A festa de quinze anos estava uma loucura carioca. Luzes coloridas, música alta, gente suada dançando colada. Joana e Fabiano foram como padrinhos — ela, professora de português, meia-idade rechonchuda e curvilínea, vestida num vestido azul que apertava os seios pesados e marcava a bunda farta; ele, contador, amável, provedor, com o terno apertado demais na barriga. Beberam um pouquinho. Depois mais. Depois mais um pouco. O mundo ficou leve, tonto, perigoso.
— Tá gostoso, né, amor? — Joana disse, rindo, o corpo balançando no ritmo da música. Os olhos brilhando de um tesão antigo que o marido mal conseguia apagar.
Fabiano sorriu, a mão na cintura larga dela.
— Tá sim. Você tá linda hoje.
Alta madrugada, quando a festa já cheirava a cansaço e suor, os dois escaparam pro estacionamento. O ar estava quente, úmido. Fabiano encostou Joana num carro qualquer, escuro, longe das luzes. Beijaram-se com fome. Língua molhada, mãos desesperadas. Ele apertava aqueles seios grandes por cima do vestido, ela roçava a coxa grossa na perna dele.
— Aqui não, Fabiano... — ela murmurou, mas a voz saiu fraca, romântica e puta ao mesmo tempo.
Ele levantou o vestido dela. Calcinha de renda preta, fina, marcando a boceta gordinha. Pentelhos aparados, buceta rosinha, cheirosa, já molhada. Fabiano ajoelhou ali mesmo, no chão sujo do estacionamento. Beijou primeiro por cima da calcinha, sentindo o cheiro doce e safado. Depois puxou o tecido pro lado.
A boceta encharcada brilhou sob a luz fraca de um poste distante. Ele chupou. Língua fundo, sugando o clitóris inchado. Joana gemeu alto, enterrou as mãos nos cabelos dele, rebolando na cara do marido.
— Ai, Fabiano... assim...
Ele chupava com vontade. O pau dele vivia meio mole ultimamente. Ele.tentava, mas o corpo não ajudava.
De repente, Joana ficou tensa.
— Para... tem um cara olhando.
Fabiano levantou a cabeça, mas não viu. Ou fingiu que não viu.
— É o vigia — disse, voz rouca. E continuou. Língua voltando pra dentro daquela boceta gordinha.
Joana não reclamou. Olhou pro vigia — um homem moreno, forte, uns quarenta anos, parado a uns metros, fumando, olhos fixos neles. Ela sentiu um calor subir pela barriga. Vergonha. Tesão. Hipocrisia de professora respeitável virando puta no estacionamento.
— Ele ainda tá olhando? — Fabiano perguntou, entre uma lambida e outra.
— Tá sim...
— E você tá olhando pra ele também?
— Tô...
Fabiano gemeu contra a boceta dela. Agora o pau latejava dentro da calça. Era sempre assim. Ele precisava da sensação de ser corno pro pau endurecer.
— Tesão?
— Tô... — ela confessou, voz tremendo. — muito.
Ele levantou um pouco, ainda com os dedos dentro dela, mexendo devagar.
— Chama ele. Pra te beijar. Só um pouquinho.
— Não... — Joana respondeu, mas os olhos continuavam pregados no vigia.
— Só pra passar a mão na tua buceta um pouco.
— Não tenho coragem...
— Queres que eu chame?
— Não... deixa. Me faz gozar assim... comigo olhando pra ele.
Fabiano voltou a chupar com mais força. Dedos entrando e saindo, língua no clitóris. Joana rebolava, gemendo baixo, sustentando o olhar do vigia. O homem não se mexia. Só olhava. Fumava. A mão dele desceu devagar pro volume na calça.
Joana gozou. Forte. Tremendo, cravando as unhas na cabeça do marido, boceta esfregando na boca dele. O vigia assistiu tudo.
Depois, Fabiano levantou. Beijou a mulher com a boca molhada da boceta dela. Joana sentiu o próprio gosto. Safadeza deliciosa.
No carro, voltando pra casa, silêncio. Fabiano dirigia com o pau ainda duro. Joana, saia ainda levantada, dedos brincando preguiçosamente na boceta melada.
— Você gostou que ele viu... — disse Fabiano, voz baixa.
— Gostei... — ela confessou, romântica e suja.
Fabiano apertou o volante. O contador amável, o provedor de pau às vezes mole, descobrindo que o tesão verdadeiro vinha da humilhação. Ver a mulher professora, rechonchuda, curvilínea, sendo olhada como uma cadela no estacionamento. Saber que outro homem viu aquela boceta gordinha, rosinha, encharcada.
Em casa, no quarto, ele tentou foder ela. Conseguiu. Metendo com força, imaginando o vigia no lugar dele. Joana gozou de novo, gemendo o nome do marido, mas pensando no olhar do estranho.
Dias depois, a vida voltou ao normal. Joana dando aula, corrigindo provas. Fabiano fechando balanços no escritório. Mas à noite, na cama, as confissões voltavam.
— Você queria que ele tivesse metido a mão, né? — Fabiano perguntava, dedos na boceta dela.
— Queria...
— E se ele tivesse metido o pau?
— Eu teria deixado... olhando pra você.
Fabiano gozava. Sempre gozava. A impotência sumia quando a humilhação entrava.
Joana, a romântica professora, se olhava no espelho.
Na próxima festa, quem sabe, o vigia estaria lá de novo. Ou outro. A fila invisível crescia na cabeça dos dois.
Porque no Rio de Janeiro, a tragédia não é trair. É gostar de ser traído. É a esposa romântica gozando com o olhar de um estranho. É o marido amável gozando com a imagem da mulher sendo desejada por outro.
Nelson Rodrigues teria acendido o cigarro, olhado o casal com pena e nojo, e dito:
— O carioca não é corno por acaso. É corno por vocação. E o pior: ele paga pra ver o espetáculo.
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