Redescobrindo a paixão nos trópicos

Um conto erótico de Kherr
Categoria: Gay
Contém 19938 palavras
Data: 04/04/2025 15:36:37

Não estava sendo um dos melhores anos da minha vida e, eu tinha a impressão de que jamais voltaria a ter algum tão feliz e repleto de paixão como os últimos oito que foram, sem dúvida, os mais esplendorosos que já vivi. A dor que a partida dele me deixou parecia não ter fim. Ele se foi sem que ao menos pudéssemos nos despedir. Quando saiu de casa naquela manhã para ir para o trabalho, tão parecida com tantas outras, eu não podia imaginar que aquele beijo carinhoso e aquela sua costumeira amassada lasciva nas minhas nádegas seriam tudo o que me restaria dele.

A notícia chegou poucas horas depois, através de uma ligação quando eu estava no trabalho debruçado sobre a prancheta desenvolvendo um projeto residencial para um cliente. Uma voz desconhecida no celular dele me informou sobre o acidente ocorrido no trajeto para a empresa dele.

- Senhor Blake!

- Sim, sou eu! Quem fala? Esse é o celular do meu parceiro, por que está me ligando dele?

- Exato! Sou o policial Gordon. Acabamos de identificar seu número no celular do Sr. Jeff Hudon e lamento informar que ele sofreu um acidente no cruzamento da Purchase com a Summer Street. – eu quase caí da cadeira ao ouvir essas palavras ditas de forma profissional e fria. – Senhor Blake! Senhor Blake, o senhor está me ouvindo?

- Sim! Como está o Jeff? Para qual hospital o levaram? – perguntei angustiado.

- Senhor Blake, não foi preciso levar o Senhor Jeff a nenhum hospital, ele faleceu antes dos paramédicos chegarem ao local. O corpo foi levado para o necrotério da cidade. – não vi mais nada diante dos meus olhos, eles simplesmente se apagaram como se minha própria vida houvesse se extinguido.

Havia uma porção de rostos conhecidos e aflitos ao meu redor quando acordei deitado no chão ao lado da minha prancheta, sem que eu soubesse o que fazia ali.

- Blake! Blake! O que aconteceu? Você está pálido, cara! Chamem uma ambulância, rápido! – disse meu colega dando tapinhas no meu rosto para me reanimar.

- O Jeff! O Jeff sofreu um acidente, disse o policial! O Jeff .... – não tive coragem de continuar, pois aquela dor no meu peito ia encrudescer ainda mais.

- Onde? Como? Que policial? Tente-se levantar Blake, acha que consegue? Eu te ajudo, apoie-se no meu ombro. – continuou meu colega.

- Eu preciso vê-lo! Tenho que ir ao necrotério! Onde estão as minhas coisas, as chaves do meu carro? Eu preciso ir! – balbuciava eu, confuso e atordoado.

- Você não pode ir a lugar algum nesse estado, Blake! Acalme-se! Conte-nos o que aconteceu, você precisa ficar calmo!

- O Jeff está morto, foi o que ele disse! O Jeff .... eu preciso ficar com ele! Ele está precisando de mim! – as palavras vinham numa enxurrada sem nexo.

- Minha nossa! O Jeff, morto? – indagou meu colega. – Eu vou com você, não pode ficar sozinho nessa hora.

Ainda não sei explicar, mesmo decorridos todos esses meses, como foi que consegui olhar para o rosto inerte do Jeff e para seu corpo sem vida dentro daquela gaveta metálica quando o legista me levou para confirmar a identidade dele. Algo dentro de mim parecia estar me anestesiando, me privando de qualquer emoção como para preservar minha própria existência. Só me lembro da expressão serena do Jeff, como a vi tantas vezes ao meu lado na cama quando ele estava dormindo, e de como precisei me agarrar ao braço do meu colega para não sucumbir.

No dia do funeral eu ainda não compreendia direito porque ele me foi tirado tão abruptamente e meu único pensamento era me deitar sobre o caixão deixando que me sepultassem junto dele, pois não havia mais nenhuma razão para eu continuar vivo. O que de mais precioso eu tinha nessa vida estava dentro daquele esquife.

- Blake, não temos mais como adiar as questões práticas das quais venho falando há meses com você. Eu preciso das tuas assinaturas num montão de papelada para que os negócios do Jeff continuem funcionando. Você precisa superar a perda dele! Todos nós dependemos disso, Blake! Consegue me entender? Sei o quanto vocês se amavam, mas essas questões práticas não podem mais esperar. – disse o Tyler, um amigo muito querido do Jeff e meu que era seu braço direito dentro das empresas e dos negócios que o Jeff administrava, atuando como um conselheiro financeiro. Ele e o Jeff cursaram juntos o curso de administração em Harvard e se tornaram amigos inseparáveis e confidentes.

- Eu não consigo, Tyler! Faça você o que for preciso! Você sempre cuidou dos assuntos dele, está mais preparado do que eu para tocar as coisas. – devolvi

- A coisa não funciona assim, Blake! O Jeff deixou tudo para você! Você é um homem rico, Blake, e precisa assumir os negócios de agora em diante; não só por você, mas por todos os funcionários que dependem deles. Está me entendendo, Blake? Você precisa, não é uma questão de querer ou não querer! – afirmou ele

- Eu não quero nada do Jeff, eu só o quero de volta! – exclamei, com as lágrimas rolando copiosas pelo rosto.

- Você sabe que isso é impossível, Blake! Por mais que me doa ter perdido meu melhor amigo, eu não posso deixar que tudo o que ele conquistou se perca, está me entendendo. Você e eu temos responsabilidades! Temos que honrar a confiança e o legado que ele nos deixou! – argumentava o Tyler, sensato como sempre.

- Deixe que os pais dele assumam os negócios! Eu não preciso do dinheiro dele, tenho minha vida profissional muito bem consolidada e uma excelente posição financeira, esse dinheiro não vai me fazer falta! – retruquei.

- A questão não é essa, Blake! Você bem sabe que os pais do Jeff são pessoas ricas e que ele nunca quis que eles participassem dos negócios dele. O relacionamento deles nunca foi bom, por isso ele expressou inúmeras vezes que não os queria por perto. Ele só pensava em você e por isso deixou tudo nas suas mãos sabendo que cuidaria de tudo caso um dia ele faltasse, como de fato e, infelizmente, aconteceu.

- Eu nem sei exatamente quais eram os negócios do Jeff! Nunca falávamos sobre isso! Nosso relacionamento era regido pela paixão, pelo amor, não pelos negócios. Nunca fui um administrador como ele, nem sei como se faz isso, Tyler. Vou pôr tudo a perder. – ponderei.

- Não vai, não! Eu estarei sempre ao seu lado como fiz com o Jeff! Tudo vai dar certo, confie em mim e faça o que tem que ser feito, pelo amor de Deus, Blake!

Foram meses difíceis, eu caía no choro cada vez que precisava assinar algum documento, cada vez que uma nova demanda exigia minha presença ou posicionamento e, não fosse o apoio incondicional do Tyler jamais teria sobrevivido aquilo tudo.

- Está na hora de você voltar à vida, Blake! O Jeff ia querer isso, você bem sabe. Ele só queria a sua felicidade e é isso que você precisa procurar. Tire umas férias, faça uma viagem como vocês costumavam fazer. Ele sempre voltava dessas viagens cheio de energia, entusiasmo e com novas ideias que, segundo ele, era você quem inspirava. Faça o mesmo, se inspire nele! – aconselhou o Tyler.

- Como me inspirar nele se ele já não está mais ao meu lado? Uma viagem sem ele seria uma tortura, nada além disso! – afirmei

- Não é bem assim! Você é jovem demais para ter esse tipo de pensamento. Vá viver sua vida! Aposto que no primeiro dia de uma viagem dessas não faltarão cantadas de caras te desejando. O Jeff não era ciumento à toa, ele sempre soube como os caras te cobiçavam e, a maior satisfação dele era constatar que você nunca se interessava por elas, que o único homem que te satisfazia era ele, tanto que não parava de se vangloriar do quanto você o amava e o quanto era carinhoso com ele. – eu o ouvia, mas suas palavras continuavam a não fazer sentido. – Além do mais, você precisa cuidar de um assunto pessoalmente, eu já adiei essa questão por tempo demais, você precisa dar uma resposta aos acionistas que têm participação num complexo de resorts que o Jeff tem na República Dominicana. Eles esperam um posicionamento seu para algumas mudanças que precisam ser implementadas por lá e já não tenho mais argumentos para controlar o questionamento dos acionistas. – avisou ele

- República Dominicana? Você só pode estar brincando comigo, Tyler! Você quer me despachar para a República Dominicana, fala sério! Eu nem sei onde isso fica exatamente, o que vou fazer por lá? – perguntei perplexo.

- Vai cuidar do que seu marido te deixou! Ele tinha um apreço especial por aquele complexo de resorts, sempre quis te levar para lá numa espécie de lua-de-mel da qual não parava de falar. Mas ele vivia tão ocupado que ele mesmo só visitou o lugar quando ainda estava em construção e, se não me engano, isso foi há cinco ou seis anos.

- Sim, eu me lembro! Ele quis me levar junto, mas foi quando meu pai teve aquele infarto e eu não pude acompanhá-lo.

- Exatamente! Agora chegou a hora! Vá lá e resolva o que tiver que ser resolvido!

- Você não vem comigo? Não sei fazer nada sem você? Não pode me abandonar numa hora dessas!

- Não seja dramático, não estou te abandonando, e não posso sair daqui por enquanto, há muita coisa para ser resolvida e, como você bem sabe, a gravidez da Lauren está nos deixando apreensivos. Não posso deixá-la sozinha nesse momento! – retrucou ele

- Eu sei, me desculpe por ser tão egoísta! Como ela está? Para quando é o bebê?

- Em teoria para o próximo mês, mas durante a última consulta com o ginecologista soubemos que pode acontecer antes, pois a pressão dela não se estabiliza e isso tem sido um motivo de preocupação tanto dele quanto nossa. – esclareceu ele

- Entendo! Vai dar tudo certo, fique ao lado dela! Estou torcendo por vocês!

- Sabemos disso, e esse foi o motivo pelo qual te escolhemos como padrinho do bebê. Agora trate de se preparar para essa viagem, eu estarei aqui para te dar apoio no que for preciso. Encare essa missão como umas férias merecidas e não apenas como negócios. – argumentou ele.

Eu me recordava vagamente de alguns comentários do Jeff sobre o complexo de resorts que a empresa dele ergueu na República Dominicana com financiamento de alguns acionistas minoritários. Também me lembro de como falava das belezas naturais do lugar, das praias, do pôr do sol único e fascinante, das noites de luar que iluminavam as areias brancas e quentes onde ele prometeu entrar no meu cuzinho até eu pedir arrego e deixar seu esperma formigando dentro dele enquanto me mantinha junto ao seu corpo. Promessas que nunca pode cumprir, promessas com as quais eu agora só podia sonhar e que aumentariam a dor da ausência dele.

O jatinho que o Tyler havia fretado pousou no aeroporto de Santo Domingo quatro horas depois de decolar. O diretor-geral do complexo de resorts, Sam Marcheschi, me aguardava sorridente no saguão de desembarque privado da aviação executiva. Eu o conhecia de nome, dos relatos elogiosos que o Jeff fazia dele exaltando suas habilidades como administrador e grande responsável pelo sucesso turístico dos resorts. Eles haviam trabalhado juntos numa das empresas do Jeff antes de ele o promover e lhe oferecer o cargo na República Dominicana. Sam era um sujeito baixinho e atarracado na faixa dos sessenta anos, uma barba grisalha contornando seu rosto rechonchudo e uma careca no topo da cabeça lhe davam um ar mais velho que se contrapunha à energia jovial de suas atitudes.

- Você se parece muito com a descrição que o Jeff fazia de você! – exclamou, ao apertar minha mão. – Quero manifestar meus sentimentos por sua perda! Nós também a sentimos apesar da distância e do pouco contato que tínhamos com o Jeff. Um homem extraordinário, de visão, e muito generoso. – afirmou, parando abruptamente quando notou que minha expressão mudara e que eu fazia um esforço enorme para não chorar diante dele. Eu apenas acenei com a cabeça concordando quando ele me puxou pelo braço e seguiu rumo ao estacionamento.

Ele me acomodou numa das suítes mais privativas do resort, no mesmo edifício onde também se localizava seu escritório. O cenário que se descortinava diante da varanda com vista para uma praia exclusiva era de perder o fôlego. Eu estivera poucas vezes em países de clima tropical e toda aquela luminosidade, o mar em tons esverdeados e de um azul translúcido era uma imagem que só tinha visto em fotografias.

O Sam havia me apresentado uma parte do edifício central do resort, algumas comodidades próximas e, ao me deixar na suíte, sugeriu que eu me refizesse da viagem e agendou uma reunião para as dezesseis horas daquela tarde para me apresentar ao staff de gerentes.

- Mando lhe avisar, se esse horário estiver adequado para você. É um prazer tê-lo conosco, Blake! – exclamou ao se despedir.

- Obrigado Sam! Estarei à sua disposição nesse horário!

Quando ele se foi, fiquei olhando para aquelas paredes de um luxo despojado bem ao estilo do gosto do Jeff e da nossa casa onde ele dizia estar tudo de que gostava, seus jogos de videogame, seus quadros adquiridos durante as viagens e, principalmente, a pessoa que ele mais amava, eu. Uma pontada varou meu peito, me pus a chorar e nunca desejei algo com tanto fervor quanto ele comigo ali naquele quarto contemplando aquela paisagem deitado no meu colo enquanto eu afagava sua cabeleira, algo que ele sempre gostou e que o fazia mergulhar numa paz serena. Eu nunca mais ia sentir a maciez daquela cabeleira, olhar para aquele rosto viril onde dois olhos castanhos claros me encaravam cheios de paixão, sentir seu coração pulsando sob a minha mão quando estivesse acariciando seu tórax largo e másculo. Não fiz outra coisa durante quase duas horas do que chorar copiosamente deitado sozinho na cama larga e fofa, onde ele certamente estaria me comendo feito um touro sedento com o pauzão atolado até o talo no meu cuzinho apertado se estivesse ali comigo.

Fui até a área social do resort para fazer uma refeição leve, já que estava sem fome, e depois, fiz uma caminhada ao longo da praia defronte do complexo de piscinas. Havia poucas pessoas na praia apesar do dia ensolarado, da brisa constante do mar e da temperatura amena, o que só indicava a exclusividade do ambiente que era destinado a poucos privilegiados que podiam bancar todo aquele luxo e comodidades. De quando em quando uma onda que se desfazia na areia cobria meus pés com a água transparente e morna. Aos poucos, fui adentrando e deixando a água chegar na altura dos joelhos, a tentação de mergulhar de vez aumentava a cada marola que me atingia. Eu usava um short curto com fendas laterais, não era o ideal para um banho de mar, mas quem se importava com um detalhe tão insignificante diante daquela imensidão toda? Caminhando em direção ao horizonte, acabei entrando numa vala mais profunda e, de um momento para o outro, o nível das ondas estava no meu peito me fazendo perder momentaneamente o equilíbrio. Enquanto procurava ficar novamente em pé, alguma coisa resvalou no meu pé provocando um ardor como se tivesse pisado em brasas. A dor me fez perder novamente o equilíbrio e precisei inspirar fundo e deixar a onda seguinte me encobrir completamente. Eu ainda estava agitando os braços quando cheguei à superfície para respirar e, repentinamente, senti que alguém me puxava para cima com força. Ao invés de conseguir firmar os pés no chão, estava sendo levado nos braços em direção à praia.

