Obsidian: A Primeira Escrava - Parte 23

Da série Obsidian
Um conto erótico de Fabio N.M
Categoria: Heterossexual
Contém 5284 palavras
Data: 05/04/2025 12:44:30

A cidade de São Paulo pulsava ao redor do restaurante sofisticado, suas luzes refletindo nas calçadas úmidas após a fina garoa que caiu no começo da noite. O movimento dos carros na avenida principal era constante, mas ali, no interior exclusivo do Le Grand Bistro, o tempo parecia fluir de maneira diferente.

Vincent Weiser desceu do carro sem pressa, ajeitando a lapela do blazer de corte impecável. Seu olhar varreu o ambiente ao redor automaticamente, absorvendo cada detalhe antes mesmo de entrar no restaurante.

O porteiro abriu a porta com um aceno cortês e um "boa noite".

Vincent assentiu levemente, como um rei que aceita a reverência de um súdito.

Seus sapatos de couro cruzaram o salão, e a música ambiente, um jazz suave, preencheu o ar. O aroma de vinho caro e pratos requintados misturava-se com o cheiro de madeira polida e flores frescas sobre as mesas.

Ele caminhou pelo com a tranquilidade de alguém que sabia que todos estavam sentindo sua presença.

Porque estavam.

Ele podia perceber os olhares discretos das mulheres acompanhadas de maridos distraídos, dos garçons que ajustavam automaticamente a postura ao vê-lo passar.

Ao fundo, Camila Costa já estava à sua espera.

Vincent parou por um breve instante antes de se aproximar da mesa.

Ele queria analisá-la antes que ela o visse.

Ela não era uma mulher qualquer.

Camila vestia um blazer creme ajustado na medida exata para não ser provocante, mas sofisticado. A blusa de seda escura que usava por baixo escorregava suavemente sobre a pele, revelando um vislumbre sutil da clavícula.

Seu cabelo castanho escuro estava preso em um coque polido, mas algumas mechas haviam escapado da perfeição, algo que Vincent não ignorou.

Os óculos de armação fina repousavam sobre seu nariz, acrescentando um ar de profissionalismo calculado. Afinal, ela não estava ali para ser apenas uma acompanhante em negociações, ela era uma jogadora de peso.

Ele sorriu internamente antes de se aproximar.

Camila percebeu sua presença antes mesmo de ele chegar à mesa.

O leve tensionar de seus ombros, o sutil ajuste da posição do copo de vinho entre seus dedos, a forma como ela mordeu o lábio inferior por menos de um segundo antes de recompor a expressão. Vincent reprimiu um sorriso de satisfação.

Camila ergueu os olhos e, como esperado, sua expressão era de controle absoluto.

Ela estendeu a mão, mantendo-se perfeitamente profissional.

— Senhor Weiser.

Vincent segurou sua mão com firmeza, mas sem pressa.

A pele dela era macia e quente, e ele não pôde evitar notar como seu perfume, algo cítrico, mas com um fundo amadeirado, se misturava ao ambiente.

— Senhora Costa.

O toque durou um segundo a mais do que o necessário.

Camila recolheu a mão com naturalidade, sem perder o ritmo.

Indicou o assento à sua frente.

— Espero que não tenha tido problemas com o voo.

Vincent se acomodou com a calma de um homem que nunca tem pressa.

— Nenhum. Mas se tivesse, a vista daqui já teria compensado — disse sem olhar para a paisagem do lado de fora.

Camila pegou a taça de vinho e tomou um gole pequeno.

Vincent percebeu que sua mão estava perfeitamente estável. Boa jogadora.

— Vamos direto ao ponto, senhor Weiser — Camila começou, apoiando os braços sobre a mesa — A Rede Costa Fast está em busca de um novo fornecedor de embutidos, mas temos critérios rígidos. Qualidade impecável, prazos inquestionáveis e, claro, preço competitivo.

Vincent sorriu de canto, pegando a própria taça.

— E eu estou aqui porque sei que minha empresa atende a todos esses critérios. Mas você já sabe disso, não sabe?

Camila manteve a expressão neutra.

— Eu gosto de analisar todas as opções antes de tomar uma decisão.

Vincent inclinou-se ligeiramente para frente, apoiando os antebraços na mesa.

— Ou tu só gosta de testar quem tá na tua frente antes de decidir se vale a pena o esforço.

