[COMUNICADO]
Olá Leitores, queria agradecer a todos que estão acompanhando, queria receber algum feedback de como posso melhorar, ou algo a pontuar, seria muito grato com seu comentário.
[Continuação]
Lucas estava paralisado, com o coração batendo acelerado enquanto Pedro tampava sua boca para evitar qualquer som. Os dois permaneceram imóveis dentro da cabine do banheiro, ouvindo os passos se aproximarem. A porta do banheiro foi aberta com um rangido suave, e uma voz familiar ecoou pelo ambiente.
— Lucas? Você tá aqui? — perguntou Bruno, parecendo confuso.
Pedro olhou nos olhos de Lucas como se pedisse silêncio absoluto. O calor das mãos de Pedro sobre a boca de Lucas era sufocante, mas também despertava algo mais profundo dentro dele – uma mistura de adrenalina e desejo que ele mal conseguia controlar. Lucas assentiu levemente com a cabeça, indicando que não faria nenhum barulho.
Os passos de Bruno ecoaram pelo piso frio do banheiro. Ele parecia estar andando de um lado para o outro, talvez procurando alguma coisa. Depois de alguns segundos que pareceram horas, Bruno finalmente suspirou e saiu, fechando a porta atrás de si.
Assim que o som dos passos desapareceu, Pedro afastou a mão lentamente do rosto de Lucas. Ambos estavam ofegantes, como se tivessem acabado de correr uma maratona. Pedro encostou-se à parede da cabine, ainda tentando processar o que havia acontecido.
— Putz... Isso foi por pouco. — sussurrou Pedro, passando a mão pelo cabelo.
Lucas, ainda nervoso e sentindo seu corpo reagir ao contato anterior, apenas conseguiu balançar a cabeça em concordância. Ele não sabia o que dizer. Tudo estava acontecendo rápido demais, e sua mente estava cheia de perguntas sem respostas.
— Por que você me trouxe aqui? — perguntou Lucas, finalmente encontrando sua voz.
Pedro hesitou por um momento antes de responder. Ele parecia dividido entre confessar algo e manter segredos.
— Eu só... queria conversar com você. Sem ninguém por perto. — disse Pedro, evitando olhar diretamente nos olhos de Lucas.
Lucas franziu a testa, confuso.
— Conversar sobre o quê?
Pedro respirou fundo, como se estivesse reunindo coragem para dizer algo importante.
— Sobre aquele dia... Quando você correu. Eu fiquei preocupado. Não sabia o que tinha acontecido. E depois, no caminho pra casa, eu te vi correndo pelas ruas. Foi como se algo dentro de mim dissesse que eu precisava te encontrar.
Lucas sentiu um aperto no peito. Ele não esperava que Pedro tivesse se importado tanto assim. Mas, ao mesmo tempo, sabia que não podia ignorar o fato de que Pedro tinha uma namorada.
— E a Juliana? — perguntou Lucas, tentando soar casual, mas sua voz tremia.
Pedro abaixou a cabeça, claramente incomodado com a menção dela.
— Ela... é complicado, Lucas. Eu gosto dela, mas... — Pedro parou, hesitante. — Eu não sei explicar. Só sei que quando estou com você, sinto algo diferente. Como se tudo fizesse mais sentido.
Lucas ficou sem palavras. Ele não sabia se deveria acreditar em Pedro ou se aquilo era apenas uma confusão momentânea. Mas uma coisa era certa: seu coração estava disparado, e ele não conseguia evitar o turbilhão de sentimentos que tomava conta de si.
— Pedro, eu... Eu nunca fiz isso antes. E você tem uma namorada. Isso não está certo. — disse Lucas, tentando colocar alguma lógica na situação.
Pedro assentiu, mas seus olhos verdes brilhavam com determinação.
— Eu sei que não está certo. Mas também sei que não consigo evitar o que sinto. E você? Também sente algo?
Lucas hesitou. Ele queria negar, queria dizer que não sentia nada, mas seria mentira. Desde o primeiro dia na escola, Pedro havia ocupado seus pensamentos de uma forma que ele não conseguia explicar.
— Eu... Eu não sei. Isso é tudo muito novo pra mim. — admitiu Lucas, baixando o olhar.
Pedro sorriu de leve, como se entendesse a confusão de Lucas.
— Não precisa decidir nada agora. Só... pense nisso, tá bom?
Antes que Lucas pudesse responder, ouviram vozes se aproximando novamente do banheiro. Pedro rapidamente saiu da cabine, deixando Lucas sozinho. Ele olhou para trás, lançando um último olhar significativo para Lucas antes de sair pela porta lateral do banheiro.
