O Peso do Sonho
O sol tá se pondo atrás dos prédios tortos do bairro, jogando um brilho laranja nas janelas quebradas e nas roupas penduradas nos varais improvisados. Eu tô sentada na mesa de fórmica da cozinha apertada, o ventilador velho zumbindo no canto enquanto passo os dedos no caderno onde anoto tudo: o custo do vestido simples que eu vi na vitrine da loja de usados, os R$ 300 do bolo de três andares que a tia da igreja prometeu fazer mais barato, os R$ 150 do aluguel do salão comunitário pra festa. O total tá rabiscado em vermelho na última página — R$ 4.872,00 —, um número que pesa no meu peito como uma pedra, porque meu salário de caixa no mercadinho mal paga o aluguel do nosso apartamento de um cômodo, quanto mais um casamento.
Meu nome é Larissa, tenho 23 anos, cabelo preto liso que eu corto sozinha pra economizar, olhos castanhos que o Thiago diz que brilham como café quente, e um corpo magro mas curvilíneo que eu escondo com calças largas e camisetas folgadas. Thiago é meu namorado há quatro anos, o amor da minha vida, o cara que me abraça toda noite no colchão fino que a gente divide no chão, que me traz flores roubadas do jardim da praça e que sonha comigo num vestido branco, mesmo que seja simples, mesmo que a festa tenha só pão com mortadela e guaraná de garrafa. Ele trabalha como ajudante de pedreiro, ganha R$ 1.200 por mês quando os bicos aparecem, e a gente junta cada centavo pra sair desse buraco, pra construir algo nosso.
O casamento é o nosso sonho, o jeito de dizer pro mundo que a gente é mais que a pobreza, mais que as contas atrasadas e o arroz com ovo de todo dia. Mas o dinheiro nunca vem, os bicos dele diminuíram com a chuva que não para, e meu salário de R$ 900 mal cobre o básico. Eu olho pro caderno, o lápis tremendo na minha mão enquanto penso no Thiago, no jeito que ele me olha, todo dedicado, todo respeitoso, dizendo que não importa se a gente casar só no cartório, desde que seja pra sempre. Mas eu quero mais pra ele, pra nós. Quero o vestido, o bolo, a festa, mesmo que pequena, porque ele merece, porque a gente merece.
O Som da Chave
Ouvimos um barulho na porta, a chave girando na fechadura barulhenta, e Thiago entra, a calça jeans suja de cimento, a camiseta cinza grudada no corpo magro mas forte, o cabelo preto curto molhado de suor e chuva. Ele sorri ao me ver, aquele sorriso tímido que me derrete, e larga a mochila no chão antes de vir até mim, me abraçando por trás enquanto beija meu pescoço.
— Oi, meu amor — diz, a voz grave e quente, o cheiro de trabalho duro misturado com o sabonete barato que ele usa. — Tá fazendo conta de novo?
Eu viro o rosto, encostando a bochecha na dele enquanto aponto pro caderno.
— Tô, Thiago. O casamento, lembra? Mas tá difícil, amor. O dinheiro não dá — falo, o tom baixo, o peso da realidade me apertando o peito.
Ele respira fundo, os braços apertando mais minha cintura enquanto olha os números rabiscados.
— A gente dá um jeito, Lari. Sempre deu. Se precisar, eu pego mais bico, trabalho de noite, faço o que for — diz, o tom firme, e eu sinto o coração apertar, o amor dele me envolvendo como sempre.
— Tu já faz demais, Thiago. Eu que quero ajudar mais. Não dá pra botar tudo nas tuas costas — falo, virando pra ele, os olhos castanhos dele me encarando com aquele respeito que nunca falha, mesmo quando a gente briga, mesmo quando o ciúme dele aparece.
Ele tem um ciuminho bobo, não gosta quando os caras do mercadinho me olham demais ou quando o vizinho do 302 me cumprimenta com um sorriso largo, mas ele nunca me controla, nunca levanta a voz. Só fica quieto, coça a nuca, e depois me abraça mais forte, como se quisesse me proteger do mundo.
— Você já ajuda, Lari. Trabalha o dia todo, cuida de mim, da casa. Não precisa se preocupar com isso — diz, mas eu balanço a cabeça, o pensamento de fazer algo mais girando na minha mente.
Na manhã seguinte, enquanto ele sai pro bico na obra, eu fico no apartamento, o celular na mão enquanto olho os classificados online, procurando qualquer coisa — faxina, costura, telemarketing. Mas as vagas pedem experiência que eu não tenho ou pagam menos que o mercadinho, e o desespero vai subindo pelo peito. Até que vejo um anúncio diferente, escondido entre os outros, quase como se não quisesse ser lido: "Precisa-se de meninas pra trabalhar na rua. Ganhos altos, até R$ 300 por noite. Discrição garantida. Contato: Kelly, "
Eu pisco, o coração batendo rápido enquanto leio de novo, os R$ 300 brilhando na minha cabeça como uma solução. Trezentos por noite. Em dez noites, eu junto três mil, em vinte já pago o casamento sozinha, sem botar mais peso nas costas do Thiago. Mas a palavra "rua" me pega, o significado claro como o dia, e eu engulo em seco, o celular tremendo na mão enquanto penso no que isso quer dizer: prostituição, becos, caras sujos me usando por dinheiro. Penso no Thiago, no respeito dele, no amor dele, e no quanto ele ia odiar me ver assim, mesmo que fosse por nós.
Mas eu penso no vestido, no bolo, na festa, no sorriso dele me vendo entrar de branco, e o desespero mistura com a vontade de fazer isso por ele, por nós. Guardo o número no celular, o nome "Kelly" piscando na tela, e passo o dia inteiro com isso na cabeça, o peso da escolha me sufocando enquanto lavo a louça, varro o chão, espero ele voltar.
As Indiretas no Ar
Quando Thiago chega à noite, a calça suja de novo, o rosto cansado mas o sorriso firme, eu me levanto do sofá improvisado e vou até ele, abraçando ele forte enquanto beijo seu rosto.
— Amor, eu tava pensando… e se eu arrumasse outro trabalho? Um que pague mais, pra ajudar no casamento? — falo, o tom hesitante, testando ele enquanto escondo o que já tá na minha mente.
Ele me olha, os olhos castanhos brilhando com um misto de amor e preocupação, e esfrega a nuca, o ciúme bobo aparecendo no canto da boca.
— Outro trabalho? Tipo o quê, Lari? Tu já faz muito no mercadinho. Não gosto de te ver cansada, e… — ele hesita, rindo baixo — não gosto de imaginar os caras te olhando mais do que já olham — diz, o tom leve, mas com um fundo de verdade que eu conheço bem.
— Eu sei, Thiago. Mas é por nós, pelo casamento. Tu não ia me impedir, né? — pergunto, os olhos nos dele, e ele respira fundo, puxando meu rosto pra perto do dele com cuidado.
— Nunca ia te impedir, meu amor. Só quero que tu fique bem. Se tu quer, eu te apoio. Sempre vou te respeitar, tu sabe disso — diz, o tom firme, e eu sinto o peito apertar, o amor dele me envolvendo enquanto a ideia da vaga de prostituta de rua cresce na minha cabeça, um segredo que eu ainda não conto, mas que já tá me mudando por dentro.
O apartamento tá quieto agora, o ventilador zumbindo no canto enquanto Thiago me abraça, os braços fortes me envolvendo por trás, o calor do corpo dele contra o meu me acalmando e me apertando ao mesmo tempo. A luz fraca da lâmpada pendurada no teto joga sombras nas paredes descascadas, e eu sinto o cheiro dele — suor, cimento, sabonete barato —, misturado com o arroz com ovo que sobrou na panela. Ele encosta o queixo no meu ombro, o rosto cansado mas os olhos castanhos brilhando com aquele amor que me pega desde o primeiro dia, e eu viro o rosto, roçando a bochecha na dele enquanto tento puxar mais dessa conversa, testar o chão antes de pular no abismo que tá na minha cabeça.
— Então, amor, tu me apoia mesmo se eu arrumar outro trabalho? — pergunto, o tom leve, mas com um fundo que eu sei que ele não pega ainda, os dedos brincando com a manga da camiseta dele.
Ele respira fundo, o peito subindo contra minhas costas, e me vira devagar, as mãos grandes mas gentis segurando meus ombros enquanto me encara, o sorriso tímido aparecendo no canto da boca.
— Claro, Lari. Tu sabe que eu te apoio em tudo. Só não quero que tu se mate de trabalhar, sabe? Tu já faz tanto — diz, o tom grave e quente, o respeito dele em cada palavra, e eu sinto o peito apertar, o peso da ideia da vaga de prostituta de rua me sufocando por dentro.
Eu sorrio, balançando o cabelo preto pra trás enquanto me solto dele, andando até a pia pra pegar um copo d’água, mais pra ganhar tempo do que por sede.
— Eu sei, Thiago. Mas imagina se eu achasse algo que pagasse bem, hein? Tipo, muito bem. A gente podia casar logo, ter nossa festinha, o bolo, tudo direitinho — falo, o tom casual, mas jogando a primeira indireta, os olhos castanhos dele me seguindo enquanto dou um gole na água morna.
Ele coça a nuca, o ciuminho bobo aparecendo na ruga entre as sobrancelhas, mas ele ri baixo, o som quente enchendo o espaço pequeno.
— Pagasse bem como, Lari? Tu tá querendo virar chefe do mercadinho? — brinca, mas os olhos dele me estudam, como se sentisse que tem algo mais ali, algo que eu não digo.
Eu viro pra ele, apoiando o copo na pia enquanto cruzo os braços, o short largo subindo um pouco nas coxas enquanto inclino a cabeça.
— Quem sabe, amor? Ou algo diferente, sabe? Tem trabalho por aí que paga mais do que a gente imagina. Coisas que eu nem pensaria antes, mas que podem mudar tudo — falo, o tom provocador de leve, a indireta escorrendo nas palavras enquanto penso nos R$ 300 por noite, no beco, nos caras que eu nem conheço.
Ele franze o cenho, o ciuminho apertando mais o rosto dele, mas ele se aproxima, as mãos nos bolsos da calça jeans suja enquanto me encara.
— Diferente como, Lari? Tu tá falando de quê? Não gosto dessa ideia de tu se metendo em coisa estranha, hein. Os caras já te olham demais no mercadinho, imagina num lugar… sei lá, mais aberto — diz, o tom hesitante, o respeito dele lutando com o ciúme que eu sei que ele tenta esconder.
Eu rio baixo, o som saindo mais leve do que eu sinto, e caminho até ele, parando tão perto que sinto o calor dele de novo, os olhos castanhos dele descendo pros meus por um segundo antes de voltarem pro meu rosto.
— Relaxa, Thiago. Não é nada que tu precise surtar ainda. Mas e se eu achasse algo que pagasse tão bem que eu só precisasse trabalhar umas noites? Tipo, rapidinho, e a gente já teria o dinheiro pro casamento? — falo, o tom cheio de indiretas, testando ele, imaginando a rua, os carros parando, o dinheiro amassado na minha mão.
Ele pisca, o rosto ficando vermelho de leve enquanto esfrega a nuca de novo, o ciuminho aparecendo no jeito que ele aperta os lábios antes de responder.
— Umas noites? Lari, tu tá me assustando agora. Que trabalho é esse que paga tanto assim em tão pouco tempo? Não gosto de imaginar tu saindo de noite, sabe? Tem muito cara por aí que não presta — diz, o tom preocupado, mas ainda respeitoso, as mãos saindo dos bolsos pra segurar as minhas com cuidado.
Eu aperto as mãos dele, sentindo os calos dos dedos dele contra minha pele, e sorrio, o coração batendo rápido enquanto jogo mais uma indireta, mantendo o jogo sem revelar o segredo ainda.
— Eu sei, amor. Mas pensa comigo: e se eu fizesse algo que ninguém espera? Algo que eu nunca fiz, mas que resolvesse tudo pra gente? Tu ia me amar do mesmo jeito, né? Mesmo se eu voltasse pra casa tarde, com o bolso cheio de dinheiro? — falo, o tom provocador, os olhos nos dele enquanto penso na Kelly, no número guardado, na rua escura que eu nunca pisei.
Ele me puxa pra perto, os braços me envolvendo enquanto encosta a testa na minha, o cheiro dele me acalmando mesmo com o peso do que eu tô escondendo.
— Eu te amo de qualquer jeito, Lari. Não importa o que tu faça, eu te respeito, tu sabe disso. Só não quero que tu se machuque, ou que… sei lá, que algum cara te veja de um jeito que eu não gosto — diz, o tom baixo, o ciuminho escorrendo nas palavras, mas o amor dele firme como sempre.
Eu rio baixo, beijando o canto da boca dele enquanto me solto, andando até o caderno na mesa pra disfarçar o calor que sobe pelo pescoço.
— Tu é um ciumento bobo, Thiago. Mas eu gosto disso. E se eu te contasse que esse trabalho pode me mudar um pouco? Que eu ia voltar diferente, mas ainda tua? Tu ia aguentar? — falo, o tom cheio de indiretas, virando a página do caderno como se fosse só uma brincadeira, mas sentindo o peso da vaga de prostituta de rua na minha cabeça.
Ele se aproxima, parando atrás de mim de novo, as mãos nos meus ombros enquanto respira fundo, o tom hesitante mas quente.