Ela não piscou, mas ele viu o leve movimento de sua perna sob a mesa. A tensão estava ali.

A conversa seguiu por minutos afiados, onde cada palavra carregava um duplo significado.

Camila usava seu tom profissional para questionar prazos, prêmios de certificação e logística.

Vincent usava sua presença para distraí-la de suas próprias perguntas.

Ele sabia como manter o tom de voz certo, como segurar o olhar por tempo suficiente para fazê-la desviar primeiro.

E então, Vincent atacou.

— Me diz, senhora Costa… — Ele inclinou levemente a cabeça — Você está aqui a trabalho, ou pra ver se eu consigo fazê-la quebrar as regras que você mesma estabeleceu?

A pergunta foi um choque elétrico no ar. Camila ficou imóvel por um instante. O copo de vinho permaneceu suspenso entre seus dedos por um segundo a mais.

Ela piscou, processando a provocação.

E então… sorriu.

Um sorriso pequeno. Quase imperceptível.

— Eu sou uma mulher comprometida, senhor Weiser.

Vincent girou o copo entre os dedos, observando o vinho se movimentar.

— E eu sou um homem que não precisa que ninguém quebre promessas — Ele ergueu os olhos — Mas que gosta de testar vontades.

Camila tomou o resto do vinho de um gole só.

O restaurante continuava vivo ao redor deles, mas para Camila e Vincent, o mundo estava encolhendo, reduzido apenas àquele espaço, àquela mesa, àquele jogo.

Camila tentava manter o controle da conversa. Tentava, mas Vincent sabia exatamente o que estava fazendo.

O ritmo da conversa era um fio de seda sendo puxado com delicadeza, um equilíbrio entre negócios e algo mais profundo, mais denso, algo que fazia a temperatura do ambiente parecer ligeiramente mais alta.

Vincent girou a taça de vinho entre os dedos longos, deixando o líquido deslizar pelas paredes de cristal. Seus olhos nunca se afastavam dela.

Camila cruzou as pernas, tentando parecer confortável.

Mas ele viu o leve movimento da garganta quando ela engoliu seco viu a forma como seus dedos tocaram a haste da taça, apertando-a um pouco mais do que antes, viu como seu olhar oscilava entre os papéis sobre a mesa e a linha precisa da boca dele.

Ela estava sentindo.

Vincent sorriu quase imperceptivelmente.

A paciência era sua melhor arma.

E ele não estava com pressa.

— Você viaja muito a negócios, Camila?

A pergunta veio casual, mas o tom era carregado de intenção.

Camila piscou, demorando um segundo a mais do que o normal para responder.

— O suficiente para conhecer os melhores restaurantes das cidades onde fecho contratos.

Vincent assentiu lentamente.

— E você sempre negocia pessoalmente?

— Sempre.

— Isso significa que seu marido confia bastante no teu julgamento.

A frase ficou suspensa no ar.

Camila inclinou levemente a cabeça. Havia um peso diferente ali. Vincent não mencionou o marido como um obstáculo. Ele não perguntou se ele se importaria. Ele simplesmente constatou um fato.

Ela umedeceu os lábios rapidamente, como se a boca estivesse subitamente seca.

— Ele confia no meu profissionalismo.

Vincent sorriu de canto.

— E fora dos negócios?

Camila perdeu um pouco do ar naquele instante.

Vincent percebeu, mas não avançou. Ainda não. Ele a deixaria se debater um pouco mais.

Camila tomou um gole de vinho e desviou os olhos brevemente, como se procurasse algo que a fizesse recuperar a compostura, mas Vincent não deu espaço.

— Você parece uma mulher que gosta de estar no controle — Ele observou, sua voz baixa, envolvente.

Ela soltou um riso curto, tentando retomar as rédeas da conversa.

— Isso deveria ser um elogio?

Vincent inclinou a cabeça.

— Uma constatação.

Camila ergueu as sobrancelhas, cruzando os braços.

— E tu? Gosta de estar no controle?

Vincent soltou um riso baixo, um som quase perigoso.

— Sempre.

Ela prendeu a respiração por um instante, mas logo tentou se afastar novamente, reconstruindo suas barreiras.

Ela pegou os papéis da mesa, mudando o tom de voz para algo mais formal.

— Voltando à proposta da Charcutarias Weiser…

Mas Vincent não deixou.

