meio de homens de verdade! O Exército tá virando uma piada por causa de gente frouxa como você! Você é uma aberração vestindo essa farda, 114! Um viadinho nojento que devia tá em casa pintando as unhas em vez de envergonhar o meu batalhão!

A humilhação foi um soco no estômago. O alojamento inteiro assistia em silêncio. Senti uma lágrima quente escorrer pelo meu rosto congelado, e Rocha deu uma risada alta, amarga.

— Olha lá! Tá chorando! A mocinha tá chorando! — Rocha zombou, olhando pro resto do pelotão. — É isso que vocês querem do lado de vocês na guerra? Um viado que chora por qualquer esporro?!

Ele se virou de costas pra mim, dando o veredito:

— Como o 114 gosta de chorar e reclamar, todo o Terceiro Pelotão vai pagar vinte flexões agora no chão frio! E você,você vai pagar cinquenta. E depois vai direto pra faxina dos banheiros dos graduados! Mexam-se, seus lixos!

Eu caí no chão de cimento gelado, de joelhos, chorando baixinho enquanto começava a pagar as flexões debaixo do olhar de ódio de todo o pelotão. A chantagem do Cabo tinha começado, e a minha vida no quartel tinha oficialmente virado um inferno.

Depois de pagar as cinquenta flexões no chão gelado — com o corpo inteiro tremendo e os braços queimando de exaustão —, peguei o balde, o sabão em pó e o rodo surrado no depósito de limpeza. Fui arrastando os pés pelo corredor escuro em direção ao banheiro dos graduados

Aquele lugar era ainda pior que o dos recrutas. O cheiro de amônia, urina impregnada nos azulejos e mofo era sufocante. A humilhação das palavras do Rocha e o olhar de ódio dos outros garotos ainda queimavam no meu peito. Eu não aguentava mais.

Apertei a vassoura contra a parede, deixei o balde cair no chão com um baque abafado e simplesmente me deixei cair. Sentei na borda de cimento frio do box do chuveiro, encolhendo os joelhos contra o peito. Apoiei os braços nas pernas e afundei o rosto ali, me permitindo chorar em silêncio. As lágrimas quentes desciam pelo meu rosto sujo de poeira e suor. Eu me sentia o ser mais miserável do mundo. Uma presa fácil num lugar cheio de predadores.

Foi aí que ouvi o barulho.

Não foi um passo apressado. Foi uma caminhada calma, pesada e deliberada na brita do lado de fora, seguida pelo rangido seco da porta de madeira do banheiro se abrindo devagar.

Congelei no mesmo segundo. Sequei o rosto na manga da farda no puro desespero, tentando engolir o choro para não parecer um "fraco", e fiquei de pé num pulo, pegando a vassoura com as mãos trêmulas.

Quando me virei, o ar fugiu dos meus pulmões.

Não era o Cabo da Guarda. Nem o Sargento Rocha.

Parado na porta, usando a farda de passeio perfeitamente alinhada e com os braços cruzados sobre o peito forte, estava o Sargento Mello.

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Comentários

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Tenho ótimas lembranças do exército. Tudo começou com um cabo gente boa que numa quarta feira, véspera de feriado com o quartel vazio a noite, me chamou pra assistir futebol junto com os aspirantes a oficial, o dentista e o veterinário que tinham uma sala de descanso ao lado dos consultórios deles cerveja gelada, tv grande, cigarro e os dois oficiais de calça de moleton e regata. Sentei num sofá ao lado do cabo,ele de shorts e camiseta e eu21 tbm shorts e camiseta, todos de chinelos..

Logo o cabo me disse pra todos escutarem, já fiquei sabendo de vcce o soldado 214,nós fudemos ele de vez em quando e já soube que vc é um viadinho tbm,hj vai ser nosso, já tira a roupa e deita no meu colo de bundinha pra cima. Fiz e já tomei 20 tapas em cada lado da bundinha. Aí o dentista disse que o 214 disse que pelas coisas que vc disse pra ele, que vc na verdade é uma vagabunda que gosta de apanhar, ser arrombada e humilhada..hj cai passar a noite assim.

Foi uma delícia ser usada por eles. Foi um pouquinho depois do acampamento, terceiro mês lá e depois disso toda quarta dormia no quartel e passava a noite sendo a escravinha deles..lógico que espalhou aos poucos e tive vários machos usando eu,o 214 e uns outros dois que curtiam tbm.

Delícia do karaio foi o exército pra mim. Vamos acompanhar seus contos, pq depois dessas humilhações, passando o acampamento fica tudo diferente e capaz de vc curtir até com o Gustavo..

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