Muita agitação, pessoas caminhando no meio da rua dificultando a passagem dos carros, grupos com estilos diferentes, táxis e mais táxis chegando e deixando cada vez mais pessoas, luzes coloridas para todos os lados e muito mais. Aquele lugar ia ferver na noite de estreia. A banda de abertura já tocava e pelo horário deveria sair do palco em 10 minutos no máximo. Os Djs entrariam e aí sim o agito começava.
Tanto tempo que eu não ia numa festas dessas que eu nem sabia mais como era. O táxi nos deixou na calçada e Bernardo já queria entrar.
- Vamo lá pra dentro. Assim dá tempo da gente comprar algo antes que lote. – ele falava com esforço pelo som alto mesmo estando de fora do clube.
Compramos as entradas e fomos revistados pelos seguranças. Entramos no local e o preço caro das entradas foi justificado. Realmente era uma boate linda. Muito bem iluminada, com um bar enorme e a pista de dança nem se fala. Os funcionários muito bem fardados, um palco ao fundo com a banda que já se despedia, estofados espalhados por todos os lados. Puxa, eu nunca tinha entrado num lugar daquele.
Eu parecia perdido. O Bernardo parecia que já tinha andado em festas daquele jeito porque não parecia tão desconfortável quanto pensei que ele ficaria. O primeiro Dj foi anunciado, logo todas as pessoas que estavam lá fora entraram e o lugar parece que não cabia todo mundo de tanta gente que era. Lotou e apertou.
A música começou e se já estava alto do lado de fora, alí dentro nem se falava. Todo mundo gritava e dançava feito doidos. A noite ia passando. Logo eu percebi que todo mundo estava com copos de plástico na mão.
- Lucas, tem tequila liberada até meia noite. Você bebe?
- Deus me livre. Dizem que esse negócio pira as pessoas. Você vai beber?
- Não. Não gosto. Só ia te proibir mesmo... – ele sorriu.
- A festa tá só começando, Bernardo. A gente vai ficar a noite toda sem beber nada?
- Eu vou ver no bar o que tem lá. Espera... – ele saiu pro bar. Nem um segundo depois ele voltou. – Não. Não fica aí só não. Vem comigo. – ele me puxou pelo pulso.
Chegamos no bar e perguntamos o que tinha. O barman falou dos drinks que eles serviam. Não conhecia nenhum, um nome mais estranho que outro. Ele falava, falava e Bernardo não tinha paciência pra aquilo. O interrompeu.
- Olha, me serve dois do que vocês tiverem de mais fraco aí, por favor.
O barman começou a preparar algo e a gente ficou curtindo o som do bar mesmo. O pessoal ficava lá pra frente mais perto do palco onde o DJ estava. Acho que o ambiente estava lotado por ser início da festa, logo melhoraria.
- Dois Martinis com uma lata de Soda, por favor!
Alguém falou do meu lado. Cheirinho bom que ficou no ar. Olhei e as luzes piscavam freneticamente, mas consegui perceber que era o Igor. Ele estava com o Kaio.
- Oooi! – eu o cumprimentei. – Bernardo, o Igor tá aqui!
Ele apenas riu tímido e apertou a mão do Bernardo.
- Oi gente. Tudo bom com vocês? – ele perguntou.
- Sim! Chegaram agora?
- Agorinha... Esse é o Kaio, ele é filho do seu Antônio.
- Ooooi! Tudo bom? Prazer! Eu me lembro de você do carnaval! – eu me adiantei.
Kaio me cumprimentou e olhou pros lados meio perdido coçando a cabeça. Tive a leve impressão de o Igor revirar os olhos. Soltei a mão do Kaio imediatamente. Achei que era porque não havia gostado de eu cumprimentar o namorado dele. Gente, sério, esse carnaval deu o que falar porque bastava tocar nesse assunto e os dois se mandavam.
Os drinks deles dois foram servidos primeiros que os nossos. Eles pegaram e saíram sem dizer nada. Percebi que pararam poucos metros depois com o Kaio falando algo no ouvido do Igor. Igor olhou pra mim e voltou ao nosso encontro no bar.