Ele estendeu a mão, segurando delicadamente o pulso dela antes que ela puxasse os papéis para si.

A pele dela estava quente.

O toque não foi forte nem invasivo, mas foi o suficiente para fazê-la parar.

Camila prendeu o ar.

Ela olhou para Vincent como se tivesse acabado de perceber em que tipo de jogo havia entrado. E o pior, ela não queria sair.

Vincent, ainda segurando o pulso dela, baixou um pouco a voz.

— Sempre tão rápida pra fugir, senhora Costa.

Camila sentiu o estômago revirar em algo quente, algo proibido.

Ela se soltou devagar, mas não recuou.

Vincent deixou que ela se afastasse, mas o estrago já estava feito.

Ela agora estava ofegante.

Camila inclinou-se para trás, tentando encontrar um novo ponto de equilíbrio.

— Tu é perigoso, senhor Weiser.

Vincent sorriu, pegando a taça e levando-a lentamente aos lábios.

— Só para quem gosta de riscos.

Camila apertou as coxas uma contra a outra sob a mesa, desconfortável com a própria resposta corporal.

Ela sabia. Ela percebia tudo. Mas agora, era tarde demais.

Vincent não tinha pressa.

A cidade lá fora seguia seu curso habitual, carros cruzando as avenidas iluminadas, pessoas ocupadas com suas próprias histórias. Mas dentro do Le Grand Bistro, onde Camila e Vincent estavam, o tempo havia desacelerado.

A conversa sobre o contrato havia chegado ao fim e o negócio fora fechado.

Era o momento perfeito para encerrar a noite e cada um seguir seu caminho, mas nenhum dos dois se moveu. Camila mantinha os dedos pousados sobre a haste de sua taça de vinho, deslizando-os suavemente pelo vidro, como se estivesse reunindo pensamentos antes de falar.

Vincent apenas a observava.

Ele não precisava preencher o silêncio, sabia que era nele que as verdades mais inconvenientes surgiam.

Camila respirou fundo antes de falar.

— Acho que agora podemos brindar ao contrato, senhor Weiser.

A voz dela soava firme, mas Vincent notou o que estava por trás. Aquela não era apenas uma declaração profissional. Era uma tentativa de trazer a conversa de volta para onde era seguro.

Para um território onde ela ainda tinha controle.

Ele ergueu a taça, os olhos fixos nos dela, segurando o momento por um segundo a mais antes de responder.

— Podemos brindar a isso, sim.

Ele fez uma pausa calculada. E então, sua voz veio mais baixa, arrastada, carregada de um significado mais profundo:

— Ou podemos brindar a algo que você ainda não admitiu pra si mesma.

Camila prendeu a respiração.

Foi sutil, mas perceptível.

O movimento de sua taça parou por um breve instante, antes de ela levar o vinho aos lábios.

Ela bebeu lentamente, como se estivesse processando cada palavra dita.

Vincent sabia o que estava fazendo. Ele não a forçava a nada. Apenas jogava pequenas verdades diante dela, deixando que fosse ela quem as pegasse ou não.

Camila pousou a taça sobre a mesa e inclinou a cabeça levemente.

— E o que tu acha que eu não admiti?

A pergunta veio num tom curioso, mas defensivo.

Vincent sorriu de canto.

— Que faz tempo que ninguém te desafia.

Ela manteve o olhar fixo no dele.

Ele continuou, sua voz tranquila, mas cortante.

— Você está acostumada a estar no controle. A tomar todas as decisões certas. A ser aquela que dita as regras.

Camila apertou os lábios.

Vincent sabia que ele estava tocando exatamente onde deveria.

— Mas você também sabe que controle demais pode ser estressante, sufocante — Ele se inclinou levemente para frente — E às vezes… — Sua voz caiu para algo quase íntimo. — O que tu realmente precisa é de um espaço onde não precise pensar.

Ela cruzou as pernas lentamente, como se estivesse tentando reacomodar algo que havia mudado dentro dela.

Vincent não desviou o olhar. Ele não precisou tocar nela. Não precisou avançar um centímetro. A tensão já estava ali.

Ela já estava dentro da teia.

Camila piscou algumas vezes, quebrando o momento.

Ela virou o rosto, como se procurasse alguma distração no ambiente ao redor, mas nada no restaurante parecia importar mais. Os garçons, os outros clientes, a música suave ao fundo, tudo havia se tornado apenas ruído.