- O que pensa que está fazendo? Me coloque no chão! – protestei, quando me deparei com a cara de um sujeito enorme que me carregava junto ao tronco maciço como se eu fosse um boneco.

- Você estava se afogando! Fique calmo! – disse a voz grave que saiu da boca dele.

- Eu não estava me afogando! Sei nadar muito bem! Me coloque no chão agora mesmo! Apenas perdi o equilíbrio quando alguma coisa fisgou meu pé. – sentenciei

- Eu vi como se debatia desesperado! Deve ter pisado numa água-viva, sente-se aqui, deixe-me examinar seu pé! Foi isso mesmo, está cheio delas por aqui! – disse ele, ao me soltar na areia.

- Isso arde um bocado! – exclamei, sentindo como se minha pele estivesse pegando fogo.

- Afaste um pouco as pernas, vou urinar no seu pé! – retrucou ele, tirando um imenso cacetão cabeçudo de dentro da bermuda e o apontando na minha direção.

- Ficou doido, seu pervertido? Vire essa coisa monstruosa para longe de mim! – protestei indignado.

- O problema é seu, se quiser continuar sentindo dor e queimação! – retrucou ele, voltando a guardar o pauzão taurino na bermuda.

- Você deve ser um doente, um depravado, onde já se viu urinar sobre uma ferida? Isso só pode ser coisa de um pervertido querendo exibir esse pauzão enorme! – exclamei ofendido, enquanto me afastava do sujeito a passos largos.

- Não tenho culpa se tem a mente suja! Mal agradecido, sem educação! – berrou ele atrás de mim. – Sabia que esse gênio do cão não combina nem um pouco com essa bunda tesuda e sexy? – acrescentou, o que me fez rosnar de raiva.

O médico do resort lavou o local atingido com vinagre e me orientou a aplicar umas compressas de água fria pelas próximas horas e fez um comentário ligeiramente sarcástico sobre o mito de urinar sobre as queimaduras por águas-vivas.

- Eu sabia que aquele maluco não podia estar certo! Sujeitinho devasso! – murmurei com meus botões.

- O que disse?

- Nada! Nada, não! Só estou me lembrando de uma coisa. – devolvi ao médico.

Voltei ao quarto e fiquei aplicando as tais compressas até a hora da minha reunião com o Sam e os gerentes. Ele me apresentou a todos explicando seus cargos e funções, e eu tentei parecer o mais profissional possível. Esses encontros de negócios ainda me deixavam desconfortável e tenso, não sei como o Jeff lidava tão bem com isso.

- Estão todos aqui, então vamos começar a reunião. Este é o Sr. Blake, é o dono das empresas do Sr. Jeff agora que ele faleceu. Eu gostaria que cada um de vocês tomasse algumas horas nos próximos dias para mostrar a área que atuam e como a estão gerenciando. – dizia o Sam, enquanto parecia estar procurando por algo ou alguém. – Por que será que já não me espanto mais com as repetidas ausências do Jake nessas reuniões? – emendando a pergunta em voz baixa, embora eu pudesse constatar o quanto estava aborrecido com esse tal de Jake.

Eu estava terminando o café da manhã quando me deparei novamente com o sujeitinho pervertido da praia. Devia ser um hóspede pelos trajes sumários, bermuda e uma camiseta regata por onde músculos e mais músculos pareciam prestes a sair. Não fosse a expressão petulante naquele rosto com a barba por fazer até que ele era interessante.

- Ora, ora quem temos por aqui, o hóspede mauricinho que chegou à ilha num jatinho particular e que esqueceu os bons modos e a educação de onde veio! – exclamou ele quando veio ao meu encontro. – Como está o pé? Vejo que ainda está enfaixado! Estaria curado se tivesse me deixado mijar nessa preciosidade! – acrescentou irônico.

- Pois ainda bem que tenho o juízo e a decência que faltam em você! Para seu governo, é um mito que a urina sirva para essas queimaduras. Seu objetivo era tão somente exibir aquela coisa assustadoramente enorme só para se vangloriar, seu degenerado! – retruquei

- Gostou tanto assim dela para afirmar que é assustadoramente enorme tendo-a visto por uns breves segundos? – questionou, como risinho zombeteiro.

- Ah, vejo que já se conheceram! – exclamou o Sam que veio correndo ao nosso encontro. – Blake, quero lhe apresentar meu sobrinho Jake, nosso gerente administrativo e meu braço direito, é ele quem cuida de toda administração do complexo com seu staff. Jake, esse é o Blake, ex-parceiro e o novo dono do resort e de outras empresas do Jeff. É ele quem vai comandar tudo de agora em diante e está aqui para conhecer nosso trabalho. – concluiu o Sam, deixando a mim e ao Jake inibidos com a informação.

- Sim, tio, nos encontramos casualmente na praia ontem quando ele pisou numa água-viva! – disse o Jake. Agora bem menos arrogante por saber que eu era o dono de tudo aquilo e, portanto, seu empregador.

- Aplicou urina na queimadura? É o método mais eficaz de curar essas feridas! – exclamou de pronto o Sam.

- Eu não disse? – indagou o Jake, me encarando como se estivesse coberto de razão. – O pezinho dele é delicado demais para um tratamento tão radical e devasso, não é Blake? Posso te chamar de Blake, não é, ou vai exigir que o trate por Sr. Blake? – eu queria dar na cara daquele sujeitinho, minha mão coçava, mas que tipo de empresário eu seria se saísse estapeando meus funcionários? Só me restou rosnar.

- Volto a afirmar, segundo o médico é totalmente inapropriado aplicar urina sobre a queimadura de águas-vivas e, eu prefiro seguir as orientações ditadas pela ciência e não pela crendice popular! – exclamei com firmeza.

- Nem eu sabia dessa, ora vejam só, cada dia se aprende uma coisa nova mesmo na minha idade! – afirmou o Sam. – Onde esteve ontem quando convoquei a reunião para apresentar os gerentes ao Blake? Essas convocações são para serem cumpridas, não são um mero convite, Jake! – repreendeu o Sam.

- Estive cuidando de um assunto importante! – devolveu o Jake, com a mesma displicência que falava comigo. – Eu prefiro seguir as orientações da ciência, não as da crendice popular! – resmungou ele em tom baixo e sarcástico imitando minha voz.

- O que está resmungando aí? Você está sempre cuidando de assuntos importantes! Eu só me pergunto que assuntos são esses que te impedem de participar das reuniões gerenciais, você não compareceu a nenhuma delas nos últimos dois meses. – questionou o Sam, o que me fez perceber que aquele sobrinho tarado e pervertido devia ser uma pedra no sapato dele. – Arranje um tempo nessa sua agenda tão ocupada para mostrar o resort para o Blake, ele ainda não conhece nada por aqui! – ordenou.

Nos três dias seguintes os gerentes de cada área me mostraram como estavam atuando e me apresentaram formalmente aos seus comandados e, é claro, houve apenas uma exceção, Jake. Uma das áreas mais importantes do negócio ficou de fora da apresentação, e eu nem desconfiava de como ela era conduzida e o que exatamente ele administrava. Resolvi não deixar barato e fui ter uma conversa com o Sam que, imediatamente, o convocou para sua sala. Passou-se bem mais de uma hora e meia até ele dar as caras, o que deixou o Sam bufando de raiva e destinando sua secretária a sair a procura do relapso gerente administrativo.

- Ele é sempre assim? – perguntei, também irritado por estar ali esperando com o tio dele. – Fico me questionando como deve ser a área que ele administra, um caos eu presumo. – continuei.

- Não nego que seja o mais insubordinado dos meus gerentes, mas creia-me, no departamento dele tudo é muito bem organizado e extremamente eficiente.

- Trouxe-o para cá para que tenha como se sustentar e poder vigiá-lo de perto? – perguntei, imaginando que se tratava de um caso de nepotismo.

- Na verdade foi o próprio Jeff quem o contratou e o colocou nessa posição. – respondeu, me deixando surpreso

- O Jeff? Como assim, eles se conheciam?

- Pessoalmente pouco. O Jeff o conheceu quando esteve aqui durante as obras iniciais do resort, gostou das ideias dele e lhe propôs o emprego que, diga-se de passagem, ele rejeitou num primeiro momento, só voltando atrás quando o resort já estava funcionando e eles se falaram por vídeo-chamadas. Chegaram a ficar amigos nessas conversas à distância e, ao que parece, o Jeff confiava muito nele, tanto que me orientou a prepará-lo para ser o futuro diretor-geral do resort quando eu me aposentar. – revelou

- Mal posso acreditar que o Jeff, sempre tão zeloso, profissional e competente, tenha incumbido esse mulherengo tarado e irresponsável para um cargo tão vital. – devolvi, no exato instante em que o Jake adentrou a sala e ouviu meu comentário.

- Tecendo elogios a meu respeito, Sr. Blake? – indagou arrogante, me deixando desconcertado.

- Se esses elogios lhe servem, sim, estava me referindo ao senhor, Sr. Jake! – respondi, me impondo. O cínico riu.

- Por que ainda não apresentou seu departamento ao Blake? Eu dei ordens expressas nesse sentido a todos os gerentes e, o único que ainda não se manifestou foi você! – interveio o Sam irritado.

- Estive muito ocupado com assuntos mais importantes do que ciceronear um mauricinho mimado! – respondeu o Jake, sem se intimidar.

- Veja como fala, Jake! O Sr. Blake é o dono do resort e não vou admitir que ninguém aqui dentro se refira a ele em termos tão chulos. Peça desculpas agora mesmo, Jake, ou serei obrigado a tomar uma providência mais enérgica com você! Estou me cansando do seu descaso! – ameaçou o Sam.

- Se com isso está ameaçando me demitir, vá em frente, tio! – retrucou ele, deixando o tio constrangido.

- Você é um sujeitinho muito arrogante e não tem nenhum respeito pelo seu tio, um profissional muito capacitado que merece o respeito de seus subordinados. Eu mesmo me encarrego da sua demissão, Sr. Jake! Não devem faltar pessoas nesse staff muito mais capacitadas e comprometidas do que o senhor para ocupar o cargo de gerente administrativo. Está demitido, Sr. Blake! – sentenciei me impondo.

- Então adeus, Sr. Blake! Banque o “big boss” e seja feliz! – retrucou o desgraçado em tom jocoso.

- Cretino! Mal educado! É um prazer me livrar de você! – exclamei furioso e espumando de raiva.

- Jake, volte aqui! – ordenou o Sam, se impondo.

- O que é agora, tio? Não sou mais seu funcionário, acabo de ser despedido, não tenho mais que acatar as suas ordens!

- Mas antes de sair vai pedir desculpas ao Blake pelas suas grosserias! Agora, Jake!

- Me desculpe Sr. Blake por ter ferido sua sensibilidade e magoado sua suscetibilidade! Espero não ter lhe causado nenhum trauma com a minha postura! – exclamou zombando ironicamente. – Posso me retirar agora, tio?

- Me aguarde, Jake, ainda vamos ter uma conversa bastante séria sobre o que acabou de acontecer aqui. – disse o Sam.

- Estarei a sua espera!

- Que criatura mais desagradável! Não sei o que o leva a aturar esses desaforos, Sam? – perguntei incrédulo.

- Ele não é um mau rapaz! Perdeu os pais muito cedo num acidente trágico e veio morar comigo, seu único parente. Eu o criei desde os dez anos e sempre tentei controlar seu gênio rebelde, mas vejo que fracassei na minha missão. Ele é um espirito solto que precisa da liberdade para se sentir realizado, é quase como um passarinho que se tenta criar numa gaiola e que perde parte de seu canto. – revelou o Sam.

- Não se sinta fracassado, acredito não ser nada fácil criar um garoto sem pais que não compreende porque eles lhe foram tirados tão cedo. Perder alguém que se ama muito nos deixa sem chão, Sam, falo isso por experiência própria. Desde que o Jeff se foi, eu vago sem esperanças e perspectivas e culpo o destino por ter me tirado quem eu mais amava nesse mundo. – devolvi.

- Desculpe ter lhe trazido de volta lembranças tristes!

- Não se preocupe, tenho que aprender a lidar com a situação! E, não demita o Jake, me deixei levar pelo calor da discussão. Se o Jeff viu nele algum potencial é porque ele com certeza o tem e eu não vou me opor a escolha dele só porque não consigo lidar com seu sobrinho. – afirmei.

- Obrigado, Blake! Você será um ótimo administrador quando tomar as rédeas dos negócios, esteja certo! Administrar não significa apenas cuidar friamente de números e distribuir ordens, é preciso sensibilidade e um espírito humanitário para liderar uma equipe, e eu vejo que você tem essas qualidades. – devolveu ele.

- Obrigado, Sam! Tenho muito a aprender com você!

Não esperei menos do que um contato do Jake enquanto estava almoçando alguns dias depois, ao vir me chamar para me apresentar seu departamento. Ele estava bem mais manso, talvez a conversa com tio tenha sido a causa dessa mudança.

- Começamos com o pé esquerdo, e eu quero mudar essa impressão que tem a meu respeito. Também quero me desculpar pela maneira com o tratei há poucos dias. Você não merece o que eu disse, me perdoe!

- Desculpas aceitas! Também quero me desculpar por ter sido intempestivo e te ameaçar de demissão durante uma desavença acalorada! Vamos esquecer tudo isso! – propus.

- De acordo! Mas quero te mostrar mais do que apenas meu departamento! Conhece a capital, Santo Domingo? Quero te levar a uns lugares interessantes, acho que vai gostar, há muito o que se ver na cidade. – convidou ele.

- Ok, estou por sua conta!

Confirmando a afirmações do Sam, o departamento que o Jake gerenciava funcionava maravilhosamente bem e todos os funcionários pareciam gostar muito dele, da maneira como ele os tratava e valorizava. Mais uma vez senti orgulho pelo Jeff saber distinguir o que havia de melhor nas pessoas, e senti a mão dele por trás daquilo tudo com um saudosismo de cortar o coração.

- Está tudo bem? – perguntou-me o Jake quando me viu absorto em pensamentos e mal ouvindo o que ele dizia.

- Sim, sim está tudo bem!

- Lembranças tristes? – perguntou

- Um pouco! O Jeff era um cara sensacional, lamento sua perda! – como ele chegou a essa conclusão não compreendi, mas lhe dirigi um sorriso amistoso.

