CONFISSÕES QUE ME ALUCINARAM XI (MARCAS DA LUXÚRIA)
Esta é a décima primeira parte. Penúltima da primeira temporada desta história. Chegando novos leitores agora não entenderão tudo o que se passa. Sugiro que leiam os relatos anteriores, basta clicar sobre o nome do autor.
Capítulo 11 – A luxúria e a paixão
Fui me deitar perto da uma hora da madrugada. Me lembrei que havia deixado o celular conectado na TV da sala e fui buscar. Quando liguei o painel e destravei apareceram várias mensagens que haviam chegado. Obviamente da Lanna. A bateria estava bem fraca.
A primeira mensagem era um texto: “Amor, posso ligar? ”
O horário da mensagem marcava 21h00. Cerca de uma hora depois de eu ter deixado de assistir aos dois amantes. A Lanna havia ficado desconfiada de algo.
A segunda mensagem era outro texto: “Amor, me responde. Por favor. Suleiman já foi embora. ”
O horário dessa mensagem era 21h15. Ela estava ansiosa.
A terceira mensagem era áudio às 21h30:
“Amor, por favor, o que houve? Você não está vendo as mensagens? Tento ligar e não atende. O que se passa? Fico preocupada. ”
E assim houveram mais umas quatro mensagens a cada 15 minutos.
Fui no final das mensagens e escrevi: “Oi. Esqueci o celular na sala e ele arriou a bateria. Desculpe. Só vi agora. Acabei de colocar para carregar. ”
No meu telefone marcava 1h40. Lanna devia ter adormecido e lá era quase hora dela levantar numa segunda-feira. Eu tratei de dormir com o celular desligado.
Certamente que acordei às sete da manhã com muito sono ainda. Tive que me arrastar para debaixo do chuveiro, e tentar com a ducha me reanimar. Me arrumei, fui trabalhar e na hora de sair liguei o celular. Logo chegaram mensagens da Lanna.
Texto: “Ah, amor, que susto! Me deixou tensa a noite toda! Você está bem? Dormindo agora né? Ao acordar manda um sinal? ”
O horário dessa mensagem era 2h30, hora em que ela levantava lá na França.
A seguir, às 3h00 ela mandou um áudio:
“Amor, estou saindo. Hoje o dia está cheio. Estou deplorável, não dormi nada, preocupada com você. Ontem o Su saiu logo. Tomamos um banho, mas a sua saída cortou o clima. Eu perdi o embalo. Ele foi embora. Tentei falar com você e nada. Me angustiei muito. Quando der me avisa para eu ouvir sua voz. Beijo. Amo você. ”
Antes de sair eu gravei:
“Aqui está a minha voz. Parece meu pé na cova? Estou podre também. Acabei dormindo pouco. Saindo pro trabalho. Saudade. Fique bem. Beijão. ”
Quando eu estava no trabalho vi que ela mandou outra mensagem de texto: “O que é isto? Mandou e-mail? E um link? Só poderei ver na hora do almoço. Estou no curso. ”
Continuei trabalhando e às 9h00 da manhã, horário de almoço dela na França, mandou outro áudio:
“Amor! Que textão! Sei que está ocupado, então, quando você estiver livre me avise que eu chamo. Pode ser? Um beijão. ”
Meia hora depois vem uma mensagem cheia figurinhas de caras de brava, de olho arregalado, de medo, de choro, e de raiva.
Tive certeza de que ela já havia acessado o vídeo. Mas fiquei quieto e continuei trabalhando.
Mais meia hora chegou uma mensagem da Marina:
“Que foi isso? Ficou maluco? Quando puder me ligue. Por favor. A Lanna me chamou aqui e eu não sabia de nada. Agora que fui ver! ”
Quando deu 12h30, era meu horário de almoço. Então fui para um restaurante perto do trabalho, onde tem wi-fi, e não é muito cheio por ter preços mais elevados. Escolhi uma mesa mais ao fundo, distante de outros clientes e mandei sinal para a Marina.
“Estou em horário de almoço. Se quer falar pode me ligar. ”
Foi só colocar o fone de ouvido e ela chamou.
- Oi Gle, bom dia. O que foi aquilo? Quer matar todos do coração?
Imaginei que ela não tinha ficado brava com o vídeo. E deduzi que era satisfação pela reação da Lanna. Respondi de forma inocente
- Primeiro, preciso pedir desculpas. Eu gravei a gente naquele dia. Achava que nunca mais teria aquela oportunidade e precisava ter a memória. Depois, me senti mal tendo isso comigo, mas ficou tão bom, que em vez de destruir, resolvi dar uma prova da minha transparência com vocês. Vocês se quiserem destroem. Eu já deletei aqui.
Marina sorriu meio sem graça:
- Os vídeos sempre acabam com a minha vida. Parece ser destino.
- Acabam como? Explique...
- Acho que a Lanna ficou meio incomodada de assistir aquilo.