— Aguentar? Lari, eu aguento qualquer coisa por você. Só me diz o que tá passando nessa cabecinha, hein? Não gosto de te ver guardando coisa de mim — diz, o respeito dele em cada palavra, e eu sinto o peito apertar, o amor dele me envolvendo enquanto o segredo fica preso na minha garganta.
— Calma, amor. É só uma ideia ainda. Mas se eu fizer, é por nós, tá? Pelo nosso casamento, pelo nosso futuro — falo, virando pra ele, os olhos castanhos dele me encarando com aquele misto de amor e preocupação que eu conheço tão bem.
— Por nós, então. Mas me promete que vai me contar antes de fazer qualquer coisa, Lari. Eu te apoio, mas quero saber — diz, puxando meu rosto pra um beijo leve, o ciúme dele quieto agora, só o amor ficando no ar.
Eu assinto, o beijo dele me acalmando enquanto a promessa pesa na minha língua, o número da Kelly queimando no celular guardado no bolso, as indiretas pairando entre a gente como um aviso que ele ainda não entende.
O Primeiro Contato com Kelly
O beijo do Thiago ainda tá quente nos meus lábios enquanto ele se joga no colchão no chão, o corpo cansado desabando depois de um dia na obra. O ventilador zumbe no canto, o som abafando o ronco leve que ele solta em minutos, e eu fico na cozinha apertada, o caderno de contas aberto na mesa, o número da Kelly queimando no bolso do short largo como um segredo que eu não consigo mais ignorar. O relógio na parede marca 22:17, o silêncio do apartamento me sufocando enquanto pego o celular velho, a tela rachada brilhando na minha mão trêmula.
Eu respiro fundo, o coração batendo rápido enquanto abro o WhatsApp e digito o número do anúncio — —, salvando como "Kelly" antes de hesitar, os dedos parados sobre o teclado. Penso no Thiago, no respeito dele, no ciuminho bobo, no jeito que ele me apoia sem nem saber o que eu tô planejando. Penso no casamento, no vestido branco, no bolo de três andares, e engulo em seco, digitando a primeira mensagem antes que o medo me pare.
Larissa: "Oi, Kelly? Vi teu anúncio de trabalho. Pode me contar mais?"
Eu envio, o som do "visto" ecoando na minha cabeça enquanto espero, o peito apertado como se eu tivesse corrido uma maratona. O "online" dela acende em segundos, e eu mordo o lábio, o calor subindo pelo pescoço enquanto o "digitando" aparece.
Kelly: "Oi, querida! Sim, claro que posso contar. Meu nome é Kelly, prazer em te conhecer! Tá precisando de grana rápida, né? Como tu se chama?"
Eu pisco, surpresa com o tom dela, leve e fofo, como se a gente fosse amigas de anos, e digito rápido, o nervosismo misturado com um alívio que eu não esperava.
Larissa: "Oi, Kelly. Meu nome é Larissa. É, tô precisando de dinheiro rápido mesmo. É verdade que dá pra ganhar R$ 300 por noite?"
O "digitando" dela volta na hora, e eu imagino ela do outro lado, talvez numa casa simples como a minha, ou quem sabe na rua já, o celular na mão enquanto me responde.
Kelly: "Larissa, que nome lindo! Sim, amor, dá pra ganhar R$ 300 por noite, às vezes mais, depende de quantos clientes tu pega. É um trabalho na rua, nos becos, sabe? Não vou mentir, é pesado, mas rapidinho tu junta uma grana boa. Tá pensando em quê com esse dinheiro?"
Eu engulo em seco, o peso da palavra "becos" me acertando como um soco, mas o "amor" dela me acalma, o tom fofo me puxando pra conversa como se ela me conhecesse.
Larissa: "Valeu, Kelly. Tô pensando no meu casamento, sabe? Quero pagar o vestido, o bolo, a festa, mas meu salário não dá. Como funciona esse trabalho? É muito ruim?"
O "digitando" dela demora um pouco, e eu olho pro Thiago dormindo, o peito dele subindo e descendo no colchão, o amor dele me pesando enquanto espero a resposta.
Kelly: "Ai, que fofura, um casamento! Parabéns, Lari — posso te chamar assim? É por uma causa linda, então. Olha, funciona assim: tu fica numa esquina com a gente, os carros param, os caras pagam, e tu faz o serviço no beco. É rapidinho, tipo R$ 50 por cliente, às vezes mais se for algo especial. Não vou te enganar, querida, tem humilhação, sim. Os homens são rudes, cospem, xingam, às vezes batem, mas a gente cuida uma da outra aqui. Tu já trabalhou com algo assim?"
Eu sinto o estômago revirar, as palavras "cospem", "xingam", "batem" girando na minha cabeça enquanto penso nos becos escuros, nos caras sujos, no que eu teria que fazer por R$ 50. Mas o "cuida uma da outra" me pega, o tom dela ainda fofo, quase maternal, e eu digito devagar, o coração acelerado.
Larissa: "Pode me chamar de Lari, sim. Não, Kelly, nunca fiz nada assim. Tô com medo, pra ser sincera. Os caras são muito ruins? Como tu aguenta?"
O "digitando" dela aparece rápido, e eu imagino ela rindo baixo, talvez com um cigarro na mão, o cabelo preso num rabo de cavalo bagunçado enquanto me responde.
Kelly: "Lari, eu entendo o medo, toda menina nova sente. Os caras… olha, tem de tudo. Uns são só rapidinhos, pagam e vão embora. Outros são uns porcos, gritam ‘puta’, ‘vadia’, puxam cabelo, rasgam roupa. Já levei cuspe na cara, tapa na bunda, mas a gente aprende a lidar. Eu aguento porque a grana vale, amor. Pago meu aluguel, ajudo minha mãe, e tu vai pagar teu casamento! Pensa no teu noivo te vendo de branco, vai ser lindo."
Eu respiro fundo, o peso da humilhação me acertando enquanto penso no Thiago, no jeito que ele me abraça, no respeito dele, e no contraste com esses caras que a Kelly descreve. Mas o "te vendo de branco" me puxa, o sonho do casamento brilhando na minha cabeça, e eu digito, o tom hesitante mas curioso.
Larissa: "Nossa, Kelly, é pesado mesmo. Meu noivo é um amor, ia odiar me ver assim, mas eu quero tanto o casamento… Como tu começou? É difícil no começo?"
O "digitando" dela volta na hora, e eu sinto um calor estranho, uma mistura de medo e carinho por essa mulher que eu nem conheço.
Kelly: "Ai, Lari, teu noivo parece um fofo! Eu comecei há três anos, tava precisando de grana pra sair de uma dívida. No começo é difícil, sim, tu chora, treme, mas depois acostuma. A primeira noite é a pior, os caras te testam, falam merda tipo ‘abre essa buceta, sua vadia’, mas a grana entra rápido. Teu noivo não precisa saber, amor, é nosso segredinho. Tu é bonita? Eles gostam de menina nova."
Eu coro, o rosto quente enquanto penso no Thiago dormindo a poucos metros, no segredo que eu tô guardando dele, e digito devagar, o coração batendo forte.
Larissa: "Valeu, Kelly. Acho que sou bonitinha, cabelo preto, magra, nada demais. Tô com medo dos caras, mas a grana me tenta. Como tu me ajuda se eu for?"
O "digitando" dela aparece rápido, e eu imagino ela sorrindo, o tom fofo dela me envolvendo como um abraço pelo celular.
Kelly: "Bonitinha? Aposto que é linda, Lari! Se tu vier, eu te levo na minha esquina, te mostro como funciona, fico do teu lado pra ninguém te ferrar demais. A gente divide os becos, cuida uma da outra. Os caras são rudes, mas com R$ 300 por noite, teu casamento sai rapidinho. Que tal passar aqui amanhã? Te encontro na praça do bairro, às 19h."
Eu engulo em seco, o convite me acertando como um tapa, o peso dos becos, da humilhação, dos homens rudes girando na minha cabeça enquanto olho pro Thiago, o ronco dele ecoando no silêncio. Penso no vestido, no bolo, no sorriso dele me vendo de branco, e digito, o coração na garganta.
Larissa: "Tá, Kelly. Amanhã às 19h na praça. Tô nervosa, mas quero tentar. Valeu por ser fofa comigo."
O "digitando" dela volta na hora, e eu sinto um alívio estranho, como se ela fosse uma amiga me guiando num caminho que eu nem sei se quero pisar.
Kelly: "Ai, Lari, que bom! Não fica nervosa, eu te ajudo, tá? Vamos fazer teu casamento acontecer, tu vai ver. Descansa agora, amanhã a gente conversa mais. Beijo, querida!"
Eu jogo o celular na mesa, o coração batendo rápido enquanto olho pro Thiago dormindo, o amor dele me pesando enquanto o número da Kelly brilha na minha mente, os becos escuros e os R$ 300 por noite me chamando como uma promessa e uma ameaça ao mesmo tempo.
O Dia Que Não Acaba
O sol entra pelas rachaduras da persiana quebrada, um fio de luz cortando o chão de tacos gastos enquanto o dia amanhece devagar, o barulho de um galo rouco vindo de algum quintal perdido no bairro. Eu mal dormi, o peso da conversa com Kelly girando na minha cabeça a noite toda, os becos, os R$ 300 por noite, os caras rudes me puxando como um pesadelo que eu não consigo largar. O colchão no chão range de leve enquanto Thiago se mexe, o braço dele me envolvendo por trás, o calor do corpo dele contra o meu me trazendo de volta pro agora.
Ele murmura algo baixo, a voz grave ainda rouca de sono, e aperta mais minha cintura, o cheiro de sabonete barato misturado com o suor dele me envolvendo enquanto beija meu ombro.
— Bom dia, meu amor — diz, o tom quente me derretendo como sempre, e eu viro o rosto, o cabelo preto caindo nos olhos castanhos dele enquanto sorrio, tentando esconder o nervosismo que tá me comendo por dentro.
— Bom dia, Thiago — falo, o tom leve, roçando a bochecha na dele enquanto me viro no colchão, ficando de frente pra ele, os joelhos dele batendo nos meus sob o lençol fino. — Dormiu bem?
Ele ri baixo, o som abafado enquanto esfrega os olhos, o cabelo preto curto bagunçado de um jeito que me dá vontade de passar a mão.
— Dormi, sim. Sonhei com a gente casando, sabe? Tu tava linda de branco, e eu todo bobo te esperando — diz, o sorriso tímido aparecendo, e eu sinto o peito apertar, o sonho dele tão perto do que eu quero, mas tão longe do que eu tô planejando pra fazer acontecer.
Eu me sento, o short largo subindo nas coxas enquanto puxo o lençol pra cobrir o peito, o top velho que eu uso pra dormir escorregando no ombro.
— Casando, hein? Tu tá mesmo louco pra me ver de noiva, né? — falo, o tom provocador de leve, jogando a primeira indireta enquanto penso na Kelly, na praça às 19h, nos becos que podem pagar esse sonho.
Ele se senta também, o colchão rangendo sob o peso dele, e me puxa pro colo dele, as mãos grandes nos meus quadris enquanto me encara, os olhos castanhos brilhando com aquele amor que me pega toda vez.
— Louco pra caramba, Lari. Quero te ver de branco, dançar com você, cortar o bolo. Mas se for só no cartório, já tá bom pra mim, tu sabe — diz, o tom respeitoso, e eu sinto o peso do segredo me sufocando enquanto sorrio, fingindo leveza.
— Só no cartório não, Thiago. Eu quero a festa, o vestido, tudo direitinho. Por isso eu tava pensando naquele trabalho que te falei ontem… — falo, o tom casual, mas com um fundo que eu sei que ele vai pegar, os dedos brincando com a barra da camiseta dele enquanto jogo mais uma indireta.
Ele franze o cenho, o ciuminho bobo aparecendo na ruga entre as sobrancelhas, mas ri baixo, as mãos apertando mais meus quadris enquanto me encara.
— Aquele trabalho que paga bem, né? Tu tá misteriosa com isso, Lari. Vai me contar o que é ou vai me deixar imaginando coisa errada? — brinca, o tom leve, mas com um fundo de curiosidade que eu conheço bem.
Eu rio baixo, balançando o cabelo pra trás enquanto me inclino pra frente, o rosto tão perto do dele que sinto o calor da respiração dele no meu.
— Imaginar coisa errada, é? E o que tu acha que eu ia fazer, hein? Sair por aí ganhando dinheiro de um jeito que tu ia odiar? — falo, o tom cheio de indiretas, pensando nos carros parando na esquina, nos becos escuros, nos R$ 50 por cliente que a Kelly mencionou.
Ele fica vermelho na hora, o ciuminho apertando mais o rosto dele enquanto esfrega a nuca, rindo nervoso.
— Não fala assim, Lari. Tu sabe que eu fico louco só de pensar em alguém te olhando errado. Mas se é pra pagar o casamento, eu te apoio, já disse. Só me conta o que é, vai — diz, o tom hesitante, o respeito dele lutando com o ciúme que eu sei que tá ali, quietinho.
Eu me solto do colo dele, levantando do colchão enquanto caminho até a pia pra pegar água, o short largo balançando enquanto viro de costas pra ele, ganhando tempo pra responder.
— Calma, amor. É só uma ideia ainda. Mas imagina se eu trabalhasse umas noites, voltasse com o bolso cheio, e a gente pagasse tudo rapidinho? Tu ia gostar de me ver trazendo a grana pra casa, né? — falo, o tom provocador, jogando mais uma indireta enquanto penso na Kelly me esperando na praça, no que eu vou ver às 19h.