- Olha, tem uma mesa reservada só pra o pessoal da empresa, se quiserem aparecer fica alí ó... na área vip do clube. – ele me mostrou a mesa e eu reconheci dois caras do setor do Bernardo.
- Mas é claro! Vamos já, não é Bernardo? – olhei pra ele que continuava me encarando sem entender da onde vinha meu entusiasmo em falar aquilo.
Igor sorriu educadamente e saiu pra mesa. Nossos drinks foram servidos e fomos pra mesa onde o pessoal conhecido estava.
- Bernardo! Senta aqui cara! Chega mais! – um dos rapazes da contabilidade chamou.
- Chega pra lá pro Lucas sentar comigo também. – ele disse pro cara.
Todo mundo se entreolhou. Não precisava ele falar daquele jeito. Mas tudo bem. Passou.
Todo mundo começou a conversar e os Djs arrasando. Riam muito e desabafavam o estresse da empresa. Kaio e Igor apesar de sentarem lado a lado não deixavam ninguém perceber que estavam juntos. Eles só tinham o contato necessário. Eles dois estavam conversando com um outro cara da presidência. Os três riam sem parar.
- Minha gente isso aqui é uma balada! Vamo dançar! – um dos caras do setor do Bernardo falou levantando e já começando a jogar os braços pra cima. A empresa tinha uma boa quantidade de pessoas jovens. Jovens com menos de 30, eu me refiro.
Todo mundo entrou no ritmo e levantou. De pouquinho em pouquinho todo mundo começou a se mexer inclusive eu. Do nada um clique se acendeu na minha cabeça. Cadê o Natan, Rony e a Júlia??? Peguei o celular apressado e fui pro Whatsapp ver se encontrava alguém.
Haviam muitas mensagens do pessoal perguntando onde eu estava. Temos um grupo só de nós quatro.
“Vocês estão aonde???”
“Perto do bar há mais de dez minutos esperando uma cerveja!” – Natan respondeu.
“Vem pra cá! Eu tô num sofá aqui do lado direito da pista. Tô com o Rony.” – Júlia chamou.
“Tô indo”
- Bernardo, vamos ver os meninos?
- Agora não. Vamo ficar aqui.
- Rapidinho, depois a gente volta.
- Não. Aqui tá bom. Depois a gente vai, Lucas.
- Então eu vou lá e depois volto. – fui me virando quando ele segurou meu ombro.
- Depois a gente vai, já disse.
Ficamos alí mais alguns minutos. Igor e Kaio saíram pra pista de dança com o outro rapaz da presidência.
- Bernardo, rapidinho! – eu pedi.
- Lucas, ele nem gostam de mim... – ele falou olhando pra baixo.
- Porque você não dá espaço! Vamo, vai!
Ele respirou fundo e deixou o copo na mesa. Saímos alí do meio do pessoal e fomos atravessando a posta de dança. As luzes piscavam muito e ficava difícil ver alguma coisa. Até que enxerguei Júlia no sofá com o celular na mão. Rony estava em pé na frente do sofá.
- Ooi! – Júlia veio me abraçar. Rony apertou minha mão.
- Olá! – ela abraçou Bernardo que ficou imóvel e soltou um sorriso. Acho que de todos os meus amigos Júlia era a única que conseguia um pingo do carisma do Bernardo.
- E aí Bernardo! – Rony ofereceu a mão que foi apertada firme por Bernardo.
- Chegaram há muito tempo? – Eu perguntei quase gritando.
- Não. Os meninos enrolaram pra passar lá em casa. Vamo dançar, eu tava esperando você. – ela me puxou pela mão e eu lancei um olhar pro Bernardo. Ele nos seguiu.
Na pista tocou muita música boa. Acho que foram umas cinco músicas seguidas que eu conhecia. Todo mundo estava adorando. Aquela era a minha primeira balada de verdade, nenhuma das outras chegavam perto daquela. Tudo era grandioso!
