A amizade com quem tem dinheiro frequentemente traz oportunidades financeiras — e, em muitos casos, isso se prova uma verdade pragmática. Quando Rafael, com seu sorriso fácil e a promessa de conexões influentes, me ofereceu um negócio com seus amigos judeus da sinagoga, senti um frio na barriga, mas vi ali, inegavelmente, a minha chance de ascender ao nível da Ana. Ela desfilava com roupas de grifes renomadas, seus pulsos brilhavam com relógios caros que pareciam valer mais do que meu carro... era o estilo de vida que ela, na minha visão, merecia desfrutar, e eu ansiava por proporcionar isso. Mas, para cruzar aquela barreira social e financeira, eu precisava urgentemente convencer aqueles mauricinhos bem-nascidos de que, por trás da minha fachada talvez um pouco simples, residia um cara confiável, com visão e potencial para gerar lucros.
Rafael me pediu para encontrá-lo com os amigos na saída da sinagoga Beth El. Caminhei até lá com um pensamento fixo e impaciente martelando na minha cabeça: “Se eles atrasarem um único minuto sequer, interpretarei como falta de seriedade e vou embora, sem olhar para trás.” Mas, para minha surpresa e um certo alívio, os moleques, como Rafael os chamava informalmente, chegaram exatamente no horário combinado, em seus carros importados que ronronavam silenciosamente. Gostei daquela pontualidade. Deduzi que, apesar da pouca idade aparente, eles não estavam ali para brincadeira ou perder tempo.
— Você trouxe o que combinamos? — Rafael sussurrou a pergunta, a voz carregada de uma tensão teatral, bem diferente do tom despreocupado e do sorriso fácil do Rafael que eu conhecia dos corredores do colégio. A mudança repentina em seu comportamento me deixou ligeiramente desconcertado.
Tirei o envelope pardo, um pouco amassado pelo nervosismo em meu bolso, e entreguei para ele meu olhar estava sério, mas por dentro eu estava nervoso. Os amigos judeus que o cercavam na calçada em frente à imponente sinagoga observavam a transação em silêncio, alguns ainda ostentando o quipá sobre suas cabeças, um contraste entre a formalidade religiosa e a informalidade daquela negociação discreta.
— Não falei que ele era confiável, Cohen? — Rafael disse, com um meio sorriso que parecia buscar aprovação, olhando para o amigo posicionado à sua direita. Cohen era o mais alto e corpulento do grupo, com um nariz grande e distintamente pontudo, e o cabelo escuro cuidadosamente repartido de lado, a imagem clássica de um playboy com ares de poder. Com uma voz grave e imponente, daquele tipo que denota alguém acostumado a dar ordens e ser obedecido, ele finalmente se pronunciou, seus olhos fixos em mim:
— Podemos combinar toda semana, nesse mesmo horário. Só eu e você. — Seus olhos verdes penetrantes cravaram-se nos meus, transmitindo uma mistura de avaliação e uma autoridade incontestável.
O gorro da minha blusa de moletom escura cobria a aba do meu boné, numa tentativa de me proteger do vento cortante que varria a rua naquele final de tarde. O frio penetrava meus ossos, mas a perspectiva do negócio me aquecia por dentro. Concordei com um aceno de cabeça firme para Cohen, tentando não demonstrar o nervosismo que ainda me assaltava. A partir dali, naquele ponto discreto perto dos muros altos da sinagoga, comecei a minha arriscada jornada como distribuidor de drogas para uma rede que, pelas informações fragmentadas que chegavam até mim através de Rafael, atendia a uma parcela considerável da comunidade judaica na cidade.
Eu tinha pouca dúvida de que Cohen, com sua esperteza calculada e contatos influentes, revendia meu produto por preços exponencialmente mais altos, inflando seus próprios lucros de maneira gananciosa. Mas, naquele momento, engoli meu orgulho e ignorei a ponta de ressentimento. O que realmente importava era o fluxo constante de dinheiro que começava a jorrar para a minha conta bancária, antes quase vazia. Cada transação era um passo mais perto do "nível da Ana".