Ele se levanta também, o som dos pés descalços dele no chão ecoando enquanto vem até mim, parando atrás de mim e me abraçando de novo, o queixo no meu ombro enquanto respira fundo.
— Umas noites? Lari, tu tá me deixando preocupado com esse papo. Que trabalho é esse que tu faz de noite e volta com tanto dinheiro? Não gosto de te imaginar por aí sozinha, sabe? — diz, o tom baixo, o ciuminho escorrendo nas palavras, mas o respeito dele firme como sempre.
Eu viro pra ele, o copo d’água na mão enquanto sorrio, os olhos nos dele, o coração batendo rápido enquanto jogo mais uma indireta sem revelar o segredo.
— Relaxa, Thiago. Eu sei me cuidar. E se eu voltasse tarde, cansada, mas com o dinheiro do vestido na mão? Tu ia me amar do mesmo jeito, né? Mesmo se eu chegasse com um cheiro diferente, um cansaço que tu não entende? — falo, o tom cheio de provocação, imaginando os becos, os caras rudes, o cuspe e os xingamentos que a Kelly descreveu.
Ele me encara, os olhos castanhos arregalados por um segundo, o rosto vermelho enquanto processa as palavras, mas me puxa pra perto, as mãos no meu rosto com aquele cuidado que eu amo.
— Eu te amo de qualquer jeito, Lari. Cansada, com cheiro diferente, não importa. Mas me promete que vai me contar antes de fazer qualquer coisa, hein? Não quero te perder pra nada nesse mundo — diz, o tom quente, o ciúme quieto agora, só o amor ficando no ar enquanto me beija a testa.
Eu assinto, o beijo dele me acalmando enquanto o peso da promessa me aperta de novo, o encontro com a Kelly às 19h brilhando na minha cabeça como um farol que eu não sei se quero seguir.
— Prometo, amor. É por nós, tá? Pelo nosso dia de branco — falo, o tom leve, mas com um fundo que eu sei que ele não pega ainda, o segredo da vaga de prostituta de rua me queimando por dentro enquanto abraço ele mais forte, o dia começando com o sol subindo devagar lá fora.
Ele sorri, o sorriso tímido voltando enquanto me aperta contra o peito, o calor dele me envolvendo.
— Pelo nosso dia de branco, Lari. Mas vai devagar com essas ideias, hein? Meu coração não aguenta muito mistério — brinca, e eu rio baixo, o som abafado contra a camiseta dele, o amor dele me segurando enquanto o pensamento dos becos escuros cresce quieto na minha mente.
O Caminho pra Praça
O céu tá tingido de roxo e laranja quando eu saio do apartamento, o sol já sumindo atrás dos prédios tortos do bairro, jogando sombras longas nas ruas de paralelepípedo rachado. O relógio no celular marca 18:42, e eu aperto o passo, o coração batendo rápido no peito enquanto o short largo balança nas coxas, a camiseta folgada escondendo o corpo que eu ainda não sei se quero mostrar. Disse pro Thiago que ia na casa da minha prima, uma mentirinha que saiu fácil demais, e ele só me abraçou, o sorriso tímido brilhando enquanto pedia pra eu voltar logo. O peso do segredo me sufoca, mas o pensamento do casamento, do vestido branco, me empurra pra frente, pro encontro com Kelly na praça.
A praça do bairro é um quadrado de concreto com bancos quebrados e um chafariz seco no meio, o barulho de crianças correndo misturado com o ronco de motos e o som abafado de um rádio vindo de uma barraca de pastel. Eu chego às 18:58, o vento fresco da noite levantando o cabelo preto da minha nuca enquanto olho ao redor, procurando alguém que se pareça com a Kelly que eu imaginei — talvez uma mulher mais velha, cabelo preso, jeito duro mas com um sorriso fácil.
Uma voz me chama do lado, suave mas firme, cortando o burburinho da praça.
— Lari? É tu, querida? — diz, e eu viro, vendo uma mulher encostada num banco, o cabelo loiro tingido preso num rabo de cavalo frouxo, os fios caindo no rosto bronzeado. Ela é mais nova do que eu esperava, uns 27 anos talvez, magra mas com curvas que o short jeans curto e o top rosa justo não escondem. O sorriso dela é largo, os dentes brancos brilhando enquanto acena pra mim, um cigarro apagado pendurado nos dedos.
— Kelly? — pergunto, o tom hesitante enquanto caminho até ela, o coração na garganta, e ela assente, se levantando pra me encontrar no meio do caminho, os tênis gastos dela batendo no concreto.
— Isso mesmo, amor! Ai, que bom te ver! Tu é ainda mais bonitinha do que eu imaginei — diz, o tom fofo me pegando desprevenida enquanto ela me puxa pra um abraço rápido, o cheiro de perfume barato e fumaça de cigarro me envolvendo. Eu coro, o rosto quente enquanto me solto, esfregando as mãos no short.
— Valeu, Kelly. Tu também é… bonita — falo, o tom tímido, e ela ri baixo, o som leve enchendo o ar enquanto aponta pro banco.
— Vem, senta aqui comigo, Lari. Vamos conversar direitinho, sem pressa — diz, sentando primeiro e batendo no espaço ao lado dela, os olhos castanhos dela me estudando com um carinho que eu não esperava. Eu sento, o concreto frio contra as coxas, e cruzo os braços, tentando segurar o nervosismo que tá subindo pelo peito.
— Então, querida, tu veio mesmo. Tava com medo que tu desistisse — fala, o tom acolhedor enquanto acende o cigarro, a chama do isqueiro iluminando o rosto dela por um segundo antes de soprar a fumaça pro lado, pra não me acertar.
— Quase desisti, Kelly. Tô com medo pra caralho, pra ser sincera — admito, o tom baixo, os olhos no chão enquanto penso no Thiago, no beco, no que eu tô prestes a descobrir. — Mas eu quero o casamento, sabe? Meu noivo merece, a gente merece.
Ela assente, o sorriso ficando mais suave enquanto dá um trago no cigarro, o brilho da brasa refletindo nos olhos dela.
— Eu sei, Lari. É por amor, né? Isso que te trouxe aqui. Teu noivo parece um sonho, pelo que tu falou. E tu vai conseguir, amor, eu te prometo. Mas me conta, o que tu quer saber primeiro? — pergunta, o tom fofo me puxando pra conversa como se a gente fosse amigas de infância.
Eu respiro fundo, o ar fresco da noite enchendo os pulmões enquanto olho pra ela, o coração batendo rápido.
— Tudo, Kelly. Como é o beco? Os caras… eles são tão ruins quanto tu disse? E a grana, é garantido mesmo? — falo, o tom hesitante, e ela ri baixo, balançando a cabeça enquanto joga o cabelo loiro pra trás.
— Tudo, hein? Tá bom, Lari, vou te contar direitinho. O beco é logo ali, duas ruas pra baixo, um cantinho escuro atrás do mercado velho. Não é bonito, amor, tem cheiro de esgoto, chão molhado, mas é rápido. Os caras param na esquina, tu vai até eles, combina o preço, e faz o serviço ali mesmo — diz, o tom leve, mas com um fundo que me pesa enquanto aponta pra direção do mercado, as luzes da rua brilhando ao longe.
Eu engulo em seco, o peso do "beco" me acertando de novo, e ela continua, os olhos castanhos me encarando com carinho.
— Os caras… olha, Lari, tem de tudo. Uns são quietos, pagam os R$ 50 e vão embora em dez minutos. Outros são uns porcos, sabe? Xingam ‘puta’, ‘vadia’, puxam cabelo, cospem na cara. Já levei tapa na bunda que ficou roxo, mas a gente aprende a botar limite. A grana é garantida, sim, amor. Três, quatro clientes por noite, e tu já junta teus R$ 300 — explica, o tom fofo contrastando com a dureza do que ela descreve, e eu sinto o estômago revirar, as mãos suando no colo.
— Caralho, Kelly… tapa na bunda? Cuspe na cara? Como tu não surta com isso? — pergunto, o tom baixo, os olhos arregalados enquanto penso no Thiago, no respeito dele, no quanto ele ia odiar me ver assim.
Ela ri baixo, o som quente enquanto dá outro trago no cigarro, soprando a fumaça pro alto.
— No começo eu surtei, Lari. Chorei pra caramba na primeira noite, um cara me chamou de ‘vagabunda imunda’ enquanto gozava na minha coxa. Mas aí tu acostuma, amor. Pensa na grana, no teu vestido branco, no teu noivo te esperando. Eu surto menos agora, e a gente ri junto depois, eu e as meninas — diz, o tom acolhedor me envolvendo, e eu sinto um calor estranho, uma mistura de medo e conforto com ela.
— As meninas? Tem mais gente contigo? — pergunto, o tom curioso, e ela assente, o sorriso voltando largo enquanto aponta pro outro lado da praça.
— Tem, sim! A Tati, a Jéssica, umas quatro comigo. A gente cuida uma da outra, Lari. Se um cara passar do limite, a gente grita, e ele corre. Tu vai gostar delas, amor, são umas fofas. Quer conhecer o beco hoje? Só pra ver, sem pressão — sugere, o tom leve, e eu pisco, o coração acelerando enquanto penso na proposta.
— Hoje? Não sei, Kelly… tô com medo ainda. E se eu não aguentar? — falo, o tom hesitante, e ela coloca a mão no meu ombro, o toque quente me acalmando enquanto me encara.
— Lari, tu vai aguentar, eu te prometo. A gente começa devagar, só te mostro o lugar, como funciona. Não precisa fazer nada hoje, só sentir o clima. Teu casamento vale isso, né? Pensa no bolo, no teu noivo te vendo de branco — diz, o tom fofo me puxando como um imã, e eu respiro fundo, o peso do sonho me empurrando pra frente.
— Tá, Kelly. Só pra ver o beco, então. Mas tu fica comigo, hein? — falo, o tom firme apesar do tremor na voz, e ela ri baixo, batendo palmas de leve como uma criança animada.
— Claro, amor! Eu fico do teu lado o tempo todo. Vem, vamos agora, tá ficando escuro, é a hora boa — diz, levantando do banco e me puxando pela mão, o cigarro jogado no chão enquanto me guia pra fora da praça, o cheiro de pastel ficando pra trás.
O Primeiro Passo no Beco
A gente caminha pelas ruas tortas, o barulho dos carros e das motos enchendo o ar enquanto ela me leva pra duas ruas abaixo, o mercado velho aparecendo na esquina, as luzes piscando na fachada quebrada. O beco tá logo atrás, uma viela escura entre o mercado e um muro grafitado, o chão molhado brilhando na luz fraca de um poste torto. O cheiro de esgoto sobe forte, e eu vejo uma sombra se mexendo lá dentro, o som de um grunhido baixo me arrepiando a espinha.
— É aqui, Lari. Nosso cantinho. Feio, mas funciona — diz Kelly, o tom fofo enquanto aperta minha mão, parando na entrada do beco. — O que acha, amor? Pronta pra sonhar com teu casamento enquanto a gente faz ele acontecer?
Eu olho pro beco, o coração batendo na garganta enquanto penso no Thiago, no vestido, nos R$ 300 por noite, e assinto devagar, o peso da escolha me acertando como um tapa.
— Acho que sim, Kelly. Mas tu me ajuda, tá? — falo, o tom baixo, e ela sorri, o rosto dela brilhando na luz fraca enquanto me abraça de lado.
— Sempre, Lari. Vamos fazer teu dia de branco ser perfeito — diz, e eu sinto o calor dela me segurando enquanto olho pro beco, o primeiro passo de um caminho que eu ainda não sei se vou aguentar.
O beco tá quieto agora, o som do grunhido que eu ouvi antes sumindo no escuro enquanto Kelly me segura pela mão, o calor dos dedos dela contra os meus me ancorando nesse lugar que fede a esgoto e medo. A luz fraca do poste torto pisca acima de nós, jogando sombras no chão molhado, e eu olho pro fundo da viela, o muro grafitado mal visível na penumbra, o coração batendo rápido enquanto tento entender o que eu tô fazendo aqui. Kelly tá ao meu lado, o short jeans curto dela brilhando na luz, o top rosa justo marcando as curvas enquanto ela me encara, o sorriso fofo ainda firme no rosto apesar do ambiente pesado.
— Tá sentindo o clima, Lari? É feinho, mas é nosso — diz, o tom leve enquanto solta minha mão e se encosta no muro, os braços cruzados como se o beco fosse só mais um canto qualquer. — O que tu acha, amor?
Eu respiro fundo, o cheiro de terra molhada e lixo subindo pelo nariz enquanto cruzo os braços, o short largo subindo nas coxas.
— É… diferente, Kelly. Pesado. Não sei se eu consigo me imaginar aqui ainda — falo, o tom baixo, os olhos no chão enquanto penso no Thiago, no jeito que ele me abraça, no contraste com esse lugar sujo.
Ela ri baixo, o som quente cortando o silêncio do beco enquanto se aproxima, parando tão perto que sinto o perfume barato dela de novo.
— É normal sentir isso, Lari. Todas as meninas tremem no começo. Mas tu vai ver, rapidinho tu acostuma, e a grana entra que é uma beleza. Teu noivo vai amar te ver de branco — diz, o tom fofo me puxando como sempre, e eu sorrio de leve, o peso do sonho me segurando aqui.