Perguntei:
- Mas não foi ela que mandou você lá? Não disse várias vezes que a gente podia? Imagine se a gente se encontrasse mais vezes?
Marina concordou:
- É, está certo. Mas essas coisas são complicadas. Uma coisa é só saber e não ver, a outra é assistir. Mulher é bicho complicado. A Lanna é louca por você. Ao ver a gente naquele fogo sentiu o peso da coisa. Você é como o pai dela. Não pode ser de ninguém! Ela entendeu que você estava dando o troco nela logo após o encontro com o francês. Mandou o vídeo na mesma noite.
- O que ela disse?
- Disse que sentiu muito ciúme, vendo você cheio de tesão comigo. E que só não sofreu mais porque era eu.
Eu não disse nada. Sabia que ela falaria mais. E Marina logo emendou:
- Eu não vou apagar nada! Está uma delícia! Não fizemos nada escondido. E foi muito bom. Quero mais. Vou guardar. Até poder gravar um novo.
Era a minha deixa:
- Você gostaria de gravar um novo?
- Oxe, claro que eu gostaria! Já dei todas as indiretas. Você que “medou”.
- Mas eu estava numa situação depressiva, o caso da Lanna me magoou muito. Não queria misturar as estações. E vocês duas são unha e carne!
Marina caiu matando:
- Mas ela autorizou. Liberou, se não tivesse liberado...
- Mas você não disse que ela hoje não gostou de ver o vídeo?
- Gle, entenda: Uma coisa é o que ela pensa, e diz, a outra é o que a emoção responde. No fundo ela sentiu ciúme de você. O medo de perder de novo a paixão da vida dela.
- Como assim?
- Ela liberou, deu até força, esperava que a gente ficasse mais próximos. Mas você que se isolou. Não rolou. Ela relaxou. Voltou a ficar bem com você. Hoje ela tremeu ao ver as cenas. Eu também tremeria. Ali não estávamos representando. Era pele com pele.
- Eu aproveitei e cutuquei:
- Ô coisa, boa. Nem é bom lembrar. Eu sou uma besta mesmo. Devia ter repetido logo.
Marina era rápida:
- Aproveite, ainda dá tempo. É só me avisar.
- Jura? Estou com essa bola toda?
Marina disse num tom sério:
- Tem todas as bolas que eu preciso. E o bastão perfeito.
Caí na gargalhada. A Marina era leve, resolvida. Perguntei:
- A Lanna não comentou o meu pedido?
- Não, qual pedido?
- Pedi se ela deixava a gente fazer igual ela fez comigo e o francês.
- Oxe! Que isso! Ela ainda não respondeu?
- Ainda não falei com ela. Estava no trabalho.
- Então, corninho gostoso, não demore. Assim que ela liberar me avisa. Estou até fervendo aqui.
Dei risada novamente. Fiz o sinal de uma figa com dedos cruzados e falei:
- Torcendo aqui. Mas depois de ter visto nosso vídeo você acha que ela vai liberar?
- Marina sorriu com jeito malandro:
- Se não liberar a gente faz na mesma. Tenho nada a perder mais. Só a ganhar.
Dei risada e provoquei:
- Muy amiga! Fura olho!
- A Lanna me deve uma furada homérica! Nos três olhos! Ela sabe!
Para encerrar eu disse:
- Se for para furar deixa que eu furo tá?
Ela riu divertida. Eu me desculpei:
- Tenho que encerrar. Senão eu não almoço. Fique ligada!
Marina falou:
- Deixa a fome pra me comer. Vou me depilar. Ficarei pronta!
- Tchau. Agora eu vou furar em todos lugres. Até o tímpano.
- Safado, gostoso!
Desligamos.
As cartas estavam jogadas e em breve a Lanna é que falaria comigo. Tratei de almoçar meio às pressas e voltei ao trabalho. Estava intrigado com o silêncio da Lanna e por ela não ter falado nada com a Marina. Talvez ela estivesse mesmo em dúvida, depois de ter visto as cenas do vídeo. Voltei ao trabalho e me desliguei do assunto. Ao sair no final da tarde mandei uma mensagem texto para a Lanna: “Oi, querida, saindo do trabalho. Indo para casa. ”
Lanna continuava muda e sem responder. Não era comum dela, sempre respondia. Em meia hora eu cheguei em casa, e mandei sinal de que estava em casa. Retirei a roupa e fui tomar uma chuveirada. Levei uns vinte minutos no banho quando chega uma mensagem de texto da Lanna:
“Amor. Desculpe. Não estou bem. Aquelas cenas do vídeo mexeram muito comigo. Nunca pensei em ver. Eu já estava abalada pela sua saída ontem meio de repente. Fiquei a noite toda angustiada sem conseguir falar consigo. Mal dormi. Aí, fui ler o seu texto e levei um susto. Ainda não consegui processar tudo. Você foi muito forte e objetivo. Tem uma frase que está me apavorando: “Espero você voltar em breve para a gente resolver definitivamente, o que faremos da nossa vida. ” Que isso! E as explicações sobre a compulsão me deixaram mais fragilizada. Me senti um lixo. Aí, fui ver o vídeo e desabei. Pela primeira vez na minha vida me senti na sua pele, vendo eu e o Suleiman. Tomei um tapa na cara. Você me abalou mesmo. Desculpe amor. Hoje eu não tenho condições de falar mais nada. Preciso de ajuda e vou na terapeuta. Por favor, estou novamente em crise. Beijos. Desculpe. ”
Pronto. Agora era eu que estava na dúvida. Marcava ainda com a Marina ou dava uma pausa? Esperava a Lanna reagir? Pensei e decidi que não iria dispensar a Marina. Tinha o álibi de que a Marina veio em nossa casa, e acabou que a gente se enrolou. Lanna não tinha dito que não podia depois de ter permitido. E eu precisava fazer aquilo logo, senão, Lanna ainda poderia melar o jogo.