Vi o Igor dançando com o Kaio não muito longe. O Igor é daqueles que dança e canta. Ele sabia todas as letras, parecia ser o estilo de música dele. Agora, o espetáculo do Kaio do lado dele é que qualquer um queria pagar pra ver. Ele parecia não saber dançar direito e o Igor tentava guia-lo sobre como fazer. Eles eram lindos juntos. Dava pra ver o carinho envolvido. Eles riam juntos. Eles estavam no meio de todo mundo e mesmo estando juntos eles não deixavam de dar atenção pra quem estava perto. Eu queria uma relação assim pra mim. Onde eu amasse o meu namorado e ele me amava. Mas teríamos cada um a sua vida e seu espaço. Sentia como se eu fosse propriedade do Bernardo. Meus amigos não gostavam dele, eu sempre tinha que ir aos lugares com ele, sempre ligar pra ele. Até que ele tinha maneirado o ciúme mas a sensação era a mesma.
- Lucas! – Júlia chamou.
- Que foi?
- Não sei. Acorda!
Ficamos dançando no meio da pista. Bernardo observava a Júlia porque ela estava dançando comigo. Ela segurava minha mão e rodopiava. Ficamos curtindo. Bernardo se mexia de leve meio que com cara de mal. Mas ele tem essa cara naturalmente então... deixa pra lá.
Rony e Natan chegaram.
- Finalmente! – eu ri e abracei o Natan. Bernardo cruzou os braços.
- Disse e cumpriu hein! Gostei de ver! – ele se virou pro Bernardo. – E aí cara, tudo bom?
- Beleza.
Ficamos os cinco dançando um tempo. Rony e Natan ficavam fazendo palhaçada e Júlia e eu caímos na graça. Bernardo sempre sóbrio do nosso lado. Natan de vez em quando pegava Júlia pra dançar e fazia passos de dança malucos. Rony ia na onda.
- Lucas, tavam servindo tequila grátis até pouco tempo. Meu Deus! É muito bom! – Natan falou já meio alterado.
- Então é isso! Você já tá bêbado! – eu ri.
- Bêbado não! – ele apontou o dedo pra mim e veio em minha direção até ficar frente comigo com o dedo no meu nariz. – Olha como fala! Eu não fico bêbado, eu fico a-le-gre! – Natan soletrou a última palavra. Na sílaba “le” a língua dele se curvou pra fora da boca. Tentem falar bem de vagar e vai acontecer o mesmo. Pra quê isso foi acontecer? Ele tava bem próximo de mim. Bernardo não gostou. Daí já viram...
- Qual é cara? Ficou maluco? Eu tô bem aqui! – Ele disse puxando o ombro do Natan.
- Qual é digo eu! Me larga!
- Ei gente! Vão brigar agora? – Júlia entrou no meio.
Os ânimos se alteraram.
- Chega perto dele... – Bernardo me empurrou pra trás dele –... assim de novo que eu arranco essa tua língua otário!
- Quero ver você tentar!
- Me provoca!
- Cai dentro porra! Anda! – ele empurrou o peito do Bernardo. Eu e Júlia nos apressamos em segurar os braços do Bernardo.
Eu já estava em pânico. O Bernardo ia quebrar o Natan em dois. Em dez se possível. Só podia ser cachaça pra dar aquela coragem toda pra alguém que se muito tiver tem metade dos músculos do Bernardo e olhe lá! Eu tava muito ferrado.
- Ei! Natan! – Rony segurou o braço dele.
Natan e Bernardo se olhavam feito dois cachorros prontos pra se atacar.
- Natan nada! Me larga Rony! – ele deu um soco no ar e o Rony o soltou. - Qual é o problema de eu chegar perto dele? Qual é o problema dele sair com a gente? Não se esqueça que antes dele ser qualquer coisa sua, antes de ele SONHAR em te conhecer ele é MEU melhor amigo! – ele gritava, mas pelo som ninguém ligava.
- O caralho! Ele não é seu nada!
- MEU amigo! – Natan disse apontando o dedo pro próprio peito. – Amigo que conversa, sai junto, se abraça, que BRINCA numa festa, seu idiota. Isso é normal! Você que não é normal! Você é o único que não é normal aqui.