Lucas permaneceu ali por alguns minutos, tentando processar tudo o que havia acontecido. Seu corpo ainda estava quente, e sua mente estava cheia de perguntas. Ele sabia que as coisas não seriam mais as mesmas depois daquele dia.
Quando finalmente teve coragem de sair do banheiro, notou que o corredor estava vazio. A escola parecia estranhamente silenciosa, como se todos já tivessem ido embora. Ele caminhou devagar até a saída, ainda pensando em Pedro e nas palavras que ele havia dito.
Ao chegar em casa, Lucas foi direto para o quarto. Ele precisava de um tempo para pensar. Sentou-se na cama, olhando para o teto, e começou a refletir sobre tudo o que estava sentindo. Era como se o mundo inteiro estivesse girando ao seu redor, e ele não conseguisse encontrar um ponto fixo.
Enquanto isso, no celular, Lucas recebeu uma mensagem de Bruno:
"E aí, cara, tudo bem? Te procurei no ginásio hoje, mas não te achei. Queria saber se você vai pro treino amanhã."
Lucas suspirou. Ele sabia que precisava responder, mas não conseguia parar de pensar em Pedro. Decidiu deixar a mensagem para depois e deitar na cama, tentando relaxar.
Mas, antes que pudesse pegar no sono, ouviu sua mãe chamando do andar de baixo.
— Lucas, vem jantar!
Ele se levantou devagar, sabendo que precisava enfrentar o mundo real novamente. No entanto, seus pensamentos continuavam presos naquele banheiro, com Pedro, e em tudo o que havia sido dito – ou insinuado.
— Lucas, vem jantar! — chamou Karine novamente, dessa vez com um tom mais insistente.
Lucas se levantou devagar, sabendo que precisava enfrentar o mundo real novamente. No entanto, seus pensamentos continuavam presos naquele banheiro, com Pedro, e em tudo o que havia sido dito – ou insinuado. Ele tentou afastar as imagens da sua mente, mas era como se elas estivessem gravadas em sua memória, repetindo-se sem parar.
Ao descer as escadas, ele encontrou sua mãe colocando os pratos na mesa. O cheiro do jantar – um frango assado com arroz e salada – encheu o ambiente, mas, por mais tentador que fosse, Lucas mal conseguia sentir fome. Sua cabeça estava em outro lugar.
— Tá tudo bem, filho? Você parece meio distante hoje. — perguntou Karine, enquanto servia uma porção generosa de comida no prato dele.
— Tô bem, mãe. Só tô cansado. A escola tá pegando pesado. — respondeu Lucas, forçando um sorriso para disfarçar seu nervosismo.
Karine franziu a testa, claramente desconfiada, mas não insistiu muito. Ela sabia que, quando Lucas queria conversar, ele eventualmente falava. Por enquanto, ela apenas observou enquanto ele brincava com a comida no prato, dando pequenas garfadas sem muita vontade.
— Se precisar conversar sobre qualquer coisa, sabe que pode contar comigo, né? — disse ela, com um tom carinhoso.
Lucas assentiu, sentindo-se grato pela preocupação da mãe, mas também aliviado por ela não pressioná-lo a falar naquele momento. Ele ainda não sabia nem por onde começar.
Depois do jantar, Lucas ajudou a mãe a limpar a mesa e voltou para o quarto. Subindo as escadas, ele tentava organizar seus pensamentos. O que Pedro tinha dito no banheiro – "Eu não vou desistir de você" – ecoava em sua mente como uma promessa perigosa. Ele sabia que aquilo era errado, que Pedro tinha uma namorada, mas ao mesmo tempo não conseguia evitar sentir algo por ele.
Enquanto se deitava na cama, Lucas decidiu abrir o celular para distrair sua mente. Viu que Bruno tinha curtido algumas de suas fotos recentes e até comentado em uma delas: "Gostei desse look. Combina com você." Ele corou ao ler o comentário, mas logo percebeu que Pedro também tinha visualizado várias de suas publicações. Isso o deixou ainda mais confuso.
Decidindo evitar redes sociais por um tempo, Lucas abriu o caderno onde costumava escrever seus pensamentos. Era uma forma de desabafar sem que ninguém soubesse o que ele estava sentindo. Ele começou a rabiscar algumas palavras, tentando colocar no papel tudo o que estava preso dentro dele.
"Por que isso tá acontecendo comigo agora? Eu mal conheço o Pedro, mas não consigo parar de pensar nele. E o Bruno... Ele é tão legal, sempre perto de mim, me fazendo rir. Mas eu sei que gosto do Pedro. Ou pelo menos acho que gosto. Isso é tão complicado..."