As entregas logo se transformaram em uma rotina fria e previsível. Toda semana, pontualmente no mesmo horário, na mesma esquina pouco iluminada a frente da sinagoga, Cohen surgia em seu carro importado, sempre com a mesma expressão inescrutável. Ele pegava o pacote que eu lhe entregava discretamente, seus olhos verdes percorrendo o conteúdo com um olhar clínico e calculista, como se estivesse avaliando a qualidade de um diamante. Sem trocar mais do que algumas palavras frias e objetivas, ele desaparecia na noite, deixando para trás apenas o ronco distante do motor potente. Cohen era eficiente, metódico, frio e, naquele arranjo puramente transacional, aparentemente confiável — pelo menos enquanto a engrenagem da grana continuasse girando sem falhas.
Naquele domingo ensolarado, o único dia da semana em que minha mente estava livre da rotina das entregas e eu não esperava cruzar com nenhum dos meus "sócios" da sinagoga, foi que a engrenagem da minha vida tomou um rumo inesperado. Eu estava voltando da casa da Ana, depois de um encontro que me deixara com um misto de satisfação e a persistente sensação de ainda não ser o suficiente para ela, quando decidi cortar caminho pela rua lateral da sinagoga Beth El. Era um atalho que me pouparia alguns minutos de caminhada e me deixaria mais tempo para remoer meus pensamentos sobre como impressioná-la ainda mais. Foi ali, naquele instante fortuito, que a vi.
Primeiro, fui envolvido por uma risada cristalina que flutuava no ar. Era suave, melodiosa, com aquele contagiante tom que imediatamente evoca um sorriso em quem a ouve. Intrigado, virei a cabeça na direção do som e a vi. Ela estava elegantemente encostada na lateral de um carro de luxo, conversando animadamente com Cohen.
A luz do sol da tarde realçava seus traços delicados: morena de pele clara com um leve toque dourado, os cabelos lisos e castanhos escorrendo sedosamente até a cintura, emoldurando um rosto de beleza singular. Seus lábios eram carnudos e bem desenhados, e seus olhos, ligeiramente puxados e de um castanho profundo, possuíam aquela intensidade penetrante que te olha e parece perscrutar cada recanto dos seus pensamentos mais íntimos. Naquele breve instante, senti como se o tempo tivesse parado, e toda a minha atenção fosse sugada por aquela visão inesperada.
Ela vestia uma calça de alfaiataria de um tom neutro impecável, que delineava suas pernas esguias de forma elegante, e saltos altos que a faziam parecer ainda mais alta e confiante. Uma blusa branca de tecido fino e levemente transparente insinuava a lingerie preta por baixo, um toque de ousadia que equilibrava a sofisticação do restante da vestimenta. Era a personificação da elegância despretensiosa, daquela provocação sutil que não precisava de exageros para atrair todos os olhares. O tipo de mulher que cruza seu caminho na rua e instantaneamente te faz perder a linha de raciocínio, te deixando momentaneamente desorientado.
— Ah, esse é o cara de quem te falei, Maya — Cohen disse, com um tom casual, percebendo minha aproximação hesitante. — O... o rapaz que entrega o produto.
Estranhei que Cohen falasse disso com a mulher, mas com a semelhança dos dois logo pude notar que Maya era sua irmã mais velha.
Os olhos escuros dela se voltaram para mim, percorrendo meu corpo de cima a baixo com uma lentidão calculada. Não havia julgamento naquele olhar, apenas uma curiosidade intensa e perscrutadora. Mas, por um breve instante, juro que captei um brilho diferente, quase um reconhecimento, e talvez... talvez fosse apenas a minha imaginação fértil, mas me pareceu ver um canto de seus lábios carnudos se curvar em um sorriso quase imperceptível, uma sutil aprovação silenciosa do que seus olhos encontravam. Aquela fração de segundo me atingiu como um choque elétrico, plantando uma semente de admiração e um quê de excitação inesperada.