No meio da tarde ele veio ter comigo, estava pronto para me mostrar a cidade com seu costumeiro entusiasmo.

- O quê, é nisso aqui que pretende me levar para a cidade? – perguntei ao ver a enorme motocicleta de aparência futurista na qual pretendia que eu subisse.

- “Nisso”, fala sério! Jamais volte a chamá-la de “nisso”, é uma ofensa grave! É uma Honda CBR1000RR-R Fireblade Carbon Edition, só foram produzidas 300 delas, é uma joia sobre rodas! – descreveu ele, o que para mim era o mesmo que tentar me explicar como funcionava um foguete da NASA.

- Tá, e o que tem de tão especial nessa moto? Do jeito que você fala até parece um ser alienígena. – devolvi

- Você não entende nada de motos, não é capaz de avaliar e admirar uma preciosidade dessas, deixa para lá! Apenas suba na garupa! – retrucou desolado.

- Que deve ser uma preciosidade eu calculo, deve ter custado os olhos da cara! – exclamei

- Não é o preço, não é dinheiro, é .... Ah, esquece, você nunca vai entender! – retrucou frustrado.

- Me desculpe se não sou nenhum expert em motocicletas, é uma Honda, uma marca famosa, deve ser boa e potente. – tentei remediar.

- Não diga mais nada! Uma Honda, onde já se viu? – questionou, desistindo de me convencer que aquilo era muito mais do que uma simples motocicleta, que era seu tesouro.

- Eu sempre tive curiosidade em saber qual é a sensação de pilotar uma motocicleta. – afirmei quando me instalei na garupa.

- Para o seu profundo conhecimento sobre motocicletas e gosto refinado, eu sugiro que comece com uma XR-150, ou melhor até, por uma CGL-125. – retorquiu debochando.

- Engraçadinho! - dei um soco no ombro direito dele e senti as juntas dos dedos estalarem como se tivesse esmurrado uma parede de concreto.

No entanto, apesar da ironia dele, o vento batendo no rosto e aquele tronco maciço sob a jaqueta de couro dele ao qual eu me segurava a cada curva da estrada, não podia ser mais prazeroso. Incialmente ele me levou aos lugares históricos da cidade, no final da tarde quente tomamos um sorvete sob o toldo de uma mesa ao ar livre na Plaza de España e de la Hispanidad cercada de construções históricas. Ao anoitecer jantamos no El Higüero também num deque a céu aberto e fronteiriço a um lago, e tive a sensação de que o Jake estava tentando me impressionar escolhendo um lugar refinado, como se quisesse me provar que não era apenas um playboy mulherengo, embora eu também tivesse a impressão que ele já havia levado um bocado de mulheres que queria conquistar para comer ali, antes de as traçar na cama.

- O que foi, por que está me olhando com essa cara? – perguntou, quando eu mal conseguia esconder um riso por ter chegado a essa conclusão.

- Nada! Só achei sua escolha interessante! É um lugar muito agradável! – respondi.

- Está tirando uma com a minha cara! O que foi que eu fiz de errado agora?

- Nada! Não se pode elogiar nada em você?

- Está me parecendo mais uma tiração de sarro do que um elogio! Podemos ir para outro lugar, se quiser. Um lugar mais refinado, mais pomposo!

- Não seja tolo! Adorei o lugar e não estou caçoando de você, juro! – ele bufou, mas me lançou um sorriso, o primeiro. Continuei a encará-lo, embora mais discretamente, o danado era mesmo um tesão de macho, não dava para negar.

Era perto da meia-noite quando fomos a uma balada. Não sei o que o levou a optar por uma casa noturna gay, e o questionei.

- Por que me trouxe a um lugar desses? É um frequentador assíduo, por acaso?

- Pensei que ia gostar! Indicamos esse lugar para os nossos hóspedes gays e eles nos elogiam pela indicação. Achei que como gay ia se sentir mais ambientado. Não precisamos entrar se você não quiser. – esclareceu. – E, só para deixar bem claro, não sou um frequentador assíduo desse lugar, embora já estivesse aqui algumas vezes acompanhando um grupo de hóspedes do resort. – emendou ligeiro.

- É claro, muito profissional de sua parte! – exclamei

- Está tirando uma com a minha cara, deu para zombar de mim, não foi?

- Você é muito desconfiado, nem me passou pela ideia caçoar de você!

- Não é o que parece! Vamos entrar ou vai ficar se divertindo às minhas custas?

- Vamos entrar! E obrigado por ter feito esse dia tão especial! – devolvi sincero. Aquele sorriso de deixar as pernas bambas voltou ao rosto dele.

A casa noturna não era exclusivamente gay, havia logicamente muitos gays e lésbicas, mas também um público eclético, acompanhantes e simpatizantes formando turminhas animadas nas mesas. A pista de dança estava bombando e o Jake conseguiu uma mesa devido as recomendações que o resort fazia para os hóspedes. Um atendente gentil e bonitão, sem camisa, providenciou uma mesa bem localizada. O DJ que animava a balada não passava de um garotão sexy de uns vinte e poucos anos, mas tinha bom gosto na seleção das músicas. O Jeff e eu raramente frequentávamos esses lugares, e só o fazíamos em ocasiões especiais quando ele queria me agradar ou quando éramos convidados por alguns amigos, embora ele soubesse que eu gostava de dançar.

- O que quer beber? – perguntou o Jake, também pouco à vontade naquele ambiente, apesar de alguns conhecidos terem vindo cumprimentá-lo.

- O que você escolher está bom para mim!

- Tequila?

- Pode ser!

As bebidas chegaram à mesa quando eu já sentia o corpo embalado pela música, mas ele não manifestou nenhum interesse em dançar comigo. Esperei por mais de meia hora por um convite que não veio, até tomar a iniciativa.

- Dança comigo!

- Não sou bom nisso! Melhor não! Pode ir se estiver com vontade, vou ficar te observando.

- Não tem a menor graça sem um parceiro! Vem comigo, só uns dez ou quinze minutos, depois prometo não te aborrecer mais.

- Quinze minutos! – retrucou ele, como se estivesse me fazendo um enorme favor.

- Sim senhor, resmungão! – devolvi, a caminho da pista.

O Jake não era tão desajeitado quanto quis fazer parecer, talvez só estivesse desconfortável com a companhia. Provavelmente uma daquelas garotas oferecidas que circulavam pelo resort à caça de um macho seria a companhia ideal. Eu não dançava desde a morte do Jeff, e também não me sentia tão solto desde então, e deixei que o ritmo das músicas agitadas ditasse o gingado do meu corpo. Sem modéstia, eu dançava bem e tinha uma sensualidade que aflorava quando dançava. O Jake me acompanhava em seu ritmo até vir uma música lenta. Os casais começaram a se abraçar e por uns instantes fiquei na dúvida se devia ou não me aproximar dele. Toquei-o levemente no ombro e circundei seu tronco, ele passou os braços pela minha cintura e encarou o desafio. Fui tomado de uma nostalgia repentina, de quando o Jeff me tomava em seus braços nessas ocasiões e me trazia para junto de seu corpão quente e acolhedor. Deitei a cabeça no ombro do Jake como fiz tantas vezes com o Jeff enquanto nossos passos acompanhavam a cadência da música. Me controlei para não chorar. Eu sentia muita falta do Jeff, do homem que me amava e que transava frenética e possessivamente comigo, extravasando todo sentimento que tinha por mim. Agora eu podia sentir o mesmo calor no corpão do Jake, podia sentir o perfume de sua loção pós-barba, podia sentir aquelas mãos vigorosas e pesadas me cingindo, mas talvez e certamente, esse homem não sentia absolutamente nada por mim e, quem sabe até indiferença, de tanto que brigávamos. No entanto, recebi com gratidão a mão que ele pousou na minha nuca e com ela ficou acariciando a minha cabeleira. Durou a efemeridade de uma única música, ao fim da qual ele se desvencilhou de mim e se propôs a buscar outros drinques. Eu continuei na pista, outra música agitada incendiou a galera e eu aderi sem pestanejar.

Tudo corria bem, alguns carinhas se acercaram de mim quando notaram que o Jake se afastou, mas um deles começou a botar as manguinhas de fora. Era um sujeito feio de rosto, com um corpo escandalosamente esculpido muito provavelmente numa academia de fisiculturismo e às custas de um tanto de anabolizantes, pois todos os seus músculos eram escandalosamente desenvolvidos. Obviamente ele havia tirado a camiseta e a enfiado no cós na calça para exibir tudo que havia conquistado em horas e dias na academia. Ele me cercou de um jeito que mantinha os demais afastados e chegou incomodamente perto demais, o que me fez recuar para me livrar dos toques dele. Ele insistiu, voltou a se posicionar tão próximo que minha bunda começou a resvalar na virilha dele, deixando-o visivelmente excitado. Fingi não estar ouvindo o que me dizia quando quis puxar conversa, mas isso só serviu para ele chegar bem junto ao meu cangote e repetir a pergunta – esse rabão tesudo tem dono? – repetiu tocando a boca na minha orelha. Fiz menção de deixar a pista, mas ele me reteve segurando meu braço e se impondo com o tronco nu comprimido contra o meu.

- O que está rolando aqui? – perguntou o Jake atrás de mim, encarando o sujeito. – Solta o braço dele! Ele está comigo, dá o fora! – acrescentou desafiador.

- Qual é cara? Ele estava sozinho, se manda você! – ameaçou o sujeito.

Eu procurei conter o Jake e me lancei em seus braços, o sujeito ficou puto e quis esmurrar o Jake, mas errou o soco e, antes que desse por si, levou um bem no meio do nariz ficando atordoado.

- Vamos sair daqui Jake! Por favor não arrume confusão. – pedi

- Foi esse filho da puta que quis confusão, e vai ter se continuar insistindo em se esfregar em você! – retrucou ele, cerrando mais uma vez o punho para acertar o sujeito. Os seguranças perceberam a confusão e intervieram, levando o sujeitinho para fora da casa noturna; segundo eles, não era a primeira vez que ele arrumava confusão no local.

- Acho que já chega por hoje, Jake, vamos voltar para o resort.

- Você veio aqui para dançar, estava se divertindo e é o que vamos fazer! Vem cá! – disse, no mesmo instante em que outra música lenta começava. Senti-o me apertando contra si com força, como se eu fosse o troféu daquele embate. Deixei que me conduzisse, seu coração acelerado batendo no peito era a mais bela melodia que eu podia ouvir.

Era madrugada quando deixamos a casa noturna, caía uma chuva torrencial. O Jake colocou a jaqueta de couro dele sobre os meus ombros e corremos em direção à motocicleta. Mal havíamos percorrido uns poucos quilômetros quando a motocicleta teve uma pane elétrica, as luzes se apagaram e o motor já não tracionava mais as rodas. Estávamos num bairro de ruas estreitas sem calçada com as casas perfiladas rende a rua.

- Era essa a joia que eu não sabia identificar e dar o devido valor? – perguntei para provocá-lo. Me dava um certo prazer provocar a raiva dele, e eu não deixava a oportunidade passar.

- Deve ser a bateia! É uma máquina e não sei se o sabichão aí sabe, máquinas estão sujeitas a falhas. – devolveu ele zangado.

- Que hora essa máquina maravilhosa resolveu nos deixar na mão! –

- Fecha essa matraca e me ajude a empurrar a moto até um lugar onde possamos nos abrigar. – sentenciou autoritário.

Alguns quarteirões depois, sem nenhuma viva alma pelo caminho, fomos parar diante de uma porta estreita encimada por um letreiro de neon onde se lia – Hotel El Paradiso – mas o aspecto do lugar nada tinha a ver com o nome. Para fugir da chuva inclemente entramos. Atrás de um balcão carcomido pelo tempo uma mulher na faixa dos quarenta e tantos estava envolvida numa bruma de fumaça do cigarro que pendia num dos cantos da boca. Ela mais parecia um espantalho, os cabelos tingidos de um marrom avermelhado certamente foram um desastre da cabelereira. A maquiagem carregada num tom azulado ao redor dos olhos devia esconder as olheiras cansadas. Os lábios estavam cobertos por um batom vermelho-cereja que os faziam parecer maiores do que já eram. Ela nos examinou com vivo interesse, não devia ser todo dia que dois caras bem apessoados adentravam àquela espelunca. No entanto, logo notei seu indisfarçável interesse pelo Jake, como se ela tivesse sacado quem era o ativo e quem era o passivo do casal.

- Queremos dois quartos! – disse o Jake

- Ou um com duas camas! – avisei, no meu espanhol sofrível. Ela me encarou com escárnio, virou o rosto em direção a parede que estava atrás dela e onde uma placa dizia – No tenemos habitaciones con dos camas – voltando a me encarar como seu fosse um idiota.

- Não temos! Só a suíte imperial está livre, é a mais cara! – foi logo avisando.

- Vamos ficar com essa! – disse o Jake.

- Terceiro andar, no final das escadas à direita, no fim do corredor. – orientou a mulher

- Você sabe que isso aqui é um puteiro, não sabe? – questionei

- O que prefere, se livrar dessas roupas encharcadas e deitar numa cama seca, ou ficar lá fora debaixo da chuva até amanhecer? Amanhã peço para um carro do resort vir nos buscar! – perguntou, sem paciência, enquanto a mulher lhe entregava as chaves com um sorriso cheio de tesão. Para ela eu não devia passar de um carinha com um corpo escultural, um rostinho bonito que aquele machão ia foder até saciar suas taras.

- O que fazer diante de tantas opções! – exclamei quando começamos a subir as escadas

- Mimadinho!

- Eu ouvi isso! Resmungão!

- Então cá estamos, a suíte imperial! – exclamei ao me deparar com o quarto precário de mobília antiga e duas janelas com venezianas que davam para os telhados das construções ao redor – Pelo aspecto ela deve ter sido usada por um dos caciques taínos da era pré-colombiana que habitavam essa região! Uma maravilha! – emendei.

- Já disse, é isso ou a chuva lá fora, você escolhe! Eu particularmente prefiro ficar aqui, tomar uma ducha e cair no sono. – retrucou ele, mal humorado e visivelmente zangado comigo. Eu ainda estava tentando saber se era devido as minhas reclamações, pelo fato de ter desmerecido sua motocicleta ou, se foi por causa do sujeitinho marombado que estava se esfregando em mim.

Tomei uma ducha e me larguei na cama larga que rangeu sob meu peso. O Jake entrou na ducha em seguida.

- Minha nossa, Jake! Qual é o seu problema, cara? Dá para cobrir essa coisa monstruosa? – questionei exaltado quando retornou ao quarto nu em pelo com aquele caralhão cabeçudo balangando entre suas coxas peludas.

- Qual é seu problema, pergunto eu! Você age como se fosse uma donzela virgem que nunca viu a caceta de um macho, tenha santa paciência! Até parece que se esqueceu que é gay e que levou a piroca do seu macho inúmeras vezes nesse rabão! – devolveu ele.

- Um mínimo de decoro seria bom! Pode ao menos enrolar a toalha na cintura e cobrir essa coisa?

