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Harém - Parte 8 - Mudanças.

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Da série Harém
Um conto erótico de Rafa :)
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 1979 palavras
Data: 21/07/2026 10:28:11

Parte 8 – Mudanças

Depois da noite com Vinicius, minha relação com Tomás mudou de rumo. No início, ele era bastante carinhoso e compreensivo. Claro, me tratava como uma puta barata, mas isso era sempre acompanhado de elogios. Sempre parecia perceber o quanto eu me esforçava para agradá-lo. Agora não era mais assim. Tomás agia como se o servir e estar disponível para ele fosse uma obrigação minha. Algumas semanas depois daquela maldita sexta, ele simplesmente chegou em casa e me pegou na cozinha, preparando o almoço. Sem dizer nada, nem sequer um oi, Tomás caminhou até mim e passou algo em volta do meu pescoço.

- Isso é pra você saber seu lugar. Pra nunca mais querer quebrar regras do seu senhor. Toda vez que você pensar em quebrar a regra da posse, olhe para o espelho e lembre-se que já tem dono.

- Eu nunca… - Eu tentei argumentar, mas sabia que era inútil. Eu já tinha argumentado mil vezes, e ele só dava de ombros. Pelo reflexo da janela, eu vi que o que Tomás passou em meu pescoço foi uma espécie de coleira com um pingente enorme, com a letra “T”. Eu engoli seco. – Tomás, eu… não quero… usar… isso.

- Você não tem querer, puta! Eu estou mandando você usar, e você vai usar. E vai usar isso aqui também. – Tomás me entregou uma sacola que, olhando por fora, vi que tinham pelo menos três daquelas cuecas sem tecido atrás. Tomás, sorrindo, continuou. – Em casa você vai usar só isso a partir de agora. Isso e a coleira, é claro.

- Pra que isso?

- Eu quero você livre para que eu apenas chegue e use. Estou um pouco farto de ter que ficar te chamando pra transar. Quer dizer, você é meu, porra! Eu tenho o direito de chegar e te usar como e quando eu quiser, sem precisar dessas frescuras. Além disso, eu espero que assim você entenda de uma vez por todas que já tem um macho. Que não precisa de outros.

- Eu nunca disse que precisava. – Eu abaixei a voz e olhei para o chão, insistindo mais uma vez em dizer. – Eu não quebrei a regra da posse.

- Quebrou! Quebrou com o betinha do Vinicius, ainda. – Tomás ergueu meu queixo com os dedos, fazendo com que eu o encarasse. – Você quebrou a regra da posse na minha frente.

- Você mandou que eu fizesse. Eu implorei para não fazer, mas você…

- Chega! – Ele rosnou, um pouco alto, me interrompendo. – Não importa como foi. Importa que aconteceu. Aconteceu, e eu não me agradei nada com isso.

- Tomás, por favor. Eu não fiz nada. – Eu sustentei os olhos nos dele com dificuldade. Tomás parecia um pouco insano. Ele deu uma risadinha, se aproximou e beijou minha testa.

- Eu sei que você é uma putinha estúpida demais para entender. Sei que foi o betinha que te enganou, se aproveitou da sua estupidez e te usou. Eu já perdoei você por isso.

- Nada disso… nada disso é verdade. – Eu protestei. Tomás estava fazendo uma completa distorção. Ele perdeu uma aposta e me fez fazer aquilo para pagar. Mas ele me abraçou, enquanto dizia.

- Não tem problema, eu já disse. Nós vamos voltar à normalidade, mas teremos regras novas agora. Eu quero que todos saibam que você é meu, assim já se reduz as chances de você cair em tentação novamente.

- Eu nunca…

- Usando sua coleirinha, ostentando esse pingente, todo mundo vai saber que não deve se engraçar pro seu lado. Agora, seja um bom menino e agradeça os presentes.

Eu o encarei estático por um longo tempo. Pela primeira vez, eu pensava que Tomás estava indo longe demais. Mas já havia um tempo que ele mal me tocava, e agora estava ali, abraçado comigo, beijando o topo da minha cabeça. Aquilo me enfraqueceu e eu acabei cedendo e agradecendo, mesmo a contragosto. Tomás sorriu pra mim, afagou meus cabelos e sussurrou “bom menino”. Era impressionante como aquelas duas palavras vindas da boca dele, davam a impressão de que tudo valia a pena. Tomás se afastou um pouco, se espreguiçou e disse.