Eu olho pra ela, os olhos castanhos dela brilhando na luz fraca, e mordo o lábio, o pensamento do Thiago me queimando por dentro.
— Kelly, tu tem namorado? As outras meninas têm? — pergunto, o tom hesitante, e ela balança a cabeça, rindo baixo enquanto joga o cabelo loiro pra trás.
— Namorado? Eu não, amor. Tive um há uns anos, mas ele não aguentou esse trampo, terminou comigo numa semana. A Tati e a Jéssica também não têm, vivem solteiras, dizem que é mais fácil assim. Tu é a única com um noivo, hein, Lari? Que sorte a tua — diz, o tom brincalhão, mas com um fundo de carinho que me pega desprevenida.
Eu coro, o rosto quente enquanto olho pro chão, os tênis gastos dela na minha visão periférica.
— É, o Thiago é diferente. Ele é… muito respeitoso, sabe? Pede permissão pra tudo. Pra me beijar, pra me abraçar forte, até pra pegar na minha mão às vezes — falo, o tom suave, um sorriso escapando enquanto penso nele, no jeito tímido que ele me olha, no ciuminho bobo que ele tenta esconder.
Kelly arregala os olhos, o sorriso dela ficando ainda mais largo enquanto bate palmas de leve, animada.
— Ai, Lari, que coisa fofa! Ele pede permissão? Meu Deus, tu pegou um príncipe, hein, querida! Como tu faz pra não derreter com um homem desses? — diz, o tom encantado, e eu rio baixo, o som abafado no beco enquanto balanço a cabeça.
— Eu derreto toda hora, Kelly. Ele é um sonho mesmo. Por isso eu quero o casamento, pra dar pra ele o que ele merece. Mas… — hesito, o peso do segredo subindo pela garganta — eu não quero esconder isso dele. Não quero mentir pro Thiago — falo, o tom mais baixo, os olhos nos dela enquanto o medo me aperta.
Ela inclina a cabeça, o sorriso suavizando enquanto me encara, os olhos castanhos cheios de um entendimento que eu não esperava.
— Não quer esconder, Lari? Ai, que lindo isso, amor. Tu quer contar pro teu príncipe que vai trabalhar no beco? — pergunta, o tom fofo, mas com um fundo curioso enquanto se desencosta do muro, vindo pra mais perto de mim.
— Quero, Kelly. Ele merece saber. Mas como eu faço isso ser… romântico, sabe? Fofo? Não quero que ele me veja como uma vadia, ou que ele surte com o ciúme dele — falo, o tom hesitante, e ela assente devagar, mordendo o lábio como se pensasse comigo.
— Hmm, deixa eu te ajudar, Lari. Imagina assim: tu senta com ele, pega na mão dele, olha nos olhos dele com esse teu jeitinho doce. Aí tu diz algo tipo… ‘Amor, eu te amo tanto que eu faria qualquer coisa pra gente casar. Achei um jeito de juntar a grana rapidinho, é um trabalho diferente, na rua, mas é só por nós, pro nosso dia de branco’. Tu fala com amor, Lari, mostra que é por ele — diz, o tom fofo enquanto gesticula, os braços abertos como se ensaiasse a cena.
Eu pisco, o coração acelerando enquanto imagino o Thiago me ouvindo, o rosto vermelho, os olhos castanhos arregalados enquanto processa.
— Será que ele ia entender, Kelly? Ele é ciumento, sabe? Ia odiar imaginar os caras me tocando — falo, o tom baixo, e ela ri baixo, colocando a mão no meu ombro de novo, o toque quente me acalmando.
— Ele vai entender, Lari, porque tu vai fazer ele sentir teu amor. Diz assim: ‘Thiago, eu sou tua, só tua, mas vou fazer isso pra gente ter nosso sonho. Tu me deixa, né? Por nós?’. Usa esse teu coração, amor, ele não vai resistir. E se ele for ciumento, tu dá um beijo nele, faz ele se sentir o único, mesmo estando aqui — diz, o tom acolhedor, e eu sinto um calor subindo pelo peito, a ideia dela me dando um fio de esperança.
— Tu acha que dá pra ser fofo assim, Kelly? Tipo, ele me pedindo permissão pra me apoiar nisso? — pergunto, o tom curioso, e ela ri alto, o som ecoando no beco enquanto bate palmas de novo.
— Ai, Lari, perfeito! Imagina ele dizendo ‘Lari, posso te apoiar nisso?’, todo tímido, todo príncipe. Tu vai transformar esse beco num conto de fadas, amor! Teu Thiago é um achado, hein — diz, o tom encantado, e eu rio baixo, o peso do segredo aliviando um pouco enquanto penso nele, no jeito que ele ia corar, no respeito dele me segurando mesmo com algo tão pesado.
Eu olho pro beco, o chão molhado brilhando na luz fraca, e respiro fundo, o cheiro de esgoto me lembrando onde eu tô.
— Então eu conto pra ele, Kelly? Faço ser romântico, mostro que é por amor? — falo, o tom firme apesar do tremor na voz, e ela assente, o sorriso largo voltando enquanto me abraça de lado.
— Conta, Lari. Faz ser o momento mais fofo do mundo. Diz que é teu presente pra ele, pro casamento de vocês. Ele vai te amar ainda mais, amor, eu te prometo — diz, o tom quente me envolvendo, e eu assinto devagar, o coração batendo rápido enquanto imagino o Thiago me ouvindo, os olhos castanhos brilhando com amor e ciúme, mas me apoiando como sempre.
— Tá, Kelly. Vou contar pra ele. Mas tu me ajuda aqui, hein? Não me deixa sozinha nisso — falo, o tom suave, e ela aperta meu ombro, o rosto dela brilhando na luz fraca do beco.
— Nunca, Lari. A gente cuida uma da outra, lembra? Vamos fazer teu dia de branco acontecer, e teu príncipe vai te carregar no colo ainda — diz, e eu rio baixo, o som abafado no beco enquanto o peso da escolha fica mais leve, o sonho do casamento brilhando mais forte que o fedor da viela ao meu redor.
O Segredo Revelado
O apartamento tá silencioso quando eu chego de volta do beco, o relógio na parede marcando 20:34, o ventilador zumbindo no canto enquanto o cheiro de esgoto do beco ainda parece grudado na minha pele, mesmo que seja só na minha cabeça. Thiago tá sentado no colchão no chão, a camiseta cinza suja de cimento jogada num canto, o peito magro mas forte brilhando de leve com o suor do dia enquanto mexe no celular velho, o rosto iluminado pela tela rachada. Ele levanta os olhos quando me ouve entrar, o sorriso tímido aparecendo na hora, e larga o celular pra vir até mim, os pés descalços batendo no chão de tacos gastos.
— Oi, meu amor. Como foi na tua prima? — pergunta, o tom grave e quente enquanto me abraça, as mãos grandes me puxando contra ele, o cheiro de sabonete barato me envolvendo como um cobertor. Eu sinto o coração acelerar, o peso do que eu conversei com Kelly me queimando por dentro, mas o conselho dela — "faz ser romântico, Lari, mostra que é por amor" — me guia enquanto respiro fundo, decidida a contar tudo agora.
— Oi, Thiago. Foi… bom, mas eu não fui na prima, amor — falo, o tom suave enquanto me solto do abraço, pegando a mão dele e puxando ele pro colchão, sentando de frente pra ele, os joelhos dobrados sob o short largo. Ele franze o cenho, o ciuminho bobo aparecendo na ruga entre as sobrancelhas, mas senta comigo, os olhos castanhos me encarando com curiosidade e um toque de preocupação.
— Não foi na prima? Onde tu tava, Lari? — pergunta, o tom hesitante, as mãos nos joelhos dele enquanto me estuda, e eu pego as mãos dele, os calos dos dedos dele roçando minha pele enquanto olho nos olhos dele, o coração na garganta.
— Amor, espera, deixa eu te contar direitinho, tá? É importante — falo, o tom doce, apertando as mãos dele enquanto respiro fundo, o sorriso tremendo nos meus lábios. — Eu te amo tanto, Thiago. Tanto que eu faria qualquer coisa pra gente casar, pra te ver feliz, pra ter nosso dia de branco. Tu sabe disso, né?
Ele pisca, o rosto ficando vermelho de leve enquanto assente, o sorriso tímido voltando, tímido mas quente.
— Sei, Lari. Eu te amo igual, meu amor. Mas o que tá acontecendo? Tu tá me assustando com esse jeitinho — diz, o tom suave, e eu rio baixo, o som abafado enquanto inclino a cabeça, o cabelo preto caindo no rosto.
— Não fica assustado, Thiago. É por nós. Lembra que eu falei de um trabalho que paga bem? Que pode juntar a grana pro casamento rapidinho? — falo, o tom fofo, os olhos nos dele enquanto aperto mais as mãos dele, sentindo o calor dele me segurar.
Ele assente devagar, o ciuminho aparecendo no canto da boca, mas me deixa continuar, o respeito dele firme como sempre.
— Lembro, Lari. Tu tava misteriosa com isso. Vai me contar agora? — pergunta, o tom baixo, e eu respiro fundo, o conselho da Kelly ecoando na minha cabeça enquanto me inclino pra frente, o rosto tão perto do dele que sinto a respiração dele no meu.
— Vou, amor. Eu achei um jeito de ganhar R$ 300 por noite, Thiago. É um trabalho diferente, na rua, nos becos. Não é bonito, não é fácil, mas é só por um tempo, só pra gente ter nosso casamento. Eu faço os serviços pros caras que param lá, rapidinho, e volto pra casa com o dinheiro do vestido, do bolo, da festa — falo, o tom suave, cheio de amor, os olhos nos dele enquanto deixo as palavras saírem, o peso delas caindo entre a gente.
Ele arregala os olhos, o rosto vermelho na hora enquanto processa, as mãos tremendo de leve nas minhas, o ciúme lutando com o respeito que eu conheço tão bem.
— Na rua? Nos becos? Lari, tu tá falando de… — hesita, a voz falhando enquanto me encara, e eu assinto devagar, o sorriso fofo ainda nos lábios enquanto seguro as mãos dele com mais força.
— É, amor. É tipo prostituição, mas escuta, Thiago, é por nós. Eu te amo tanto que eu vou lá, faço isso, e volto pra ti, só pra ti. É meu presente pra gente, pro nosso dia de branco. Tu me deixa, né? Por amor? — falo, o tom romântico, os olhos brilhando enquanto penso no vestido, no bolo, no sorriso dele me vendo entrar de noiva.
Ele respira fundo, o peito subindo rápido enquanto esfrega a nuca com uma mão, a outra ainda na minha, o rosto vermelho como nunca vi.
— Caralho, Lari… tu quer fazer isso? Por mim? Pelos becos? — pergunta, o tom baixo, o ciúme escorrendo nas palavras, mas o respeito dele segurando ele ali, me ouvindo.
Eu me inclino mais, encostando a testa na dele, o calor dele me envolvendo enquanto falo, o tom mais doce ainda.
— Quero, Thiago. Porque eu te amo mais que tudo. Imagina, amor, eu volto com o dinheiro, a gente paga o casamento, e tu me leva pro altar, me beija na frente de todo mundo. É só por um tempo, e eu sou tua, só tua, sempre. Me deixa fazer isso por nós? — falo, o tom fofo, as mãos subindo pros ombros dele enquanto olho nos olhos dele, o coração batendo rápido.
Ele fecha os olhos por um segundo, a respiração pesada enquanto aperta minha cintura, o ciúme lutando com o amor que eu vejo no rosto dele.
— Lari, eu… eu não gosto de imaginar tu lá, sabe? Os caras te tocando, te olhando. Meu coração aperta só de pensar — diz, o tom baixo, o ciuminho bobo aparecendo, mas abre os olhos, me encarando com aquele brilho que me derrete. — Mas se é por nós, se tu quer tanto assim, eu… posso te apoiar nisso? — pergunta, o tom hesitante, pedindo permissão como sempre, e eu rio baixo, o som quente enchendo o espaço entre a gente.
— Pode, amor. Pode me apoiar, sim. É teu presente, Thiago. Eu vou lá, junto a grana, e volto pra ti toda noite, pra te abraçar, pra te beijar, pra ser tua noiva. Tu me ama mesmo assim, né? — falo, o tom romântico, beijando o canto da boca dele enquanto sinto o tremor nas mãos dele.
Ele me puxa pro colo dele, os braços me envolvendo forte enquanto encosta a testa na minha de novo, o rosto vermelho mas o sorriso tímido voltando, quente e cheio de amor.
— Te amo mesmo assim, Lari. Te amo mais que tudo. Se tu quer fazer isso por nós, eu te apoio, meu amor. Mas volta pra mim toda noite, hein? E me deixa te abraçar assim, te cuidar, mesmo com… tudo isso — diz, o ton suave, o ciúme quieto agora, só o amor brilhando nos olhos castanhos dele.
Eu rio baixo, os braços no pescoço dele enquanto beijo ele de leve, o calor dele me envolvendo como um cobertor.
— Volto, Thiago. Toda noite, só pra ti. E tu vai me ver de branco, amor, te prometo. Vai ser o dia mais lindo do mundo — falo, o tom fofo, o sonho do casamento brilhando entre a gente enquanto ele me aperta mais, o respeito dele me segurando como sempre.