— Prazer. Sou Maya — disse ela, a voz deslizando como seda, baixa e rouca, com um sotaque sutil que eu não consegui identificar de imediato, mas que soava sofisticado e exótico, como se viesse de um lugar distante e cheio de histórias. Era um timbre que ecoava diferente de todas as vozes femininas que eu conhecia, uma melodia intrigante que me fez prestar ainda mais atenção.
Ao envolver minha mão na dela, senti um choque percorrer meu braço, uma corrente elétrica inesperada que me fez prender a respiração por um instante. Juro por tudo. Não era aquela sensação adocicada e hesitante de um primeiro toque romântico — era algo mais intenso e imediato, um puro e inegável tesão que acendeu um fogo repentino em minhas entranhas. Maya exalava uma aura de mulher que não precisava de aprovação, que chegava e naturalmente dominava o espaço com sua presença magnética, sem sequer fazer esforço. E eu, que até aquele momento estava obcecado unicamente em juntar a grana necessária para finalmente me equiparar ao estilo de vida de Ana, senti algo visceral despertar em mim, algo que ia muito além da ambição financeira. Uma necessidade premente, uma vontade voraz de explorar o que aquela mulher representava.
Naqueles poucos segundos de contato, Maya personificava tudo aquilo que Ana, com sua beleza óbvia e seus gostos superficiais, jamais seria. Classe inata que emanava de cada movimento. Um ar de mistério envolvente que me fazia querer desvendá-la camada por camada. Uma aura de poder silencioso que emanava de seus olhos escuros e penetrantes.
E eu... naquele exato instante, com o formigamento ainda percorrendo meu braço e a imagem de seu sorriso fugaz gravada na minha mente, soube, com uma certeza avassaladora, que estava irremediavelmente ferrado. Minhas prioridades acabavam de sofrer uma reviravolta brusca e inesperada.
Vestibular, faculdade, o sonho dos meus pais, uma vida com a Ana, meu sonho, no meio disso tudo o meu dom, o meu acesso a lugares onde os garotos ricos do meu colégio não tinham.
A partir daquele encontro inesperado, a dinâmica dos meus negócios mudou drasticamente. Agora, minhas transações seriam conduzidas diretamente com Miriam e Cohen. Descobri que o pai dos dois era um empresário influente, proprietário de um clube noturno badalado no coração da cidade, e eles enxergavam uma oportunidade lucrativa em abastecer a clientela do local com os meus "produtos". Era um tipo de operação em uma escala diferente da distribuição discreta que eu fazia até então, com um potencial de volume e, consequentemente, de lucro muito maior, mas também com riscos inerentes a um ambiente mais exposto.
— Eu vou levar você lá pessoalmente e te mostrar exatamente como tudo vai funcionar — disse Miriam, aproximando-se de mim com uma desenvoltura elegante. Ela me tratou com um carinho quase infantil, um toque leve no braço e um sorriso condescendente, como se eu fosse um novato inseguro precisando de sua orientação. Aquele tratamento, embora um pouco incômodo para o meu ego, não diminuiu em nada o impacto de sua presença.
— Tudo bem. Quando podemos ir? — respondi com uma frieza calculada, tentando mascarar a intensidade do meu interesse por ela. Não queria que percebesse o quanto sua proximidade me afetava. Mas a verdade inegável é que Miriam era extremamente atraente. As curvas insinuantes que a calça de alfaiataria realçava, o sorriso enigmático que brincava em seus lábios, a forma como ela se movia com confiança sobre os saltos altos... tudo nela emanava um magnetismo irresistível, chamando a atenção como um farol em meio à escuridão. Eu estava tentando manter o foco nos negócios, mas a presença de Miriam tornava essa tarefa cada vez mais difícil.
