DECADÊNCIA - Parte VI
A garçonete devia estar mesmo cansada pois dormiu quase que imediatamente após o sexo. Ele nem disse seu nome. Também não sabia o dela. Charles tomou mais uma cerveja, esperando que ela descansasse um pouco, pois ainda queria fodê-la. Continuava com grande tesão em sua bocetona raspadinha e lisa. Depois, resolveu-se a deixa-la dormir. Vestiu-se e foi-se embora. Fechou a porta do apartamento dela e jogou a chave por baixo. Quando entrou no carro, seu aparelho celular estava com o visor aceso, indicando que alguém lhe tinha ligado. Havia lá umas quatro ligações de Júlia. Desligou totalmente o telefone. Não estava afim de discutir com ela. Olhou para o relógio de ouro que usava no pulso. Ele indicava ser pouco mais de uma hora da madrugada. Estava cedo.
Voltou ao bar onde deixara a garçonete. Queria ver se a moça que lhe entregara o bilhete, alertando sobre a vigarista, ainda estava lá. Estava. Viu-a na mesma mesa, acompanhada do mesmo cara de antes. Mas, agora, já não discutiam. Parecia até que haviam feito as pazes e estavam numa boa. Mas foi só a mocinha o ver, para ficar de novo interessada nele. Charles fez-lhe um aceno discreto e sentou-se à mesa. Pouco depois, pedia uma cerveja ao garçom. Nilda, a garota que conhecera no outro bar, falou algo para o acompanhante e levantou-se da mesa. Caminhou em sua direção. Perguntou:
- Posso sentar-me?
- Já não estava acompanhada?
- É um ex-namorado. Cara muito chato. Acredito que estarei melhor com você.
- Não quero confusão, Nilda.
- Oh, ainda se lembra do meu nome? Já é um bom começo.
- Na verdade, vim tirar uma dúvida: quem é a coroa que você disse ter visto com aquela morena que eu estava com ela?
- A garçonete?
- Não. A beijoqueira.
- Ah, sei. Espere um pouco. Vou buscar meu celular lá na mesa e volto já.
Ela foi, pegou o celular na mesa onde estava o cara que estivera discutindo com ela, falou alguma coisa para ele e voltou. Só que o cara não gostou de ter sido abandonado e veio tirar satisfações. Pegou a jovem fortemente pelo braço, antes dela se sentar. Ela tentou desvencilhar-se da mão dele, mas não conseguiu. Charles levantou-se calmamente e disse para o cara:
- Solte a menina. Pelo jeito, ela prefere estar comigo.
De pé diante do cara, o coroa parecia grandalhão. O jovem era baixinho, devia medir pouco mais de um metro e meio de altura. Mesmo assim, encarou Charles:
- O que é, coroa? Vai estrilar? A mulher estava comigo e não vou deixar que a leve de mim sem luta.
- Eu não pretendo brigar com você, fedelho. Não bato em crianças.
O garçom interveio. Disse ao rapaz:
- O cara não é de briga, mas eu sou, camarada. E estou doido para dar uns sopapos. Portanto, se quer continuar com os dentes na boca, deixe o casal em paz.
- Dois contra um é covardia - disse o jovem, voltando para a mesa onde estava sentado.
A moça deu um beijinho no rosto do garçom, agradecida. Esse afastou-se da mesa e foi atender outros clientes. Ela voltou a se sentar perto de Charles. Manuseou o celular e mostrou uma foto a ele: a motorista e uma coroa se beijando. Dava para ver bem o rosto de ambas, pois a foto havia pego as duas de perfil. O coroa pareceu não se espantar com o que via.
- Eu já desconfiava de quem era a acompanhante da minha motorista. Esta é a minha esposa, apesar de parecer estar de peruca. Essa não é a cor natural do seu cabelo.
- Tua esposa? Porra, meu. Sacanagem.
- Pois é. Eu me separei dela ontem. Vivíamos sempre brigando, ultimamente. Agora, sei o motivo.
- Quem é a moreninha, tua motorista?
- Sim. E eu que pensei que ela estava me ajudando a esquecer minha mulher. Deve estar mancomunada com a minha esposa. Só não sei o motivo. Mas não deve ser nada de bom.
- Sinto muito. Não esperava que fosse tua esposa. Isso deve doer, não é?
- Não tanto quanto ao que deve estar sentindo o teu namorado, ao nos ver juntos. Eu, pelo menos, não sabia que era traído.
- Foi ele quem me traiu primeiro. Me deixou para ficar com uma amiga minha. Mas o namoro deles não deu certo, então tem vindo atrás de mim para eu aceita-lo de volta.
- Sinto muito. No entanto, vou precisar dessa foto que me mostrou, Nilda. Quanto quer para enviá-la para o meu e-mail?
- Te mando esta e outras que bati se você me levar daqui para um motel. Faz tempos que não transo e fiquei afim de você. É um coroa muito bonito.
- Infelizmente, estou satisfeito de sexo por hoje, garota. Mas prometo estar contigo amanhã.
- Acha que não teria mais tesão, se fôssemos transar hoje?
- Sim. E não quero te deixar frustrada.
Ela esteve olhando para ele. Depois, perguntou:
- Tem aquilo grande?
- Enorme.
- Do jeito que eu gosto. Façamos um trato: me leva para um motel e deixa o resto comigo. Ainda sei fazer um homem ficar afim.
- Não é melhor deixarmos para quando eu estiver mais descansado?
- Não. Quero testar a minha competência. Se não quiser pagar motel, vamos lá pra casa. Eu moro com minha irmã. Ela vai gostar que eu leve um macho de rola grande. Também adora foder e atualmente está sem namorado.