- Não sei como o Jeff te aguentava! O cara devia ser um santo! – resmungou, ao ir buscar a toalha no banheiro.

- E não pense que vai se deitar nessa cama ao meu lado com esse troço todo solto! – exclamei

- Não se preocupe veadinho mimado, vou me alojar no chão mesmo! Se puder me fazer o enorme favor de me dar um desses travesseiros e a coberta, eu agradeço! Se eu acordar com as costas moídas, a culpa é sua! – disse, ao se deitar ao lado da cama e apagar a luz. Não demorou ele jogou a toalha em cima de mim.

- Boa noite! – desejei. Ele não respondeu, só rosnou. Depois de um breve silêncio, continuei. – Obrigado por ter me defendido daquele sujeitinho na pista de dança e, pelo melhor dia que passei na ilha. Você é muito gentil! – ele continuou calado, mas desconfiei que esboçou um sorriso na escuridão do quarto.

- Durma bem! – disse depois de um tempo.

- Você também, Jake! Durma bem!

Acordei com o sol batendo no meu rosto. Logicamente a toalha que tinha enrolado na cintura havia se aberto e eu estava deitado de bruços, ligeiramente de lado com as pernas abertas e a bunda toda de fora, enquanto me agarrava ao travesseiro. O Jake estava sentado, já vestido, na poltrona em frente a janela, olhando para mim, mas com o pensamento distante.

- Bom dia! – cumprimentou quando percebeu que eu me mexia.

- Bom dia! Há quanto tempo está sentado aí?

- Há um bom tempo! São quase onze horas! Já providenciei um café para você, está ali na mesa. Já chamei o mecânico para levar a motocicleta para o conserto e também já pedi que mandassem um carro vir nos buscar. – respondeu.

- Por que não me acordou ao invés de ficar olhando para a minha bunda?

- Porque essa bunda é uma obra-prima, perfeita, roliça, a escultura de um mestre primoroso e, porque você estava dormindo tão relaxado como não aconteceu desde que chegou à ilha, e eu quis que descansasse. – respondeu

- Como sabe que não venho dormindo bem?

- Você comentou com a arrumadeira do seu quarto no resort.

- Colocou seu pessoal para me espionar?

- Não, seu ingrato! Eles estão orientados a me comunicar qualquer desconforto pelo qual os hóspedes estão passando para que possamos melhorar a experiência deles no resort. Não tem nada a ver com você, ou suas manias, ou suas frescuras! – retrucou.

- Vai ficar aí olhando eu me vestir? Dá para, pelo menos, ser mais discreto e olhar pela janela?

- Tudo que eu estava interessado em ver eu já vi! Vista-se para podermos sair daqui e deixe de frescura!

- Tarado! – proferi ultrajado

- Bundudo gostoso! – devolveu ele. Bufei de tão irritado.

Poucos dias depois recebi uma ligação do Tyler, e ouvir a voz dele me remeteu aos bons tempos em que o Jeff e eu saíamos juntos com ele e a Lauren, ou fazíamos churrascos aos domingos no quintal da casa deles.

- Bom ouvir sua voz, Tyler! Estou com muitas saudades de vocês! Como está a Lauren e o bebê?

- Também sentimos muitas saudades de você, Blake! Os médicos ainda não conseguiram controlar a pressão da Lauren, estamos cada dia mais preocupados. O parto está marcado para o dia dezoito, mas talvez seja preciso antecipá-lo, segundo o ginecologista que a acompanha. Ela pergunta por você todos os dias, disse que queria que você estivesse por perto, que você a tranquiliza e que não quer que o bebê nasça sem que você esteja ao lado dela segurando sua mão. Veja que nós maridos nessa hora somos totalmente descartáveis! – concluiu, com bom humor.

- Eu prometo estar com ela antes do dia dezoito, sei como ela se desespera e acha que tudo vai dar errado. Vou ligar para ela hoje mesmo para me desculpar por não ter feito contato antes. É que tenho andado atarefado me inteirando do resort e tendo uns problemas com o Jake, o tal do gerente administrativo. O sujeitinho é a criatura mais insuportável e arrogante que já conheci, eu o detesto! – afirmei

- É ótimo vocês dois estarem se dando bem! – exclamou

- Você não entendeu, Tyler! Eu disse que detesto o sujeito, que ele é insuportável e arrogante, para dizer o mínimo. – reafirmei

- Ele usou exatamente os mesmos adjetivos para te descrever! Sinal de que estão se dando muito bem, falam até a mesma língua! – havia um tom irônico em sua voz.

- Quando falou com ele? Sabia que eu o demiti? Mas já voltei atrás, cancelando a demissão que nem chegou a acontecer de fato. Ponderei que, se o Jeff o tinha em tão alta conta, eu devia lhe dar uma chance e deixar de lado minha impressão pessoal sobre ele e focar apenas no lado prático e profissional. – revelei

- Ainda bem que voltou atrás na sua decisão, Blake. O Jake foi o melhor da turma dele em administração em Yale, tem pós-graduação em Oxford na Inglaterra e na Universidade de Sidney na Austrália, ele é muito bem qualificado, apesar da maneira pouco ortodoxa com a qual conduz o trabalho, abolindo os ternos e formalidades e indo para o trabalho como se estivesse indo surfar na praia mais próxima. – revelou, me deixando espantado, pois desconhecia esse lado do Jake.

- É exatamente assim que ele se parece, como se estivesse eternamente em férias enfiado naquelas bermudas sem cueca e usando aquelas camisas estampadas sempre escandalosamente abertas no peito. Isso sem mencionar que fica flertando com a mulherada o tempo todo, jogando charme para cima delas e não se recusando a levá-las para a cama como um perfeito Don Juan, Casanova salafrário e pervertido. – sentenciei, enquanto o Tyler ria do outro lado.

- Perfeito! Vocês dois vão se dar muito bem, tenho certeza! – exclamou.

- Isso se não devorarmos um ao outro antes disso! – retruquei.

- Há um outro assunto urgente e muito importante que precisamos tratar. Eu fiz contato com o Sam esta tarde, mas descobri que ele parece ter levado um tombo ontem e fraturado a perna, e terá que ficar afastado por alguns dias. E o que precisa ser resolvido não pode esperar tanto. Por isso estou recorrendo a você. Precisa ir até uma localidade chamada Luperón no norte da ilha e avaliar um hotel que está à venda e que já fazia parte dos planos de expansão do Jeff, mas que na época não estava à venda. Ao que parece os proprietários estão endividados e precisam se desfazer do hotel enquanto ele ainda é viável. Soubemos que há mais três outros compradores interessados no negócio, mas que desconhecem o montante das dívidas o que nos dá certa vantagem e margem de negociação. O sigilo da transação é nosso grande trunfo, por isso contatei o Sam, mas na impossibilidade dele, só você pode atuar na questão. Vá até lá, converse reservadamente com os proprietários, sinta qual é a real dimensão dos problemas e me comunique para que possamos fazer uma proposta irrecusável. – pediu ele

- Sim, o Sam fraturou a perna ontem e vai ficar afastado. Mas eu não sei se sou capaz de fazer o que pede, Tyler. Eu não tenho tino para os negócios, você bem sabe. Nunca fiz nada nem parecido, não me coloque numa posição tão delicada. – retorqui, sabendo das minhas limitações.

- Você é muito mais capaz do que imagina, Blake, e terá que ser assim doravante, pois todos os negócios estão em suas mãos agora. Você tem um ajudante e tanto aí ao seu lado para te orientar na melhor decisão, leve-o com você e confie no julgamento dele.

- Não me diga que esse ajudante é o Jake!

- Exatamente ele, Blake! Deixe suas diferenças com ele de lado e foque no negócio, tudo vai dar certo, pode acreditar em mim.

- Isso se não nos matarmos durante a viagem! Ah Tyler, você me coloca em cada situação! Mas prometo fazer o meu melhor, contanto que fiquemos sempre em contato para eu ir te passando a situação. – supliquei.

- Sabe que sempre estarei ao seu lado, como fiz com o Jeff! Confie em si, você é muito bom no que faz! É por isso que te amamos tanto! E prometo que vou mandar um jatinho te buscar alguns dias antes do dia dezoito para que possa tranquilizar a Lauren. É um favor que vamos ficar lhe devendo pelo resto da vida.

- Amo vocês dois! Estarei com ela com certeza! Diga isso a ela!

Estava anoitecendo quando fui à casa do Jake que distava um pouco do resort e ficava numa colina cercada de vegetação nativa o que lhe conferia certo isolamento, o que combinava com o jeito taciturno do Jake de se manter longe do agito nos momentos de recolhimento. Ao descer do carro na lateral íngreme da casa fui saudado pelos acordes da Sinfonia Nº 5 de Beethoven tocando nas alturas, o que fez meu chamado por ele se perder no ar. Subi os degraus que levavam até um deque descoberto que cercava a casa e que dava acesso à sala.

- Jake! Jake! – chamei, sem obter resposta.

Hesitante, fui me aprofundando na casa, nada se movia, a cozinha estava vazia, eu continuava chamado por ele. Voltei ao deque supondo que talvez estivesse no jardim entre a vegetação, mas também não obtive resposta aos meus chamados. Me atrevi a entrar no corredor que levava aos quartos, a porta de um deles, amplo e também dando saída para um deque estava com a porta aberta e a cruzei continuando a chamar por ele. De repente, ele surgiu saindo do banheiro e enxugando os cabelos, nada cobria seu corpão e lá estava outra vez aquele caralhão intimidador que me deixava inibido, mas sem conseguir desviar o olhar de admiração dele.

- O que está fazendo aqui? – perguntou ele, espantado

- Eu ... eu... eu... eu preciso falar com você. – minha voz não saía de tão seca que minha boca estava.

- Pode, por favor, enrolar essa toalha na cintura?

- Não, não posso! Estou na minha casa! O invasor aqui é você! – retrucou firme

- Está bem! Então vou logo ao assunto! – exclamei, virando o rosto para o outro lado para não ter que encarar aquele pauzão por mais abstinente de sexo que eu estivesse e por mais sedutora que sua genitália avantajada me parecesse. – notei que ele riu quando desviei o olhar. – Preciso que me leve até Luperón amanhã pela manhã. – soltei para acabar com aquela tortura o quanto antes.

- Não! – respondeu secamente

- Não? Como assim, não? Você é funcionário do resort e o assunto que preciso tratar em Luperón diz respeito aos interesses do resort. Além do mais você é meu funcionário e estou te incumbindo dessa tarefa. – sentenciei, já irritado e com voz firme.

- Entro em férias a partir de amanhã e já tenho planos de ir surfar com uns amigos na Costa Rica. – revelou

- Mas isso é importante e urgente! Transfira suas férias para depois, uma semana não vai fazer diferença! – argumentei

- Não! Dentro de uma semana as ondas podem não estar tão boas quanto agora! Como eu disse, estou combinado com os amigos e não vou deixar meu lazer para te levar até Luperón, isso fica do outro lado da ilha. Vá sozinho, ou com algum outro gerente! Estão todos querendo mesmo puxar o seu saco por ser um CEO tão bonzinho e atraente, não vai ser difícil convencer algum deles a te fazer companhia.

- O assunto que me leva até Luperón é sigiloso, não posso levar outra pessoa comigo que não seu tio ou você. Como ele está impossibilitado, só tenho você a recorrer.

- Se confia tanto assim em mim, por que continua me dando as costas?

- Deixa de ser besta, Jake! Você está pelado e eu não vou ficar olhando para essa coisa pendurada no meio das tuas pernas! Se, ao menos, tivesse a decência de se cobrir! – exclamei

- Essa “coisa” tem nome, chama-se cacete, caralho, pica, rola e é minha, e gosto de deixá-la solta quando estou na intimidade da minha casa!

- Pervertido! – soltei em voz baixa, pois não era hora de deixá-lo irritado. – São apenas cinco dias, fazemos o que tem que ser feito e voltamos o quanto antes, aí você pode seguir para as suas férias e fazer o que bem quiser da sua vida.

- Não! Já disse que não! Você desconhece as leis trabalhistas? Não sabe que não pode obrigar um funcionário a trabalhar durante as férias? – questionou.

- Arre, Jake! Pare de me provocar! Deixe de ser turrão, sei que está fazendo isso de propósito só para irritar!

- Engano seu! Só estou lhe colocando a par dos meus direitos!

- Pois eu posso te demitir, sou seu chefe e não preciso aturar seus desaforos!

- Vai me demitir outra vez? Parece que está se tornando uma prática comum de sua parte me demitir quando lhe dá vontade. Tenho mais uma informação para você, no meu contrato de trabalho há uma cláusula que me garante estabilidade de 180 dias após o retorno das férias, pode ir lá conferir com o jurídico e com o RH. Portanto, terá que esperar seis meses para se livrar de mim, Sr. Blake, meu chefe! – devolveu petulante.

- Por favor, Jake! Só tenho você! – supliquei, amansando o tom de voz. – Eu te pago U$ 2000 para me levar até Luperón. – ofereci como suborno

- Por esse valor nem tiro a bunda do sofá!

- U$ 3000 então!

- U$ 10.000! – sentenciou em contrapartida.

- Isso é extorsão! U$ 5000 e nem um centavo a mais!

- U$ 9000!

- Não! U$ 6000 é minha última oferta, é pegar ou largar!

- U$ 7000! – exclamou

- Ok U$ 7000! Partimos amanhã cedo.

- De acordo então, U$ 8000 e saímos pela manhã!

- Você havia concordado com U$ 7000 seu chantagista!

- Mudei de ideia! Negócio fechado, ou posso ir me aprontar para surfar com meus amigos?

- Estelionatário! Extorquidor! Desalmado! Sacripanta cafajeste! – balbuciei entre dentes controlando minha raiva.

- Tenho algumas exigências!

- É claro que tem! Não seria o Jake se não as tivesse! – devolvi

- Meu carro, minhas regras, minhas escolhas onde vamos parar durante a pausa da viagem e minhas músicas! Eu mando, você obedece! Estamos entendidos? – eu queria voar naquele pescoço e sufocá-lo até ver aqueles olhos esbugalhando.

- Não pense que vou te obedecer cegamente! Pode até estar no controle da viagem, mas para por aí! Está para nascer o homem que vai me subjugar a seu bel prazer, e você certamente não é esse homem! – retruquei me impondo.

Ele veio me buscar no resort bem cedo, mal havia amanhecido, mas eu já o esperava o que tirou parte da satisfação de me ver pressionado por sua vontade. Dirigi-lhe um sorriso provocante ao constatar sua frustração pelo plano não ter dado certo. Ele fechou a cara.

- Não sabia que você tinha um Jeep! – exclamei ao ver o Wrangler Rubicon com a capota abaixada. – Me deixa dirigir?

- Meu carro, minhas regras! Você longe do volante e sentadinho aí ao lado bem comportado! – sentenciou ao colocar o Jeep em movimento.

- Metido! – rosnei comigo mesmo.