— Volto em um instante — disse Miriam, com um aceno displicente antes de se afastar em direção à entrada lateral da sinagoga, seus saltos ecoando brevemente no asfalto.
Fiquei plantado na esquina, a brisa fria da tarde agora parecendo mais incômoda na ausência de sua presença magnética, ao lado de seu irmão, Cohen. Ele me encarava com um meio sorriso divertido, os olhos verdes faiscando com uma malícia quase fraterna.
— Se você bobear, ela te pega pra criar, garoto — ele comentou, balançando a cabeça como se já tivesse testemunhado aquela dinâmica se desenrolar inúmeras vezes. — A Mia adora um garoto mais... digamos... maleável.
Ignorei o comentário insinuante, tentando manter uma expressão impassível, embora por dentro a imagem de Miriam "me pegando pra criar" tivesse um apelo inegável. Pouco depois, vi os faróis inconfundíveis de um carro se aproximando. Miriam manobrava uma BMW antiga, de um modelo que eu não saberia especificar, mas que ostentava inegavelmente a marca de luxo alemã. A pintura escura brilhava sob a luz do sol que começava a declinar.
"Esses judeus realmente sabem viver", pensei, observando o carro parar elegantemente à nossa frente. Aquele era o tipo de carro que sinalizava um certo nível de poder aquisitivo, um universo distante da minha realidade até pouco tempo atrás. Aquele pensamento, carregado de uma ponta de inveja e admiração, reforçou ainda mais a minha crescente fascinação pelo mundo que Miriam e Cohen habitavam.
Miriam desligou o motor da BMW com um giro suave da chave e, com um movimento lento e deliberado, retirou os óculos escuros de grife que escondiam seus olhos penetrantes. Por um instante, seus olhos castanhos escuros encontraram os meus, e senti como se ela já tivesse acesso a todos os meus segredos, minhas inseguranças e minhas ambições mais ocultas. Era um olhar direto, avaliador, que me deixou ligeiramente desconcertado.
— Entre. Vamos dar uma volta — disse ela, a voz firme e direta, sem qualquer traço de hesitação ou rodeios. Sua objetividade cortava qualquer expectativa de uma conversa amigável ou um flerte inicial.
O trajeto até a boate, localizada em uma rua mais afastada do centro, foi marcado por um silêncio carregado de tensão. Miriam não se esforçou em puxar assunto, mas a ausência de palavras, paradoxalmente, comunicava muito sobre sua personalidade. O olhar ocasional que lançava de soslaio, a postura ereta e confiante ao volante, a forma como manobrava o carro com uma única mão no volante, demonstrando controle absoluto... tudo nela gritava que estava acostumada a dar as cartas e que não toleraria qualquer forma de oposição.
Quando finalmente chegamos ao clube, um prédio discreto com uma placa escura e elegante, Miriam estacionou em uma vaga reservada e desligou o carro. Antes que eu pudesse sair, ela já havia destravado a porta e me esperava do lado de fora. Entramos juntos no salão principal, e assim que a porta pesada se fechou atrás de nós com um clique seco, senti um arrepio percorrer minha espinha. O lugar estava completamente vazio e mergulhado em penumbra, mas a atmosfera carregava os resquícios da noite anterior: um cheiro inconfundível de álcool caro e destilados finos misturado ao aroma rico do couro dos sofás e, pairando no ar, uma fragrância indefinível que me remetia a algo selvagem, proibido... algo que inegavelmente lembrava perigo.
— Cohen me passou a impressão de que você tem estômago para lidar com certas responsabilidades. Mas o que vamos fazer aqui é de um calibre diferente, exige discrição e, acima de tudo, lealdade absoluta — ela começou, sua voz agora mais séria e incisiva, enquanto me guiava pelos corredores silenciosos do clube, desviando de mesas cobertas e cadeiras empilhadas, até chegarmos aos fundos, onde uma porta discreta se confundia com o painel de madeira escura.