— O dia mais lindo, Lari. Com tu de noiva, eu de bobo te esperando — diz, rindo baixo enquanto me beija a testa, o amor dele me envolvendo enquanto o peso do beco fica mais leve, transformado num presente romântico que a gente vai construir juntos.
O Jantar com Kelly
O colchão tá quente onde Thiago me abraça, os braços dele ainda apertados na minha cintura enquanto o ventilador zumbe no canto, o som abafando o barulho da rua lá fora. O beijo dele na minha testa ainda tá fresco na minha pele, o amor dele me envolvendo como uma promessa enquanto penso na conversa que a gente acabou de ter, no jeito que ele me apoiou, mesmo com o ciúme brilhando nos olhos castanhos dele. O relógio marca 20:52, e eu levanto do colo dele, o short largo subindo nas coxas enquanto pego o celular na mesa, o coração batendo rápido com uma ideia que surge de repente.
— Amor, que tal a gente convidar a Kelly pra jantar aqui amanhã? — falo, o tom leve enquanto viro pra ele, o cabelo preto caindo no rosto. — Ela é a amiga que me falou do trabalho, sabe? Acho que tu ia gostar de conhecer ela.
Thiago franze o cenho, o ciuminho bobo aparecendo na ruga entre as sobrancelhas, mas ri baixo, esfregando a nuca enquanto me encara.
— A Kelly? A que te levou pro… beco? Tá, Lari, se tu quer, eu topo. Mas ela é de confiança, né? — pergunta, o tom hesitante, o respeito dele firme mesmo com a preocupação que eu vejo no rosto dele.
Eu sorrio, sentando no colchão de novo enquanto pego a mão dele, o calor dele me acalmando.
— É, amor, ela é um amor. Foi fofa comigo, me ajudou a pensar em como te contar tudo. Tu vai ver, ela é legal. E eu quero que tu conheça ela, pra gente fazer isso junto — falo, o tom fofo, e ele assente devagar, o sorriso tímido voltando enquanto aperta minha mão.
— Tá bom, meu amor. Convida ela, então. Vamos fazer um jantar simples, mas bonito pra ela — diz, e eu rio baixo, beijando o canto da boca dele antes de pegar o celular pra mandar a mensagem pra Kelly.
Larissa: "Oi, Kelly! Que tal jantar aqui em casa amanhã? Meu noivo quer te conhecer, e eu quero que tu venha. Pode ser às 19h?"
O "online" dela acende rápido, e o "digitando" aparece, me fazendo sorrir enquanto espero.
Kelly: "Ai, Lari, que fofura! Claro que eu vou, amor! Teu príncipe quer me conhecer? Tô honrada, hein. Às 19h tá perfeito. Beijo, querida!"
O dia seguinte passa rápido, o sol se pondo atrás dos prédios enquanto eu mexo o arroz na panela pequena, o cheiro de alho e cebola enchendo o apartamento. Thiago tá na pia, cortando tomate pra um molho simples com a faca cega que a gente tem, a camiseta cinza limpa agora, o cabelo preto curto penteado pra trás com cuidado. Eu fiz um bolo de milho com o restinho de fubá que tinha no armário, e o cheiro doce tá misturado com o salgado da comida, deixando o lugar com cara de casa de verdade. O relógio marca 18:57 quando a campainha toca, um som rouco que ecoa no corredor, e eu corro pra abrir, o coração batendo rápido.
Kelly tá na porta, o cabelo loiro solto agora, caindo nos ombros, o short jeans trocado por uma calça preta justa, o top rosa coberto por uma blusa leve de manga. Ela sorri largo, os olhos castanhos brilhando enquanto me puxa pra um abraço.
— Oi, Lari! Ai, que cheiro bom tá aqui, hein, querida — diz, o tom fofo enquanto entra, os tênis gastos batendo no chão.
Thiago aparece atrás de mim, as mãos nos bolsos da calça jeans, o rosto vermelho de leve enquanto aceno pra ela.
— Oi, Kelly. Bem-vinda. Eu sou o Thiago — diz, o tom grave e tímido, e ela ri baixo, estendendo a mão pra ele com um sorriso aberto.
— Ai, o famoso Thiago! Prazer, lindo. A Lari fala tanto de ti que eu já te conheço — brinca, o tom acolhedor, e ele aperta a mão dela, rindo nervoso enquanto coça a nuca.
— Espero que ela fale bem, então — diz, e eu rio, puxando os dois pra mesa de fórmica onde os pratos já tão postos, o arroz, o molho e o bolo de milho arrumados com cuidado.
A gente senta, o barulho das cadeiras rangendo no chão enquanto eu sirvo o arroz, o vapor subindo da panela. Kelly pega o prato com um "ai, que delícia, Lari", e Thiago me olha, o sorriso tímido brilhando enquanto começa a comer, o silêncio confortável enchendo o ar por um momento.
— Então, Kelly, a Lari disse que tu ajudou ela com essa ideia do trabalho — fala Thiago, o tom hesitante enquanto corta um pedaço de tomate, o ciuminho aparecendo no jeito que ele aperta o garfo.
Kelly assente, o sorriso suavizando enquanto dá uma garfada no arroz, os olhos castanhos indo dele pra mim.
— Ajudei, sim, Thiago. Tua noiva é um amor, sabia? Ela quer tanto esse casamento que me pediu pra mostrar o caminho. O trabalho na rua não é fácil, mas é rápido pra juntar grana. Eu cuido dela lá, prometo — diz, o tom fofo, mas com um fundo firme que me faz engolir em seco.
Eu pego a mão do Thiago por baixo da mesa, apertando enquanto sorrio pra ele, o calor dele me segurando.
— É, amor. A Kelly é minha guia nisso. Eu te falei, né? É por nós — falo, o tom doce, e ele assente, o rosto vermelho enquanto olha pra Kelly.
— Eu sei, Lari. Tô apoiando ela, Kelly. Mas… como é lá? De verdade? — pergunta, o tom baixo, o ciúme lutando com o respeito enquanto ele me encara, e Kelly ri baixo, colocando o garfo no prato.
— De verdade, Thiago? Tá bom, eu conto. É pesado, lindo. Os becos fedem, o chão é sujo, e os caras… nem todos são flores. Tem uns que pagam R$ 50 e vão embora quietos, mas outros xingam ‘puta’, ‘vadia’, puxam cabelo, cospem na cara. Já levei tapa que ficou roxo, já ouvi coisa que não repito nem aqui — diz, o tom ainda fofo, mas as verdades saindo cruas, e eu sinto o Thiago apertar minha mão com mais força, o rosto dele ficando vermelho como nunca vi.
— Caralho, Kelly… e tu quer a Lari nisso? — pergunta, a voz tremendo de leve, o ciúme escorrendo, mas ele respira fundo, o respeito dele segurando ele ali.
Kelly inclina a cabeça, os olhos castanhos brilhando enquanto pega um pedaço de bolo, o tom suavizando de novo.
— Quero, Thiago, porque ela quer. É por vocês, lindo. Ela me disse que te ama tanto que vai lá, enfrenta isso, e volta pra ti com o dinheiro do casamento. Tu tem uma noiva que é um tesouro, sabia? Ela vai fazer isso por amor, e eu vou estar do lado dela pra ninguém machucar ela demais — diz, o tom acolhedor, e eu sinto o peito apertar, o olhar do Thiago indo pra mim, quente e cheio de emoção.
— É verdade, amor. É meu presente pra ti. Eu volto toda noite, te abraço, e a gente casa do jeito que tu sonha — falo, o tom fofo enquanto levanto a mão dele pra beijar os dedos dele, os calos roçando meus lábios.
Ele respira fundo, os olhos castanhos brilhando enquanto me puxa pra perto, o braço na minha cintura mesmo com a Kelly ali.
— Tá, Lari. Se tu quer, eu te apoio. Mas, Kelly, cuida dela mesmo, hein? Ela é tudo pra mim — diz, o tom grave, o ciúme quieto agora, só o amor ficando no ar, e Kelly ri baixo, batendo palmas de leve.
— Prometo, Thiago! A Lari é minha queridinha agora. Vamos fazer esse casamento ser lindo, vocês dois de branco, eu na plateia chorando que nem boba — diz, o tom encantado, e a gente ri junto, o som quente enchendo o apartamento enquanto o bolo de milho some dos pratos, as verdades duras de Kelly misturadas com o amor que brilha entre mim e o Thiago.
A Última Noite Intacta
O prato de bolo de milho tá quase vazio na mesa de fórmica, as migalhas espalhadas enquanto o ventilador zumbe no canto, o ar quente do apartamento misturado com o cheiro de alho e fubá. Thiago tá ao meu lado, o braço ainda na minha cintura, o calor dele me envolvendo enquanto Kelly pega o último pedaço de bolo, o sorriso fofo dela brilhando na luz fraca da lâmpada pendurada no teto. O jantar tá leve, o som das nossas risadas ecoando no espaço pequeno, mas eu sinto um peso no ar quando Kelly limpa os dedos na calça preta justa e me encara, os olhos castanhos dela com um brilho diferente agora, mais sério, mesmo com o tom acolhedor de sempre.
— Ai, Lari, esse bolo tá divino, hein, querida. Tu vai ser uma noiva que cozinha bem pro teu príncipe — diz, o tom fofo enquanto dá uma mordida, mas logo coloca o prato na mesa, inclinando a cabeça enquanto olha pra mim e pro Thiago. — Mas, olha, eu tenho que falar umas coisas pra vocês, tá? Coisas de amiga, pra preparar vocês dois.
Thiago franze o cenho, o ciuminho bobo aparecendo na ruga entre as sobrancelhas enquanto aperta minha cintura de leve, o rosto vermelho de curiosidade e um toque de preocupação.
— Coisas? Que coisas, Kelly? — pergunta, o tom grave e hesitante, e eu pego a mão dele por baixo da mesa, os calos dele roçando minha palma enquanto olho pra Kelly, o coração batendo mais rápido.
— É, Kelly, fala aí — digo, o tom suave, tentando manter a leveza, mas sentindo o peso que vem com as palavras dela.
Ela respira fundo, o sorriso suavizando enquanto cruza os braços, os olhos castanhos indo de mim pro Thiago com um carinho que me acalma e me assusta ao mesmo tempo.
— Tá bom, meus queridos. Lari, tu vai pro beco comigo, e eu te juro que vou cuidar de ti como se tu fosse minha irmãzinha. Mas esse trabalho… ele muda a gente, amor. Não só por fora, mas por dentro, e até nas partes mais íntimas. Eu preciso que vocês saibam disso, porque é verdade — diz, o tom fofo, mas as palavras caindo pesadas como pedras entre a gente.
Eu engulo em seco, o calor subindo pelo pescoço enquanto aperto a mão do Thiago, os olhos dele arregalados me encarando antes de voltar pra Kelly.
— Muda como, Kelly? O que tu quer dizer com ‘partes íntimas’? — pergunta ele, a voz tremendo de leve, o ciúme lutando com o respeito que eu conheço tão bem, e eu sinto o peito apertar, o medo do que ela vai dizer me pegando desprevenida.
Kelly ri baixo, o som quente mas com um fundo de realidade que corta o ar.
— Calma, Thiago, deixa eu explicar direitinho, tá? Lari, teu corpinho vai sentir o tranco, amor. Os caras no beco não são gentis como teu príncipe aqui. Eles puxam, apertam, às vezes machucam. Tua pele vai ficar marcada, tua bunda pode levar tapa até ficar roxa, e lá embaixo… bom, querida, tua buceta vai mudar. Fica mais usada, mais larga, às vezes até dói no começo. É o preço da grana rápida — diz, o tom ainda fofo, mas cru, as verdades saindo sem filtro enquanto ela me encara com carinho.
Thiago fica vermelho na hora, o rosto quente enquanto solta minha mão e esfrega a nuca, o ciúme brilhando nos olhos castanhos dele, mas ele respira fundo, segurando a onda como sempre.
— Caralho, Kelly… tu tá dizendo que a Lari vai voltar… diferente? Machucada? — pergunta, o tom baixo, a voz falhando enquanto me olha, o amor dele misturado com um desespero que eu sinto no peito dele contra o meu.
Eu pego o rosto dele com as mãos, os dedos tremendo enquanto viro ele pra mim, os olhos castanhos dele brilhando com emoção.
— Amor, escuta. É por nós, tá? Eu te amo tanto que eu aguento isso. Volto pra ti toda noite, mesmo que mude um pouco. Tu me ama do mesmo jeito, né? — falo, o tom doce, tentando trazer ele de volta pro nosso momento romântico, e ele assente devagar, o calor das mãos dele subindo pras minhas coxas.
Kelly sorri, batendo palmas de leve enquanto nos olha, o tom fofo voltando mais forte.
— Ai, vocês são tão lindos, hein! Thiago, ela é tua, só tua, mesmo com o beco. Mas eu tenho uma ideia, tá? Hoje é a última noite da Lari como ela é agora, toda intacta, toda tua. Faz amor com ela, lindo. Olha bem como ela é, guarda ela na memória, porque coisas vão mudar. É um presente pra vocês dois antes do trabalho começar — diz, o tom acolhedor, os olhos brilhando enquanto aponta pra mim e pro Thiago.
Eu coro, o rosto quente enquanto olho pro Thiago, o coração batendo rápido com a ideia dela, e ele pisca, o rosto vermelho como nunca vi, o ciúme lutando com o desejo que eu vejo nos olhos dele.