Todo mundo se calou.
- Bernardo! Para com isso... Foi só uma brincadeira. Pelo amor de Deus, a segurança vai vir aqui. – eu segurei o braço dele.
Tudo isso ocorrendo e ninguém a nossa volta notou que era uma discussão. Porra, golpe baixo esse do Natan. Jamais usaria isso contra o Bernardo.
Bernardo se virou de costas pro Natan e me olhou sério. Levantou a cabeça com as mãos na cintura e respirou fundo de olhos fechados. Quando os abriu eles estavam cheios de lágrimas. Tirou minha mão do braço dele. Os dentes estavam cerrados.
- Fica aí com seus amigos... normais então. Eu não sou normal... Pra mim já deu. – ele falou mais baixo, mas eu consegui escutar.
Ele saiu rápido pela multidão. As luzes piscando não me deixaram o acompanhar com o olhar. Eu havia perdido o Bernardo no meio daquela gente toda.
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Desculpem o capítulo curtinho hoje, mas se eu não postasse iria adiar mais ainda pra amanhã. Espero que tenha ficado bom.
#Léo!: kkkkk Eu e o Kaio não escutamos forróc om frequencia não. Sim, aqui realmente o forró impera. Só que o Kaio ainda arrisca alguns passos com alguma prima dele por aí, quando a gente sai juntos e toca forró no lugar que a gente tá. Daí as primas dele sempre pedem pra dançar com ele e ele vai. Mas não é de costume não. Meu negócio é pop e rock, Kaio também.
Petricky: Sim, parte verídica. Os personagens, enredo e tudo mais é real. Eu só preciso alterar umas coisas pra privacidade das pessoas na vida real, digamos. Mas é tudo real sim rs
mille***: EU falei pro Lucas. Se ele queria ser meu amigo pra conseguir algo na empresa começou com pé errado kkkk Eu explico mais disso nos capítulos seguintes. Sem spoilers!
Higor Melo: Sim, nos damos todos bem. Bernardo gosta de mim, eu sei disso... ELe é um chato caladão mas eu sei que ele gosta! hahaha Joga vôlei comigo e o Kaio sempre. Só o Lucas que não pratica esporte nenhum, mas vamos mudar isso e obrigar ele a se mexer.
Irish: Sim, ele é assediado sim. Principalmente na universidade, segundo o Lucas conta. As meninas não o deixam em paz. Mas o Bernardo as tira de tempo. Se bem que eu já notei algumas vezes ele dando espaço mas é que nem o Kaio, só é retardado mesmo. A gente entra no meio e mostra que o terrítório já tá marcado de uma forma bem educada. Daí as cantadas param. Simples! ;)
Fernando_Mocelim: Já tenho um final sim. Já está sendo escrito até. Não devo demorar chegar nele.
Drica (Drikita): kkkkkk Será? Abafa que esse negócio de crepúsculo pega mal. Eu chamei ele assim um dia na academia e ele acabou comigo no treino, sério.
Drica Telles(ametista): Ele nesse tempo que o conto se passa, em junho, faltava pouco me levar água na bandeja na minha sala pra me bajular e chamar minha atenção. Eu não sei o que ele viu em mim. rs Ele diz que nem ele sabe.
Lost boy: O lucas jura que não. Que são super héteros e por isso se dão tão bem sozinhos.
marcelo8486: Eu que não acredito que você pensou isso! Não me inclui nessas coisas não. Deus me livre de orgia... não curto isso não. O conto é do Lucas e do Bernardo. Só deles! Pra mim até tara tem limite e a minha se resume a meu namorado. kkkk
Obrigado a Chriz.., Love31, alvorada, Junynho Play, Wyllia Paes, Joshh e Agatha1986 por terem comentado.
Estou todo quebrado porque hoje eu mudei o treino na academia, o negócio tá sério. Mas mesmo com os movimentos limitados eu tenho que ir pra faculdade agora. Afinal, eu já tenho uma massagem certa mais tarde mesmo, se é que me entendem. ;)
Abraço pra todos vocês. Até mais.