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Caderno Vermelho, Primeiro Volume - VIII

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Um conto erótico de Escravo 43
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 1312 palavras
Data: 22/07/2026 01:19:07

Por mais lastimável que minha condição possa parecer aos olhos de vocês, meus leitores, tive um sono verdadeiramente reparador. Talvez fossem os efeitos das drogas sumindo do corpo — a vocês parecerá mais fácil pensar isso —, mas acredito que era meu corpo finalmente aceitando o milagre que havia sido posto à minha frente e que, incrédulo, eu tentava recusar.

Acordei antes de Epona aparecer (acho; como saber?). Bebi um pouco de água para aplacar a sede, tomando cuidado para que nada respingasse na coleira. Parei, no entanto, assim que me dei conta de que não sabia que horas eram e se demoraria ou não para Epona abrir minha cocheira para eu poder urinar.

A luz que entrava pelas frestas da porta me fazia imaginar que o dia ou estava muito claro ou já havia passado do meio-dia... descartei, naquele momento, que fosse isso, pois Epona já teria vindo me ver se fosse o caso. Soube depois que fui apressado e que provavelmente já passara do meio-dia. Meus períodos de sono estavam mais longos nesses primeiros dias, pois estava tendo tempo de me recuperar, e tudo o que havia tomado ainda provocava efeitos colaterais.

Epona respeitava o tempo natural: o tempo de uma ferida cicatrizar, o tempo de uma técnica ser aprendida, o tempo necessário para o aperfeiçoamento e o tempo para o coração. Ártemis não respeitava tempo algum. Nem mesmo seu próprio Ego era uma ferramenta que, de algum modo, ela não tentasse subverter ou perverter.

Vejo agora que deixei de aplicar essa lição que minha antiga Senhora e minha Deusa me ensinaram. Talvez eu devesse recomeçar tudo do zero... É claro... Para que ser constrangido pelo tempo social? Reduzido àquilo que sou, reduzido à pulsão e ao desejo, eu deveria escrever como quem descreve uma relação sexual: dos temas mais mornos até as carícias mais indiscretas, a dança de corpos frenéticos e tremeluzentes e, então, o gozo! Sim, o gozo. Ele é minha reta, meu tempo. Recomeçarei tudo de novo por uma espiral de prazeres...

(Caligrafia diferente, enérgica e zombeteira; talvez de Noga, talvez de Ártemis)

"Que bonitinho, resolveu ter uma epifania justo agora, hahahaha. Sim, o tempo é um dos instrumentos de domínio mais antigos. Quando existiam povos, quando a humanidade não era toda rebanho, os derrotados eram obrigados a servir ao tempo dos conquistadores. Tamanho o ódio do rebanho que, quando este se tornou o mundo todo, ele virou esse tempo contra os próprios predadores... de lança carregada de potência, tornou-se uma apertada câmara de gás pronta a sufocar indiscriminadamente lobos e ovelhas. Mas aprender qualquer coisa fora de hora é uma violação, e esse porquinho vai pagar por se desviar da tarefa HA HA HA HA =)"

(Nota editorial: Uma página foi cortada quase em cima desta inserção, e duas páginas foram arrancadas. Deste ponto em diante, a caligrafia do autor sofre uma modificação, tornando-se visivelmente pior e trêmula; talvez estivesse lidando com uma possível fratura na mão).

Para me lembrar que o tempo não pertencia mais a mim, Epona interrompeu minha introspecção chutando a porta vigorosamente (talvez pensasse que eu ainda estava dormindo). Ao menos, respondi mais rápido que da última vez:

— Que bom, meu Potro, já tá acordado. Então vamos, como da última vez: vai pegar seu potinho de água enquanto eu abro a porta aqui.

Quando eu estava próximo ao pote, a porta se abriu e Epona falou, mal contendo a risada:

— Espero que tenha melhorado, viu! Já pensou derrubar o pote com água agora de coleira? Nem eu sei dizer quão mais potente vai ser a próxima descarga...

Empalideci. De fato, Epona tinha razão, ainda que fosse perversa, e eu teria que me esforçar para não derrubar uma gota sequer. Abaixei-me delicadamente para pegar o pote e, quando o levantei, Epona pressionou a bota contra a minha bunda, fazendo-me perder o equilíbrio e derrubar a água novamente:

— Tá pensando o quê, Potro? Quando eu perguntar algo para você, você responde. Espero que não erre mais nada antes de essa coleira secar, hahaha.