O trajeto até Luperón não era de mais de 230 quilômetros, mas passamos quase o dia todo na estrada que, por sinal, descortinava paisagens lindas, enquanto o Jake fazia paradas e me mostrava ou falava sobre os pontos mais importantes. Minha zanga com ele se desfez logo após a nossa partida. Eu não podia olhar para aquele sorriso, para a maneira espontânea como me explicava as coisas sem que minha raiva sumisse. Paramos numa pequena localidade chamada Bonao para almoçar, eu estava surpreendentemente faminto apesar do café da manhã reforçado que tomei no resort. Ele tinha o mesmo apetite voraz, e ficava me encarando sobre a mesa com um sorriso disfarçado. Afinal, parecia não estar sendo nenhum suplício para ele estar na minha companhia. Surrupiei as chaves do Wrangler quando ele se dirigiu ao banheiro antes de voltarmos para a estrada, não sei se ele realmente não notou, ou se foi a maneira de me deixar dirigir sem ter que abrir mão de sua postura intransigente. Eu estava ridiculamente feliz ao volante do Jeep, o vento refrescando o corpo, os cabelos esvoaçando, aquele macho me observando de soslaio e escondendo um tesão que mal conseguia disfarçar. Senti que a vida estava me dando uma nova chance de ser feliz, que novas portas estavam se abrindo.

O Jake foi hábil durante a sondagem que fez com os proprietários do hotel, seu tino para os negócios era inegável e, em alguns momentos da conversa, parecia que eu estava ouvindo o mesmo jeito do Jeff argumentando e defendendo seus pontos de vista. Minha confiança nele redobrou chegando a me fazer esquecer a artimanha que usou para me acompanhar nessa viagem. Havia anoitecido quando nossa reunião com os proprietários do hotel terminou, obrigando-nos a passar a noite por ali mesmo. Quando uma funcionária da recepção veio ao nosso encontro no bar do jardim perguntar sobre as acomodações que queríamos, fui enfático.

- Duas suítes ou, se não houver disponibilidade, uma com duas camas separadas! – notei como o Jake balançou a cabeça e começou a rir.

- O gayzinho com medo de pica! – exclamou num tom quase inaudível.

- Como, senhor? – perguntou a recepcionista

- Nada não! Pode atender o pedido dele.

- Por ser temporada de férias, estamos com 98% da lotação. Temos uma suíte com duas camas no primeiro andar e outra no quarto andar com uma varanda e uma bela vista para a praia, qual delas preferem? – o Jake deu de ombros.

- A do quarto andar, pode ser, Jake? – perguntei

- A escolha é sua! – exclamou com indiferença

- A do quarto andar, então, por favor!

- Ok! Vou providenciar! Podem pegar o cartão de acesso comigo na recepção quando quiserem. – disse ela antes de desaparecer.

- Creio que vai ser obrigado a olhar mais algumas vezes para a minha pica! Talvez acabe se acostumando com ela e perdendo esse medo ou, quem sabe esse desejo incontido de a sentir no seu cuzinho. – zombou

- Sim, é possível! Numa suposição bastante remota talvez eu até resolva dar a ela um pouco de carinho para amansar o dono! – exclamei rindo.

- Ah Blake, não brinque com uma coisa dessas, seu veadinho tesudo! Desde que vi a sua bunda naquele dia do temporal meu cacete anda me dando um trabalho danado. – retrucou me encarando. – Está falando sério, quer acariciar a minha pica? – o safado já estava se animando todo.

- Vai sonhando Jake! Vai sonhando com o impossível, seu depravado!

- Veadinho!

- Mulherengo tarado e cafajeste! – devolvi, enquanto ele já se via obrigado a ajeitar o cacete dando pinotes dentro da bermuda, o que me fez rir.

Naquela noite ele dormiu com uma cueca de seda sexy ao invés de ficar se exibindo pelado. Fiquei com mais tesão ainda, pois sabia como era lindo aquele volumão que estava dentro dela. Para provocá-lo, tomei banho com a porta do banheiro aberta, o que lhe permitia me ver sob a ducha. Quando voltei ao quarto para me deitar, ele fingiu que estava dormindo, o que a imensa ereção entre suas pernas desmentia.

Por uma primeira sugestão de um guia que atuava no hotel fomos na manhã seguinte explorar de jet-ski a Bahia de Gracia e a Bahia de Luperón que formavam um Y invertido a partir da passagem estreita que levava ao mar aberto e, cujas águas tranquilas e margens pipocadas de pontos turísticos, restaurantes e marinas serviam como áreas de lazer para a população e os turistas. Como eu nunca havia pilotado um jet-ski, coube ao Jake a condução, embora eu não parasse de pedir que ele me deixasse pilotar depois de me ensinar o básico. Como era de se esperar, ele negou o quanto pode até finalmente ceder aos meus pedidos. Disposto a se aproveitar da situação, ele ficava forçando a virilha contra as minhas nádegas, a ponto de, em determinado momento, eu estar sentado sobre sua ereção que escapava pelo cós da sunga e ia encontrando o caminho para dentro da minha, roçando meu rego e me fazendo perder completamente a concentração na pilotagem do jet-ski. Por um triz não fui de encontro a uma embarcação ancorada no píer da marinha de tão atrapalhado que estava com aquela jeba adentrando o reguinho apertado. Devolvi-lhe a condução em meio a mais uma discussão, culpando-o pela sacanagem que ele negou estar fazendo, muito embora não tivesse uma justificativa plausível para explicar aquela cabeçorra saindo da sunga e, muito menos, o fato de haver deixado minhas nádegas todas meladas. A segunda sugestão do guia era para fazer umas trilhas no Parque Nacional Armando Bermúdez entre os vários rios e corredeiras que descem a Cordilheira Central, o que deixamos para o período da tarde. O Jake ainda estava zangado comigo, mas o guia e eu acabamos convencendo-o e ele topou encarar os 80 quilômetros que nos separavam do parque. A caminhada morro acima dentro do parque era mais difícil do que eu havia imaginado e estava preparado fisicamente, assim o Jake estava sempre um bocado de metros à minha frente.

- Ô senhor Papa-léguas! Dá para caminhar num ritmo mais lento, não se esqueça que não tenho o mesmo preparo físico que você! – pedi, quando já estava sem fôlego e apenas a teimosa e a obstinação me conduziam adiante. – Preciso descansar um pouco!

- Essas coxonas grossas servem para quê, ou são só um atrativo para deixar a gente sonhando com o impossível? Se não dá conta, por que quis se meter nessa aventura? – questionou, enquanto eu me sentava à sombra sobre uma rocha da trilha.

- Ainda está zangado comigo! Por que, posso saber?

- Não estou zangado, estou puto com você! Fala que vai fazer uma coisa e depois amarela! Atiça e depois deixa a gente a ver navios! – respondeu

- Ah, já entendi! É a questão da carícia, não é? Já contava em se dar bem!

- É a questão da carícia, de ficar nu debaixo da ducha, de ficar jogando charme para cima de mim com sorrisinhos, esses olhares enfeitiçantes, é tudo junto! Não sou de ferro! Tenho sangue quente correndo nas veias, sabia! – era a primeira vez que admitia sentir tesão por mim, e estava puto por eu não corresponder com a mesma facilidade a que estava acostumado.

- Falei aquilo só por brincadeira, me desculpe se lhe causei algum incômodo!

- Incômodo? Você me deixou com o pau duro! E o que foi aquilo esta noite, pelado debaixo do chuveiro? Não se faz isso com um macho, deixar o pau e as bolas dele doendo sem poderem ser saciadas. – tive vontade de rir da cara séria dele, parecia que estava padecendo de uma enfermidade grave, mas me controlei para não deixá-lo ainda mais furioso comigo.

- Não conheço outra maneira de tomar banho que não pelado debaixo do chuveiro! – devolvi

- Você entendeu o que eu quis dizer, não banque o engraçadinho! Podia ter fechado a porta e me poupado do sacrifício. – retrucou

- Você não fez o mesmo, exibindo esse bagulhão descaradamente?

- Ah, então é mesmo uma revanche! Eu sabia! – descarregou irritado. – Já que não dá conta de encarar a trilha, vamos voltar para o hotel e voltar para casa hoje mesmo, perdi a paciência com você! – pisando forte feito um touro bravio ele desceu a trilha por onde viemos, sem me dar chance de argumentar.

Chovia forte quando chegamos ao hotel, mas ele estava determinado a encarar a estrada de volta. As nossas bagagens já estavam no Wrangler quando um funcionário do hotel veio nos comunicar que havia caído uma barreira na Carretera Navarrete nas proximidades de Imbert onde algumas obras estavam sendo realizadas e as pistas estavam completamente bloqueadas, Nem preciso dizer como o Jake ficou aborrecido, mal trocou alguns rosnados comigo durante o jantar e, até pouco depois da meia-noite, quando caí no sono, ainda não havia chegado ao quarto.

Pela manhã já havia tomado café antes de eu descer e o humor não havia melhorado. Ele veio calado a viagem quase toda, apesar de eu tentar puxar conversa e até lhe fazer um cafuné na nuca, que ele rejeitou bruscamente. Depois de me deixar na porta do resort, saiu cantando pneus sem se despedir.

Não o vi nos dias que se seguiram e, após uma ligação do Tyler me informando que a Lauren precisou ser internada às pressas e que a cesárea teria que ser antecipada, avisou que o jatinho que havia mandando para me buscar já estava a caminho de Santo Domingo. Só tive tempo de arrumar as malas e fazer uma breve ligação para o Sam avisando da minha partida urgente.

Felizmente cheguei a tempo de tranquilizar a Lauren antes de ela ser levada para a cirurgia. O Tyler e eu ficamos andando de um lado para o outro na pequena sala de espera diante do centro obstétrico com os nervos à flor da pele. Eu tomava o rosto dele entre as mãos e garantia que tudo ia correr bem, mesmo sem ter certeza disso. Ele me abraçava trêmulo e desesperado, antes de secar os olhos marejados.

- Senhor Tyler, o senhor é pai de um lindo garoto de 5 quilos e 122 gramas! – comunicou a enfermeira que saiu pela porta do centro obstétrico. – Meus parabéns! Dentro de alguns minutos poderá pegar seu filho no colo no berçário.

O Tyler me abraçou com tanta força que quase me quebra os ossos. Esqueci de mencionar que ele também era um parrudão que desconhecia sua força. Chorou de felicidade no meu ombro como se fosse uma criança e só agradecia por tudo ter dado certo. Fiquei tão comovido que mal conseguia expressar a minha alegria.

Como o Tyler não mencionou nada quanto a eu ter que voltar para a República Dominicana, não perguntei nada e deixei o tempo passar, aproveitando para rever amigos, passar pela empresa, curtir as primeiras semanas do Kyle, meu afilhado fofo e esperto. No entanto, meus pensamentos, vira e mexe, voltavam para o resort, para o que tinha que ser feito por lá, e especialmente para o Jake. Verdade é que eu estava sentindo falta daquele grosseirão pervertido, embora jamais o fosse admitir.

Falei dele para um casal de amigos quando eles vieram me visitar depois da viagem que empreenderam pela costa do Adriático. Kristen, a esposa, era prima do Tyler e o Roger havia estudado comigo na universidade. Em dado momento do nosso encontro, o Roger solta sem pestanejar.

- Você está apaixonado por esse cara!

- De jeito nenhum! Eu o detesto, não acabei de contar como ele é insuportável?

- Nem você acredita nisso, Blake! O cara te conquistou, seja lá por que meios fez isso, mas conseguiu, você está apaixonado! – asseverou. – Ele sabe disso?

- Era só o que faltava! Se ele desconfiar que eu talvez possa ter me interessado um pouco por ele, vai fazer de mim gato e sapato! Nem pensar! – exclamei, ambos caíram na risada.

- Você é uma figura, Blake! Lembra como foi com o Jeff? Lembra quanto vocês dois brigavam antes de se acertarem? Seu mal é relutar em aceitar seus sentimentos, em deixar que um cara tenha acesso ao seu coração, em se entregar sem fazer muitos questionamentos. Deixe esse tal de Jake te fazer feliz, Blake! Aceite-o com os defeitos dele, todos temos defeitos, inclusive você, apesar que querer ser sempre o certinho. – afirmou a Kristen.

- Para que eu preciso de inimigos tendo amigos como vocês! – retruquei, fazendo-os rir.

Em meados do terceiro mês após o nascimento do Kyle, o Tyler voltou ao assunto do resort.

- Você precisa concluir aquela compra do hotel em Luperón. Já estudei e avaliei duas propostas para você apresentar aos proprietários, se a primeira não os convencer, a segunda, com certeza, o fará. Eles não têm mais como protelar essa venda. O Sam já está a sua espera para fechar o negócio. Quando quer partir?

- Me dê uns dias, ok! Não há mesmo mais ninguém que você possa designar para essa tarefa? – indaguei

- Você é o CEO, não pode fugir das responsabilidades só porque não quer admitir que se apaixonou pelo Jake. Vocês precisam resolver essa questão! – afirmou. – E, se você aceitar um conselho meu, entenda-se com ele, case-se com ele, deixe que ele te faça feliz, você merece e ele também! Não sejam cabeças duras! – exclamou

- Virou conselheiro matrimonial agora, Tyler?

- Não, continuo sendo só aquele seu amigo que quer ver você voltando a vida com tudo, vivendo outro grande e verdadeiro amor. Vem cá seu teimoso, me dá um abraço e suma daqui antes que eu te despache dentro de uma mala.

- Que escolha eu tenho?

- Nenhuma! Assim que o Kyle estiver maiorzinho a Lauren e eu vamos te visitar na República Dominicana e eu espero que seja para o casamento!

- Eu hein, Tyler, que mania de casamento é essa? O sujeitinho, digo, o Jake pode nem estar a fim de mim, quanto mais se casar comigo! – devolvi

- Eu aposto que ele deve estar sentindo a mesma saudade de você que você dele!

O Sam estava praticamente recuperado da fratura na perna, embora precisasse de uma bengala para lhe conferir mais apoio. Falei que estava ali para fechar o negócio do hotel em Luperón, mas ele e o Tyler haviam conversado naquela manhã e ele já sabia que a transação ia acontecer. Pedi que ele me acompanhasse alegando que me sentiria mais seguro tendo-o ao meu lado, o que ele concordou de pronto. Quando o deixei com seus afazeres, em nenhum momento da nossa conversa o nome do Jake foi mencionado. E, notando que eu nem mesmo perguntei por ele, o Sam desconfiou que nossa última discussão tinha sido mais séria do que ele pensava.