— Última noite? Kelly, tu tá falando sério? — pergunta, o tom hesitante, e ela assente, levantando da cadeira com um sorriso largo.
— Sério, Thiago! Aproveita tua noiva hoje, amor. Olha cada pedacinho dela, beija ela toda, faz ela se sentir a mulher mais amada do mundo. Porque amanhã ela vai pro beco comigo, e o corpo dela vai carregar o peso disso. É fofo, né? Um momento só de vocês antes do nosso plano pro casamento — diz, o tom encantado, e eu sinto o calor descendo pelo corpo, o olhar do Thiago me queimando enquanto ele aperta minhas coxas.
— Tá, Kelly… se a Lari quer, eu quero — fala ele, o tom grave e quente enquanto me encara, o respeito dele firme mesmo com o ciúme que eu sei que tá ali. — Tu tá certa nisso, Lari? Quer isso hoje? — pergunta, pedindo permissão como sempre, e eu rio baixo, o som abafado enquanto subo no colo dele, os braços no pescoço dele.
O Primeiro Passo no Beco (Continuação)
A gente caminha pelas ruas tortas, o barulho dos carros e das motos enchendo o ar enquanto ela me leva pra duas ruas abaixo, o mercado velho aparecendo na esquina, as luzes piscando na fachada quebrada. O beco tá logo atrás, uma viela escura entre o mercado e um muro grafitado, o chão molhado brilhando na luz fraca de um poste torto. O cheiro de esgoto sobe forte, e eu vejo uma sombra se mexendo lá dentro, o som de um grunhido baixo me arrepiando a espinha.
— É aqui, Lari. Nosso cantinho. Feio, mas funciona — diz Kelly, o tom fofo enquanto aperta minha mão, parando na entrada do beco. — O que acha, amor? Pronta pra sonhar com teu casamento enquanto a gente faz ele acontecer?
Eu olho pro beco, o coração batendo na garganta enquanto penso no Thiago, no vestido, nos R$ 300 por noite, e assinto devagar, o peso da escolha me acertando como um tapa.
— Acho que sim, Kelly. Mas tu me ajuda, tá? — falo, o tom baixo, e ela sorri, o rosto dela brilhando na luz fraca enquanto me abraça de lado.
— Sempre, Lari. Vamos fazer teu dia de branco ser perfeito — diz, e eu sinto o calor dela me segurando enquanto olho pro beco, o primeiro passo de um caminho que eu ainda não sei se vou aguentar.
A sombra no fundo do beco se mexe de novo, e eu vejo uma figura sair da escuridão — uma mulher magra, cabelo castanho preso num coque frouxo, o short jeans rasgado e a blusa preta justa marcando o corpo. Ela acende um cigarro, o brilho da chama iluminando o rosto dela por um segundo, e Kelly acena, o sorriso largo voltando.
— Essa é a Tati, Lari. Uma das meninas que eu te falei — diz, o tom acolhedor enquanto me puxa pra dentro do beco, os tênis dela chapinhando no chão molhado. — Tati, essa é a Lari, minha nova queridinha. Tá começando por amor, acredita?
Tati levanta os olhos, o rosto cansado mas com um sorriso torto enquanto sopra a fumaça pro lado, me estudando de cima a baixo.
— Por amor, é? Que bonito, Lari. Bem-vinda ao buraco. Teu noivo deve ser um santo pra te deixar vir pra cá — diz, o tom rouco, mas com um fundo de respeito que me pega desprevenida.
Eu coro, o rosto quente enquanto cruzo os braços, o short largo subindo nas coxas.
— Ele é, Tati. Um santo mesmo. Por isso eu tô aqui, pra dar o casamento que ele merece — falo, o tom suave, e ela ri baixo, balançando a cabeça enquanto dá outro trago no cigarro.
— Então tu é das românticas. Boa sorte, gatinha. Os caras aqui não entendem romantismo, mas a grana entra rápido. A Kelly vai te ensinar o jeito — diz, apontando o queixo pra Kelly, que ri baixo e aperta meu ombro.
— Vou, sim, Tati. A Lari é especial, vai ver. Vamos mostrar o cantinho dela hoje, só pra ela sentir — diz, o tom fofo enquanto me guia mais fundo no beco, o cheiro de esgoto ficando mais forte, o som de um carro passando na rua ecoando nas paredes grafitadas.
A gente para perto de um canto onde o muro faz uma curva, uma lata de lixo tombada jogando restos de comida no chão molhado. Kelly aponta pro espaço, o sorriso ainda firme no rosto.
— Aqui, Lari. Teu pedacinho. Os carros param ali na esquina, tu vai até eles, combina o preço, e traz eles pra cá. Rapidinho, amor, R$ 50 por cliente, às vezes mais se pedirem algo diferente — explica, o tom leve, como se falasse de um emprego qualquer, e eu engulo em seco, o peso do "rapidinho" me acertando enquanto olho pro chão sujo.
— Rapidinho… tá, Kelly. E se eu não aguentar um cara? Se ele for muito ruim? — pergunto, o tom baixo, o medo subindo pelo peito, e ela se aproxima, os olhos castanhos me encarando com carinho.
— Se não aguentar, tu grita, Lari. Eu, a Tati, a Jéssica, a gente corre pra te ajudar. Ninguém te ferra demais aqui, amor, eu te prometo. Mas tu vai aguentar, sabe por quê? Porque tu tem um motivo. Teu Thiago, teu vestido branco, teu bolo de três andares — diz, o tom fofo me puxando como sempre, e eu assinto devagar, o sonho do casamento brilhando na minha cabeça enquanto o fedor do beco me sufoca.
Tati joga o cigarro no chão, apagando com o pé enquanto se aproxima, o sorriso torto ainda no rosto.
— Ela tá certa, Lari. Pensa no motivo. Eu faço isso há dois anos, já levei cuspe na cara, tapa na coxa, mas pago minhas contas. Tu vai pagar teu sonho. Só não olha muito nos olhos deles, facilita — diz, o tom rouco, e eu pisco, o conselho dela me acertando como um aviso.
— Tá, Tati. Não olho nos olhos. E tu, Kelly, fica comigo na minha primeira vez, né? — falo, o tom hesitante, e Kelly bate palmas de leve, animada como uma criança.
— Claro, amor! Tô do teu lado na primeira noite, te mostro tudo, te seguro se precisar. Vamos fazer teu casamento acontecer, Lari, tu vai ver — diz, e eu sinto o peito apertar, o peso do beco misturado com o calor delas me segurando enquanto olho pro canto que agora é meu, o primeiro passo dado num caminho que eu não posso mais voltar atrás.
O Segredo Revelado (Continuação)
O apartamento tá silencioso quando eu chego de volta do beco, o relógio na parede marcando 20:34, o ventilador zumbindo no canto enquanto o cheiro de esgoto do beco ainda parece grudado na minha pele, mesmo que seja só na minha cabeça. Thiago tá sentado no colchão no chão, a camiseta cinza suja de cimento jogada num canto, o peito magro mas forte brilhando de leve com o suor do dia enquanto mexe no celular velho, o rosto iluminado pela tela rachada. Ele levanta os olhos quando me ouve entrar, o sorriso tímido aparecendo na hora, e larga o celular pra vir até mim, os pés descalços batendo no chão de tacos gastos.
— Oi, meu amor. Como foi na tua prima? — pergunta, o tom grave e quente enquanto me abraça, as mãos grandes me puxando contra ele, o cheiro de sabonete barato me envolvendo como um cobertor. Eu sinto o coração acelerar, o peso do que eu conversei com Kelly me queimando por dentro, mas o conselho dela — "faz ser romântico, Lari, mostra que é por amor" — me guia enquanto respiro fundo, decidida a contar tudo agora.
— Oi, Thiago. Foi… bom, mas eu não fui na prima, amor — falo, o tom suave enquanto me solto do abraço, pegando a mão dele e puxando ele pro colchão, sentando de frente pra ele, os joelhos dobrados sob o short largo. Ele franze o cenho, o ciuminho bobo aparecendo na ruga entre as sobrancelhas, mas senta comigo, os olhos castanhos me encarando com curiosidade e um toque de preocupação.
— Não foi na prima? Onde tu tava, Lari? — pergunta, o tom hesitante, as mãos nos joelhos dele enquanto me estuda, e eu pego as mãos dele, os calos dos dedos dele roçando minha pele enquanto olho nos olhos dele, o coração na garganta.
— Amor, espera, deixa eu te contar direitinho, tá? É importante — falo, o tom doce, apertando as mãos dele enquanto respiro fundo, o sorriso tremendo nos meus lábios. — Eu te amo tanto, Thiago. Tanto que eu faria qualquer coisa pra gente casar, pra te ver feliz, pra ter nosso dia de branco. Tu sabe disso, né?
Ele pisca, o rosto ficando vermelho de leve enquanto assente, o sorriso tímido voltando, tímido mas quente.
— Sei, Lari. Eu te amo igual, meu amor. Mas o que tá acontecendo? Tu tá me assustando com esse jeitinho — diz, o tom suave, e eu rio baixo, o som abafado enquanto inclino a cabeça, o cabelo preto caindo no rosto.
— Não fica assustado, Thiago. É por nós. Lembra que eu falei de um trabalho que paga bem? Que pode juntar a grana pro casamento rapidinho? — falo, o tom fofo, os olhos nos dele enquanto aperto mais as mãos dele, sentindo o calor dele me segurar.
Ele assente devagar, o ciuminho aparecendo no canto da boca, mas me deixa continuar, o respeito dele firme como sempre.
— Lembro, Lari. Tu tava misteriosa com isso. Vai me contar agora? — pergunta, o tom baixo, e eu respiro fundo, o conselho da Kelly ecoando na minha cabeça enquanto me inclino pra frente, o rosto tão perto do dele que sinto a respiração dele no meu.
— Vou, amor. Eu achei um jeito de ganhar R$ 300 por noite, Thiago. É um trabalho diferente, na rua, nos becos. Não é bonito, não é fácil, mas é só por um tempo, só pra gente ter nosso casamento. Eu faço os serviços pros caras que param lá, rapidinho, e volto pra casa com o dinheiro do vestido, do bolo, da festa — falo, o tom suave, cheio de amor, os olhos nos dele enquanto deixo as palavras saírem, o peso delas caindo entre a gente.
Ele arregala os olhos, o rosto vermelho na hora enquanto processa, as mãos tremendo de leve nas minhas, o ciúme lutando com o respeito que eu conheço tão bem.
— Na rua? Nos becos? Lari, tu tá falando de… — hesita, a voz falhando enquanto me encara, e eu assinto devagar, o sorriso fofo ainda nos lábios enquanto seguro as mãos dele com mais força.
— É, amor. É tipo prostituição, mas escuta, Thiago, é por nós. Eu te amo tanto que eu vou lá, faço isso, e volto pra ti, só pra ti. É meu presente pra gente, pro nosso dia de branco. Tu me deixa, né? Por amor? — falo, o tom romântico, os olhos brilhando enquanto penso no vestido, no bolo, no sorriso dele me vendo entrar de noiva.
Ele respira fundo, o peito subindo rápido enquanto esfrega a nuca com uma mão, a outra ainda na minha, o rosto vermelho como nunca vi.
— Caralho, Lari… tu quer fazer isso? Por mim? Pelos becos? — pergunta, o tom baixo, o ciúme escorrendo nas palavras, mas o respeito dele segurando ele ali, me ouvindo.
Eu me inclino mais, encostando a testa na dele, o calor dele me envolvendo enquanto falo, o tom mais doce ainda.
— Quero, Thiago. Porque eu te amo mais que tudo. Imagina, amor, eu volto com o dinheiro, a gente paga o casamento, e tu me leva pro altar, me beija na frente de todo mundo. É só por um tempo, e eu sou tua, só tua, sempre. Me deixa fazer isso por nós? — falo, o tom fofo, as mãos subindo pros ombros dele enquanto olho nos olhos dele, o coração batendo rápido.
Ele fecha os olhos por um segundo, a respiração pesada enquanto aperta minha cintura, o ciúme lutando com o amor que eu vejo no rosto dele.
— Lari, eu… eu não gosto de imaginar tu lá, sabe? Os caras te tocando, te olhando. Meu coração aperta só de pensar — diz, o tom baixo, o ciuminho bobo aparecendo, mas abre os olhos, me encarando com aquele brilho que me derrete. — Mas se é por nós, se tu quer tanto assim, eu… posso te apoiar nisso? — pergunta, o tom hesitante, pedindo permissão como sempre, e eu rio baixo, o som quente enchendo o espaço entre a gente.
— Pode, amor. Pode me apoiar, sim. É teu presente, Thiago. Eu vou lá, junto a grana, e volto pra ti toda noite, pra te abraçar, pra te beijar, pra ser tua noiva. Tu me ama mesmo assim, né? — falo, o tom romântico, beijando o canto da boca dele enquanto sinto o tremor nas mãos dele.
Ele me puxa pro colo dele, os braços me envolvendo forte enquanto encosta a testa na minha de novo, o rosto vermelho mas o sorriso tímido voltando, quente e cheio de amor.
— Te amo mesmo assim, Lari. Te amo mais que tudo. Se tu quer fazer isso por nós, eu te apoio, meu amor. Mas volta pra mim toda noite, hein? E me deixa te abraçar assim, te cuidar, mesmo com… tudo isso — diz, o tom suave, o ciúme quieto agora, só o amor brilhando nos olhos castanhos dele.
