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A História de Caio, completa e revisada para leitura on line e download e contos inéditos no meu blog:
http://romancesecontosgays.blogspot.com.br/a-historia-de-caio-leitura-on-line-e.html
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Eu estava terrivelmente enganado. Antes da ferida no pé com o pinto beliscando, faltava meu pai voltar tão rápido da viajem à França e vir atrás de mim no colégio. Fiquei aterrorizado, precisava sair dali sem que ele me visse. Ainda bem que a secretária do Diretor não ficou me esperando, confiou que eu iria sozinho até a diretoria. Me esgueirei pelo colégio para evitar as proximidades da sala do diretor. Quando estava próximo da saída esbarro no Dan.
- Para onde você está indo? Indadou ele. - Está com cara de quem está fugindo do capeta.
- Pior que isso. Meu pai está aqui, na diretoria.
- E ele é da galera do mal?
- O pior de todos, me tira daqui.
- Espera só um pouco.
Saímos do colégio às pressas, agradecendo por não ter ninguém seguindo ou algo do tipo. Eu fui primeiro e esperei o Dan no carro. Ele chegou logo em seguida, tinha ido só pegar as coisas dele.
- Vamos lá para o Yoh, né? Perguntou ele.
- Sim, vamos. E vamos logo.
- Já tem minha resposta?
- Dá um tempo Dan. Por favor, tá ficando chato.
Ele calou-se e apenas guiou o carro o mais rápido que conseguiu. Quando chegamos no apartamento do Yoh, ele estava esquentando algo na cozinha e ficou surpreso com nossa chegada antes da hora.
- Algum problema? - Perguntou ele.
- Todos Yoh. - Respondi. - Meu pai já voltou da França e foi me procurar no colégio. E todo mundo sabe que sou gay porque o Roney espalhou.
Ele ficou surpreso.
- Eu esperava lidar com seu pai apenas daqui alguns dias. Mas a vida é cheia de reviravoltas. Querem panquecas?
- De que é? Perguntou Daniel.
- Carne. - Respondeu Yohan.
- Você não esperava que eu vinha almoçar não? - O tom de Daniel dessa vez parecia levemente indignado.
- Não. Mas parando para pensar foi uma falha minha, eu devia ter pensado nisso sim. - Respondeu Yoh com cara de culpa. - Panquecas Caio?
- Quero. - Peguei uma e comi nervoso. - O que você tem contra panquecas, Dan? Perguntei a ele.
- Contra panquecas nada. Contra carne, tudo. Sou vegetariano.
- Que coisa maluca. - Respondi.
Ele pareceu meio ofendido.
- Eu me sinto muito bem e não sou nenhum perturbado não.
- Desculpa, não quis ofender, mas achei esquisito. Faz tempo que você é assim? Entrou nessa agora não é? Logo vai estar raquítico. - Pensar no absurdo do Dan ser vegetariano me fez esquecer por alguns instantes os problemas maiores que eu tinha em mãos.
- Sou desde que nasci. Nunca comi carne. E se você reparar sou mais forte que você.
Era verdade. E aquela informação me deixou de cara no chão.
- Eu não acredito. - Falei olhando para o Yoh.
- É verdade. - Ele confirmou. - Apesar de não ser adepto, eu reconheço que é uma dieta viável e muito benéfica ao corpo.
Vi aquele velho sorriso de satisfação debochada do Daniel. Para completar o quadro de quem me havia vencido no debate ele soltou um beijinho.
- Aquela macarronada de domingo. Não tinha carne?
- Não. - Respondeu Yoh. - Mudando de assunto Caio, eu já sei o que há no testamento de sua mãe. Falei com o Dr. Vasques, o advogado da sua mãe, tem o nome dele naquele papel que fica em cima do testamento.
- Você abriu?
- Não, ele só pode ser aberto pelo juiz, senão perde a validade. Hoje a tarde vamos com o Dr. Vasques entregar o testamento na vara de sucessões onde o inventário da sua mãe foi aberto.
- O que é inventário?
- É um processo onde os bens de um falecido são listados e entregues aos herdeiros. O da sua mãe foi aberto sem considerar o testamento dela. Que só agora foi descoberto.
Eu nem acreditei. Pelo menos uma felicidade. Ia dar tudo certo, ia consegui cumprir as últimas vontades de minha mãe, que meu pai quis impedir de efetivar. Ia perguntar mais sobre a conversa do Yoh com o Dr. Vasques quando ouvimos batidas na porta.
O Daniel se adiantou para abrir. Antes que eu ou o Yoh falássemos qualquer coisa. Nos voltamos para ver também quem era quando meu coração só faltou pular para fora do peito. Meu pai estava do outro lado da porta, com uma pistola encostava na testa do Daniel.
- Vou precisar matar esse moleque, ou você vai me entregar aquela porcaria que foi buscar naquela casa que você nunca mais deveria ter entrado?
Continua …
P.S: Estou morto de curioso para continuar lendo o conto " Foi difícil, mas deu certo" do LucasBH. Vou ler mais um capítulo lá e volto a escrever aqui. Quem ainda não viu, eu postei hoje durante o dia um conto narrado pelo Daniel, contando a versão dele dos fatos até a parte 26: http://www.casadoscontos.com.br/texto/
Até 23:00 posto outro capítulo.