Olha! Quanta dor de cabeça! O Capítulo 25 está postado, está no meu perfil, desculpem o transtorno de terem que acessar o perfil para lerem o conto. Bem, para recompensá-los, deixo já publicado o 26. Um beijo e boa leitura!
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Ele apenas abriu os olhos, mas parecia muito fraco, tremia e não conseguia falar. Então peguei ele no colo e fui rápido para o carro, deitei ele no banco traseiro e liguei o aquecedor. Fui direto para o hospital, lá o diagnosticaram com hipotermia. Eles começaram a massagear o corpo dele, colocaram um respirador e o cobriram com cobertores térmicos. Eu fiquei aguardando olhando pelo vidro, mas pelo visto ele teria que ficar lá por um tempo.
Depois de uma hora, foram retirando algumas coisas e por fim ele ficou só com o cobertor. Depois disso permitiram minha entrada e eu fiquei ao lado dele. Eu não sabia o que sentir, não sabia o que fazer, só queria que ele melhorasse.
Bruno:
Aquela noite foi terrível. Eu não sabia aonde ir, não conhecia nada e quanto mais eu ficava parado ali no ponto, mais frio eu sentia e mais desorientado eu ficava. Tentei me aquecer ao máximo, mas não conseguia, aquele lugar parecia um inferno gelado e eu rezava pra a manhã chegar logo, para assim ver se reconhecia alguma coisa. Mas não, eu adormeci e quando acordei estava no hospital, sem saber o que tinha acontecido comigo. Eu abri o olho e logo o vi, estava com uma carinha de preocupação linda, ele era lindo, meu amor, o cara com quem eu quis passar toda a minha vida. Sim, disse quis, pois aquela noite me fez ver que eu não era pra ele, mesmo o amando, eu iria deixar ele se casar. Eu não era mais dele a muito tempo, e nesse tempo a Julia cuidou dele, e deu a ele tudo o que eu nunca pude dar. Eu o olhei e ele me olhou, abrindo um sorriso lindo, mas eu me mantive sério, fechei os olhos e fiquei em silêncio.
- Me desculpa. – falou ele. – Eu não devia ter te tratado daquela forma. – ainda de olhos fechados eu respondi.
- Eu mereci, você tem toda razão.
- Logo você vai sair daqui, só vai precisar ficar um tempo em observação.
- Você pode ir, deve ter um dia cheio hoje. – Abri os olhos e nos encaramos.
- Só saio daqui com você. Quer alguma coisa?
- Você, mas não pode me dar, então me deixa quieto, por favor.
Ele saiu do quarto e eu achei que realmente teria ido embora, isso me causou um aperto no peito, mas não, ele voltou com uma enfermeira que me fazia perguntas, ele traduzia e eu respondia, com ele traduzindo novamente. Ela saiu e depois veio o médico e acabou me dando alta, mas disse que eu deveria ficar em repouso.
Vesti minha roupa e logo estava no carro com ele, mas seguiamos em silêncio. Olhava para fora e a beleza daquela cidade me fez pensar se nós dois poderíamos morar ali, juntos, mas era tudo sonho, ele era dela, não meu. Isso fez meus olhos marejarem e eu chorar novamente. Tentava secar minhas lágrimas para que ele não percebesse, mas foi impossível.
- Está tudo bem? Está sentindo dor?
- Não se preocupa, essa dor só o tempo cura.
- Espero que sim. – eu não sabia se ele tinha falado aquilo pra mim ou pra ele mesmo.
Enfim chegamos na casa dele e fui direto para o quarto. Lá comecei a arrumar minhas malas, ainda um pouco zonzo, mas determinado. Enquanto eu fechava a mala, ele entrou com uma xícara na mão.
- Bruno, te trouxe um chá... O que você está fazendo?
- Arrumando minhas coisas, estou indo embora.
- Mas você não pode! Não está bem ainda.
- Não interessa Otávio, eu vou embora. – peguei a mala e tentei passar pela porta.
- Não vai. – ele esticou o braço me parando.
- Para de palhaçada! Você quer que eu vá embora desde o momento que me viu, agora deixa eu ir logo.
- Sim, queria mesmo, mas você não está bem, eu fiquei tão preocupado com você, rodei essa cidade toda te procurando e pensar que você quase... Você só sai daqui amanhã, se quiser.