A data agendada para a concretização do negócio ficou para a semana seguinte, pois dependia da presença de um dos atuais proprietários que se encontrava fora da República Dominicana. Os dias iam passando e eu não via o Jake em lugar algum, toda vez que perguntava por ele para um funcionário eles me diziam que o tinham visto há pouco ali, depois acolá, mais tarde em tal lugar e assim por diante. O fato é que ele devia estar fugindo de mim, evitando o encontro e muito provavelmente mais uma discussão. Mas eu estava tremendamente ansioso para vê-lo, não queria brigar, nem o criticar, só queria poder olhar para ele, ficar perto dele, conversar com ele num lugar tranquilo. No entanto, isso não aconteceu. Pensei em ir até a casa dele, fingindo uma visita casual com uma garrafa de vinho nas mãos, porém desisti ao me lembrar que ao procurá-lo lá da última vez o deixou zangado, como se eu estivesse invadindo seu espaço privado. Restou eu me contentar em dar uma passada em cada departamento do resort pela manhã para me tornar mais próximo dos gerentes e do staff e, fazer caminhadas pela praia ao entardecer para afastar o tédio e curtir aquela paisagem paradisíaca enquanto me fosse possível. Ia chegar o dia no qual teria que voltar aos Estados Unidos, à minha vida anterior e esquecer esse sonho de viver uma nova paixão.

Foi durante um desses passeios que me encontrei por acaso com o Pete, um amigo do Jake que foi oficial e piloto da marinha americana, e que se mudou para Santo Domingo onde abriu uma escola de surf e mergulho juntamente com uma loja que vendia os apetrechos para esses esportes. Duas vezes por semana ele dava aulas para os hóspedes do resort que queriam ingressar nos esportes. O Pete tinha o mesmo tipo físico do Jake, era um macho atraente que fazia sucesso entre a mulherada, e usava das mesmas táticas do Jake para as levar para a cama. Nas poucas vezes em que estivemos juntos, reparei como ele secava meu corpo e minha bunda e não tive dúvida de que se desse mole para ele, acabaria com o pauzão dele enfiado até o talo no meu cu. No mais, ele era extrovertido, falante, divertido e tinha lá seu charme, devo admitir.

- Oi!

- Oi! Não sabia que tinha voltado para a ilha! – exclamou quando me abraçou com o torso nu e molhado por ter acabado de sair do mar com um grupo de alunos de surf.

- Cheguei faz uns dias, para fechar um negócio. Depois volto para casa! – esclareci

- Não vai mesmo ficar por aqui? Não gostou da ilha? Sua vida nos Estados Unidos deve ser muito mais glamourosa, não há como comparar com as ofertas de Santo Domingo.

- Nunca fui adepto de uma vida glamourosa, gosto de coisas simples, gosto dessa natureza que existe por aqui, da simpatia das pessoas, mas minha vida é lá. Afora o resort nada me prende aqui! – devolvi

- Nem mesmo o Jake? – perguntou de supetão, me deixando momentaneamente desconcertado.

- O Jake tem a vida dele aqui e nenhum plano de me incluir nela; portanto, não, nada me prende aqui. – afirmei.

- Você está enganado nesse aspecto!

- Como assim?

- Ele tinha planos com você, para vocês dois!

- O que você quer dizer com isso?

- Vou te contar uma pequena história, sei que provavelmente depois que eu te contar vai me odiar e nunca mais querer olhar na minha cara, e talvez na do Jake também, mas eu quero deixar claro desde já que a ideia foi toda minha. – disse ele, me deixando confuso

- Do que está falando? Que ideia foi essa? Por que a culpa é sua?

- Vamos lá! Você deve ter notado o quanto o Jake e eu somos parceirões, o que não nos impede de sermos extremamente competitivos um com o outro. Logo que você chegou à ilha e houve aquele incidente com a água-viva, sua bunda excitante, o tesão de cara que você é; enfim, essas coisas. Apostei com ele que você devia ser gay e propus que déssemos em cima de você para ver qual dos dois ia ser o primeiro a conseguir transar com você. Sim, somos dois mulherengos, mas também não dispensamos um tesão de bunda como a sua num gay. Afinal, há muitos deles entre os hóspedes do resort e costumam ser muito generosos se é que me entende. – eu estava a ponto de mandá-lo à merda, mas queria saber como a história terminava

- Estou pasmo! Que canalhice, Pete! E quanto eu valia nessa aposta? Quanto dinheiro pretendiam tirar de mim para não divulgar o escândalo? – questionei furioso.

- Sim, foi uma canalhice, eu admito! Mas eu juro que em nenhum momento pretendíamos te extorquir, não se tratava de uma aposta envolvendo grana, só a supremacia de se vangloriar de ter transado com você primeiro, nada além disso, garanto!

- Difícil acreditar! O Jake sabia que eu havia herdado as empresas e todo o patrimônio do meu marido e vocês pensaram em se dar bem às minhas custas para manter tudo em segredo. Afinal, que credibilidade passaria um CEO que sai por aí transando com o primeiro parrudo tesudo que encontra pelo caminho?

- Me escute, Blake, antes de tirar conclusões erradas! Acontece que logo nas primeiras semanas após a aposta, eu percebi que para o Jake não era apenas uma das nossas costumeiras apostas idiotas. Além do tesão que ambos sentíamos por você, ele ficou diferente, ficava puto comigo quando eu te elogiava sexualmente, me mandava calar a boca quando mencionava alguma particularidade sua, e por aí vai. Ele estava começando a gostar de você, não para transar, mas para algo mais sério. Assim que saquei esse lance, desfiz a aposta, disse que estava fora que não haveria mais aposta alguma envolvendo você. Ele concordou, mas não desistiu de você!

- Claro, ele queria poder se gabar de ter podido levar o chefe para a cama e o enrabar! Imagine o sucesso que ele não ia usufruir entre vocês, uns machões que não fazem outra coisa que não correr atrás de mulheres ricas e carentes, gays endinheirados querendo sentir os pauzões de machos parrudos e bronzeados. Vocês são uns canalhas, Pete! – vociferei ultrajado.

- Eu sabia que ia ficar puto comigo, mas eu mereço, pode descarregar sua raiva em cima de mim, mas não no Jake! O Jake gosta verdadeiramente de você, para ser mais exato, ele é louco por você e não se acha à altura de te merecer.

- E não merece mesmo! Fazendo uma aposta dessas, o que se pode esperar de um sujeito com essa índole?

- Disso você não o pode acusar, o Jake é o cara mais íntegro e sincero que eu conheço! Ele nunca faria nada para prejudicar alguém e obter uma vantagem com isso!

- Será? Depois do que você acaba de me contar, eu duvido! Sabia que ele me chantageou, que me pediu U$ 8000 para me levar ao outro lado da ilha só porque estava de férias e o assunto era profissional. Eu podia tê-lo despedido, estava no meu direito! – revelei

- Sim, estou sabendo desse lance!

- Viu, aí está a prova! Ele deve ter se gabado por ter conseguido arrancar essa grana de mim. Como fui idiota, como me deixei iludir por um cara malandro desses?

- Ele só mencionou o fato da grana para mim, posso jurar! E fez isso porque estava feliz em poder reformar a casa dele com essa grana que não deu nem para o começo. Ele precisou vender a motocicleta para bancar a reforma e deixar tudo na altura que você merece. O cara não falava noutra coisa, estava até ficando chato! Queria saber a minha opinião, queria saber se você ia gostar, queria saber se ao estar tudo finalizado você aceitaria morar com ele. Como pode ver, ele tinha planos, e você estava em todos eles! – concluiu

- Eu não sabia! – consegui balbuciar de tão confuso que estava sem entender mais nada. – Por que ele não me disse nada?

- Por que ele morre de medo que se repita o que já aconteceu uma vez. Ele estava com uma garota havia uns cinco anos, tinha acabado de comprar aquela casa e se endividado todo, e ficou horas esperando por ela no altar no dia do casamento, mas ela nunca apareceu nem deu nenhuma explicação. Sumiu no mundo. Ele ficou arrasado e nunca mais confiou em alguém, até você surgir e voltar a encher a cabeça dele de sonhos. – revelou. Eu fiquei estarrecido, quase em choque.

Não consegui dormir aquela noite, não fosse a véspera de fechar o negócio em Luperón eu teria ido à casa do Jake e me desculpado por ter partido para dar assistência ao Tyler e à Lauren sem me despedir dele. Ele devia estar achando que eu era como a fulana que o abandonou no altar, que some sem dar explicações, quando na verdade, eu fui embora pensando que ele estava zangado comigo que não queria mais saber de mim por não ter feito aquela carícia no pauzão dele como ele estava esperando.

Tomei o café no quarto e desci para me encontrar com o Sam para poder seguir para Luperón. Ao me aproximar de seu escritório, ouvi uma discussão acalorada entre ele e o Jake. Discutiam sobre mim e, pelo tom agressivo da voz do Jake sabia que jamais teria uma chance de remediar as coisas com ele, ele me odiava.

- Já te proibi mais de uma vez de se referir ao Blake nesses termos. Ele não é um mimadinho como você afirma, nem esses outros adjetivos pouco castos com os quais o qualifica. Sabia que num primeiro momento, imediatamente após a morte do Jeff, ele abriu mão da herança. Foi isso mesmo, Jake, ele não quis a fortuna o marido, tentou dá-la aos pais dele, mas o Jeff havia deixado expressamente proibido o acesso deles a qualquer um de seus bens.

- O veadinho mimado também deve ser rico, não precisava dessa grana, ou é só um louco altruísta!

- Não! É uma pessoa de caráter! Nem o Blake e nem a família dele nunca foram ricos, ele têm uma boa situação financeira com o trabalho dele isso é verdade, mas por mérito próprio, porque se destacou no que faz. Ele nunca se envolveu nos negócios do marido, mal sabia quais eram e se viu obrigado de uma hora para a outra a assumir algo muito maior do que ele já havia lidado. É por isso que o Tyler o ajuda tanto. Ele chegou aqui perdido, tanto pelo luto recente quanto pelas responsabilidades que foi obrigado a assumir. Se ele não estivesse lutando para manter tudo por aqui funcionando e progredindo, estaríamos todos no olho da rua. Estaríamos na mesma situação precária que o hotel de Luperón, com os funcionários desesperados querendo saber se amanhã terão como sustentar suas famílias. Portanto, chamá-lo de mimadinho é um ultraje, um desaforo do qual você deveria se arrepender.

- O veadinho se acha! É insuportável! É um metido a pudico! É– caralho, ele me tira do sério, me irrita, me faz querer esganá-lo! – revidou a voz furiosa do Jake

- Isso porque ele não é como essas hóspedes fáceis que fingem gostar das suas cantadas grosseiras, sempre de cunho sexual, e que só estão interessadas no seu pau. O mesmo se dá com os gays que se derramam em elogios sobre você e aquele seu amigo tão tarado quanto, soltando dinheiro à rodo para terem alguns momentos de prazer com vocês. No verão seguinte, todos eles estarão em outro lugar, em outras praias paradisíacas que o dinheiro pode bancar e nem se lembrarão mais de você ou do seu pinto do qual você tanto se gaba. O Blake é diferente de tudo isso, Jake, será que você não consegue enxergar? Ele admira e valoriza a pessoa, não o tamanho de seu sexo. É por isso que ele não te leva a sério, que foge das tuas abordagens safadas. – argumentou o Sam.

- Acontece que eu gosto daquele veadinho! Não sei como, mas aconteceu! Eu gosto dele, mas ele me esnoba, me despreza! Não importa o que eu diga, ele rebate cheio de razão e começamos a brigar, pois não sou de levar desaforo para casa, nem engolir sapo só porque um riquinho metido a besta quer me controlar. – retrucou o Jake.

- Você falou para ele que gosta dele? Perguntou se ele sente o mesmo por você?

- Claro! Quer dizer, meio que sim!

- O que é esse “meio que sim”? Falou com todas as letras que gosta dele, ou não? Falou que talvez esteja apaixonado por ele?

- Não nesses termos, mas falei! Sabe o que ele fez? Tripudiou, disse para eu não sonhar com o impossível! Foi essa a resposta dele, tio!

- Muito estranho, não é o perfil do Blake! Se você tivesse usado mesmo esses termos, eu acredito que já estariam juntos, pois o interesse dele por você é patente! O que você deve ter feito, é o mesmo que faz com as mulheres fáceis, exibiu seu dote, instigou-o a tocar nele, prometeu-lhe horas e horas de orgias prazerosas, como é seu costume e que funciona com elas e os gays que procuram sexo descompromissado, mas que nunca vai funcionar com o Blake. Não é seu sexo, nem o tamanho ou as estripulias que o seu pau é capaz de fazer que vão seduzi-lo. Ele quer você, o Jake homem, o Jake companheiro, o Jake que está disposto a compartilhar a vida com ele, como o marido dele fez até falecer. O sexo e o seu desempenho como macho só entram na conta para complementar essas coisas, não para serem o único objetivo. Eu devo ter errado muito na sua educação, Jake! Em algum ponto eu falhei e agora vejo que isso pode custar a sua felicidade. – concluiu o Sam

- Isso já não importa! Não estou nem aí se o Blake fica na ilha ou volta para vida confortável dele nos Estados Unidos. Eu desisto! Não vou perder meu tempo com um veadinho complicado e esnobe! – exclamou o Jake. Eu estava dando meia volta para me afastar dali, mas subitamente o Sam abriu a porta e me flagrou a poucos passos.

- Ah, bom dia Blake! Está pronto para partirmos? Estou com toda a papelada pronta e o Tyler ligou há pouco avisando que pousou em Santo Domingo e vai seguir conosco para Luperón.

- Bom dia Sam! Ok! Estou pronto sim, podemos ir assim que ele chegar. – O Jake passou por nós, me cumprimentou secamente e sumiu no corredor. Estranhamente não estava usando suas roupas descontraías usuais, usava uma calça de alfaiataria e uma camisa social com as mangas enroladas até os cotovelos.

- Bom dia, Sr. Blake! – pronunciou formal. O Sam balançou a cabeça frustrado como quem percebeu que ele não assimilou nada de seus conselhos.

- Bom dia Jake! Senti sua falta! Será que podemos conversar quando eu voltar de Luperón? – devolvi, para ver se aquele turrão amolecia aquela pedra que tinha no peito no lugar do coração.

- Evidente, Sr. Blake! O senhor é o “chefe”, eu estarei à sua disposição quando quiser! Minha equipe e eu temos implementado alguns protocolos visando uma redução de custos no meu departamento, e que eu gostaria de lhe apresentar. – sentenciou numa frieza cruel.

- Por que está me tratando com tanta frieza, Jake? Acha que eu mereço esse tratamento? Sei que você e sua equipe são muito competentes, Jake, mas é sobre nós dois que gostaria de conversar com você.

- Bem! Estarei à sua espera quando voltar! – retrucou, seguindo seu caminho.

- Esse moleque me saiu um cabeça dura! Quando não consegue o que quer e como quer, o resultado é esse, fica enfezado e intratável. Não leve isso em consideração, deixe-o remoer suas frustrações sozinho. – aconselhou o Sam.

A presença do Tyler foi crucial para o fechamento do bom negócio; adquirimos o hotel em Luperón por um valor bem razoável e voltamos para o resort no mesmo dia. Fiz questão de oferecer um jantar para todos os funcionários que estiveram mais diretamente envolvidos no negócio e, sem que fosse uma surpresa para mim, o único a não comparecer foi o Jake. Ele não podia estar apenas zangado comigo por aquela bobagem da carícia no pauzão dele, ele não sentia absolutamente nada por mim concluí com o coração oprimido, e uma desilusão que me deixou arrasado. Minhas esperanças de voltar a ter um relacionamento, de amar e ser amado por outro cara depois de tudo, tinham chegado ao fim.