Vincent era a única presença que preenchia seu espaço.

Camila respirou fundo e forçou um sorriso.

— Então tu acha que me entende tão bem assim, Vincent?

Vincent girou o vinho na taça, observando o líquido rodar antes de responder.

— Eu não preciso entender tudo. Só preciso ver o que tá bem na minha frente.

Ela riu nervosa, desviando o olhar novamente.

Vincent notou a forma como seu peito subia e descia em um ritmo mais acelerado, notou como ela mordiscou o canto do lábio sem perceber, notou como suas unhas correram discretamente pela superfície da mesa, como se precisasse de algo tátil para ancorá-la.

Camila lutava contra o que sentia, mas o problema não era Vincent. O problema era que ela queria aquilo. Ela queria aquele jogo. Queria aquela sensação e ela odiava que Vincent tivesse percebido antes dela mesma.

Camila suspirou pesadamente e olhou para Vincent com um misto de irritação e fascinação.

— Tu tem um talento irritante de conduzir as coisas exatamente pra onde quer.

Vincent arqueou uma sobrancelha, divertido.

— E isso te incomoda?

Camila estreitou os olhos, estudando-o. Qualquer resposta seria perigosa. Se dissesse que sim, estaria admitindo que já estava envolvida demais. Se dissesse que não, abriria um espaço que talvez não soubesse como fechar.

Ela optou pelo silêncio.

Vincent sorriu.

— Tu vai pensar nisso a noite toda, não vai?

Camila bufou, pegando a taça e virando o resto do vinho.

— Talvez.

Ela colocou a taça sobre a mesa, passou as mãos pelos cabelos e finalmente se levantou.

Vincent permaneceu sentado, apenas observando.

Camila pegou a bolsa, pronta para ir, mas hesitou. Por um segundo, um segundo longo demais.

Foi quando ele soube que já tinha vencido. Ele não precisava fazer mais nada.

Camila sentiu o peso do momento prender-se a seus pés como correntes invisíveis. A mão segurava a alça da bolsa com força, como se aquilo fosse a única âncora que ainda a mantinha firme.

O silêncio entre eles se estendeu como um fio esticado até o limite, carregado de tensão. Ela poderia apenas sair dali, atravessar o salão do Le Grand Bistro com sua postura impecável, pegar um táxi para o hotel e se trancar em seu quarto, fingindo que nada tinha acontecido, mas a verdade era que algo já tinha acontecido.

Ela sentia isso na pele, na forma como seus ombros pareciam mais rígidos, como seu corpo pulsava em um ritmo acelerado e descompassado. A presença de Vincent queimava em sua memória recente, o jeito como ele segurou seu pulso, o olhar que não recuou, a forma como ele destruiu todas as defesas cuidadosamente erguidas ao redor de si com nada além de palavras ditas no tom certo.

**********

A noite pairava sobre São Paulo como um véu negro bordado de luzes. As ruas abaixo ainda pulsavam com a energia da cidade, mas no alto do hotel onde Camila se hospedava, o mundo parecia mais silencioso, suspenso no tempo, num limbo onde escolhas eram feitas sem testemunhas.

A porta do quarto se fechou com um clique suave.

Vincent não precisou dizer nada.

Camila ficou parada ali, diante dele, a respiração lenta e controlada, mas ele viu nos olhos dela que esse controle era uma mentira.

O brilho no olhar, o rubor discreto na pele, a forma como seus dedos tocaram o fecho da bolsa com hesitação, tudo nela denunciava a guerra travada dentro de si.

Ela queria manter a compostura.

Mas já não possuía mais controle algum sobre si mesma.

Nenhum dos dois se moveu. Havia um ritual silencioso acontecendo ali.

Camila, por mais que tentasse sustentar a seriedade, não conseguiu evitar o modo mais rápido como seu peito subiu e desceu quando Vincent deu um passo à frente.

Seu simples avanço sugou o ar entre eles, como se tudo ao redor fosse insignificante.

Camila mordeu levemente o lábio, quase imperceptivelmente. O cheiro do seu perfume misturava-se com o ar denso do quarto, e o ambiente fechava-se em torno deles, isolando-os do resto do mundo.

Camila ergueu os olhos, e Vincent manteve o olhar fixo no dela.

— Eu vejo o que você deseja, Camila — A voz de Vincent era baixa, mas cheia de poder — Você pode continuar lutando contra isso ou… ceder ao que realmente deseja.