Ela abriu a porta com uma chave que tirou do bolso da calça, revelando uma sala pequena e sem janelas, iluminada por uma luz fria e funcional.
As paredes eram revestidas por prateleiras discretas e alguns compartimentos inteligentemente escondidos atrás de painéis que se abriam com um leve toque. Miriam se dirigiu a um desses painéis, pressionando um ponto específico, e a madeira deslizou silenciosamente, revelando fileiras de pacotes de tamanhos e formatos variados.
— Aqui é o nosso santuário — explicou, gesticulando para o interior do compartimento. — É onde vamos guardar tudo o que chegar. Você traz, seguindo as instruções que eu te der, e eu cuido da distribuição dentro do clube e para os nossos contatos.
Ninguém além de nós dois tem permissão para entrar aqui. Essa é a nossa regra número um. Entendeu? — Seus olhos fixos nos meus não deixavam margem para dúvidas.
Assenti com firmeza, analisando o espaço com atenção. Era surpreendentemente limpo e organizado, com um sistema de armazenamento prático e pensado para a máxima discrição. Era evidente que aquele não era um improviso, mas sim o resultado de um planejamento cuidadoso e de uma mente experiente nesse tipo de operação.
— E mais uma coisa... — Miriam se aproximou lentamente, encurtando a distância entre nós até que sua respiração quente roçasse meu rosto. Seu olhar era intenso, quase predatório.
— Comigo não existem joguinhos de poder ou tentativas de me enganar. Eu observo cada movimento, cada palavra, cada reação. E tenho uma certa... inclinação para testar os limites daqueles que trabalham ao meu lado. Quero ter certeza absoluta de com quem estou lidando.
A mão de Miriam deslizou suavemente pelo meu braço, um toque leve que, no entanto, irradiava uma eletricidade palpável. Seus dedos finos percorreram o tecido da minha camiseta, subindo lentamente até repousarem em meu ombro, onde exerceram uma leve pressão, mantendo-me imóvel sob seu olhar fixo. Seus olhos escuros não vacilavam, mantendo um contato visual intenso que parecia me despir por dentro.
— Cohen é... intenso, digamos assim, mas a atenção dele se esvai com a mesma rapidez com que se acende. Eu não tenho essa tendência — ela continuou, a voz agora ainda mais baixa, carregada de uma sensualidade quente e perigosa, quase um sussurro confidencial que ecoava no pequeno espaço. — Quando eu quero alguma coisa, eu simplesmente tomo posse. Não perco tempo com rodeios. — Seus lábios se curvaram em um sorriso mínimo, predador. — E você... você me parece um bom investimento. Um diamante bruto a ser lapidado.
A atmosfera na sala se tornou incrivelmente densa, o ar parecia carregado de uma energia latente. Entre as prateleiras repletas de pacotes misteriosos e a luz fria e impessoal que pairava no ambiente, tudo parecia prestes a explodir em algo mais do que um simples acordo comercial. A tensão sexual era evidente, nunca imaginei passar por uma situação dessas, até o início do ano eu era apenas um geek viciado em animes.
Naquele instante, Miriam era a personificação de uma felina elegante e poderosa. A blusa branca, agora ainda mais solta devido à sua proximidade, revelava de forma tentadora a ousadia do sutiã preto sob a luz fraca. Pude notar o brilho sutil de um pequeno pingente delicado em seu pescoço, contrastando com a ousadia de sua lingerie. Impulsionado por um desejo repentino e avassalador, encurtei a distância entre nós e a encostei suavemente na parede fria, sentindo o leve baque surdo contra a madeira. No silêncio repentino, pude distinguir o som sutil de sua respiração acelerada e o roçar suave de suas roupas enquanto ela recuava minimamente. Sem hesitar mais, inclinei-me e selei nossos lábios em um beijo carregado de urgência e expectativa. Minha mão encontrou sua cintura fina, apertando-a de leve enquanto explorava a textura suave de seu tecido. Ela correspondeu ao beijo lentamente no início, mas logo sua experiência e desenvoltura tomaram a frente, seus lábios se movendo com uma delicadeza calculada que me incendiava por dentro.