- Eu não vou passar a noite aqui. Não vou nesse jantar de noivado.
- Nem eu queria que você fosse, mas a questão não é o jantar, e sim sua saúde, você quase morreu.
- Não seja exagerado. Eu vou embora e acabou o assunto! – Ele me olhou sarcasticamente.
- Ah é?! E não vai fazer nada para impedir meu noivado?
- Não.
- Ah, eu sabia que essa história de amor era tudo ceninha.
- Eu te amo, muito, e por isso mesmo que eu vou embora. Não vou atrapalhar seu noivado. Eu percebi que ela é a mulher certa pra você, ela vai te fazer feliz. E eu te amo tanto que prefiro ver você feliz com ela, do que infeliz comigo. Agora deixa eu passar.
- Essa foi a coisa mais bonita que você me falou... Você percebe que não tem como a gente ficar juntos? São 3 anos Bruno. – Eu não respondi, só chorei.
- Sim, ela vai te fazer feliz, e eu não vou atrapalhar sua felicidade.
E tentei novamente passar por ele, mas nessa hora ele me agarrou e beijou. Nossa! Que beijo delicioso, era violento, com pegada, com desejo. Ele me apertava junto a si, suas mãos percorriam minhas costas, até minha bunda e me puxava para sí por ela. Quanto tesão, quanto desejo, quanto amor! Depois de um tempo eu abri os olhos e me assustei com o que eu vi. A Julia estava na porta, observando nosso beijo com uma expressão de susto, as mãos na boca, olhos arregalados, incrédulos. Eu mais que depressa empurrei o Otávio que não entendeu meu ato.
- O que foi?
Ela começou a gritar em italiano, eu não entendia nada, mas ele começou a chamar ela de amore, amore, amore, pedindo desculpas, e querendo explicar o que aconteceu. Com certeza ia falar que eu que o tinha agarrado e era melhor assim. Eles saíram para a cozinha, discutindo, eu então peguei minha mala e fui saindo. Quando estava na calçada, vi a Julia passar correndo e entrar no carro, com o Otávio gritando seu nome e tentando abrir a porta, mas ela acelerou e saiu. Eu nem olhei para trás, puxei minha mala e fui andando na direção oposta.
- Bruno! Volta aqui. Você pensa que vai embora assim, desse jeito? – ele me alcançou e puxou pelo braço. – Está feliz?! Era isso que você queria não é? Agora não tenho mais ela. Mas se você acha que eu vou atrás de você está muito enganado.
- Você só pode estar maluco! Você que me agarrou, você que não queria que eu fosse embora, se me tivesse deixado ir nada disso teria acontecido. – Ele ficou me olhando e parece ter percebido que eu tinha razão.
- Vai embora! Some daqui! – disse já chorando. – Eu nunca vou conseguir ser feliz. Maldita hora que eu conheci você! – aquilo doeu fundo.
- Obrigado. – virei as costas para ir embora, mas novamente ele me puxou.
- Já falei que você não vai embora! Agora você vai concertar a merda que você fez! – Eu estava cansado, física e psicologicamente, então desisti de tudo.
- Tudo bem Otávio, o que você quer que eu faça? – já começava a chorar novamente.
- Vai atrás dela e fala que a culpa é sua!
- Mas você que me beijou.
- Não interessa! Se você não tivesse vindo nada disso teria acontecido, a culpa é sua sim!
- Maldita hora que você me tirou do frio. Era melhor ter me deixado morrer lá, nada disso teria acontecido.
- Não seja dramático... Você não entende, essa mulher é importante pra mim.
- Entendo sim, e eu vou lá procurar ela, porque você é importante pra mim. Não era mentira o que eu falei, sua felicidade é mais importante.
Passei por ele puxando a mala e deixei na entrada da casa. Como eu estava sofrendo! Parecia que nada importava mais, na verdade eu só queria o meu quarto, para poder chorar em paz.
- Me dá o endereço!
- Não, eu não vou te obrigar a isso... me desculpa, eu estava nervoso, me perdoa tudo o que eu te falei, a culpa foi minha mesmo.
- Me dá o endereço!
- Não! – Então meu me lembrei que a Julia tinha me dado o endereço, na nossa conversa maluca pelo google tradutor.
- Tudo bem, eu só preciso dar uma volta.
- Não! A ultima vez você quase morreu.