Camila tremeu levemente. Não de medo ou de dúvida, mas porque sua mente dizia que deveria dizer algo, e seu corpo já sabia que não diria nada. Ela fechou os olhos por um instante e soltou um suspiro longo.

Quando os abriu novamente, algo dentro dela já havia cedido.

O silêncio já era a resposta. E ele aceitou essa resposta como o predador que sabe que a caça finalmente se entregou.

Vincent se aproximou ainda mais, até sentir o calor irradiando do corpo dela.

Camila fechou as mãos ao lado do corpo, como se estivesse tentando se ancorar em alguma lógica, mas quando Vincent deslizou os dedos pelo contorno do braço dela, sua respiração tremeu. Ela fechou os olhos por um segundo a mais, como quem sente o inevitável se concretizar.

O toque dele foi lento, mas não hesitante, a palma quente percorrendo a pele macia, o caminho natural de algo que não poderia mais ser contido.

Camila sentiu a garganta secar, seu coração martelando no peito não por medo, mas pela expectativa insuportável do que viria a seguir. O hálito de Vincent roçou contra sua pele, quente, provocador, torturante. Ela sabia que deveria parar ali, mas a verdade era que parar nunca foi uma opção real. Ela nunca quis que ele fosse embora. E Vincent soube disso no exato momento em que ela inclinou o rosto para ele, fechando os olhos e se rendendo ao próprio desejo.

O tempo não importava mais.

O certo e o errado eram conceitos irrelevantes agora.

Tudo o que restava era o que queimava entre eles.

E, naquela noite, Camila finalmente deixou-se consumir pelo fogo.

— A verdade, Camila… — A voz dele era um sussurro arrastado — É que você já perdeu o controle há muito tempo.

O corpo dela reagiu antes da mente.

Seus dedos se fecharam ao redor da gravata dele, puxando-o para perto em um gesto que tentava disfarçar como controle, mas Vincent viu através dela. Sentiu o leve tremor em seus dedos, o suspiro entrecortado quando seus lábios se aproximaram demais.

Ele deixou que fosse ela quem desse o primeiro passo.

O beijo veio urgente, faminto, como algo que havia sido negado por muito tempo. Camila pressionou-se contra ele, sentindo a firmeza de seu corpo contra o seu próprio, o calor espalhando-se como um incêndio sem controle.

Vincent aprofundou o contato, os dedos desabotoando lentamente o blazer dela, peça por peça, até que o tecido escorregasse por seus ombros. Camila deveria ter recuado, deveria ter dito alguma coisa que a trouxesse de volta ao eixo, mas era tarde demais.

Ela estava entregue.

E Vincent sabia exatamente o que fazer com isso.

A noite se desenrolou em toques e sussurros, em lençóis bagunçados e pele contra pele. Cada movimento era um embate, uma luta silenciosa entre desejo e razão, onde a razão já não tinha chance alguma, uma dança conduzida pelo calor e pela inevitabilidade do que já estava escrito no silêncio carregado entre eles.

Camila sentia cada fibra de seu corpo responder ao toque de Vincent como se ele traçasse um mapa invisível sobre sua pele, um roteiro de descobertas onde cada centímetro revelava uma nova fraqueza. Ele era metódico, paciente, como se saboreasse cada reação dela, o pequeno arquejo quando seus dedos deslizavam pela linha precisa de sua cintura, o tremor sutil quando seus lábios tocavam um ponto esquecido na curva de seu pescoço.

— Eu sabia que você ia acabar cedendo — Vincent murmurou contra o pescoço dela, a respiração quente fazendo-a arquear levemente contra ele.

Camila soltou uma risada curta, quase debochada, mesmo com a voz falha.

— E tu se acha o bastante pra dizer que isso foi tua vitória?

Vincent sorriu contra sua pele, a ponta dos dedos descendo lentamente por suas costas nuas.

— Não preciso me achar, Camila. Eu sei.

Ela mordeu o lábio, tentando ignorar a forma como um arrepio percorreu sua espinha, tentando não demonstrar o quanto as palavras dele a afetavam. Mas Vincent era observador demais para deixar passar qualquer detalhe.