Eu rio baixo, os braços no pescoço dele enquanto beijo ele de leve, o calor dele me envolvendo como um cobertor.
— Volto, Thiago. Toda noite, só pra ti. E tu vai me ver de branco, amor, te prometo. Vai ser o dia mais lindo do mundo — falo, o tom fofo, o sonho do casamento brilhando entre a gente enquanto ele me aperta mais, o respeito dele me segurando como sempre.
— O dia mais lindo, Lari. Com tu de noiva, eu de bobo te esperando — diz, rindo baixo enquanto me beija a testa, o amor dele me envolvendo enquanto o peso do beco fica mais leve, transformado num presente romântico que a gente vai construir juntos.
O Jantar com Kelly (Continuação)
O colchão tá quente onde Thiago me abraça, os braços dele ainda apertados na minha cintura enquanto o ventilador zumbe no canto, o som abafando o barulho da rua lá fora. O beijo dele na minha testa ainda tá fresco na minha pele, o amor dele me envolvendo como uma promessa enquanto penso na conversa que a gente acabou de ter, no jeito que ele me apoiou, mesmo com o ciúme brilhando nos olhos castanhos dele. O relógio marca 20:52, e eu levanto do colo dele, o short largo subindo nas coxas enquanto pego o celular na mesa, o coração batendo rápido com uma ideia que surge de repente.
— Amor, que tal a gente convidar a Kelly pra jantar aqui amanhã? — falo, o tom leve enquanto viro pra ele, o cabelo preto caindo no rosto. — Ela é a amiga que me falou do trabalho, sabe? Acho que tu ia gostar de conhecer ela.
Thiago franze o cenho, o ciuminho bobo aparecendo na ruga entre as sobrancelhas, mas ri baixo, esfregando a nuca enquanto me encara.
— A Kelly? A que te levou pro… beco? Tá, Lari, se tu quer, eu topo. Mas ela é de confiança, né? — pergunta, o tom hesitante, o respeito dele firme mesmo com a preocupação que eu vejo no rosto dele.
Eu sorrio, sentando no colchão de novo enquanto pego a mão dele, o calor dele me acalmando.
— É, amor, ela é um amor. Foi fofa comigo, me ajudou a pensar em como te contar tudo. Tu vai ver, ela é legal. E eu quero que tu conheça ela, pra gente fazer isso junto — falo, o tom fofo, e ele assente devagar, o sorriso tímido voltando enquanto aperta minha mão.
— Tá bom, meu amor. Convida ela, então. Vamos fazer um jantar simples, mas bonito pra ela — diz, e eu rio baixo, beijando o canto da boca dele antes de pegar o celular pra mandar a mensagem pra Kelly.
Larissa: "Oi, Kelly! Que tal jantar aqui em casa amanhã? Meu noivo quer te conhecer, e eu quero que tu venha. Pode ser às 19h?"
O "online" dela acende rápido, e o "digitando" aparece, me fazendo sorrir enquanto espero.
Kelly: "Ai, Lari, que fofura! Claro que eu vou, amor! Teu príncipe quer me conhecer? Tô honrada, hein. Às 19h tá perfeito. Beijo, querida!"
O dia seguinte passa rápido, o sol se pondo atrás dos prédios enquanto eu mexo o arroz na panela pequena, o cheiro de alho e cebola enchendo o apartamento. Thiago tá na pia, cortando tomate pra um molho simples com a faca cega que a gente tem, a camiseta cinza limpa agora, o cabelo preto curto penteado pra trás com cuidado. Eu fiz um bolo de milho com o restinho de fubá que tinha no armário, e o cheiro doce tá misturado com o salgado da comida, deixando o lugar com cara de casa de verdade. O relógio marca 18:57 quando a campainha toca, um som rouco que ecoa no corredor, e eu corro pra abrir, o coração batendo rápido.
Kelly tá na porta, o cabelo loiro solto agora, caindo nos ombros, o short jeans trocado por uma calça preta justa, o top rosa coberto por uma blusa leve de manga. Ela sorri largo, os olhos castanhos brilhando enquanto me puxa pra um abraço.
— Oi, Lari! Ai, que cheiro bom tá aqui, hein, querida — diz, o tom fofo enquanto entra, os tênis gastos batendo no chão.
Thiago aparece atrás de mim, as mãos nos bolsos da calça jeans, o rosto vermelho de leve enquanto aceno pra ela.
— Oi, Kelly. Bem-vinda. Eu sou o Thiago — diz, o tom grave e tímido, e ela ri baixo, estendendo a mão pra ele com um sorriso aberto.
— Ai, o famoso Thiago! Prazer, lindo. A Lari fala tanto de ti que eu já te conheço — brinca, o tom acolhedor, e ele aperta a mão dela, rindo nervoso enquanto coça a nuca.
— Espero que ela fale bem, então — diz, e eu rio, puxando os dois pra mesa de fórmica onde os pratos já tão postos, o arroz, o molho e o bolo de milho arrumados com cuidado.
A gente senta, o barulho das cadeiras rangendo no chão enquanto eu sirvo o arroz, o vapor subindo da panela. Kelly pega o prato com um "ai, que delícia, Lari", e Thiago me olha, o sorriso tímido brilhando enquanto começa a comer, o silêncio confortável enchendo o ar por um momento.
— Então, Kelly, a Lari disse que tu ajudou ela com essa ideia do trabalho — fala Thiago, o tom hesitante enquanto corta um pedaço de tomate, o ciuminho aparecendo no jeito que ele aperta o garfo.
Kelly assente, o sorriso suavizando enquanto dá uma garfada no arroz, os olhos castanhos indo dele pra mim.
— Ajudei, sim, Thiago. Tua noiva é um amor, sabia? Ela quer tanto esse casamento que me pediu pra mostrar o caminho. O trabalho na rua não é fácil, mas é rápido pra juntar grana. Eu cuido dela lá, prometo — diz, o tom fofo, mas com um fundo firme que me faz engolir em seco.
Eu pego a mão do Thiago por baixo da mesa, apertando enquanto sorrio pra ele, o calor dele me segurando.
— É, amor. A Kelly é minha guia nisso. Eu te falei, né? É por nós — falo, o tom doce, e ele assente, o rosto vermelho enquanto olha pra Kelly.
— Eu sei, Lari. Tô apoiando ela, Kelly. Mas… como é lá? De verdade? — pergunta, o tom baixo, o ciúme lutando com o respeito enquanto ele me encara, e Kelly ri baixo, colocando o garfo no prato.
— De verdade, Thiago? Tá bom, eu conto. É pesado, lindo. Os becos fedem, o chão é sujo, e os caras… nem todos são flores. Tem uns que pagam R$ 50 e vão embora quietos, mas outros xingam ‘puta’, ‘vadia’, puxam cabelo, cospem na cara. Já levei tapa que ficou roxo, já ouvi coisa que não repito nem aqui — diz, o tom ainda fofo, mas as verdades saindo cruas, e eu sinto o Thiago apertar minha mão com mais força, o rosto dele ficando vermelho como nunca vi.
— Caralho, Kelly… e tu quer a Lari nisso? — pergunta, a voz tremendo de leve, o ciúme escorrendo, mas ele respira fundo, o respeito dele segurando ele ali.
Kelly inclina a cabeça, os olhos castanhos brilhando enquanto pega um pedaço de bolo, o tom suavizando de novo.
— Quero, Thiago, porque ela quer. É por vocês, lindo. Ela me disse que te ama tanto que vai lá, enfrenta isso, e volta pra ti com o dinheiro do casamento. Tu tem uma noiva que é um tesouro, sabia? Ela vai fazer isso por amor, e eu vou estar do lado dela pra ninguém machucar ela demais — diz, o tom acolhedor, e eu sinto o peito apertar, o olhar do Thiago indo pra mim, quente e cheio de emoção.
— É verdade, amor. É meu presente pra ti. Eu volto toda noite, te abraço, e a gente casa do jeito que tu sonha — falo, o tom fofo enquanto levanto a mão dele pra beijar os dedos dele, os calos roçando meus lábios.
Ele respira fundo, os olhos castanhos brilhando enquanto me puxa pra perto, o braço na minha cintura mesmo com a Kelly ali.
— Tá, Lari. Se tu quer, eu te apoio. Mas, Kelly, cuida dela mesmo, hein? Ela é tudo pra mim — diz, o tom grave, o ciúme quieto agora, só o amor ficando no ar, e Kelly ri baixo, batendo palmas de leve.
— Prometo, Thiago! A Lari é minha queridinha agora. Vamos fazer esse casamento ser lindo, vocês dois de branco, eu na plateia chorando que nem boba — diz, o tom encantado, e a gente ri junto, o som quente enchendo o apartamento enquanto o bolo de milho some dos pratos, as verdades duras de Kelly misturadas com o amor que brilha entre mim e o Thiago.
A Última Noite Intacta (Continuação)
O prato de bolo de milho tá quase vazio na mesa de fórmica, as migalhas espalhadas enquanto o ventilador zumbe no canto, o ar quente do apartamento misturado com o cheiro de alho e fubá. Thiago tá ao meu lado, o braço ainda na minha cintura, o calor dele me envolvendo enquanto Kelly pega o último pedaço de bolo, o sorriso fofo dela brilhando na luz fraca da lâmpada pendurada no teto. O jantar tá leve, o som das nossas risadas ecoando no espaço pequeno, mas eu sinto um peso no ar quando Kelly limpa os dedos na calça preta justa e me encara, os olhos castanhos dela com um brilho diferente agora, mais sério, mesmo com o tom acolhedor de sempre.
— Ai, Lari, esse bolo tá divino, hein, querida. Tu vai ser uma noiva que cozinha bem pro teu príncipe — diz, o tom fofo enquanto dá uma mordida, mas logo coloca o prato na mesa, inclinando a cabeça enquanto olha pra mim e pro Thiago. — Mas, olha, eu tenho que falar umas coisas pra vocês, tá? Coisas de amiga, pra preparar vocês dois.
Thiago franze o cenho, o ciuminho bobo aparecendo na ruga entre as sobrancelhas enquanto aperta minha cintura de leve, o rosto vermelho de curiosidade e um toque de preocupação.
— Coisas? Que coisas, Kelly? — pergunta, o tom grave e hesitante, e eu pego a mão dele por baixo da mesa, os calos dele roçando minha palma enquanto olho pra Kelly, o coração batendo mais rápido.
— É, Kelly, fala aí — digo, o tom suave, tentando manter a leveza, mas sentindo o peso que vem com as palavras dela.
Ela respira fundo, o sorriso suavizando enquanto cruza os braços, os olhos castanhos indo de mim pro Thiago com um carinho que me acalma e me assusta ao mesmo tempo.
— Tá bom, meus queridos. Lari, tu vai pro beco comigo, e eu te juro que vou cuidar de ti como se tu fosse minha irmãzinha. Mas esse trabalho… ele muda a gente, amor. Não só por fora, mas por dentro, e até nas partes mais íntimas. Eu preciso que vocês saibam disso, porque é verdade — diz, o tom fofo, mas as palavras caindo pesadas como pedras entre a gente.
Eu engulo em seco, o calor subindo pelo pescoço enquanto aperto a mão do Thiago, os olhos dele arregalados me encarando antes de voltar pra Kelly.
— Muda como, Kelly? O que tu quer dizer com ‘partes íntimas’? — pergunta ele, a voz tremendo de leve, o ciúme lutando com o respeito que eu conheço tão bem, e eu sinto o peito apertar, o medo do que ela vai dizer me pegando desprevenida.
Kelly ri baixo, o som quente mas com um fundo de realidade que corta o ar.
— Calma, Thiago, deixa eu explicar direitinho, tá? Lari, teu corpinho vai sentir o tranco, amor. Os caras no beco não são gentis como teu príncipe aqui. Eles puxam, apertam, às vezes machucam. Tua pele vai ficar marcada, tua bunda pode levar tapa até ficar roxa, e lá embaixo… bom, querida, tua buceta vai mudar. Fica mais usada, mais larga, às vezes até dói no começo. É o preço da grana rápida — diz, o tom ainda fofo, mas cru, as verdades saindo sem filtro enquanto ela me encara com carinho.
Thiago fica vermelho na hora, o rosto quente enquanto solta minha mão e esfrega a nuca, o ciúme brilhando nos olhos castanhos dele, mas ele respira fundo, segurando a onda como sempre.
— Caralho, Kelly… tu tá dizendo que a Lari vai voltar… diferente? Machucada? — pergunta, o tom baixo, a voz falhando enquanto me olha, o amor dele misturado com um desespero que eu sinto no peito dele contra o meu.
Eu pego o rosto dele com as mãos, os dedos tremendo enquanto viro ele pra mim, os olhos castanhos dele brilhando com emoção.
— Amor, escuta. É por nós, tá? Eu te amo tanto que eu aguento isso. Volto pra ti toda noite, mesmo que mude um pouco. Tu me ama do mesmo jeito, né? — falo, o tom doce, tentando trazer ele de volta pro nosso momento romântico, e ele assente devagar, o calor das mãos dele subindo pras minhas coxas.
Kelly sorri, batendo palmas de leve enquanto nos olha, o tom fofo voltando mais forte.