- Acha que ela vai gostar de mim?
- Peraí - disse ela, tirando uma foto de Charles. Escreveu algo e enviou por celular. Não demorou a ser ouvido o toque característico da resposta. Ela ficou contente.
- Minha irmã também gostou de ti. Pediu para te levar lá pra o apê imediatamente.
- Vocês tem cervejas em casa?
- Levamos daqui. Você paga?
Pouco depois, os dois chegavam a um pequeno edifício de dois andares, num bairro pobre da zona Sul do Recife. A irmã de Nilda veio espera-los no portão. Eram gêmeas idênticas. Falou, quando eles desceram do carro:
- Oi, eu sou Nalda. Minha irmã sabe escolher. Você é, mesmo, muito bonito.
- Vocês também são bonitas, Nalda. Costumam transar com os namorados da outra?
- Às vezes o cara nem sabe com quem está trepando, principalmente quando está bêbado. Aí, a outra sempre se aproveita da situação. - Disseram as duas ao mesmo tempo, ambas rindo.
Entraram. Ele falou, já dentro do apê:
- Eu gostaria de tomar um banho, antes.
- Oh, claro. Nós duas daremos um banho em você. - Disseram, de novo, ao mesmo tempo.
Foi um banho demorado. As duas se empenharam em deixa-lo bem satisfeito. Enquanto uma o ensaboava, a outra lhe chupava o pau. Depois, revezavam-se. Ele fechou os olhos. Num instante, já não sabia mais quem era quem. Nilda e Nalda usavam e abusavam do seu corpo. E ele gostando. Depois, o levaram para o quarto. Ali, a safadeza foi maior. Uma lhe lambia as bolas enquanto a outra o chupava. Depois, a outra o deitou na cama e veio por cima. Queria ser chupada por ele. Charles meteu-lhe a língua na boceta, enquanto a outra o chupava no cacete já duríssimo. Em seguida, montou nele enquanto a irmã ainda esfregava a bucha no rosto do cara. Mas não demoraram muito para trocarem de lugar, uma com a outra. O coroa se prendia para não gozar logo. Demorou quase meia hora para ejacular. As duas se atiraram de boca em seu caralho e só largaram quando não tinha mais nem um pingo de porra. Pediram para ele descansar, pois queriam continuar a sessão de fodas. Pararam para beber cervejas.
Estiveram conversando, mas nada de importante. Mesmo assim, Charles ficou sabendo que eram trigêmeas, mas uma já estava casada e não morava mais com elas. Nilda contou como conhecera o coroa. A outra ficou penalizada pelo fato dele estar se separando. Depois de tomarem a quinta garrafa, voltaram a transar. Mas aí, o pau do cara estava meio bambo. Pediram que ele dormisse um pouco. Não escaparia do sexo matinal com as duas, de manhã.
Quando o sol já estava alto, no entanto, Charles ainda continuava esgotado. Nem sequer levantava seu enorme cacete. Despediu-se das duas prometendo novo encontro, mas estava mesmo era ansioso para chegar em casa. Encontrou a morena Júlia esperando-o na frente do conjunto residencial onde morava.
- Agora? A farra foi boa, não é mesmo? - perguntou a motorista.
- Não estou afim de discussão, Júlia. Vá para casa. Você está dispensada por hoje. E obrigado pelo dia de ontem. Foi muito esclarecedor.
- Como assim?
- Nada. Depois nós conversaremos.
- Você me viu aos beijos com aquela vigarista?
- Sim. Mas não é isso que me deixou chateado.
- O que foi, então?
- Já disse: depois a gente conversa.
- Posso levar o carro?
- Não, pois vou precisar dele.
Ela foi-se embora sem mais delongas.
Charles entrou em casa. Sua ex esposa o estava esperando na sala. Disse:
- Estava te esperando para pedir desculpas. Acho que exagerei contigo, na nossa discussão. Parece que você ficou com raiva de mim e por isso não aceitou o acordo.
- Não haverá acordo, Simone. Principalmente agora, que sei o verdadeiro motivo da nossa separação.
- Sabe? E qual é?
Ele lhe mostrou as fotos que Nilda lhe enviou por celular. Ela ficou lívida. Perguntou:
- Vai demiti-la por causa disso?
- Não sei. Mas não me interessa mais tê-la como motorista.
- Não a demita, pelo amor de Deus. Eu não vou poder mais sustentá-la.
- Como assim?
- Ela e a advogada me chantageiam. Já levaram, juntas, todo o meu dinheiro. Gastei-o com elas. Mas querem mais, por isso bolaram um plano para você me pagar uma pensão.
- Isso é problema teu, Simone. Desde a nossa discussão de anteontem, não me diz mais respeito. Voltei para pegar umas coisas e ir-me embora. Pode ficar com o apartamento com tudo. Nada aqui me interessa. Nem os meus objetos pessoais.
- Não vai querer levar teus livros nem CDs?
- Não. Posso comprar outros. Só serviriam para me fazer lembrar de ti, e eu quero mais é te esquecer definitivamente.
Ela começou a chorar. Disse que estava na miséria. Que as duas iriam querer que ela vendesse o apartamento, para dar mais dinheiro a elas. Charles nem ouvia o que ela dizia. Pegou algumas roupas, o dinheiro que estava trancado num cofre com senha e foi-se embora. Ela ainda se agarrou aos seus pés, mas por pouco ele não a pisoteia.
Charles suspirou, aliviado, quando saiu do apartamento e deixou o prédio. Nem olhou para trás.
FIM DA SEXTA PARTE