- Dessa vez não, eu já tenho o endereço daqui, estou com meu passaporte e telefone, não vou me perder de novo.
- Tudo bem, mas se cuida, ta?
- Está bem.
Sai dali e peguei um taxi. Dei o endereço dela ao taxista e ele me deixou na porta da casa da mãe dela. Eu fui até a porta e uma bela senhora atendeu. Claro que ela não ia entender nada do que eu dissesse, então usei o programa de tradução, que disse a ela que eu era amigo do Otávio e precisava falar com a Julia urgente. A mãe dela então deixou eu entrar e me levou até o quarto.
- Figlia mia, hai um ragazzo che voi parlare con te. – ela abriu a porta e estava chorando demais. Assim que me viu quis bater a porta, mas eu pedi pra ela pra conversarmos. Santo programa de tradução.
Eu digitei tudo e coloquei pra ela ouvir:
Giulia, eu quero te explicar tudo o que aconteceu. A culpa foi toda minha, eu forcei ele a me beijar. Eu sou apaixonado por ele desde criança e ao saber que ele iria se casar eu vim pra cá pra me declarar e ver se conseguia ele pra mim. Ele, claro, não me quis, nunca me amou, nunca quis nada comigo, então eu pedi só um beijo e nunca mais procuraria ele de novo, mas se ele não me beijasse eu iria no noivado e faria um escândalo. Eu sei que é terrível, mas eu não faria isso de verdade, era só pra conseguir o beijo. Ele, depois de muito relutar, aceitou e foi quando você chegou. Pelo amor de Deus, eu o amo e quero ver ele feliz, e ele só vai ser feliz com você. Eu prometo que estou indo embora hoje mesmo, mas não termina o noivado com ele. Ele te ama mais que tudo e só me beijou para te proteger. – ela olhava para minha cara incrédula e quando eu terminei de falar ela me deu um tapa fortíssimo no rosto, que entortou minha cara para o lado. Quanta humilhação! Algumas lágrimas começaram a rolar e ela começou a falar, mas era em italiano e eu não entendia nada. Ela falava com raiva e com certeza me xingava. Eu ouvia tudo sem tirar os olhos dela, ela tinha que desabafar. Por fim ela digitou algumas coisas no celular e me deu para ler.
- Você é um desgraçado e eu te odeio! Não sei como pode fazer isso com seu próprio amigo. Espero mesmo que você vá embora hoje e nos deixe em paz.
- Vou fazer isso, te peço perdão e que cuide bem dele, porque é um verdadeiro príncipe e você não vai encontrar outro assim.
- Eu sei. Não consigo te perdoar agora, mas vou conseguir. Obrigado por ter vindo aqui contar a verdade. – Mas ela me deu outro tapa no mesmo lugar e com a mesma força – E nunca mais tente acabar com a felicidade dos outros.
Eu sai da casa dela. Pronto, meu dever estava cumprido, dessa forma peguei um taxi e fui para a casa do Otávio. Quando cheguei ele estava no telefone com ela. Depois ele pegou as chaves do carro e a carteira e saiu em disparada pela porta, sem ao menos falar comigo. Estando sozinho, eu peguei minha mala e fui embora para o aeroporto, comprei as passagens e depois de um tempo chegou a hora do embarque. Enquanto esperava as mensagens começaram a chegar, mas ignorei. Por fim me dirigi ao avião e enquanto entrava meu celular começou a tocar, era ele, mas não atendi. E as mensagens voltaram a chegar:
“Cadê você?”
“Atende o telefone!”
“Onde você está? Você foi embora?”
“Eu estou no aeroporto, vem me encontrar”
“Eu preciso falar com você”
“Não vai nem se despedir?”
“O que você falou pra ela? Vamos conversar!”
“Nuno, não faz isso! Sei que está sofrendo, você vai ficar bem?”
Nessa hora o piloto pediu para colocamos os aparelhos em modo avião, então eu disse apenas: “Seja feliz com a sua esposa e ensine seus filhos como é maravilhoso amar. Eu posso dizer que amei e foi maravilhoso, que eles possam amar também e tenham final feliz, diferente do tio Bruno. Te amo Tavinho.”
Tomei um calmante e apaguei, só acordando quando faltavam poucas horas para o pouso. Cochilei novamente e quando acordei o avião estava aterrissando no Rio de Janeiro.