Casamento Arranjado! Cap. 1

Um conto erótico de Alex Lima Silva
Categoria: Gay
Contém 1360 palavras
Data: 28/02/2025 02:12:46

— Então é isso! — o advogado diz, levantando-se e estendendo a mão para nós.

— Isso deve ser uma piada, certo?! — Charlotte diz, corada de fúria — Meu irmão, gay?! Fala sério! Você quer realmente que eu acredite nessa besteira?!

— Casar?! — Eduardo fala, como se ainda não entendesse o que aquilo realmente significa — Só se eu fosse arrastado para o altar, e olhe lá...

— Sessenta mil reais? O que eu vou fazer com tão pouco?! Nem mesmo depois da morte ele deixou de ser avarento! — Charlotte continua a reclamar sem se dirigir a ninguém em particular.

— Meu Deus... — finalmente caiu a ficha do que isso significa — Eu estou rico, é isso?!

— Como assim, rico?! — Eduardo me encara.

— Já que você não quer casar, tudo fica para mim. — respondo alegremente.

— Na verdade, se vocês dois não se casarem, tudo vai para a Sra. Charlotte. — o advogado me corrige.

— Deve haver outra maneira. — Eduardo murmura ao meu lado.

— Pelo visto, sou a nova milionária da área. — Charlotte comemora.

— Isso tudo parece uma farsa. — agora é a vez do meu pai falar; eu nem me lembrava mais que ele estava ali conosco — Meu pai, gay?! Meu Deus... É muita informação para um dia só.

— Poxa, é muito dinheiro e eu estou precisando tanto agora. — digo, me sentindo um pouco desconfortável com a situação — Mas casar com um idiota não vale a pena.

— Como assim, "idiota"? — Eduardo me olha com raiva — Eu que não quero casar com um viadinho bobo! — Reviro os olhos.

— Vai se ferrar! — digo, com os dentes cerrados de raiva.

— Por favor, vamos todos nos acalmar. — o advogado, que até agora só observava a cena, pega uma caixinha e abre — Aqui estão os pingentes; neles está a senha do cofre — fala tirando e nos entregando um pingente em forma de coração.

— Tudo isso é ridículo. — Eduardo fala, pegando o pingente e avaliando-o.

— Você vai realmente se casar? — meu pai me segura pelos ombros e me olha nos olhos, preocupado.

— Não sei, pai, mas preciso do dinheiro, e não é todo dia que surge uma chance dessas. Até porque, preciso pagar minhas contas atrasadas e minha pós-graduação.

— Eu sei disso, meu filho, mas seu avô me deixou dinheiro e sua mãe também recebeu uma boa quantia... Podemos...!

— Não, pai! Eu jamais aceitaria... Esse dinheiro é de vocês! Já estava na hora de vocês descansarem dessa rotina cansativa... Aproveitem o máximo que puderem.

— Bom, vocês dois precisam fazer logo sua escolha, porque se optarem pelo casamento, a papelada precisa começar a ser organizada. — o advogado avisa calmamente.

— Podemos conversar um minuto? — Eduardo me encara, parecendo muito sério.

— Tá bom! — concordo, mas me sinto apreensivo.

— Vamos conversar lá fora, no jardim. — ele diz, já indo em direção à porta.

— Volto já, pai! — sigo Eduardo.

***

— Meu Deus, isso é o jardim?! — digo, maravilhado com o tamanho e beleza daquele lugar — Nunca vi nada tão impressionante na minha vida.

— Hunf... — Eduardo resmunga, e eu o encaro — Dá pra você sentar de uma vez?

— Fala! — sento ao seu lado, no banco.

— Olha, eu não sou gay e nem pretendo me tornar um, mas preciso desse dinheiro... Quero abrir meu próprio negócio.

— E eu com isso? — cruzo os braços.

— E, quero que você desista do casamento, assim o dinheiro fica para mim.

— Hunf, vai sonhando, baby! — digo, me sentindo irritado.

— Então só resta uma solução!

— E qual seria?

— A gente se casa, mas depois de um ano pedimos o divórcio e dividimos a fortuna, aí cada um vai para o seu canto.

— É, pode ser! Mas se alguém descobrir esse plano, estamos ferrados.

— E quem descobriria?

— Fala sério, né!? É claro que meu avô deixou tudo bem armado, ou você esqueceu que vai ter um sistema nos monitorando?! Tenho certeza que tem muita gente nos observando.

— Então, é só termos cuidado.

— Então vamos falar com o advogado.

— Vamos!