Enquanto escrevia, Lucas percebeu que suas mãos tremiam ligeiramente. Ele estava dividido entre o desejo de se aproximar de Pedro e o medo de magoar Juliana – e a si mesmo. Sabia que aquela situação poderia facilmente sair do controle.
No dia seguinte, Lucas acordou com o som do despertador. Ele se arrastou para fora da cama, ainda cansado, mas sabia que precisava enfrentar a escola. Chegou lá decidido a manter distância de Pedro, pelo menos por enquanto. Mas, como sempre, as coisas não saíram como planejado.
Durante o intervalo, Lucas estava sentado com Daniel e Bruno, conversando sobre o próximo jogo de vôlei, quando sentiu um olhar familiar sobre ele. Virou-se discretamente e viu Pedro encostado em uma árvore próxima, observando-o de longe. Havia algo na expressão de Pedro que fez Lucas se sentir desconfortável e intrigado ao mesmo tempo.
— Cara, você tá bem? — perguntou Bruno, notando que Lucas parecia distraído.
— Tô sim, só tava pensando em uma coisa. — mentiu Lucas, tentando disfarçar.
Mais tarde, durante a aula de educação física, Lucas teve que participar de um treino de vôlei. Ele estava concentrado no jogo, tentando esquecer tudo o que estava acontecendo fora da quadra, mas Pedro apareceu de repente, assistindo ao treino das arquibancadas. Lucas tentou ignorá-lo, mas era impossível não notar sua presença.
Depois do treino, enquanto Lucas caminhava em direção ao vestiário, Pedro o interceptou.
— Lucas, espera. Preciso falar com você. — disse Pedro, com um tom urgente.
Lucas hesitou, mas acabou parando. Ele sabia que não podia evitar Pedro para sempre.
— O que foi, Pedro? — perguntou Lucas, tentando soar indiferente.
— Eu só... queria saber se você pensou no que eu disse ontem. — respondeu Pedro, baixando a voz para que ninguém mais ouvisse.
Lucas sentiu seu coração acelerar. Ele não sabia o que dizer, então apenas balançou a cabeça.
— Eu não sei, Pedro. Isso é complicado demais pra mim. — admitiu Lucas, evitando olhar diretamente nos olhos verdes de Pedro.
Pedro suspirou, claramente frustrado consigo mesmo.
— Eu sei que é complicado, mas também sei que não consigo ficar longe de você. Não quero te pressionar, mas... só pense nisso, tá bom?
Lucas assentiu, sem saber o que responder. Pedro deu um passo à frente, aproximando-se perigosamente dele.
— A gente pode resolver isso juntos. — sussurrou Pedro, antes de se afastar rapidamente, deixando Lucas sozinho no corredor.
Lucas ficou paralisado por alguns segundos, tentando processar o que havia acabado de acontecer. Ele sabia que as coisas estavam prestes a mudar – e que ele precisaria tomar uma decisão em breve.
Lucas estava com a cabeça cheia de pensamentos enquanto caminhava para casa após o treino de vôlei. Ele havia decidido que precisava colocar um ponto final em toda aquela situação confusa com Pedro. Não queria mais se envolver em algo que só traria dor e complicações – especialmente com alguém que tinha uma namorada. Era errado, e ele sabia disso. Mesmo que seus sentimentos por Pedro fossem reais, ele tentava convencer a si mesmo de que era melhor manter distância.
A escola havia sido tranquila naquele dia, mas Lucas percebeu que Pedro estava diferente. Ele parecia distante durante as aulas, evitando olhar diretamente para Lucas. Isso fez com que Lucas ficasse ainda mais determinado a rejeitar qualquer tipo de aproximação. Ele sabia que tomar essa decisão seria difícil, mas necessário.
No caminho de volta para casa, Lucas estava sozinho, andando devagar pelas ruas desertas do bairro. O sol já estava começando a se pôr, deixando o céu tingido de laranja e rosa. Ele gostava daquela hora do dia, quando tudo parecia mais calmo e silencioso. Mas sua tranquilidade foi interrompida quando ouviu passos rápidos atrás dele.
— Lucas! Espera! — gritou Pedro, correndo para alcançá-lo.
Lucas paralisou, sentindo o coração acelerar. Ele não esperava encontrar Pedro ali, ainda mais depois de ter decidido que precisava manter distância. Respirou fundo e virou-se lentamente, tentando manter a calma.
— O que foi, Pedro? — perguntou Lucas, tentando soar indiferente.