- Agora, termine logo meu jantar. Eu vou me arrumar para sair com uma caloura, quero comer antes de sair.

- Sair? Você não me disse nada.

- Você? É assim que você se dirige a mim? – Tomás voltou para perto de mim. Segurou meu pulso e ficou me encarando.

- Me desculpe. O senhor… o senhor não me disse nada. – Eu corrigi. Tomás afrouxou a mão do meu pulso.

- Bem melhor. Nós não somos iguais para você me tratar assim. Eu vou sair, sim. Eu te disse que a regra da posse tinha voltado, e eu estou rondando essa bucetinha há umas duas semanas. Vou comer hoje.

Eu não acreditei naquilo. Eu era o mais submisso dos homens, entregava tudo de mim e mais um pouco a Tomás, o venerava de todas as formas imagináveis. Mas eu sempre fui muito claro quanto a não aceitar que ele tivesse outras pessoas. Desde que ele começou com essas distorções de que eu havia quebrado essa regra, eu estava pagando por algo que não me competia. E tinha aceitado tudo até agora. Tomás parecia me estudar, esperando para saber qual seria minha ação diante daquilo. Eu respirei fundo e disse a ele.

- Nosso acordo não era esse. Eu nunca aceitei essa regra.

- Não importa mais. Você quebrou o acordo, agora lide com as consequências.

- Eu não quebrei nada. Mas quebrarei se você realmente sair com outra pessoa.

- Eu acho que você não está se lembrando do que nós temos, Rafinha. – Ele estava relaxado, rindo de mim, enquanto eu estava tenso. – Você é meu submisso, sim!? Meu escravo. Não o contrário. Não é você quem estipula regras. Você segue as minhas. E eu vou, sim, sair com a caloura. Talvez eu a traga aqui. E quero você pronto para me servir, durante ou depois, ainda não me decidi.

- Eu não… vou… - Tentei dizer, mas eu estava tão sem reação que não conseguia nem formular frase alguma.

- Você vai, sim. Já chega dessa conversa. – Tomás se levantou e saiu da cozinha.

Eu estava completamente estático, e foi difícil voltar para a comida que eu fazia. Quando tudo já estava pronto, Tomás voltou e meu mundo pareceu desabar. Ele estava, de fato, vestido e perfumado para sair. Eu servi o prato dele, como sempre fazia, e ele comeu em silêncio. Repetiu o prato, se levantou e saiu. Eu fiquei sozinho ali, com meus pensamentos, e uma tristeza sem fim. Eu não ia ceder dessa vez. Foi a decisão mais difícil que eu já tomei, mas naquela noite, eu juntei as poucas coisas que tinha e fui para a casa de uma colega de trabalho. Deixei apenas um bilhete para Tomás dizendo que aquilo tinha ido longe demais e que eu não queria mais, e deixei em cima da mesa, junto da coleira, para que ele visse quando chegasse. Eu o bloqueei de todas as redes sociais e implorei a minha amiga que não dissesse a ele que eu estava na casa dela. Tomás passou dias me ligando, e cada vez que o telefone tocava, eu me acabava em choro, mas não atendia.

Tomás entendeu que tudo tinha acabado entre nós e parou de me procurar. Eu mudei o turno do meu curso, e parei de me encontrar definitivamente com ele. No início foi tudo tão difícil, mas eu consegui seguir em frente. Terminei com honra minha graduação, e fui aprovado no mestrado em outra cidade. Minha vida fluía agora, e eu não pensei duas vezes em ingressar no doutorado quando terminei o mestrado. Nesse mesmo ano, o Vini foi aprovado no mestrado e acabamos nos esbarrando nos corredores da faculdade.

- Rafa!? Sou eu, o Vini. Você não se lembra de mim? – Ele me perguntou, educado, da segunda vez que nos esbarramos. Eu, de fato, fingia não vê-lo. A verdade é que eu ainda tinha… vergonha… daquela fatídica sexta.