***

Voltamos para a sala onde todos ainda nos aguardam; Charlotte conversa freneticamente com o advogado, ela realmente parece inconformada e muito irritada. Meu pai ainda está sentado no grande sofá, pensativo, e o advogado ainda tem aquele ar meio desconfortável; acho que ele nunca precisou lidar com um caso tão estranho.

Quando nos aproximamos, todas as cabeças se viram para nos encarar. Eu me sento ao lado do meu pai novamente e Eduardo ao lado de Charlotte, um pouco mais afastado de mim.

— Tá bom! — Eduardo finalmente fala, quebrando o silêncio após nossa entrada — A gente casa!

— Bando de viados — Charlotte diz e se levanta, caminhando com raiva até a saída, ela está visivelmente transtornada.

— Bom... — o advogado fala, após uma pequena pausa constrangedora — Então, acho melhor vocês começarem logo a organizar esse casamento.

— Por mim, a gente casa no cartório mesmo. — falo tentando amenizar a estranheza da situação.

— Por mim também! — Eduardo concorda — Não quero ter que fingir ser um bom marido na frente dos convidados.

— Então está tudo certo! — o advogado diz — Vocês que sabem, vou dar um jeito de organizar tudo o mais rápido possível. — ele se levanta da cadeira.

— Eu posso continuar dormindo na minha casa, né? — pergunto esperançoso.

— Só enquanto vocês não se casarem.

— Tsk, tá certo, então.

***

DUAS SEMANAS DEPOIS

Finalmente terminei de me arrumar; esse terno preto ficou ótimo em mim. Acho que ainda não me caiu a ficha de que eu vou me casar. Tenho a estranha sensação de que vou me arrepender amargamente de ter tomado essa decisão.

Essa sensação começou hoje mais cedo, quando eu trouxe minhas coisas para a mansão; eu não gostei nada da ideia de ter que ficar no mesmo quarto que Eduardo. Além de não ter privacidade, esse cara é enorme, com certeza vai ser apertado com ele na cama.

— Não me conformo de você estar casando por dinheiro. — minha mãe diz, chorosa — Isso é muito feio!

— Mãe, eu já te expliquei, só estou pensando no meu futuro.

— André, você não vai se arrepender disso? Já pensou que você vai ter que morar com aquele brutamonte?! E ainda por cima, dividir a mesma cama!

— Eu sei, mãe, mas vou ficar bem.

— Seu avô só podia ser maluco, não tem outra explicação. — ela ri com seu comentário.

— Tá pronto? — meu pai abre a porta do quarto.

— Tô, pai... vamos!

— E ainda por cima vou ter mais um desgosto, meu filho vai casar em um cartório! — minha mãe continua a se lamentar — Cadê a linda celebração em um lugar bonito? Cadê a comemoração e a alegria?

— Mãe, chega! Prometo a senhora que quando eu me separar, caso no lugar que a senhora quiser.

— E ainda tem esse plano maluco! Ah meu Deus...

— Mãe, o dramático aqui sou eu, lembra?! Agora, chega!

***

Quando chegamos ao cartório, tomo um grande susto. O lugar está lotado e, para piorar, a maioria das pessoas é da equipe de monitoramento.

— O que eu te falei?! — sussurro para Eduardo, enquanto a oficialização do casamento acontece — Eles vão ficar atentos a cada passo nosso.

— Então vamos tomar cuidado! — ele olha para o relógio — Quando essa porcaria vai acabar? — pergunta, perto do meu ouvido.

— Isso é muito romântico! — falo, lançando-lhe um sorriso sarcástico, e então reviro os olhos.

***

— André Luis Arantes Silva, você aceita Eduardo Arantes Costa como seu legítimo esposo?

— Aceito — ah, como eu sei que vou me arrepender.

— Eduardo Arantes Costa, você aceita André Luis Arantes Silva como seu legítimo esposo?

— Não sei... — ele diz, pensativo, e eu o encaro com raiva — maldito filho da mãe.

— Como? — o celebrante o encara.

— Hum... Aceito!

— Sendo assim, eu vos declaro casados, podem concretizar essa bela união com um beijo — droga, preciso mesmo beijá-lo? Agora fodeu.

— Droga — sussurro, enquanto Eduardo põe sua mão na minha nuca; fecho os olhos e digo a mim mesmo “pensa no Cauã Reymond” e então sinto seus lábios encostarem levemente nos meus, me dando um selinho.

— Isso não é um beijo — Charlotte fala, assim que nos afastamos — Vocês se casaram, deviam beijar com vontade e não esse selinho ridículo. — será que se eu matá-la, perco a herança? — E então?! — ela continua, e então Eduardo vira para mim com um ar feroz.

— Tá bom, então, se é isso que você quer. — nem entendi direito o que está acontecendo quando sinto sua língua invadir minha boca!

Continua...

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