Embora a água tenha espirrado um pouco na coleira, a maior parte foi para a frente, felizmente, pela própria natureza do empurrão que Epona me deu. Tentar pegar o pote com a água vertida certamente me molharia mais; dessa vez, contudo, fiz como Epona pediu:

— Perdão, Senhora, estava apenas distraído.

— Tá perdoado porque estou boazinha com você ainda, é Potro novo que teve dificuldade no parto. A lei da natureza teria te descartado, mas Ártemis te poupou... para rir da sua cara de bobo, só pode.

Senti pela primeira vez algo além de uma lucubração movida pela curiosidade; o ciúme de Epona ficaria cada vez mais claro.

— Isso, larga o pote no chão agora... Pelo visto conseguiu não se mijar, hein...

Nesse momento, ela olhou para o estado lastimável do meu pau. Sua maldade mais recente o havia deixado melado novamente; casquinhas brancas, mais ou menos secas, revelavam inúmeras dispersões de líquido pré-ejaculatório. Além disso, meu pau estava visivelmente vermelho e levemente ferido. A palha dava o nó nesse embrulho ridículo que fez Epona desatar a rir:

— Tentou foder a palha, Potro? Hahahahaha. Você é muito perdedor, que ridículo, hahaha.

Em meio aos risos, vi-a pegar seu caderninho vermelho pela primeira vez e fazer uma rápida anotação.

— Vem, vamos pro centro. Vou tirar seu cinto, lavar seu pau e tratar de você. Escovar os dentes também... Verdade, tem que mijar, né? Vai primeiro no canto ali e pode urinar. Só não olha pros cachorros que eles não gostam disso, e eu até dou razão a eles, hahaha. Caralho, fodeu a palha, hahaha!!!

Vermelho como um pimentão, fiz como ela pediu, e a vontade de urinar era tanta que só senti a ardência quando terminei; felizmente a urgência me fez nem olhar para os lados.

— Vem logo, Potro, vai rapidinho. Pensa no prêmio que vou te dar: vou libertar teu pau e você vai poder meter com a serragem de maneira ainda mais sensual, hahahaha.

Epona tirou minha coleira e meu cinto. Dessa vez, ela tinha um banquinho, de modo que, quando sentasse, estaria mais ou menos na minha altura de quatro. Ela trazia ainda bucha, sabonete, remédio para desinfetar feridas e também... uma pá.

— Enquanto eu encho o balde de água, você vai ficar de cócoras e vai cagar na pá.

Claro que eu tinha que fazer minhas necessidades fisiológicas, mas, até aquele ponto, eu tinha descartado isso por completo. Sempre fui uma pessoa tímida no banheiro, nem conseguia urinar em banheiro público se não estivesse em uma cabine fechada... quanto mais defecar. E ela me pedia, da maneira mais blasé, para eu cagar em cima da pá na frente dela? NA FRENTE DELA?

— Que foi, Potro? Acha que tá seguro ignorar minhas ordens só porque tá sem coleira? Se eu quiser, com um chute te rasgo inteiro. Vai, caga logo, faz dias que você não faz nada. Vamos ver se você consegue fazer ou se vou ter que meter a mangueira no teu rabo.

— Perdão, Senhora, vou fazer como pede... eu só peço que você não fique me olhando...

— Só me faltava essa, agora quer dizer o que eu posso ou não posso fazer. Eu nem queria ficar olhando isso, iria ver só a “obra de arte” depois para avaliar sua saúde... Mas, agora que quis falar o que eu devo ou não fazer, traz a pá para cá, do meu ladinho, e você vai cagar aqui na minha frente, colado.

Completamente atônito, tive o ímpeto de pegar a pá com a minha mão.

— Caralho, Potro burro! Usa a boca, a boca! Não vai conseguir pegar nada com esse teu casco. Isso, pega com a boca e vem. Hoje você tá difícil, hein!

Peguei a pá com a boca e fui em direção a Epona como um homem que caminha para o cadafalso. Era a morte do homem, o reencontro com a natureza...

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