- Parto amanhã cedo para casa, Blake, precisa que eu providencie alguma coisa para você por lá? – perguntou o Tyler ao final do jantar.

- Não é necessário, Tyler. Eu vou voltar com você! Não vejo razão para continuar aqui agora que está tudo resolvido. – respondi.

- Tem certeza, Blake? E a sua situação com o Jake, como fica? Você não fala, mas eu sei que está apaixonado por ele, não abra mão da sua felicidade tão facilmente!

- Acontece que para um relacionamento funcionar ambos precisam estar apaixonados, e o Jake definitivamente não está. Precisava ter visto como ele me tratou ontem, distante, frio, impessoal. Valeu por me dar essa força, por ter deixado a Lauren e mais uma vez salvar esse seu amigo aqui. Não sei o que seria de mim sem você! – afirmei, abraçando-o demorada e amistosamente, a ponto de ele tomar meu rosto entre as mãos e me beijar carinhosamente na boca, como já havia feito inúmeras vezes desde que nos conhecemos.

O Jeff sempre soube que não havia malícia ou segundas intenções naqueles beijos, que eles apenas refletiam o imenso carinho que tínhamos um pelo outro. O que eu não reparei enquanto acontecia o beijo, foi que, distante dali, o Jake nos observava exatamente naquele instante.

Pouco depois das sete da manhã o Tyler e eu seguíamos para o aeroporto onde o jatinho executivo nos esperava. Aproveitei que o Sam tomou o desjejum conosco para me despedir dele e elogiar sua atuação como diretor-geral do resort e lhe assegurei que teríamos sempre uma linha aberta para trocarmos informações e resolver as pendências que ele julgasse necessárias.

- Foi um prazer te conhecer, Blake! Sei que será um excelente CEO e que vai obter sucesso em tudo que fizer, além de ter tido um ótimo professor no Jeff, você e sua sensibilidade tem como chegar longe. É uma enorme satisfação trabalhar ao seu lado! – disse ele ao nos despedirmos.

Quanto mais o carro se afastava do resort em direção ao aeroporto de Santo Domingo, mais aumentava aquele sufoco no meu peito e, subitamente, senti uma lágrima descendo pelo rosto. O Tyler também a notou, mas não disse nada para não aumentar a minha dor, apenas pousou a mão sobre meu ombro.

Enquanto isso, no escritório do Sam no resort, acontecia um diálogo do qual só vim a saber posteriormente. Ele se preparava para repreender mais uma vez o Jake pela atitude infantil que teve ao não comparecer ao jantar que ofereci aos funcionários.

- Foi uma molecagem, Jake, para dizer o mínimo! Um profissional que se preze não tem um comportamento desses. O Blake esperou ansiosamente por você a noite toda, sabia?

- Inventarei uma desculpa qualquer quando o encontrar na reunião que teremos daqui a pouco, ele terá que se contentar com ela. – respondeu o Jake.

- Não vai haver mais reunião alguma! O Blake foi embora com o Tyler, saíram faz uma meia hora. – revelou o Sam

- Como assim, foi embora? Aquele veadinho mimado não podia me fazer mais essa desfeita, me abandonar sem dar sequer uma explicação! Como é que eu vou dizer agora para aquele mauricinho esnobe do caralho que estou apaixonado por ele, apesar de ter visto o beijo devasso que ele e o Tyler trocaram ontem ao final do jantar. – sentenciou o Jake, deixando o tio estupefato.

- O quê, você estava no hotel e não apareceu no salão para o jantar? Eu já nem sei mais o que dizer, Jake! Cada dia me estarreço mais com seu comportamento e atitudes.

- Quando ele volta?

- Não volta! Isto é, talvez esporadicamente para ver como as coisas andam, ou para resolver uma questão pontual. Ele resolveu voltar em definitivo para os Estados Unidos, depois de se decepcionar com você! – revelou o Sam.

- Ele não pode fazer isso comigo! Eu estou apaixonado por aquele veadinho esnobe do cacete e não vou perdê-lo!

- Então, meu sobrinho, trate de se apressar! A essas alturas eles já devem estar chegando ao aeroporto e em pouco tempo a aeronave decola. É sua última chance, Jake! Trate de não desperdiçá-la! – o Jake mal ouviu as últimas palavras do tio, saiu correndo e driblando o trânsito que encontrava pelo caminho até o aeroporto feito um louco ao volante do Wrangler.

Ele arrumou uma confusão ao chegar ao aeroporto, invadindo uma área privativa depois de se desentender com os seguranças e furar o bloqueio causando o caos na área da aviação executiva do aeroporto. Os autofalantes convocavam a todo instante os seguranças a barrarem um sujeito descontrolado que procurava chegar à pista quando o jatinho já estava com os motores ligados e embarcando os passageiros.

Eu seguia o Tyler escada acima para entrar no jatinho quando ouvi os berros do Jake chamando meu nome, e o doido correndo pela pista em nossa direção seguido por meia dúzia de seguranças que tentavam agarrá-lo.

- O que deu nesse maluco agora? – perguntei para mim mesmo.

- Parece que seu pretende não desistiu de você! – exclamou o Tyler, também atraído pelos gritos do Jake.

- Bem típico dele, se exibir, arrumar confusão, babacão! – resmunguei

Ele nos alcançou e praticamente se atirou escada acima me agarrando a ponto de quase me derrubar. Os seguranças esbaforidos o dominaram com uma chave de pescoço e queriam arrastá-lo escada abaixo, me carregando junto, pois o Jake não me soltava.

- O que deu em você seu maluco? – perguntei

- Você não pode embarcar nesse avião! Não pode me deixar! Eu te amo, seu veadinho mimado e não vou deixar você me abandonar! Está me ouvindo? Me solta cara, eu não vou a lugar algum sem ele, podem chamar o exército se quiserem, mas não saio daqui sem ele! – berrava o Jake para os seguranças que eram alvejados com os socos e pontapés que ele distribuía.

- Soltem-no, está tudo certo! Podem soltá-lo! – afirmei, mas os seguranças não o soltavam

- Ele invadiu a pista, isso é muito irregular! Teremos que levá-lo até a direção do aeroporto, ele terá que responder por tudo isso. – disse um dos seguranças, obstinado em cumprir sua obrigação.

- Viu o que você conseguiu, seu doido? Está feliz agora? – questionei

- Só estarei feliz quando você voltar comigo e disser que também me ama! Que nunca mais vai embora e que vai ficar comigo para sempre. – respondeu ele

- Não o machuquem, eu vou acompanhá-lo e responderemos por tudo que for necessário, mas soltem-no, não o machuquem! – pedi ao ver que os seguranças começavam a levar a melhor sobre ele.

- Isso é que é paixão, Jake! Cuide bem do nosso chefe! Estarei de olho em você e, aí de você se eu voltar a ver mais alguma lágrima no rosto dele! – sentenciou o Tyler que se divertia com a ousadia do Jake.

- Vou cuidar, não se preocupe! – retrucou o Jake enquanto seguíamos rumo à sala da direção do aeroporto.

Felizmente contamos com a boa vontade das autoridades do aeroporto que não chamaram a polícia para prender o Jake, uma vez que nenhum dano havia ocorrido durante o incidente.

- Precisava desse showzinho todo? – perguntei enquanto ele dirigia.

- Você ia me abandonar! Claro que precisava! Por que não se despediu de mim? É a segunda vez que faz isso, vai embora sem me dar satisfações!

- Não sabia que tinha que dar “satisfações” a você!

- Está bem, não são “satisfações”, são explicações por me abandonar!

- Não estava te abandonando! Não se abandona alguém que afirmou que não quer nada comigo! – retruquei.

- É você quem não me quer! Deixou isso bem claro!

- Nunca disse que não te queria! Não estar disposto a ceder às suas sacanagens não significa que não te quero!

- Veadinho complicado!

- Machão babaca!

- É isso, vamos começar a brigar outra vez?

- Foi você quem começou!

- Arre! Cacete, você pode ao menos uma vez não ficar me contestando? Não gosto disso!

- Claro, está acostumado a todos te obedecerem e cederem às suas investidas por mais devassas que sejam! – devolvi, o que o fez dar um soco no volante e rosnar na minha direção.

Comecei a rir. Ele se voltou para mim e também começou a rir e, uma centena de metros adiante parou o Jeep no acostamento veio para cima de mim e me beijou sôfrega e lascivamente até eu ficar sem fôlego.

- Eu ainda te domo, seu veadinho tesudo do caralho!

- Pode tentar! – revidei, antes de outro beijo me sufocar quando a língua dele entrou inteira na minha garganta. Uma hora qualquer teríamos que selar um armistício, mas isso ainda parecia estar longe de acontecer.

- Quero te mostrar uma coisa! – disse, voltando para a estrada com um risinho maroto que volta e meia lançava na minha direção.

Reconheci o trecho final da rua que dava acesso à casa dele, e pensei, é agora que o danado vai me enrabar e já sei de antemão que não vou recusar, até porque, meu cuzinho estava piscando desde o aeroporto.

Como nunca havia reparado na casa, não saberia dizer o quanto a reforma, da qual o Pete mencionou, a melhorou. Contudo, o design interior era extremamente clean, sofisticado e muito confortável. Observei atentamente cada detalhe e, quanto mais a observava, mais me admirava.

- O que acha? – perguntou, talvez porque minha expressão indicasse certa surpresa.

- Você tem muito bom gosto! – respondi.

- Vem cá, quero que veja isso! – exclamou entusiasmado, me levando até a suíte principal da casa onde me flagrou ao sair nu do banheiro quando o procurei para me levar até Luperón, e que tinha uma ampla saída para aquele deque de onde se avistava todo arvoredo que cercava a colina na qual a casa se encontrava engastada, com o mar muito azulado ao sopé dela.

- É lindo, Jake!

- Gostou? De verdade?

- Sim, claro! É bonito demais!

- Fiz pensando em você! ... Acha que conseguiria morar aqui? ... Comigo? – perguntou inseguro.

- Fez tudo isso para mim? Foi para isso que me extorquiu aqueles U$ 8000 e vendeu a sua motocicleta? – perguntei. Ele me encarou espantado. – O Pete me contou! Na mesma ocasião em que falou da aposta que vocês dois fizeram para ver quem seria o primeiro a me enrabar. – ele ficou ainda mais embaraçado.

- Fiz, fiz para você! Eu ... eu ... quer dizer, nós ... eu e ele ... foi uma bobagem ... eu não .... – a carinha de atrapalhado dele não podia ser mais hilária e fui na direção dele, toquei seu rosto com suavidade e beijei aquela boca que não sabia como se desculpar sem parecer um tolo.

- Eu não devia, mas estou tão apaixonado por você e comovido por ter empreendido essa reforma só para me agradar que sou até capaz de te perdoar por colocar a minha bunda numa aposta estúpida como essa. Ia mesmo deixar outro cara me enrabar por conta de uma aposta? – questionei. Ele só ouviu o começo da frase, o “estou tão apaixonado por você” que imediatamente me puxou contra si e me devorou numa sequência de beijos que deixaram meus lábios entorpecidos.

- Eu sou um babaca, não sou? Mas eu juro, eu nunca ia deixar outro cara tocar em você, acredite! Muito menos o safado do Pete! Não quero nem imaginar outro cara te pegando! Juro que se me perdoar nunca mais vou fazer uma besteira dessas, Blake! Eu te amo, quero você só para mim!

- É sim, as vezes você é um tremendo de um babaca!

- Mesmo assim você acabou de confessar que me ama! – exclamou, cheio de si. Levou um soco no bíceps antes de ganhar outro beijo carregado de sensualidade. – Me promete que nunca mais vai me abandonar, Blake. Que nunca mais vai embora sem me dizer o porquê. Eu preciso de você, do seu amor, da sua companhia. – havia incerteza e receio em sua voz, e eu bem sabia porquê.

- Eu não fui embora, Jake e não vou te abandonar, não tema! Eu voltei aos Estados Unidos para acompanhar o nascimento do filho do Tyler e da Lauren. Eu quis te contar porque estava viajando, mas você estava tão zangado comigo que não quis me ouvir e se recusou a se encontrar comigo antes da partida, lembra?

- Eu não disse que sou um babaca!

- É, é sim, um babaca turrão, mandão, insuportável às vezes, e o cara mais fofo, lindo e gentil que eu conheço! – devolvi, abrindo um sorriso vaidoso naquele rosto que eu só queria cobrir de beijos.

- Vai mesmo vir morar comigo aqui? Quando? Se quiser mudar alguma coisa e deixar mais com a sua cara e seu gosto, eu faço! Sei que tem um gosto refinado, que está habituado a morar em lugares muito mais imponentes e sofisticados do que essa casa. Só quero você aqui ao meu lado, feliz, sendo meu parceiro, meu marido, meu veadinho tesudo, meu tudo.

- Não quero e nem preciso que mude nada, Jake! Nem mesmo você precisa mudar, gosto do homem que você é! Falando nisso, qual é a dessa roupa que resolveu usar, calça de alfaiataria, camisa social, sapatos fechados de couro?

- Eu estava tão puto achando que você tinha me abandonado por eu parecer um irresponsável que resolvi te provar que posso ser muito profissional quando necessário.

- Eu me apaixonei por aquele Jake que correu na minha direção metido numa bermuda, cheio de músculos, bronzeado, viril, com a pele reluzindo de suada e o sol de fundo como cenário de uma das mais belas e sedutoras visões que já tive quando achou que eu estava me afogando no dia em que nos encontramos pela primeira vez. É esse Jake que eu quero como meu marido, é para esse Jake que quero dar todo o amor que carrego no meu peito. – confessei, pois a cada troca de olhares eu me sentia mais e mais apaixonado por aquela criatura.

- E me fez acreditar todo esse tempo que me detestava! Você sabe ser cruel, Sr. Blake! Muito cruel!

- Por que você se mostrou um tremendo babaca esse tempo todo!

- Não sou mais? – indagou, começando a devorar meus lábios com os dele.

Fomos apreciar o pôr do sol no deque em frente a sala, deitados em espreguiçadeiras e tomando um mojito que ele havia preparado. Por um bom tempo não falamos nada, bastava estarmos de mãos dadas, como se o calor que as percorria fosse o suficiente para nos comunicarmos. Não sei se foi o mojito que caiu no meu estômago vazio ou, se foi o corpão sexy dele naquele short sem cueca de onde saíam as coxonas peludas e musculosas que me levaram até ele, ajoelhando-me entre elas, já que estavam bem abertas. A reação inicial dele foi de espanto quando comecei a beijar o entorno de seu umbigo onde havia um redemoinho de pelos castanhos densos. Ele só inspirou fundo e não desgrudou o olhar de mim. Lentamente deslizei a mão sobre o enorme volume que estava dentro do short, fazendo com que ele soltasse o ar que tinha nos pulmões num estertor baixinho. Com a mão alisando o volume, senti um abrupto pinote que começou a endurecer aquela jeba cavalar com impulsos cada vez mais fortes. Enfiei a mão pela entrada de uma das coxas até tocar naquela carne excitada e quente. O Jake soltou um gemido, e eu adentrei mais até tocar e minha mão se fechar ao redor do sacão pentelhudo dele.