A respiração entre eles era quente, entrecortada, o ritmo oscilando entre momentos de puro domínio e rendição total. Camila queria manter o controle, queria ditar o ritmo, mas Vincent não permitia. Ele tomava seu tempo, testava sua paciência, fazia com que ela sentisse cada provocação, cada avanço deliberado, cada pausa estrategicamente cruel.

— Tá tentando fingir que ainda está no controle?

Camila soltou um suspiro entrecortado, as unhas cravando-se levemente nos ombros dele.

— E se eu tiver?

Vincent soltou uma risada baixa, arrastada, como se estivesse se divertindo com a audácia dela.

— Então eu vou adorar ver você perdendo ele completamente.

Camila abriu a boca para responder, mas Vincent tomou seus lábios com os próprios antes que qualquer palavra saísse, aprofundando o beijo de um jeito que a fez esquecer qualquer tentativa de resistência.

O corpo dela já havia se rendido antes mesmo de sua mente admitir.

— Quero ouvir de você, Camila… — Vincent roçou a boca contra o maxilar dela, as mãos explorando cada centímetro de pele quente — Quero ouvir você me dizer que já não consegue mais segurar.

Camila fechou os olhos, tentando manter a dignidade, tentando manter a respiração controlada, mas era impossível.

— …Foda-se. Me come agora, Vincent… — A voz dela saiu trêmula, carregada de algo que ela já não podia esconder.

Vincent sorriu contra a pele dela, satisfeito.

— Boa garota.

E então, a última barreira finalmente cedeu.

A razão se dissipou, os pensamentos se dissolveram, e tudo o que restou foi o toque, a sensação, o calor esmagador que os envolvia, prendendo-os em um ciclo de desejo crescente e voraz.

Camila já não tinha mais controle.

E, no fundo, ela adorava isso.

Camila já sabia, ela havia perdido essa batalha desde o instante em que o deixou entrar em seu quarto. Desde o momento em que permitiu que seus dedos percorressem o caminho de sua pele quente, deixando rastros invisíveis que não desapareceriam com o amanhecer.

A razão lutava para sobreviver, mas era inútil. A cada toque, a cada murmúrio rouco contra sua pele, a sanidade escorregava por entre seus dedos como areia fina, dissolvendo-se na eletricidade entre eles.

Eles se dirigiram para a cama, onde a tensão entre eles se aprofundou ainda mais. Cada toque, cada beijo, é carregado de emoções incendiária. A entrega era completa, e por um momento, todos a moralidade e o medo desapareceram, deixando apenas a paixão e a luxúria os dominarem.

Camila despiu Vincent com ansiedade, como um presente de natal antecipado, jogando as roupas dele para longe. Montado sobre ela, ele arrastou seus lábios pelo pescoço dela e acariciou seus seios sobre a blusa antes de tirá-la. O fecho do sutiã foi aberto e a peça foi embora em um piscar de olhos. Com os dedos, Vincent traçou padrões pelo seu seio nu. Camila fechou os olhos e permitiu que ele a tocasse com volúpia e sofreguidão, fazendo a excitação percorrer o seu corpo como uma corrente elétrica de alta tensão. Com os polegares, ele circundou os mamilos durinhos, beijando cada um deles e rodeando com a língua suas aréolas, enquanto ela passava as unhas para cima e para baixo em suas costas longas, enrolando os dedos em seus cabelos. Vincent tirou-lhe a saia e a calcinha ao mesmo tempo com facilidade e se posicionou entre suas pernas levantando uma delas e a beijando da panturrilha até a parte interna da coxa, bem próxima à sua umidade. Ela se contorcia e mordiscava os lábios implorando por ele.

Lá dentro, a língua de Vincent tocou deliciosamente a cada milímetro que pôde alcançar, sentindo o sabor salgado de seu néctar. Com polegar girou em seu clitóris enquanto ela batia as mãos na cama e agarrava os lençóis. Foi quando o orgasmo começou a se formar na base de sua coluna, se espalhando pelo corpo como uma trepadeira subindo a cerca, a envolvendo de maneira poderosa. Sem suportar mais, Camila gritou em êxtase se contorcendo enquanto ele a segurava.

Antes que ela pudesse se recuperar, Vincent a segurou pelos pulsos e penetrou todo seu comprimento dentro dela, que o abraçou com as pernas enquanto ele se movida, estocando-a com avidez. Ela sentiu-se preenchida por seu membro grosso forçando a entrada de seu útero. O brilho de seu suor realçavam as curvas de seus seios fartos que oscilavam com os movimentos de seu corpo. E nesse momento ele os levava para a beira do precipício de sensações, os lançando em um turbilhão de desejos e luxúria.