Preparei um jantar gostoso, fritei dois bifes, fiz um molho acebolado, fiz arroz, cozinhei tiras de cenoura e fiz salada de alface e tomate. Eu não queria ligar para Marina, esperava que ela me ligasse ou viesse, seria mais certo. Acabei jantando, lavei a louça e fui ver o noticiário na sala. Eu estava mesmo muito cansado naquele dia, e nem deu cinco minutos apaguei no sofá. Acordei às três da madrugada, meio perdido, olhei no celular e vi uma mensagem da Marina às 22h00: “Deu ruim. Lanna me ligou aos prantos. Muito abalada. Pediu perdão por tudo que fez de mal na minha vida. Pediu para não ir na sua casa. Disse que vai esperar acabar o curso, e voltar. Aí falaremos os três juntos. ”
Agradeci, sem maiores conversas. Achei que era hora de esperar a Lanna se pronunciar. A Bomba havia provocado mais estragos do que eu havia imaginado.
Por curiosidade resolvi abrir meu notebook naquela hora mesmo. Meio da madrugada. Havia dormido mais de seis horas no sofá. Ao abrir meu correio eletrônico vi a mensagem da Lanna. Era um e-mail cujo cabeçalho dizia.
“Por favor, me perdoe. ”
No corpo do texto ela escreveu: “Amor, estou até com vergonha de falar com você. A terapeuta acabou me pedindo para que eu contasse mais do que estava acontecendo, e eu tive que relatar a história toda, inclusive traduzi para ela o que dizia o seu texto de ontem. Ela me disse que eu precisava realmente dar uma parada em tudo. Estava embaralhando e destruindo tudo que eu tenho de bom e de belo com os que mais me amam. Ficamos mais de três horas. Desde ontem estou numa depressão enorme. Ela me receitou tomar medicamento, reduzir minhas atividades e me tratar até meu regresso. Vou somente terminar o curso. Mandarei notícias curtas todos os dias, para sinalizar que estou bem. Devo evitar quaisquer movimentos e discussões que piorem ainda mais as coisas. Amor, só lhe peço que me aguarde. Tenha paciência. Vou me tratar, e vou voltar. Amo você. Não devemos falar mais desse assunto por hora. É uma recomendação dela. Para não abrir as feridas. Beijo. Amo você.”
Fiquei ali sentado no sofá, bastante emocionado. Não esperava mesmo aquele desfecho. Se havia caído a ficha para a Lanna, se a terapeuta resolvera mostrar o tamanho da encrenca, ou se era o efeito emocional das minhas palavras nela eu não sabia. Mas estava diante de uma decisão que poderia realmente mudar definitivamente o rumo das coisas.
Fui me deitar e dormi duas horas como se tivesse desmaiado. Acordei com o alarme para mais um dia de trabalho. Tomei banho, me arrumei, e enquanto tomava café eu mandei uma cópia da mensagem da Lanna para a Marina. Achava que ela precisava saber o que a Lanna me dissera. Aproveitei para falar que na hora do almoço poderíamos conversar. E fui para o trabalho.
No meio do dia, minha conversa com Marina foi simples. Eu estava emocionalmente abalado com a reação da Lanna e a Marina se sentia da mesma forma. Mas ela no meio da conversa disse uma frase que me deixou bastante intrigado. Eu dissera que talvez a Lanna fosse uma pessoa completamente bipolar, a ponto de fazer coisas sem ter a menor noção de sua gravidade. Marina então comentou: “Onde tem paixão, pode nascer o amor. Tenho certeza que entre nós, existe muita paixão e devemos cuidar para que o amor nos leve no caminho certo. Eu não fui destruída porque entre eu e Lanna sempre existiu uma grande paixão. Ela não será destruída porque entre você e ela também existe uma grande paixão. E onde floresce a paixão nem a luxúria consegue destruir.”
Restava aguardar as duas semanas que faltavam para o regresso da Lanna. Foram longos dias de expectativa e espera.
Continua.
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