- Não precisa fazer isso! É bom, é maravilhoso, mas não precisa fazer isso! Eu sei que fui muito agressivo e devasso no dia em que pedi para você acariciar a minha pica. – disse ele, referindo-se à noite em que passamos no hotel de Luperón e que acabou gerando todo aquele desentendimento.

Eu segui determinado com meu intento, puxei o short até a metade das coxas dele soltando aquele caralhão que já estava à meia-bomba e vertendo seu melzinho translúcido e perfumado. Toquei de leve na cabeçorra úmida, acariciando seu contorno até ficar com as pontas dos dedos molhados de pré-gozo. Levei os dedos à boca e o encarei cheio de tesão. Ele não sabia se me agarrava e me pegava de jeito ali mesmo, ou se me deixava continuar com aquele joguinho prazeroso.

- Tive vontade de fazer isso desde a primeira vez que me exibiu essa maravilha, ao querer mijar sobre a queimadura da água-viva. – confessei, antes de começar a lamber a glande e sorver o sumo de excitação dele.

- Caralho, seu veadinho safado! E me deixou esperando por isso até agora? Sr. Blake, o senhor é muito, muito cruel! – balbuciou com a respiração agitada pelo tesão

- Sou cruel, Sr. Jake? Acha mesmo que sou cruel? – perguntei libidinoso, lambendo o caralhão que já estava completamente duro e difícil de controlar.

Sem avisar, estrangulei a chapeleta entre os dedos e a torci até ouvir o berro dele.

- AI, AI, caralho! O que deu em você, está doido, quer me aleijar, seu maluco? Ai minha pica, Blake! Isso doeu para caralho! – gritou, procurando afastar a minha mão de seu falo dolorido.

- Isso é só um aviso de como posso ser cruel se continuar a se engraçar com as hóspedes do resort passando aquelas suas cantadas libidinosas naquelas oferecidas ou, deixando que aquele bando de gays tarados fique pegando nos teus músculos e se insinuando para esse pauzão! Aí sim você vai saber como posso ser cruel! – afirmei resoluto e enciumado.

- Ah, Blake! Quando eu te pegar ...! – suspirou, antes de liberar outro sonoro gemido, ao sentir meus lábios se fechando ao redor da cabeçorra e chupando aquela carne quente e suculenta.

Lambi e massageei o sacão dele com a língua, brinquei demoradamente com aqueles bagos enormes e consistentes, engolia a verga gigantesca até onde me era possível sem me engasgar, sugando delicadamente cada centímetro dela e ensandecendo o Jake a ponto de ele perder o controle, me agarrar e ir arrancando minha roupa enquanto me levava para o quarto. Ajeitei-me numa posição de bruços levemente lateralizada, empinei bem a bunda quando vi aquele brilho devasso no olhar do Jake e aguardei ansioso aquele corpão másculo me cobrir com seu peso. Ele envolveu meu tronco, amassou meus peitinhos, ronronou um – vou te foder até deixar esse rabão todo galado com a minha porra – e esfregou o pauzão nas minhas nádegas até ele se encaixar no meu reguinho profundo e estreito.

- Ai Jake! – suspirei com o corpo começando a tremer de tanto tesão. Há muito tempo eu não sentia essa sofreguidão, esse desejo lascivo de levar um cacete no rabo, e esperava por esse momento como se minha sobrevivência dependesse disso.

- Fala para o seu Jake, fala para o seu macho o que você quer, Sr. Blake, fala! – exigia ele, tão excitado com meu corpo quente se revolvendo debaixo dele que mal conseguia controlar seus instintos.

- Quero você, Jake! Quero você dentro de mim, paixão! – sussurrei, rebolando levemente para que o cacetão se alojasse no meu reguinho.

- É isso que você quer, meu tesudinho? É meu cacete dentro do seu cuzinho que você quer, meu veadinho mimado? Teu macho vai atender todas as suas vontades, vai fazer de um tudo para te deixar feliz, meu amor! – retrucou ele, arfando feito um garanhão.

Rebolei mais umas duas vezes enquanto o Jake, segurando o caralhão babando numa das mãos, o pincelava sobre a minha rosquinha anal. Com um movimento impulsivo, ele meteu a cabeçorra no meu cuzinho, me obrigando a soltar um ganido e me agarrar aos lençóis. Inspirei fundo, os espasmos percorriam meu corpo, e esperei pela próxima estocada com os esfíncteres tão travados pela dor que mal tinha coragem de me mexer.

- Doeu? Você é tão fechadinho, Blake! Deliciosamente fechadinho, meu tesão! Não quero te machucar! – ronronava ele, bufando ruidosamente no meu cangote, onde dava chupões na pele fresca e aveludada como se fosse me comer inteiro.

- Jake! – foi tudo que consegui gemer, de tão prazerosa que aquela rola grossa e intrépida pulsando no meu ânus me recompensava pela dor.

Eu me esforçava para relaxar os esfíncteres e permitir que aquele colosso deslizasse para dentro do meu cuzinho, mas eles não se distendiam o bastante e, à medida que o Jake se empurrava para dentro do meu cu, eles se dilaceravam me rasgando inteiro e me fazendo gemer num suplício sem fim. Sabendo que se quisesse aquele macho aconchegado nas minhas entranhas eu precisava ceder e aceitar aquela dor antes de desfrutar do prazer, eu me entreguei submisso e generoso, me soltando em suas mãos e seus desejos.

- Você agora é meu, paixão! É todinho meu como eu sempre quis desde que coloquei meus olhos em você! Diz para mim que vai ser sempre assim, que você vai ser sempre meu, só meu! – suspirava ele, enquanto o movimento de vaivém estocava o caralhão dele no fundo do meu cuzinho desencadeando um prazer único e sublime que satisfazia ambos.

Antes de mudarmos de posição, ele me pegando de frango assado, eu já havia gozado e me esporrado todo em meio a gemidos de prazer. Quando colocou minhas pernas trêmulas sobre seus ombros na nova posição e enfiou novamente o caralhão nas minhas preguinhas distendidas, eu o puxei sobre mim, cobri seu rosto suado de afagos e beijos, gemendo com a língua dele na minha boca a cada estocada potente que levava, enquanto arranhava suas costas e fincava os dedos no glúteo peludo e musculoso dele.

- Vou encher esse rabão tesudo de porra, meu veadinho gostoso! Vou te inseminar para você nunca se esquecer de quem é seu macho agora! – sussurrava ele, fodendo meu cuzinho com força e tão profundamente que minha pelve se contraía em espasmos.

Ele interrompeu o beijo que estava me dando, olhou fixa e apaixonadamente nos meus olhos, soltou um urro rouco e se despejou em mim. Os jatos seguidos e profusos de sêmen morno escorriam pelo meu ânus e, quase chorando de tanta felicidade, eu afaguei o rosto dele, gemi seu nome e um – eu te amo – ardente, transmitindo toda minha paixão.

- Blake, meu amor, sou o homem mais feliz desse mundo porque tenho você! – balbuciou ele, ejaculando sem parar o esperma que abarrotava seus colhões férteis.

Me reencontrei comigo mesmo quando, depois de ele tirar o pauzão do meu cuzinho esporrado, e me aconchegar em seu corpão viril e quente. Não imaginava o quanto isso me fez falta e o quanto roubou do meu equilíbrio emocional. Estar ali novamente com um macho que me amava fez a vida voltar a ter significado. O coração dele foi desacelerando aos poucos depois do coito, eu podia sentir cada pulsação na palma da minha mão que tateava entre os pelos do seu peito suado pelo esforço. Minha cabeça, pousada em seu ombro, tinha os cabelos desalinhados pelos dedos de uma de suas mãos, enquanto a outra, espalmada, roçava de leve a pele veludosa da minha nádega carnuda.

- Doeu muito? – perguntou num tom de voz culposo

- Foi muito mais prazeroso do que doloroso! Foi maravilhoso, Jake! Por que está me fazendo essa pergunta?

- Porque nunca fiz sexo com alguém tão fechadinho como você. Não quero te machucar, nunca! E tenho a impressão, quase certeza, que foi o que fiz ao me deixar levar pelo tesão e pelo desejo de te possuir.

- Mesmo que isso tenha acontecido, eu não vejo a hora de você entrar em mim novamente! Você foi tão gentil e amoroso, tão viril e cuidadoso que, pouco de dor ou ardência no cu, me faça não querer aninhá-lo em mim.

- Só me prometa uma coisa, Blake; não, jure, jure por tudo que te é mais sagrado que nunca, mas nunca mesmo, vai me abandonar. – suplicou aflito e angustiado

- Por que eu faria isso, Jake, se te amo com todas as minhas forças? Não, eu nunca vou te abandonar! Vou estar ao seu lado até sermos dois velhinhos caducos discutindo por bobagens só para provar que ainda nos importamos um com o outro! – asseverei.

Não era a primeira vez que ele me fazia essa pergunta e eu sabia muito bem o que o levava a ser tão inseguro nesse aspecto. A perda prematura dos pais e ter sido abandonado por aquela mulher, que jamais saberá o homem maravilhoso para o qual ela virou as costas, e à qual ele se entregou de corpo e alma numa paixão avassaladora, deixaram cicatrizes profundas e doloridas em sua personalidade.

Minha mudança só se deu algumas semanas depois, após eu providenciar algumas coisas pessoais das quais não queria me desfazer e que não havia trazido comigo na viagem, e estavam na minha casa nos Estados Unidos. Aproveitei o batismo do Kyle para ir buscá-las e levei o Jake comigo, pois a Lauren, o Roger e a Kristen estavam loucos para conhecer o cara que me fez sair do casulo e me arriscar num novo amor. Como eu, nem preciso mencionar o quanto gostaram dele, o que não impediu o Roger de colocá-lo contra a parede quando teve a chance de ficar uns momentos a sós com o Jake, exigindo que ele jamais ousasse me magoar.

- Levei uma prensa do Roger durante a festa do batizado. – revelou-me o Jake. – Você e ele estudaram juntos, não foi? Só foram colegas ou ele se apoderou de outras coisas em você? – indagou enciumado.

- É o jeitão dele! Desde que o conheço ele tem essa mania de achar que precisa me proteger. Mas ao que parece ele foi com a sua cara, portanto, não o leve tão a sério. – respondi.

- Da próxima vez que estiver com ele, diga que ele foi destituído dessa função, que você agora tem um macho cuidando de você e que ele pode apenas ficar na dele. – tive que rir, pois a expressão séria do Jake não deixava dúvidas de que sentia ciúme da minha amizade com Roger.

- Bobinho! Vem cá, vem! Sabia que eu também sei como cuidar do meu macho? – questionei lascivo ao mesmo tempo em que me pendurava em seu pescoço, beijava seus lábios e enfiava sorrateiro a mão dentro da calça dele até alcançar e acariciar o pauzão dele.

- Seu único macho, você quer dizer! – exclamou de pronto, enquanto o cacetão endurecia na minha mão e, antes de ele o atolar até as bolas no meu cuzinho num coito frenético que me fez gemer e contorcer enquanto o caralhão me arregaçava.

Saciado e feliz por sentir que aquela certeza de ter todo o meu amor e minha atenção, ele ficou a examinar a casa onde o Jeff e eu vivemos a nossa história. De repente, saiu-se com essa pergunta.

- Tem certeza que está disposto a deixar tudo isso para trás e ir viver comigo naquela casa sem todo esse luxo no qual você viveu até agora? Juro que não vou deixar que nada lhe falte, mas jamais poderei te proporcionar o que você teve aqui.

- De tudo o que você está vendo, nada foi mais importante do que o Jeff. Quando ele me foi arrancado pelo destino eu perdi tudo o que tinha valor para mim, até você entrar na minha vida. Aquela casa em Santo Domingo é muito mais do que eu preciso! O que nunca pode me faltar é o seu amor, é você Jake! – ele me amassou contra o peito e colou sua boca na minha, penetrando lentamente a língua na minha garganta e deixando sua saliva distribuir seu sabor másculo em mim.

A comunicação formal para todo o staff do resort de que estávamos juntos na condição de marido e marido deu-se na mesma semana em que retornamos dos Estados Unidos. Apenas o Sam recebeu a notícia antes dos demais. Alguns caras quando vieram me cumprimentar tinham aquela expressão de frustração por suas esperanças terem findado ali. Também foi só naquele momento que me dei conta de quantos eu tinha deixado assanhados e esperançosos para terem uma relação sexual comigo. O Jake também percebeu esses olhares frustrados e comentou comigo.

- Ah se eu tivesse percebido isso antes, já tinha botado todos esses tarados no olho da rua! Bando de cafajestes depravados! – exclamou irado, me fazendo rir. – Não tem graça, sabia? Ai daquele que eu pegar te secando, meto-lhe um murro no meio das fuças antes que saiba de onde veio! – resmungou daquele seu jeito empertigado quando ficava furioso com alguma coisa.

- Então também deixe isso bem claro para aquele cafajeste do seu amigo, Pete! Não gosto de como ele olha para a minha bunda feito um cachorro esfomeado e sem dono! – o Jake riu.

- O Pete é brother! Jamais trairia a minha confiança! Mas vou dar um toque nele, dizendo que você se sente incomodado com os olhares dele.

- Acho bom! Nunca vou perdoá-lo por ter te instigado a fazer aquela aposta ridícula, como se meu ânus fosse objeto de barganha entre dois machos. Cafajeste safado! – afirmei. Por alguma razão, além dessa é obvio, eu sempre tive um pé atrás com o Pete e, não fosse ele um amigo tão chegado do Jake, eu jamais conseguiria ser amigo dele apesar do macho atraente e viril que ele é.

Antes do final daquele ano, o Jake e eu nos casamos oficialmente ao pôr do sol de um sábado de dezembro sob um gazebo montado nos jardins do resort. Parte da minha família e todos os meus amigos vieram nos prestigiar. O Kyle começava a ensaiar os primeiros passos como um garotinho precoce e esperto. Tinha sido uma insistência obstinada do Jake formalizar com papeis a nossa união, mais do que eu precisava para me sentir vinculado a ele para todo o sempre. Tenho certeza que seu medo irracional de ser abandonado era a principal razão para ele me fazer esse pedido. Quando eu disse o – Sim, aceito – o rosto risonho e feliz do Jake estava novamente contra o sol, como naquele dia em que ele veio correndo na minha direção para me salvar achando que eu estava me afogando. Ao verbalizar o meu – Sim – eu me dei conta de que foi exatamente isso que ele fez, me salvou e me deu uma nova chance de ser feliz, tão plenamente quanto eu me sentia naquele momento.

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