— Ai, vocês são tão lindos, hein! Thiago, ela é tua, só tua, mesmo com o beco. Mas eu tenho uma ideia, tá? Hoje é a última noite da Lari como ela é agora, toda intacta, toda tua. Faz amor com ela, lindo. Olha bem como ela é, guarda ela na memória, porque coisas vão mudar. É um presente pra vocês dois antes do trabalho começar — diz, o tom acolhedor, os olhos brilhando enquanto aponta pra mim e pro Thiago.
Eu coro, o rosto quente enquanto olho pro Thiago, o coração batendo rápido com a ideia dela, e ele pisca, o rosto vermelho como nunca vi, o ciúme lutando com o desejo que eu vejo nos olhos dele.
— Última noite? Kelly, tu tá falando sério? — pergunta, o tom hesitante, e ela assente, levantando da cadeira com um sorriso largo.
— Sério, Thiago! Aproveita tua noiva hoje, amor. Olha cada pedacinho dela, beija ela toda, faz ela se sentir a mulher mais amada do mundo. Porque amanhã ela vai pro beco comigo, e o corpo dela vai carregar o peso disso. É fofo, né? Um momento só de vocês antes do nosso plano pro casamento — diz, o tom encantado, e eu sinto o calor descendo pelo corpo, o olhar do Thiago me queimando enquanto ele aperta minhas coxas.
— Tá, Kelly… se a Lari quer, eu quero — fala ele, o tom grave e quente enquanto me encara, o respeito dele firme mesmo com o ciúme que eu sei que tá ali. — Tu tá certa nisso, Lari? Quer isso hoje? — pergunta, pedindo permissão como sempre, e eu rio baixo, o som abafado enquanto subo no colo dele, os braços no pescoço dele.
— Quero, amor. Quero te dar essa noite, pra tu me ver como eu sou agora, antes de tudo. Me ama hoje, Thiago, me guarda em ti — falo, o tom doce, os olhos nos dele enquanto sinto o calor dele subindo contra mim.
Ele me puxa mais pra perto, as mãos grandes nos meus quadris enquanto encosta a testa na minha, o rosto vermelho mas os olhos castanhos brilhando com amor e desejo.
— Tá bom, meu amor. Hoje é nosso, Lari. Vou te amar tanto que tu vai sentir só eu, mesmo depois de tudo — diz, o tom grave e quente, e eu sorrio, beijando ele devagar, o calor dos lábios dele me envolvendo enquanto Kelly ri baixo, pegando a bolsa na cadeira.
— Ai, que lindo, vocês dois! Vou deixar vocês aproveitarem, tá? Lari, te vejo amanhã no beco, às 19h. Descansa, querida, e deixa teu príncipe te mimar hoje — diz, o tom fofo enquanto caminha pra porta, o som dos tênis dela ecoando no chão.
— Tá, Kelly. Obrigada por tudo — falo, o tom suave enquanto olho pra ela, e ela pisca, o sorriso largo brilhando antes de sair, a porta fechando com um clique leve.
O apartamento fica em silêncio, só o zumbido do ventilador e a respiração do Thiago contra a minha, o calor dele me segurando enquanto ele me levanta do colo, me carregando pro colchão no chão com aquele cuidado que eu amo.
— Vem, Lari. Hoje é só nós, meu amor. Tu é minha, toda minha, antes de qualquer coisa — diz, o tom quente enquanto me deita no colchão, o corpo dele sobre o meu, os olhos castanhos me estudando como se quisesse gravar cada pedaço de mim.
Eu rio baixo, os braços no pescoço dele enquanto puxo ele pra mim, o beijo dele mais fundo agora, o amor dele me envolvendo como um cobertor quente.
— Só tua, Thiago. Hoje e sempre — falo, o tom doce, e a gente se perde um no outro, o calor dos corpos, o toque das mãos, o som abafado dos gemidos enchendo o apartamento, a última noite intacta se transformando num presente que eu guardo no peito, mesmo sabendo o que vem amanhã.
A Primeira Noite no Beco
O céu tá escuro quando eu saio do apartamento, o relógio no celular marcando 18:45, o vento fresco da noite levantando o cabelo preto da minha nuca enquanto caminho pras ruas tortas do bairro. O short largo foi trocado por um jeans velho, a camiseta folgada por um top simples que eu achei no fundo da gaveta, o corpo que eu sempre escondi agora mais exposto, o coração batendo rápido no peito enquanto penso no Thiago, no beijo dele de despedida, no "volta pra mim, Lari" que ele sussurrou antes de eu sair. O peso do que eu vou fazer me sufoca, mas o sonho do casamento, do vestido branco, me empurra pra frente, pro beco onde Kelly me espera.
Chego na esquina do mercado velho às 19:02, o poste torto piscando acima do beco, o cheiro de esgoto subindo forte enquanto vejo Kelly encostada no muro, o cabelo loiro preso num rabo de cavalo, o short jeans curto e o top rosa brilhando na luz fraca. Ela acena, o sorriso fofo aparecendo na hora enquanto vem até mim, me puxando pra um abraço rápido.
— Oi, Lari! Ai, tu veio mesmo, querida! Tá linda, hein, pronta pro teu primeiro dia — diz, o tom acolhedor enquanto me estuda, os olhos castanhos brilhando com um misto de carinho e animação.
Eu coro, o rosto quente enquanto cruzo os braços, o jeans apertando as coxas.
— Tô nervosa pra caralho, Kelly. Não sei se consigo — falo, o tom baixo, e ela ri baixo, colocando a mão no meu ombro enquanto me guia pro beco.
— Tu consegue, amor. Eu tô aqui contigo, lembra? Vamos devagar, só um cliente pra começar. Pensa no Thiago, no vestido, na festa — diz, o tom fofo me puxando como sempre, e eu assinto, o peso do sonho me segurando enquanto entro no beco, o chão molhado chapinhando sob os meus tênis.
Tati tá lá, encostada no muro com um cigarro na mão, e aceno pra ela, o sorriso torto dela aparecendo enquanto sopra a fumaça.
— A noiva chegou, hein? Boa sorte, Lari. Primeiro cara é o pior, mas passa rápido — diz, o tom rouco, e eu engulo em seco, o coração na garganta enquanto Kelly me leva pro meu canto, o espaço sujo que ela me mostrou ontem.
— Aqui, Lari. Fica de olho na esquina. Quando o carro parar, tu vai até ele, combina o preço, e traz pra cá. R$ 50 pra começar, tá? Eu fico perto, qualquer coisa tu grita — diz, o tom firme agora, e eu assinto, o nervosismo subindo pelo peito enquanto olho pra rua, o barulho de um motor se aproximando.
Um carro velho, um Gol cinza com a pintura descascada, para na esquina, o vidro abaixando devagar enquanto um cara de uns 40 anos, barba rala e camisa amassada, me encara. Kelly me dá um empurrãozinho, o sorriso dela me incentivando.
— Vai, Lari. É teu primeiro. Tu consegue — sussurra, e eu respiro fundo, o coração batendo rápido enquanto caminho até o carro, os olhos dele me queimando enquanto tento sorrir, o rosto quente.
— Oi… quanto tu quer? — falo, o tom trêmulo, e ele ri baixo, o som rouco me arrepiando a espinha.
— R$ 50 tá bom, gatinha. Rápido, no beco. Vem — diz, o tom seco, e eu assinto, o estômago revirando enquanto abro a porta, ele saindo do carro e me seguindo pro meu canto, o cheiro de cigarro e suor dele me acertando enquanto Kelly me observa de longe.
No beco, ele me encosta no muro, as mãos grandes subindo pelo meu top enquanto respiro fundo, o peso do que eu tô fazendo me sufocando.
— Abre as pernas, vadia. Rápido — murmura, o tom rude, e eu engulo em seco, os olhos no chão enquanto obedeço, o jeans descendo pelas coxas, o toque dele áspero contra minha pele. É rápido, como Kelly disse, mas cada segundo pesa, o grunhido dele no meu ouvido, o tapa na minha bunda que arde, o cuspe que ele joga no chão antes de puxar a calça pra cima.
— Boa, gatinha. Toma teus R$ 50 — diz, jogando duas notas amassadas no chão enquanto volta pro carro, o motor ronhando enquanto ele some na esquina. Eu pego o dinheiro, as mãos tremendo enquanto subo o jeans, o calor da humilhação subindo pelo peito, as lágrimas queimando nos olhos.
Kelly corre até mim, o sorriso fofo voltando enquanto me abraça, o calor dela me segurando.
— Ai, Lari, tu conseguiu, amor! Primeiro cliente, R$ 50 no bolso! Tá vendo? Vai dar tudo certo — diz, o tom acolhedor, e eu assinto, o choro preso na garganta enquanto olho pras notas na mão, o peso do Thiago me chamando pra casa.
— Tá, Kelly… mas é pesado pra caralho — falo, o tom baixo, e ela aperta meu ombro, os olhos castanhos me encarando com carinho.
— Eu sei, querida. Mas tu é forte. Mais uns clientes hoje, e tu já junta teus R$ 300. Pensa no Thiago, no vestido. Tu quer continuar? — pergunta, e eu respiro fundo, o sonho do casamento brilhando na minha cabeça enquanto o ardor na bunda me lembra onde eu tô.
— Quero, Kelly. Por ele — falo, o tom firme apesar das lágrimas, e ela sorri, me puxando pra esquina de novo, o próximo carro já parando na rua.
O Vestido Branco
As noites no beco viram semanas, o cheiro de esgoto, os tapas, os xingamentos virando parte de mim enquanto o dinheiro cresce no caderno, as notas amassadas se acumulando numa lata velha que eu escondo debaixo do colchão. Thiago me espera toda noite, o abraço dele mais forte a cada volta, o respeito dele firme mesmo com as marcas que começam a aparecer — roxos nas coxas, arranhões nos braços, o cansaço nos olhos que eu tento esconder com um sorriso. Ele não pergunta muito, só me beija, me ama, me guarda como prometeu naquela última noite intacta, e eu sinto o amor dele me segurando enquanto o peso do beco me muda por dentro.
Depois de 18 noites, o total no caderno chega a R$ 5.400, mais que o suficiente pro vestido, pro bolo, pro salão. Eu paro, o corpo marcado mas o coração cheio enquanto abraço a Kelly no beco pela última vez, as lágrimas escorrendo livres agora.
— Consegui, Kelly. O casamento tá pago. Obrigada por tudo — falo, o tom rouco, e ela me abraça forte, o sorriso fofo brilhando na luz fraca.
— Ai, Lari, eu sabia que tu ia conseguir, amor! Teu príncipe vai te ver de branco, e eu vou chorar que nem boba na festa. Tu é incrível, sabia? — diz, o tom acolhedor, e eu rio baixo, o som abafado enquanto me despeço da Tati, da Jéssica, do beco que me deu o sonho e me tirou tanto.
O dia do casamento chega rápido, o sol brilhando alto enquanto eu coloco o vestido simples que comprei na loja de usados, o branco liso caindo leve no meu corpo magro, as curvas que eu escondia agora marcadas pelas semanas no beco. O salão comunitário tá cheio, as mesas com pão com mortadela e guaraná de garrafa, o bolo de três andares no canto, a tia da igreja sorrindo enquanto corta os pedaços. Kelly tá na plateia, o cabelo loiro solto, os olhos marejados enquanto aceno pra ela, o sorriso fofo dela me aquecendo.
Thiago me espera no altar improvisado, a camisa branca emprestada um pouco apertada nos ombros, o cabelo preto penteado pra trás, o sorriso tímido brilhando enquanto me vê entrar. Eu caminho até ele, o coração batendo rápido, o peso do beco ficando pra trás com cada passo, o amor dele me puxando como um farol. Ele pega minha mão, os calos dele roçando minha pele, e me encara, os olhos castanhos brilhando com lágrimas que ele tenta esconder.
— Tu tá linda, Lari. Meu amor, minha noiva — sussurra, o tom grave e quente, e eu rio baixo, o som abafado enquanto encosto a testa na dele.
— Consegui, Thiago. Por nós — falo, o tom doce, e ele me beija, o calor dos lábios dele me envolvendo enquanto a plateia aplaude, o som das palmas misturado com os gritos de "viva os noivos".
A festa é simples, mas nossa, o pão com mortadela quente nas mãos, o guaraná gelado na garganta, o Thiago me puxando pra dançar no meio do salão, os braços dele me segurando enquanto rimos, o amor dele me envolvendo como sempre. Kelly se junta a nós, dançando com a Tati que apareceu de surpresa, o sorriso delas brilhando enquanto brindamos com copos plásticos, o sonho do casamento virando realidade no calor do bairro.
Naquela noite, de volta ao apartamento, o colchão no chão range enquanto Thiago me abraça, o vestido branco jogado num canto, o corpo marcado mas inteiro contra o dele.
— Valeu a pena, Lari? Tudo isso? — pergunta, o tom baixo, os olhos castanhos me estudando na luz fraca.
Eu sorrio, os dedos no cabelo dele enquanto beijo o canto da boca dele, o amor dele me segurando como um lar.
— Valeu, amor. Tu me vendo de branco, tu aqui comigo agora. Valeu cada segundo — falo, o tom doce, e ele me aperta mais, o calor dele me envolvendo enquanto o peso do beco vira só uma lembrança, o sonho do casamento se tornando o começo de algo maior, só nosso.
Não esqueça de avaliar o conto logo abaixo e também deixar um comentário! 💕 Acesse nosso Blog de contos autorais MegaContos.com