O quarto tornou-se um universo à parte, onde nada além do agora existia. O último vestígio de racionalidade se perdeu no momento em que Camila arqueou contra ele, os olhos fechados, os lábios entreabertos em um suspiro entrecortado que carregava não apenas prazer, mas entrega absoluta e uma explosão de prazer.

Finalmente, em um abraço apertado Vincent sentiu eclodindo de seu membro uma carga poderosa que preenchia a vagina de sua amante enquanto ambos gritavam em um ápice arrebatador. Ele a segurou ainda mais firme, pressionando os quadris em cima dela, até que os últimos tremores de prazer desaparecessem.

Lençóis bagunçados, corpos emaranhados, a cidade lá fora completamente esquecida.

E quando o silêncio finalmente tomou conta, o único som restante era o compasso acelerado das respirações ainda desalinhadas, os corpos ainda marcados pelo incêndio que haviam provocado um no outro.

Vincent sorriu contra a pele dela, satisfeito.

E Camila, ainda sem fôlego, soube que não havia mais volta.

Vincent manteve-se junto a ela, a respiração quente contra sua pele, a posse silenciosa em seu toque. E, no silêncio que se seguiu, Camila percebeu a verdade mais perigosa de todas: Ela não queria que aquilo terminasse.

**********

A cidade pulsava, um oceano de luzes tremulantes e promessas vazias. Do alto da sacada privativa da boate, Vincent observava os corpos dançantes, o jogo incessante de sedução que se desenrolava na pista iluminada por estroboscópios rubros e azulados. O cheiro de bebida cara e perfumes intensos se misturava no ar carregado de desejo e competição.

A exclusividade daquele clube, tão vangloriada pelos que o frequentavam, não impressionava Vincent.

Pelo contrário, o decepcionava.

Ele deslizou os dedos ao redor do copo de cristal, o gelo tilintando contra o uísque envelhecido, e sorriu de canto, um sorriso que apenas Luna e Sofia reconheceriam pelo que era: desdém absoluto.

— Tu não parece impressionado — A voz de Sofia cortou o ar, perspicaz como sempre.

Vincent virou levemente a cabeça na direção dela. Sofia estava impecável, como sempre, ajeitando a alça fina do vestido azul petróleo que abraçava suas curvas como uma segunda pele. O tecido acetinado refletia a luz ao menor movimento, tornando-a um ponto de atenção assim que pisou para fora do carro. Seus cabelos caíam soltos, moldando o rosto e caindo sobre os ombros nus, um contraste entre doçura e perigo. Ela estava belíssima. Mas ela sabia que beleza, ali, não era suficiente para ele.

Luna, ao lado dela, levou a taça de martini aos lábios sem pressa. Seus olhos afiados captavam tudo ao redor, analisando as interações com o mesmo olhar crítico de Vincent. Vestia um vestido de seda preta que se ajustava ao corpo como se fosse parte dela, a fenda na lateral revelando uma perna esguia a cada passo estudado. O cabelo escuro estava preso em um coque baixo, realçando a linha do pescoço e as joias mínimas, mas estrategicamente escolhidas. Seus lábios estavam tingidos de um vermelho profundo, o único traço de cor, um detalhe que gritava sem precisar de som.

— Impressionado? — Vincent girou o líquido âmbar no copo, os olhos passeando pelo salão principal da boate, onde homens que se achavam mestres da sedução desperdiçavam oportunidades a cada gesto desajeitado — Eles acham que entendem do jogo. Mas tudo o que fazem é tropeçar nele.

Luna sorriu com a boca, mas não com os olhos.

— E tu faria melhor?

Vincent ergueu uma sobrancelha e virou-se para encarar as duas.

— Eu criaria o jogo.

O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de significado.

A boate era um espetáculo visual: colunas espelhadas refletindo o brilho quente dos lustres pendurados no teto, sofás de couro estrategicamente posicionados ao redor do salão, áreas privativas separadas por cortinas de veludo. O DJ tocava um house sensual, batidas compassadas como batimentos cardíacos de um corpo prestes a se perder no prazer.

Mas tudo ali era artificial.

Vincent observava os homens ao redor e via fraude.