Pedro parou a poucos metros de distância, ofegante. Havia algo em seu olhar que Lucas não conseguia identificar – talvez frustração, talvez preocupação.
— Eu preciso falar com você. Sobre ontem... sobre o que aconteceu no banheiro. — disse Pedro, com um tom urgente.
Lucas sentiu um aperto no peito. Ele sabia que aquele momento chegaria, mas não esperava que fosse tão cedo. Tentou manter a voz firme enquanto respondia:
— Não tem nada pra falar, Pedro. Aquilo foi um erro. Eu não quero mais isso. Você tem uma namorada, e eu... Eu não quero me envolver nessa confusão.
Pedro franziu a testa, claramente surpreso com a resposta. Ele deu um passo à frente, aproximando-se de Lucas.
— Como assim, "não quer"? Você sabe que há algo entre nós. Não pode simplesmente ignorar isso.
Lucas balançou a cabeça, tentando esconder o nervosismo.
— Eu posso, sim. E é exatamente o que vou fazer. Não quero magoar ninguém, e muito menos me machucar. Então, é melhor a gente manter distância.
O rosto de Pedro mudou completamente. Seus olhos verdes, que antes pareciam gentis e sedutores, agora estavam cheios de raiva. Ele cerrou os punhos, como se estivesse tentando controlar sua frustração.
— Você não pode simplesmente decidir isso sozinho, Lucas. Eu sei que você sente algo por mim. Não finja que não sente.
Lucas sentiu um frio na espinha. Ele nunca tinha visto Pedro daquele jeito – tão furioso e determinado. Mas ele sabia que não podia ceder, não importava o quanto Pedro insistisse.
— É exatamente isso que eu estou fazendo, Pedro. Decidindo. Foi bom te conhecer, mas a partir de agora, a gente segue caminhos diferentes. — respondeu Lucas, tentando soar firme.
Antes que Pedro pudesse responder, Lucas deu as costas e começou a andar rapidamente, tentando colocar distância entre eles. Mas Pedro não ia desistir tão fácil. Ele correu atrás de Lucas e o agarrou pelo braço, puxando-o com força.
— Você não vai fugir de novo, Lucas. A gente precisa resolver isso aqui e agora. — disse Pedro, sua voz carregada de raiva.
Lucas tentou se soltar, mas Pedro era mais forte. Ele sentiu o aperto no braço aumentar, e uma sensação de medo começou a crescer dentro dele.
— Me solta, Pedro! Você tá me machucando! — gritou Lucas, tentando se livrar.
Mas Pedro não o soltou. Em vez disso, ele arrastou Lucas para fora da rua, levando-o em direção a um pequeno bosque que ficava próximo dali. Lucas tentou resistir, mas era inútil. Pedro parecia possuído por uma fúria que Lucas nunca tinha visto antes.
Quando chegaram ao meio do mato, Pedro finalmente largou o braço de Lucas, empurrando-o contra uma árvore. Lucas sentiu o impacto nas costas, mas o que realmente o assustou foi a expressão no rosto de Pedro. Seus olhos brilhavam de raiva, e sua respiração estava pesada.
— Por que você está fazendo isso comigo, Lucas? Depois de tudo o que aconteceu? — perguntou Pedro, sua voz quase um sussurro, mas cheia de ameaça.
Lucas engoliu em seco, tentando manter a calma.
— Eu já disse, Pedro. Não quero mais isso. É melhor pra todo mundo.
Pedro balançou a cabeça, incrédulo.
— Você não entende, né? Eu não vou desistir de você. Não importa o que você diga ou faça.
Lucas sentiu o coração bater ainda mais forte. Ele sabia que precisava sair dali, mas Pedro estava bloqueando seu caminho. O silêncio entre eles era pesado, e Lucas podia sentir a tensão no ar.
De repente, Pedro deu um passo à frente, aproximando-se perigosamente de Lucas. Ele colocou as mãos nos ombros de Lucas, prendendo-o contra a árvore.
— Você vai entender, Lucas. No final, você vai ver que eu sou o que você quer. — disse Pedro, com um tom assustadoramente possessivo.
Lucas tentou se afastar novamente, mas Pedro não o deixou. Ele sentiu o corpo de Pedro pressionado contra o seu, e isso o deixou ainda mais nervoso.
— Para, Pedro! Isso é loucura! — gritou Lucas, tentando se soltar.
Mas Pedro não ouvia. Ele estava completamente dominado pela raiva e pelo desejo de não deixar Lucas escapar. E foi então que Lucas percebeu que precisava lutar para se libertar – antes que fosse tarde demais.
[Continua...]