— Não pense nem por um segundo que eu faço isso com qualquer um que entra por essa porta — sussurrou Miriam entre um beijo e outro, a voz rouca e carregada de uma advertência que soava mais como um desafio. Senti um arrepio percorrer minha espinha com a possessividade em suas palavras. Instintivamente, segurei seu queixo com firmeza, meus dedos roçando sua pele macia enquanto a pressionava ligeiramente contra a parede fria, intensificando o beijo.
— Eu sei exatamente a corrente que está te percorrendo agora, Miriam — murmurei em seus lábios, sentindo o tremor em seu corpo. — Porque essa mesma eletricidade está me consumindo por dentro. — E era a pura verdade. Ali, naquele instante, éramos dois corpos em chamas, movidos por uma atração visceral, uma excitação palpável que transcendia qualquer pretensão de romance ou afeto. Era a química bruta, o encontro explosivo de duas pessoas com uma tensão sexual latente que finalmente encontrava vazão. Sexo sem as amarras do compromisso, desprovido das ilusões do amor, alimentado unicamente pelo desejo carnal, pela busca incessante do prazer imediato.
Desci meus lábios pelo seu pescoço delicado, lambendo a pele macia com cuidado e volúpia, sentindo o leve arrepio que percorria seu corpo em resposta ao meu toque. Miriam correspondia ao meu carinho com pequenos gemidos abafados e aprofundando o beijo, suas mãos encontrando meus cabelos e os puxando levemente. A boate vazia nos envolvia em seu silêncio cúmplice, as cadeiras empilhadas de cabeça para baixo sobre as mesas ao nosso redor criando um cenário surreal para aquele encontro clandestino. A luz baixa e avermelhada que escapava de alguma luminária distante banhava o corpo de Miriam em tons quentes, realçando suas curvas e a tornando ainda mais irresistível aos meus olhos famintos.
— Me fode gostoso, porra, eu quero sentir você dentro de mim agora, aqui em cima — Miriam arfou as palavras com urgência, a voz embargada pelo desejo, enquanto se impulsionava com agilidade e subia no balcão de madeira escura da boate. Suas pernas se abriram ligeiramente, um convite explícito e inebriante. Sem perder um segundo, posicionei-me entre elas, sentindo a umidade quente e acolhedora enquanto meu membro encontrava seu caminho para dentro dela. O encaixe foi perfeito, um suspiro sincronizado escapou de nossos lábios, e então o ritmo começou. A cada investida, minhas coxas roçavam e batiam contra as suas, criando um som abafado que se misturava aos nossos gemidos. Eu a beijava com voracidade, meus lábios sugando os seus com intensidade, enquanto minhas mãos exploravam suas curvas. Ela era experiente, seus movimentos precisos e sensuais me guiavam, uma maestria que contrastava com a minha pouca vivência sexual, resumida até então aos encontros com Ana. A inexperiência, naquele momento, era um combustível a mais para a excitação.
A intensidade do momento, a descarga de adrenalina e a novidade daquela entrega selvagem fizeram com que eu chegasse ao ápice em um tempo surpreendentemente curto. Mas, pelo brilho intenso nos olhos de Miriam e pelos seus suspiros satisfeitos, ficou claro que cada segundo daquele encontro havia sido apreciado por ambos. Ali, naquele balcão empoeirado de uma boate adormecida, Miriam não era apenas minha nova sócia nos negócios ilícitos, mas também uma figura enigmática que despertava em mim desejos que eu sequer sabia que existiam. E aquele encontro ardente, eu sabia, era apenas o prólogo de uma história muito mais complexa e perigosa que eu estava prestes a viver.