Eles acreditavam que dominavam o jogo, mas bastava um olhar atento para perceber a verdade: eles se esforçavam demais.

O empresário grisalho com seu relógio de platina e seu sorriso forçado, tentando impressionar uma loira que revirava os olhos no meio do gole do seu drink.

O executivo de terno impecável, tocando a cintura de uma mulher com força excessiva, como se tentar demonstrar posse o tornasse automaticamente desejável.

Os jovens embriagados, rindo alto demais, acreditando que transbordavam carisma.

Vincent tomou um gole do uísque, sentindo o calor do álcool se espalhar em sua garganta com a mesma facilidade com que seu desprezo se espalhava pelo ambiente.

Luna e Sofia não precisavam perguntar o que ele via.

Elas sabiam.

— Eles são fracos — Vincent murmurou, os olhos passeando pela pista de dança, onde algumas mulheres tentavam manter a compostura enquanto resistiam ao tédio estampado no rosto.

Sofia cruzou as pernas lentamente, observando-o de perfil.

— Então por que estamos aqui?

Vincent virou-se para ela, o olhar afiado cortando como navalha.

— Para entender o que não fazer.

Luna sorriu ao lado dele, seu olhar faiscando de interesse.

— Algo está surgindo na tua mente?

Vincent deslizou um dedo pelo vidro suado do copo antes de pousá-lo sobre a mesa.

Ele não queria apenas jogar dentro das regras. Ele queria criar as regras.

Ele queria um clube onde não houvesse amadores.

Um lugar onde o jogo fosse real, onde cada olhar, cada gesto, cada encontro fosse um ato de maestria e não de tentativa.

Ele queria algo exclusivo, inatingível para os despreparados, um santuário para os que realmente compreendiam o poder da atração, do controle, da entrega.

E, acima de tudo, ele queria ser o rei desse reino.

Vincent inclinou-se ligeiramente para frente, o olhar incendiado por algo que Luna e Sofia reconheceram de imediato.

— Essa cidade está cheia de homens que acreditam que sabem seduzir. Mas eles não sabem.

Sua voz era baixa, calculada, letal.

— O que eles fazem é mendigar. Jogar iscas. Esperar.

Vincent apontou para um dos homens na pista, um dos tais "pegadores", que falava rápido demais para uma mulher claramente desinteressada.

— Olha pra ele. Ele acha que está no comando. Mas ele tá implorando.

Sofia acompanhou seu olhar e sorriu de canto.

— Então qual a sua ideia?

Vincent recostou-se no sofá, os olhos queimando com a centelha de um império prestes a nascer.

— Um lugar onde só os que realmente entendem possam entrar. Onde a seleção aconteça antes mesmo de a porta abrir. Um espaço onde não há espaço para erro, onde cada olhar tem um significado e cada toque é um contrato não falado.

Luna ergueu uma sobrancelha.

— Tu tá falando de um clube de verdade.

Vincent bebeu mais um gole de uísque, deixando o silêncio responder por ele.

E, no silêncio, a resposta era óbvia.

Sofia inclinou-se para frente, os olhos brilhando.

— E tu já tem um nome pra isso?

Vincent roçou os dedos sobre a camisa, sentindo a joia que voltava ostentar em seu peito, dura, fria, mas ao mesmo tempo fascinante e misteriosa, que carregava sua história, suas dores, mas que como ele, resistiu a tudo. Ele sentiu o peso da ideia tomar forma, como se fosse algo que sempre esteve ali, apenas esperando para ser nomeado.

Seus lábios curvaram-se num sorriso preguiçoso, perigoso.

Ele olhou para Luna, depois para Sofia.

E então, ele disse o nome que mudaria tudo:

— Obsidian.

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Foto de perfil de Fabio N.MFabio N.MContos: 138Seguidores: 160Seguindo: 51Mensagem Segredos para uma boa história: 1) Personagens bem construídos com papéis e personalidades bem definidas qualidades e defeitos (ninguém gosta de Mary Sue ou Gary Stu); 2) Conflitos: "A quer B, mas C o impede" sendo aplicado a conflitos internos e externos; 3) Ambientação sensorial, descrevendo onde estão seus personagens, o que estão vendo ou sentindo.

Comentários

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fábio,a cada capítulo, eu vejo sua maestria em escrever. muito bom! todo o desenvolver, tudo isso nos leva ao que teremos o obicidian.

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