- Oi, Vini. Eu… eu não tinha reparado que era você. – Eu menti, gaguejando. – O que você faz aqui, afinal?

- Estou no mestrado! E você? Mestrado também?

- Bem, eu já… terminei… o mestrado. Estou no doutorado agora.

- Caramba! Vejo que continua o mesmo nerd da época da graduação. – Vini riu com simpatia, o que me fez rir também.

Depois daquele dia, Vini e eu começamos a nos aproximar. Primeiro foi um café, depois passamos a almoçar juntos, até o dia em que ele me convidou para uma festa. Havia umas duas semanas desde que nos reencontramos, e foi naquela festa que nós beijamos pela primeira vez. Vini estava morando em uma pensão, e, como eu morava só com um garoto e estávamos procurando alguém para ocupar o terceiro quarto da casa, eu resolvi falar com Saulo, meu colega de quarto, sobre a possibilidade de abrirmos essa vaga para Vini.

- Poxa, amigo, é uma pena. – Saulo se lamentou. – Mas você se lembra que eu estou ficando com um carinha? Então, ele também estava precisando de um lugar para morar e eu já ofereci o quarto a ele. Ele se muda na semana que vem.

Foi uma pena, de fato. Mas a casa era de Saulo, e ele decidia essas coisas. Vini também não se importou, afinal, quando chegasse o fim do período, não seria tão difícil achar alguma república. A semana se passou tranquila, Vini e eu nunca estivemos tão próximos. Mas eu ainda tinha receio de transar com ele. Quer dizer, depois de Tomás, eu nunca mais quis me entregar a ninguém. Vini era muito compreensivo, e não forçava a barra, o que eu achava ótimo. Era sábado de manhã, eu tinha acabado de me levantar e estava passando café quando a voz dele me deixou petrificado. Muito perto de mim, quase sussurrando, ouvi Tomás dizer.

- Que cheiro bom. Eu quase me esqueci em como você manda bem na cozinha.

- O que… o que você… como você entrou aqui? – Eu me virei devagar, ainda sem acreditar que era ele. Tomás ria de canto.

- Eu moro aqui agora. O Saulo não disse a você?

- Ele… não é possível que você seja…

- Sou. Sou o macho dele, Rafinha. E ainda sou o seu, também.

- Você não… é. – Eu baixei tanto os olhos quanto a voz, o que fez Tomás gargalhar.

- Bom dia, Rafa! – Saulo entrou na cozinha, animado, completamente alheio ao clima pesado que estava ali. – Vejo que já conheceu o Tomás, sim!? Espero que vocês se dêem bem.

- Eu já conhecia o Rafa. Fizemos faculdade juntos. – Tomás ergueu a voz, segurando a mão de Saulo e o puxando para ele. Seus olhos, no entanto, estavam fixos em mim, como se quisesse me provocar. – Nós já até moramos juntos, não é, Rafinha?

- Eu… preciso… sair. O Vini… me esperando… - Mais uma vez eu gaguejei. Eu nem tomei o café que eu tinha passado. Fui direto para o quarto, me troquei num supetão, e me preparei para sair. Eu só queria ficar longe dele um pouco. Eu ainda não acreditava naquilo. Nós dois… na mesma casa. Eu já estava na soleira da porta quando suas mãos firmes e quentes me seguraram pelo braço. Tomás chegou muito perto do meu ouvido e, fazendo meu corpo inteiro se arrepiar e amolecer, rosnou.

- Você ainda é meu. Nós nunca terminamos o que tínhamos, o que significa que não acabou.

- Tomás, por favor…

- Eu falo sério, Rafinha. Eu vim para reivindicar o que é meu de volta.

- O Saulo… ele não merece isso, Tomás.

- O Saulo é tão meu quanto você. Diferente de você, ele não rejeitou nenhuma das minhas regras. Eu tenho carta branca para ter os dois pra mim. Me servindo. Até juntos, se eu quiser.

- Eu não vou fazer parte disso.

- Vai. Você vai, sim. – Tomás soltou meu braço e acariciou meu rosto com o nó dos dedos. – Você é um bom menino, eu me lembro que é. Você vai fazer qualquer coisa que seu alfa mandar.

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